No dia seguinte, chegou a hora da segunda dose. Dessa vez eu não precisei ficar tanto tempo pensando antes de chamar o Lucas. O problema continuava o mesmo e meu ombro ainda estava doendo. Quando ele apareceu, eu só mostrei o remédio e disse que era a segunda dose. Ele respondeu que lembrava. Falei que então já estava melhor para ele, e ele disse que um pouco, porque na primeira ele estava com medo de fazer alguma coisa errada. Eu confessei que também estava. Ele deu uma risada curta, meio sem graça.
Dessa vez ele já sabia onde se posicionar. Sentei na cama, me deitei de lado e puxei a calcinha para baixo, tentando não pensar no que estava fazendo. Ele se ajoelhou atrás de mim, e eu senti o calor do corpo dele mais próximo do que antes. A mão dele tocou minha bunda com mais firmeza, abrindo espaço para a aplicação. O dedo deslizou sobre a vaselina e encontrou meu cu com mais segurança. Ainda era um toque médico, mas ele demorou um pouco mais ali, passando a vaselina em círculos lentos antes de introduzir o supositório. Dessa vez entrou certo, e eu soltei um suspiro de alívio. O dedo dele ficou pressionado por um segundo a mais do que o necessário, como se estivesse verificando, e eu senti a unha roçar levemente a borda. Ele retirou a mão devagar.
Agradeci de novo, e ele respondeu que não tinha sido nada. Dessa vez ele não saiu correndo. Caminhou até a porta num ritmo normal, e eu fiquei olhando para as costas dele antes de me dar conta do que estava fazendo.
No terceiro dia, eu já tinha deixado o remédio separado antes de chamar o Lucas.
Quando ele apareceu na porta, olhou para a mesa e viu que eu já tinha preparado tudo. Perguntou se eu já tinha deixado separado, e eu disse que sim, para não precisar ficar procurando depois. Ele respondeu que era melhor. Foi só isso.
Na terceira vez, o costume começou a aparecer. Ele sentou na cama sem eu precisar falar onde. Eu me deitei de lado, e ele já sabia o ângulo certo para não forçar meu ombro. Dessa vez, ele não foi direto ao ponto. Passou a vaselina no dedo e, antes de tocar o supositório, deslizou a ponta do dedo sobre a minha bunda, traçando uma linha lenta até o meio. Eu senti a pele arrepiar. Ele fez um círculo em volta do meu cu, como quem testa a temperatura, e depois empurrou o supositório com um movimento contínuo, sem aquelas paradas nervosas dos primeiros dias. O dedo dele ficou ali, dentro de mim, por alguns segundos, sem se mexer, apenas presente. Eu senti o calor da palma da mão encostada na minha bunda, e a respiração dele estava mais lenta, mais controlada. Quando ele retirou o dedo, a ponta roçou a borda do meu cu com uma lentidão que já não parecia acidental.
Ele ficou parado por um instante, com a mão ainda perto. Depois se levantou e saiu.
Eu fiquei deitada, sentindo o lugar onde a mão dele tinha estado, e me perguntando por que eu estava prestando tanta atenção naquilo.
Já na quarta vez, eu não sei se foi naquele dia que comecei a prestar mais atenção nele. Talvez tenha sido.
Comecei a reparar no jeito que ele ficava perto de mim e em como desviava o olhar quando nossos olhos se encontravam. Ele continuava tímido, mas parecia menos perdido do que nos primeiros dias.
Eu também estava diferente.
Não sei explicar exatamente como.
Talvez fosse só porque eu já tinha me acostumado.
Na quarta aplicação, eu percebi que estava esperando pela hora.
Estava sentada no quarto mexendo no celular e, quando olhei para o relógio, pensei que já estava quase na hora de chamar o Lucas.
Aquilo me fez parar por alguns segundos.
Eu não estava esperando pelo remédio.
Estava esperando por ele.
Tentei não pensar muito nisso.
Quando chamei, ele apareceu pouco depois. Perguntou se estava doendo mais naquele dia. Eu disse que um pouco, porque tinha mexido demais o braço. Ele respondeu que então ia tomar mais cuidado. Falei que tudo bem. Ele ficou parado por um instante, e eu também. Depois fomos para o banheiro.
Na quarta vez, a tensão apareceu de verdade. Ele se posicionou atrás de mim, e eu senti o joelho dele encostar de leve na minha coxa enquanto ele se ajustava. Não era um contato que ele precisava fazer, a cama era grande o suficiente, mas aconteceu. Eu não me afastei. Ele passou a vaselina no dedo e, antes de tocar o supositório, a mão livre dele encontrou minha bunda, não um toque casual, mas uma pegada firme, como se estivesse me segurando no lugar. Eu arfei baixinho. Ele deslizou o dedo sobre o meu cu, fazendo movimentos circulares que não eram necessários, que eram puro prazer. A ponta do dedo pressionou a entrada, e ele não entrou. Ficou ali, rodeando, provocando. Eu senti a respiração dele quente contra a minha nuca, e minha buceta começou a latejar, molhando a calcinha. Ele empurrou o supositório com uma lentidão intencional, e o dedo acompanhou, entrando um pouco mais do que o necessário. Eu fechei os olhos e mordi o travesseiro. Quando ele retirou, a ponta do dedo deslizou para baixo, roçando a entrada da minha buceta por um segundo. Um toque rápido, quase um acidente. Mas não era acidente.
Ele se levantou e saiu, mas a porta demorou um pouco mais para fechar.
Naquela noite, fiquei pensando nisso mais do que gostaria.
No quinto dia, eu já sabia que estava percebendo aquela situação de uma maneira diferente.
Eu poderia ter pedido ajuda de outra forma. Poderia ter tentado novamente sozinha. Poderia até ter esperado meu ombro melhorar.
Mas, quando chegou a hora, eu chamei o Lucas.
Ele entrou no quarto e olhou para mim. Perguntou se já estava tudo pronto, e eu disse que sim. Ele disse "então vamos". Eu comentei que ele falava como se estivesse fazendo isso há meses. Ele ficou meio sem graça e respondeu que só já sabia como funcionava. Eu sorri e concordei.
Na quinta vez, eu já estava consciente de que a situação tinha mudado. Quando ele se ajoelhou na cama, a mão dele encontrou meu quadril primeiro, um toque firme, puxando-me para perto. Eu não precisei falar nada. Ele sabia exatamente o ângulo. Dessa vez, ele não pegou o supositório imediatamente. Passou a vaselina generosamente no dedo e, com a outra mão, abriu minha bunda com um movimento lento, expondo meu cu completamente. Eu ouvi a respiração dele mudar, ficar mais pesada. O dedo dele tocou a entrada e ficou ali, pressionando suavemente, fazendo círculos lentos. Eu senti a vaselina escorrer pela pele. Ele enfiou a ponta do dedo, não o suficiente para o supositório, apenas a primeira falange, e eu soltei um gemido abafado. Ele parou, como se esperasse uma reação. Eu não disse para parar. Ele continuou, movendo o dedo para dentro e para fora num ritmo lento, explorando a textura, a temperatura. Minha buceta já estava escorrendo, e ele deve ter sentido o calor porque a mão dele apertou minha bunda com mais força. Depois de vários segundos, ele retirou o dedo e, finalmente, colocou o supositório. Mas dessa vez ele não parou depois. A mão dele deslizou pela minha coxa e encontrou minha buceta molhada, e ele passou dois dedos por cima, apenas sentindo a umidade, sem penetrar. Eu tremi inteira.
Eu disse o nome dele, e ele perguntou o quê. Eu respondi que não era nada. Não sabia o que dizer.
Ele se levantou, mas antes de sair, olhou para mim. Não foi um olhar rápido. Foi um olhar que durou o suficiente para eu perceber que ele também estava pensando.
Depois dessa vez eu fiquei bastante tempo pensando.
Eu sabia que estava carente. Sabia que minha cabeça não estava exatamente no melhor lugar depois da separação.
Talvez por isso eu estivesse prestando atenção demais.
Mas também não conseguia simplesmente fingir que não tinha percebido nada.
No sexto dia, eu já não precisava chamar o Lucas duas vezes.
Quando chegou o horário, ele apareceu.
Perguntei se ele estava esperando eu chamar, e ele respondeu "mais ou menos". Eu insisti, e ele disse que tinha me visto separar o remédio. Eu ri e comentei que então ele estava prestando atenção. Ele falou que só tinha visto, com o olhar baixo. Eu não respondi.
Na sexta vez, a mudança foi clara. Ele não sentou na beirada da cama como antes, sentou mais para dentro, mais perto de mim. Quando a mão dele tocou a vaselina, eu percebi que ele não estava mais tremendo. Estava firme, seguro. Ele passou a vaselina em dois dedos, não em um. A mão livre segurou minha bunda com força, abrindo-me completamente. O primeiro dedo entrou no meu cu com uma pressão firme, e eu arfei alto. Ele não colocou o supositório. Ele apenas moveu o dedo para dentro e para fora, lento, profundo, me deixando sentir cada centímetro. Eu enterrei o rosto no travesseiro e gemi. Ele adicionou um segundo dedo, e eu senti a abertura, a sensação de estar cheia, com um leve ardor que rapidamente se transformou em uma pressão deliciosa. Ele curvou os dedos, procurando o ponto certo, e eu gritei baixinho quando encontrou. Minha buceta estava pulsando, molhando a coxa. Ele retirou os dedos lentamente e, em vez de colocar o supositório, inclinou-se sobre mim. Eu senti o calor da boca dele perto da minha bunda, a respiração quente contra a pele. A língua tocou meu cu pela primeira vez, um toque rápido, hesitante, como um beijo molhado. Eu congelei. Ele parou, esperando. Eu não disse nada. Ele fez de novo, a língua deslizando sobre a entrada, lambendo a vaselina e o meu gosto. Foi breve, talvez cinco segundos, mas eu senti cada milímetro. Depois ele colocou o supositório com um movimento rápido e se afastou.
Quando ele se levantou, eu ainda estava deitada, com os olhos fechados, sentindo o calor onde a língua tinha tocado.
Depois disso, eu comecei a contar quantas doses ainda faltavam.
Duas.
Eu não gostava muito de pensar nisso.
Na sétima aplicação, eu olhei para a caixa antes de chamar o Lucas.
Disse que aquela era a penúltima, e ele concordou. Falei que amanhã terminava, e ele soltou um "nossa, já?". Eu não soube por que aquela resposta ficou na minha cabeça. Talvez ele só estivesse falando do tratamento. Provavelmente era isso. Mesmo assim, fiquei alguns segundos olhando para ele e repeti "pois é".
Na sétima vez, a expectativa estava no ar. Ele se posicionou mais devagar do que nos dias anteriores, como se estivesse prolongando cada movimento. Quando passou a vaselina, a mão dele demorou sobre a minha pele, e eu senti o polegar traçar uma linha até o meio da minha bunda. Dessa vez ele não usou os dedos. Ele se inclinou e eu senti a língua dele, quente, molhada, firme, deslizando sobre o meu cu, lambendo devagar, em círculos, pressionando a entrada. Eu arfei e curvei as costas. Ele segurou minha bunda com as duas mãos e abriu-me, enterrando a língua mais fundo, lambendo como quem prova algo que deseja há muito tempo. Eu gemi sem vergonha. Minha buceta estava encharcada, e eu mexi os quadris contra a boca dele, querendo mais. Ele lambeu por vários minutos, alternando entre círculos e entradas rápidas, até que eu senti o orgasmo vindo, uma onda quente que subiu da espinha. Ele deve ter percebido, porque parou. Não queria que acabasse. Em vez disso, enfiou dois dedos no meu cu e moveu devagar, enquanto lambia a borda, e eu gozei ali, na boca e nos dedos dele, sem tocar na buceta. Meu corpo tremeu inteiro, e eu mordi o travesseiro para não gritar.
Ele se levantou sem olhar para mim.
Eu chamei o nome dele, e ele parou na porta. Eu disse "amanhã...", e ele respondeu "eu sei". E saiu.
Depois que ele saiu, fiquei olhando para a última unidade dentro da caixa.
Amanhã seria a última.
Eu não sabia exatamente o que estava sentindo.
Só sabia que não estava esperando o fim do tratamento da mesma maneira que esperava no primeiro dia.
No oitavo dia, eu fiquei alguns minutos com o remédio na mão antes de chamar o Lucas.
Era a última vez.
Quando ele entrou, olhou para mim e depois para a caixa. Perguntou se era a última mesmo, e eu confirmei. Ele ficou quieto, e eu também. Depois de alguns segundos, entreguei o remédio para ele e pedi para ele tomar cuidado com o meu ombro. Ele disse que ia tomar.
Na última vez, não havia mais hesitação. Ele fechou a porta atrás de si, algo que nunca tinha feito. Eu me deitei de lado, mas ele não me deixou. Virou-me de bruços, puxou meu quadril para cima, e eu fiquei de quatro, com a cara no travesseiro, a bunda erguida, totalmente exposta. Ele tirou a própria roupa, eu ouvi o zíper, o tecido caindo. Depois, ajoelhou-se atrás de mim. A mão dele encontrou meu cu, deslizou sobre a vaselina, mas ele não parou. A língua quente pressionou a entrada com força, lambendo, sugando, entrando com uma fome que eu não esperava. Eu gemi alto, e ele enfiou dois dedos no meu cu enquanto a língua rodeava a borda, estimulando os dois lados. Minha buceta estava tão molhada que eu sentia escorrer pela coxa. Ele tirou os dedos e eu ouvi o som da própria boca sobre mim, lambendo sem pressa, como quem sente cada centímetro. Eu mexi o quadril contra ele, querendo mais, e ele cuspiu no meu cu, um som molhado e pesado, e enfiou a língua fundo, enquanto a mão dele deslizava por baixo e encontrava minha buceta pulsante. Ele enfiou dois dedos na minha buceta enquanto lambia meu cu, e eu senti os dois buracos cheios, língua e dedos, numa dança lenta e forte. Eu gozei duas vezes, a primeira silenciosa e com espasmos, a segunda com um grito abafado no travesseiro. Ele não parou. Continuou lambendo, sugando, até que eu estava sem forças, apenas tremendo, o corpo mole sobre a cama. Então ele se afastou, e eu senti a cabeça do pau dele, dura, quente, pressionando a entrada do meu cu, mas ele não entrou. Apenas esfregou a cabeça contra a vaselina e o meu mel escorrendo, roçando a borda, provocando. Eu quis pedir para ele entrar, mas as palavras não saíram. Ele gemeu baixinho, e eu senti o líquido quente espalhar-se pela minha bunda. Ele gozou ali, sem penetrar, só esfregando contra o meu cu. Depois, ficamos imóveis por um longo tempo, ofegantes.
Ele se levantou devagar. Eu ouvi o barulho da calça sendo puxada. A porta abriu e fechou sem barulho.
Sinceramente, ainda estou tentando entender como uma coisa que começou por causa de um remédio e de uma dor no ombro chegou naquele ponto.