O Sol daquele domingo derramava um calor denso, fazendo a água da piscina cintilar como um espelho quebrado. O cheiro adocicado de protetor solar misturava-se ao aroma defumado que escapava da churrasqueira, enquanto o som de risadas soltas e o tilintar de garrafas de cerveja preenchiam o ar. De dentro da água, com os ombros largos submersos e o cabelo curto molhado grudado na testa, Gabriel observava sua esposa. Laura estava na beira da piscina, rindo de algo que uma das filhas dissera. Aos trinta e sete anos, ela carregava a beleza crua e inegável das mulheres reais. Não tinha o corpo de revista; tinha coxas grossas que marcavam presença, quadris fartos e uma feminilidade terrena que sempre fez o sangue de Gabriel ferver. Mas, nos últimos meses, a rotina havia se tornado uma poeira fina a sufocar o desejo. Entre planilhas de trabalho, o choro das crianças na madrugada e a exaustão crônica das contas a pagar, a mulher que ele devorava com os olhos havia sido engolida pela mãe dedicada. Gabriel sentia uma sede desesperadora daquela intimidade visceral; Laura, exausta, mal percebia que havia deixado o papel de esposa em segundo plano. Eles não tinham segredos, conheciam a alma um do outro, mas o tempo — esse ladrão silencioso — havia roubado o espaço para serem apenas homem e mulher. Naquele dia, porém, o álcool da cerveja gelada já começava a dissolver as amarras de Laura. Ela usava um vestido de verão soltinho, de um tecido tão fino que, contra a luz abrasadora do Sol, tornava-se perigosamente translúcido. Sob a estampa clara, os seios médios e firmes balançavam livres da prisão de um sutiã. E, mais abaixo, a sombra escura de uma calcinha preta, minúscula e de renda delicada que desenhava-se como um segredo mal guardado. Foi então que a dinâmica mudou. Encostado em uma das mesinhas de plástico, longe da confusão das crianças, um homem desconhecido bebericava seu drink. Era casado, mas estava sozinho no evento. Discreto, de feições marcantes e olhar cirúrgico, ele não demorou a notar a miragem que era Laura sob o Sol. O vestido dela era um convite silencioso, e o olhar do estranho, embora cauteloso, foi fisgado pela sombra da renda preta e pelos contornos dos mamilos enrijecidos pela brisa repentina. Laura percebeu. Uma mulher sempre sabe quando é o centro da gravidade de um homem. Instintivamente, ela buscou os olhos de Gabriel dentro da piscina. O olhar dele era escuro, profundo, e trazia aquele sorriso contido e raro que a desarmava por completo. Havia uma cumplicidade brutal entre eles: Laura sabia, com a certeza de quem conhece cada milímetro do marido, que Gabriel adorava vê-la sendo desejada. Era o combustível secreto deles. E ali, com a pele aquecida pelo Sol e a alma leve pelo malte da cerveja, Laura decidiu alimentar a fogueira. Com a naturalidade de quem não tem segundas intenções, ela começou a atuar. O homem misterioso a observava como um predador silencioso, sem saber que, na verdade, era apenas um peão no tabuleiro de xadrez do casal. Laura se abaixou para pegar a boia de uma das filhas. O movimento rápido e fluido fez o vestido subir generosamente pelas coxas grossas, enquanto o decote cedia à gravidade, revelando a curva farta dos seios e a textura da pele arrepiada. O estranho engoliu em seco. Do outro lado, os olhos de Gabriel brilhavam como brasas. O calor e a visão hipnótica pareceram arrastar o estranho. Sem desviar os olhos, ele deixou o copo na mesinha e desceu os degraus da piscina, buscando refrescar o próprio desejo. Incentivada pela aprovação muda do marido, Laura caminhou até a borda da piscina para conversar com sua amiga que nadava próximo a Gabriel. Ela parou estrategicamente a um passo de onde o homem desconhecido estava imerso na água. A posição era perfeita. A luz do Sol, o reflexo da água e o vento conspiraram a favor do observador. De onde estava, o estranho podia deleitar-se com a visão absoluta e inebriante do interior das pernas de Laura, que estavam propositalmente entreabertas, a renda delicada e transparente, moldada sobre o relevo liso de sua intimidade, não deixava quase nada para a imaginação. Laura sorria, fingindo ignorância, sentindo a adrenalina pulsar nas veias, inebriada pelo poder de dominar a atenção de um e incendiar a luxúria do outro. A festa terminou com o pôr do Sol, mas a verdadeira chama havia acabado de ser acesa. A viagem de carro de volta para casa foi preenchida por um silêncio carregado de uma tensão que fazia o ar parecer denso. Assim que as crianças foram colocadas na cama e a porta do quarto principal se fechou com um clique suave, a mãe dedicada desapareceu, deixando apenas a mulher faminta. Gabriel não disse uma palavra quando suas mãos deslizaram pelas pernas grossas de sua esposa que ele tanto ama, agarrando o tecido fino do vestido e puxando-o para cima, revelando a mesma renda preta que havia assombrado o estranho a tarde inteira. A respiração de Laura falhava, quebrando-se em suspiros roucos que ecoavam pelo quarto na penumbra. O suor colava seus corpos, a fricção das peles criando uma eletricidade que beirava o insuportável. Gabriel a olhou nos olhos, o rosto contorcido pela paixão crua, e sussurrou, a voz grossa vibrando contra a orelha dela: — Aquele cara na festa... Ele não conseguia tirar os olhos de você. Laura arquejou, os dedos cravando nas costas largas do marido, sentindo o peito inflar com a menção do jogo. — Eu vi... — ela sussurrou de volta, a voz trêmula. — Eu fiz de propósito. Para você ver. Para ele ver o que é seu. — Ele queria você, Laura. — As palavras de Gabriel eram um feitiço perigoso, uma fantasia sussurrada que quebrava as barreiras da rotina monótona. — Imagina... se eu deixasse. Se eu ficasse sentado naquela cadeira, apenas assistindo... assistindo ele tirar essa sua calcinha. Assistindo ele tomar você na minha frente. A imagem visualizada em palavras fez um calor brutal explodir entre as pernas de Laura. Eles nunca haviam tocado em outro corpo, eram dolorosamente fiéis e o mundo real pertencia apenas aos dois. Mas, ali, no santuário da imaginação e da intimidade absoluta, a ideia de ser possuída por um estranho sob o olhar faminto do próprio marido era o ápice da perversão poética.
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