Um amor de mãe - Parte 3


A segunda aula começou errada já na entrada.

Ela chegou abrindo a porta do quarto sem bater, com uma energia que não combinava em nada com a situação.

— Tá. Hoje a gente vai fazer direito.

Levantei os olhos devagar.

— Isso nunca é verdade quando você fala assim.

— Ontem foi conversa. Hoje é ensaio completo — disse ela, largando a bolsa na cama. — E sem frescura.

— Mãe…

— Nada de mãe. — Ela apontou na minha direção. — Hoje eu sou outra pessoa.

— Quem?

Ela pensou meio segundo.

— Sei lá, uma enfermeira

— Enfermeira?

— É. — cruzou os braços. — Mulher normal. Trabalha muito. Plantão puxado. Vive cansada. Gente de verdade.

Respirei fundo
.
— Isso não vai funcionar

— Confia. — Ela puxou a cadeira e sentou de frente pra mim. — A gente já tá conversando faz uns dias no aplicativo.

— Já comecei perdendo, então.

— Foco, filho! — Ela pigarreou, mudou o tom de voz, mais doce e artificial. — Oi… cheguei agora do plantão. Morta.


— Ah… oi.

Ela fechou os olhos

— Para tudo. — abriu de novo. — Você respondeu como se eu tivesse pedido informação na rua.

— Eu falei oi!

— Falou “oi” sem alma nenhuma! — reclamou. — Vai de novo.

Ela voltou pro personagem.

— Cheguei agora do hospital. Hoje foi puxado demais.

— É… — pensei rápido. — Plantão deve ser tenso mesmo.

— Melhor. — assentiu. — Continua.

— Você trabalha em hospital público ou particular?

Ela apontou pra mim, animada.

— AÍ! — disse, saindo do personagem. — Tá vendo? Pergunta boa.

Ela voltou a atuar.

— Público. SUS. Lotado.

— Imagino… — eu disse. — Deve ser cansativo lidar com tanta gente.

— Ótimo. — ela sorriu. — Agora você tá conversando. Não tá se explicando.

Relaxei um pouco.


— E você? — perguntou ela, ainda no personagem. — Faz o quê?

— Faço faculdade.

Ela fez cara feia.

— Aí já caiu de novo.

— Mas eu faço!

— Eu sei, mas fala como pessoa! — disse ela. — Você estuda o quê? Por quê? Você gosta ou só tá indo?

— Tá bom… — ele respirou. — Eu faço faculdade, mas ainda tô meio perdido. Gosto de aprender, mas não sei muito bem onde quero chegar.

Ela parou.

— Viu? — disse, saindo do personagem. — Isso é honesto. Isso é conversa.

Assenti, meio surpreso.

— Agora vem a parte que você sempre estraga — continuou Régia.

— Qual parte?

— A parte que você acha que já tá tudo encaminhado.

— Eu não acho..

— Acha sim. — Ela cruzou os braços. — Você pula etapas

— Mas não é assim que funciona?

— Funciona quando tem clima! — disse ela. — Você pula etapa. Parece que tá com pressa de chegar no beijo.

Desviei o olhar.

— Eu não sei identificar o clima.

— Então presta atenção. — respondeu ela. — Clima é resposta. É interesse. É a pessoa perguntar de você também.

Ela voltou pro personagem.

— A gente tá se dando bem, né?

— Tá… — eu disse

— Aí você vai lá e manda o quê?

— Quer sair comigo?

Ela levou a mão ao rosto.

— Não, meu filho…

— Então como fala?!

— Tipo… — ela pensou. — “Tô curtindo trocar ideia com você. A gente podia continuar isso fora daqui.”

Eu arregalei o olho
.

— Nossa… isso soa…bem melhor

— Porque é. — respondeu ela.

Ficamos em silêncio alguns segundos.

— Agora chega de ensaio — disse ela

— Eu me sinto frustrado. — disse baixo. — Todo mundo da minha idade já transou

Ela ficou quieta.

— Na faculdade os caras zoam. — continuei. — Falam como se fosse regra. Como se eu tivesse falhado.

— Eu me sinto pra trás.

Vi ela abrir a boca. Fechar. Tentou puxar alguma frase. Não achou nenhuma.

— Filho… — começou, e parou.

No lugar das palavras, ela levantou e me deu um abraço.

Meio duro no começo.

Depois firme.

Alguns segundos depois, eu encostei minha cabeça no ombro dela.

— Eu não sei te ensinar isso direito — murmurou ela. — Mas você não tá quebrado.

— E mais cedo ou mais tarde vai acontecer, tenha calma e paciência

As palavras dela era um alento, mas ainda assim, eu via como algo inalcançável para mim.


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Ficha do conto

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Nome do conto:
Um amor de mãe - Parte 3

Codigo do conto:
256569

Categoria:
Incesto

Data da Publicação:
10/03/2026

Quant.de Votos:
2

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