Um sonho a dois - 1

Eu sempre achei que morreria velho demais para perceber a morte chegando.

Daquelas mortes lentas, silenciosas. Um velho cansado numa cadeira de varanda olhando o pasto enquanto o coração simplesmente decide parar.
Nunca imaginei que ela viria me olhando nos olhos aos cinquenta e cinco anos.

Tudo começou com as tonturas.

No início achei que era cansaço. Eu ainda acompanhava muita coisa da fazenda pessoalmente. Gostava de andar entre os currais, sentir o cheiro da terra molhada depois da chuva, conversar com peão antigo tomando café forte em caneca esmaltada.

Mas as dores de cabeça começaram a piorar.

Fortes.

Latejantes.

Uma manhã precisei me apoiar na cerca porque o mundo simplesmente girou.

Lembro do sol queimando meu rosto e do gosto metálico estranho na boca.

Depois disso minha filha praticamente me obrigou a fazer exames.

“Pai, o senhor não tem mais vinte anos.”

Ela tinha razão.Eu precisava verificar

Dois dias depois eu estava sentado em um consultório gelado ouvindo um médico mexer em folhas de exame sem coragem de olhar diretamente para mim.

Aquilo já dizia tudo.

— Senhor Raul… encontramos uma massa cerebral.

Eu fiquei em silêncio.

Ele continuou falando.

Tumor.

Agressivo.

As palavras começaram a perder o sentido depois de um ponto.

Eu só conseguia olhar para a janela atrás dele.

Tinha uma árvore lá fora.

Um ipê amarelo.

Engraçado como a vida continua bonita mesmo quando a sua está acabando.

— Então não tem mais jeito!!?

— Olha, não vou mentir para o senhor. É bem dificil

— Quanto tempo eu tenho? — perguntei.

O médico respirou fundo.

— É difícil prever… se não intervimos rapido em meses as coisas complicam de vez.Vamos marcar a cirurgia

Cinquenta e cinco anos resumidos em meses.

Saí do hospital sozinho.

Entrei na caminhonete e fiquei quase vinte minutos parado sem ligar o motor.

Depois peguei o celular.

A única pessoa para quem eu queria ligar.

Minha filha, Livia

Ela atendeu rápido.

— Oi pai.

Minha garganta travou.

Fechei os olhos por um instante.

— Filha…

Ela percebeu na hora.

— O que aconteceu?

Olhei minhas mãos tremendo no volante.

Pela primeira vez em décadas eu me senti pequeno.

Frágil.

— Eu tô doente.

Silêncio.

— Que doença?

Engoli seco.

— Um tumor.

Do outro lado da linha, silêncio outra vez.

Pesado.

Doloroso.

— É grave? — ela perguntou baixinho.

Olhei para o céu através do para-brisa.

— É.

Ouvi ela puxar o ar devagar.

— Eu tô indo aí.

— Não precisa dirigir agora

— Pai. Eu tô indo.

A ligação terminou.

Fiquei sozinho outra vez.

E naquele momento entendi uma coisa terrível:

não importa quanto dinheiro um homem faça…

não existe fazenda, boi ou hectare de terra capaz de comprar mais tempo.

Livia chegou naquela noite.

Quando ouvi o carro dela entrando na fazenda, senti um aperto estranho no peito.

Ela entrou pela porta da sala ainda usando calça jeans escura e botas.

Alta igual eu.

Os cabelos pretos cacheados caindo pelos ombros.

Olhos verdes iguais os da mãe

Minha menina.

Ela me abraçou forte sem dizer nada.

E eu percebi que ela estava tremendo.

— Vai ficar tudo bem — menti.

Ela se afastou e me olhou com raiva.

— Não mente pra mim.

Baixei os olhos.

Ela sempre foi assim.

Forte.

Direta.

Parecida demais comigo.

— Olha, ainda tem a cirurgia e tudo vai dar certo

Falei aquilo tentando acalmar ela e a mim ao mesmo tempo

Os dias seguintes foram estranhos.

A casa ficou silenciosa.

Eu comecei a perceber coisas pequenas que nunca tinha notado antes.

O barulho dos pássaros cedo.

O vento passando pelo capim.

O jeito que a madeira da varanda estalava à noite.

Quando a morte se aproxima… a vida ganha detalhes.

E nesse momento senti falta de ter alguém. Minha esposa já tinha falecido há bastante tempo. Depois dela não me relacionei com ninguém, pelo menos não de forma séria.

Aproveitava minha vida sozinho em festas, bebidas, vaquejadas, em viagens para o exterior e romances tempoarários,

Depois da notícia, Livia passou a ficar mais presente. Deixando um pouco mais de lado uma parte da sua vida como modelo e influencer, apenas continuando a faculdade de agronomia.

Bem, em uma dessas noites que ela passou comigo, resolvi contar para ela um sonho muito intimo que eu tinha.

Estávamos sentados na varanda tomando vinho.

O céu cheio de estrelas.

— Posso te contar uma coisa ridícula? — perguntei.

Ela me olhou por cima da taça.

— O senhor sempre conta.

Ri.

Fiquei alguns segundos em silêncio antes de falar.

— Existe um resort no Caribe.

Ela arqueou a sobrancelha.

— Tá.

— Um resort hedonista.

Ela quase engasgou com o vinho.

— Um quê!?

Comecei a rir.

— É famoso.

— Pai…

— O quê? Eu sou um homem simples. Gosto de praias… bebidas… prazer… experiências…

Ela me encarava incrédula.

— O senhor tá me dizendo que seu último sonho é ir pra um resort de libertinagem no Caribe?

— Quando você fala assim parece feio.

Ela começou a rir.

Daquela risada verdadeira que eu não ouvia fazia dias.

— Meu Deus…

Dei de ombros.

— Nunca fui.

Ela balançava a cabeça ainda rindo.

— E o que impede o senhor?

Suspirei.

— Só aceitam casais.

Ela ficou em silêncio.

O vento balançava as árvores ao redor da varanda.

Então ela me olhou.

Séria agora.

Pensando.

Muito.

— Casais… — repetiu devagar.

Assenti.

Ela ficou alguns segundos olhando para o nada.

Depois suspirou fundo.

E falou algo que eu jamais esperaria ouvir.

— Eu vou com o senhor.

Pisquei várias vezes.

— O quê?

Ela cruzou os braços.

— Eu vou.

Comecei a rir achando que era brincadeira.

Mas ela não ria.

— Filha…

— Eu vou com o senhor

Minha garganta apertou.

Ela continuou:

— Se esse é realmente seu último sonho… então eu vou ajudar o senhor a realizar.

Olhei para minha filha sem saber o que dizer.

— Livia, filha tem mais coisas que você precisa saber caso queira realmente ir…


Continua.....


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Ficha do conto

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Nome do conto:
Um sonho a dois - 1

Codigo do conto:
260165

Categoria:
Incesto

Data da Publicação:
23/04/2026

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