Abro a notificação:
Pai: ”Bom dia, dormiu bem!?”
Eu sorri antes mesmo de responder
"Dormir eu dormi. Acordar cedo é que foi difícil kkk. E o senhor?"
A resposta veio quase imediatamente.
Pai "Já voltei da academia"
"Olha, quem diria. O senhor na academia."
Passaram alguns segundos.
Pai:“É que eu andei ouvindo uns conselhos de uma certa pessoa”
arqueei as sobrancelhas.
"Sério? E como ela é?"
A resposta demorou um pouco mais dessa vez, como se o outro lado realmente estivesse pensando.
"Hum... deixa eu ver... ela é morena, um pouco mais baixa do que eu, inteligente, personalidade forte..."
Sorri.
"Só esqueceu de dizer que ela é meio estourada e cabeça-dura."
Veio uma nova mensagem.
"É verdade."
Logo abaixo, outra.
"Mas ela tem um grande coração."
Mais uma.
"Além disso... ela é linda."
levei a mão ao peito e sorri.
"Own... obrigada pai!"
Logo abaixo escrevi:
“Estou duplamente orgulhosa com o senhor
Pai: “Duplamente!? respondeu junto com um emoji com carinha pensando
“Sim, tanto na parte de expressar mais seus sentimentos como no de se cuidar”
Alguns minutos depois chegou outra mensagem.
"Você me faz querer ser um homem melhor."
Li. Sorri.
"O senhor já é um bom homem."
A resposta veio imediatamente.
Pai: "Só porque você resolveu me dar uma segunda chance."
Lendo aquela mensagem senti um leve calor no peito.
Deixei o celular sobre a mesinha, me levantei e fui arrumar a casa
As semanas passaram.
Cada um com seus respectivos compromissos que nos tomavam o tempo.
Mas continuamos nos comunicando
Às vezes era um simples "Bom dia".
Outras vezes perguntavam se já tinha almoçado.
"Dormiu bem?"
"Como foi a prova na faculdade?"
Ajudei ele a criar conta no instagram e depois disso ele se tornou meu “fã” número um, sempre deixando comentários nas minhas postagens. Não importava qual fosse, lendo livros, tomando cerveja, de biquini fio dental, qualquer uma.
“Pai, esse dias uma amiga me perguntou quem era esse coroa que estava escrevendo: ”linda” “gata” e emojis de coração em praticamente todas as minhas postagens”
Ele respondeu com emojis com carinha de sorriso
e abaixo escreveu:
Pai: “e o que você disse!?”
“Eu falei que era meu sugar daddy” rsrs
Pai:“e o que diabos é isso!?”
“é um termo quando um homem mais velho banca uma mulher mais nova”
Pai:”Entendi, bem que eu queria ter uma mulher assim”
então digitei:”Não sabia que o senhor gostava de mulheres mais novas”
Pai:”é porque nunca conversamos sobre meus gostos sobre mulheres”
“Tou vendo que ainda temos muito o que conversamos rsrs”
Pai: mas voce explicou quem eu era para sua amiga!?”
“Sim, expliquei.E a propósito ela ficou muito feliz em saber que nos reconciliamos”
“Tem um dedo dela nessa historia toda”
Pai: “sério!? queria muito conhece-la”
“pode deixar, vamos marcar um dia!!”
E o dia chegou, marcamos de ir numa gafieira que ocupava um antigo casarão num bairro vizinho ao meu.
O piso de madeira brilhava sob a iluminação amarelada.
Um conjunto tocava choros e sambas-canção ao vivo, enquanto casais de todas as idades deslizavam pelo salão com uma elegância tranquila, sem qualquer pressa.
Cheguei ao local junto com meu pai, que foi me buscar em casa de carro
Meu pai camisa azul-marinho de mangas dobradas até os antebraços, calça jeans escura e sapatos pretos bem engraxados
Eu vestia um macacão preto de tecido leve e sandálias baixas. Os cabelos negros, ondulados, caíam sobre os ombros e meus brincos pequenos balançavam
discretamente quando ria.
Eu olhava repetidas vezes para a porta.
— Ela está atrasada.
— Igualzinha você.
— Pai…
— Vocês mulheres demoram muito se arrumando
Pouco depois minha amiga passa pela porta
— Desculpem!
Minha amiga tinha trina e quatro anos, negra como eu,era alguns centímetros mais baixa, talvez 1,75 de altura.
Ela tinha os cabelos pretos curtinhos bem cacheados, vestia uma blusa verde-esmeralda de mangas curtas, calça de linho bege e tênis branco
— Amiga
Nos abraçamos
Eu voltei-me a meu pai
— Pai... essa é a amiga que eu falei, Paulinha
.
Ele levantou-se.
— Muito prazer.
Ela estendeu a mão.
— O prazer é meu, seu Cristovão
Ele apertou a mão da minha amiga com delicadeza.
— Silvana não tinha me dito que o pai dela era um gato
Meu pai riu
— Que isso, são seus olhos.
— Meu olhos nada seu Cristovão, um moreno alto desse chama atenção de longe rsrs
— Eu agradeço os elogios, mas eu ouvi dizer que tenho uma dívida de gratidão com você.
Minha amiga riu
— Não exagere. Eu só conversei com sua filha.
interrompi.
— "Só conversei"... Foram quase quatro horas de conversa
minha amiga deu risada.
— Ela exagera.
Meu pai puxou a cadeira para minha amiga sentar
Ela agradeceu com um gesto discreto.
O garçom aproximou-se.
Depois dos pedidos, a conversa começou naturalmente.
Falamos sobre o curso de inglês.
Sobre livros.
Sobre filmes antigos.
Sobre música.
Paulinha tinha um jeito curioso de ouvir.
Não interrompia.
Não completava frases.
Esperava que as pessoas terminassem de falar antes de responder.
Em determinado momento, o assunto voltou à questão entre eu e meu pai.
Paulinha abaixou os olhos por um instante.
— Não fui eu.
— Não?
Ela balançou a cabeça.
— Eu só dei um empurrãozinho. Ela já queria perdoar o senhor..
— Eu apenas perguntei uma coisa.
— O quê? perguntou meu pai
— Se ela queria passar o resto da vida lembrando do pai que perdeu... ou conhecer o pai que estava voltando.
As palavras ficaram suspensas sobre a mesa
Vi meu pai prender a respiração.
Em seguida, naturalmente ele disse:
— Obrigado.
Paulinha sorriu com serenidade.
— Agradeça vivendo essa segunda chance com sua filha seu cristóvão, ela sentiu muito a falta do senhor
O canto dos meus olhos começaram a querer a sair uma pequena lagrima
— Paulinha eu não te chamei aqui pra borrar a porra da minha maquiagem
Ela começou a rir e meu pai também
Em seguida ele me puxou
Então nos abraçamos
— Onw!! que lindo vocês dois juntos
disse minha amiga
O conjunto começou um samba lento.
Do salão vinham risos, passos sincronizados e o som suave dos instrumentos.
Olhei para meu pai
— Anda pai, vamos deixar os tempos de tristeza para trás
Ele me viu levantando, inclinou o corpo para trás coçando a testa
— Vai ficar sentado a noite inteira?
— Acho que sim.
Paulinha inclinou a cabeça, deu uma piscada pra mim.
— Então sua filha exagerou!?
Ele franziu a testa.
— Em quê?
— Ela disse que o senhor dançava muito bem
Meu pai abriu um sorriso resignado.
— Vocês combinaram isso, não foi?
Começamos a rir
— Tudo bem, vocês venceram, vamos dançar filha
Meu pai levantou-se, fui levando ele para o meio do salão
— Você sabe que eu não danço tão bem assim.
arquiei uma sobrancelha.
— Eu também não.
— Então vamos passar vergonha juntos.
eu sorri
Ele segurou minha mão delicadamente
Por um instante, nenhum dos dois soube exatamente como começar.
Depois os pés encontraram o ritmo.
Devagar.
Sem pressa.
eu ria sempre que ele errava.
— Foi o senhor que pisou no meu pé.
— Tenho certeza de que foi o contrário.
— Está me chamando de mentirosa?
— Estou dizendo que minha versão dos fatos é melhor.
dei uma gargalhada.
Uma gargalhada alta.
Daquelas que fazem as pessoas das mesas ao redor sorrirem sem saber o motivo.
Ele agarrava firme a minha cintura, me jogava pra lá e pra cá, tinha pego o jeito da coisa
Então em certo momento ele me puxou pra junto do corpo dele dando aquele tranco.
Nesse momento ele me olhou por mais tempo do que costumava olhar
Eu sorri, mas fiquei pensativa.
Os olhares se repetiram..
continue dançando, mas não conseguir resistir em saber o que se escondia por trás daquele olhar
— O quê é?
— É que você tem um sorriso lindo minha filha, que nem o da sua mãe
— O senhor acha!?
— Sim
Sorri sem graça.
— O senhor ta mesmo levando essa coisa a sério
— De que!?
— De demonstrar seus sentimentos
— Você ta gostando!?
—Bastante rsrs
Pouco antes da meia-noite, alguns amigos de Paulinha chegaram ao salão.
Abraços.
Risadas.
Planos para continuar a noite em outro lugar.
— Vamos com a gente? — perguntou um deles.
Paulinha me olhou.
— voces vem!?
— Hoje não.
— Tem certeza amiga?
Olhei rapidamente para meu pai
— Tenho.
Paulinha percebeu aquele olhar.
Se aproximou de mim me dando um abraço
Bem baixinho, disse apenas:
— Aproveite seu sugar daddy amiga
sorri baixinho
— Eu vou.
Comemos algumas coisa por lá e depois fomos embora. Quando já estavamos caminhando em direção ao estacionamento, meu pai falou em voz baixa.
— Desculpa.
Olhei para ele.
— Pelo quê?
— Você podia estar se divertindo com seus amigos.
Parei ao lado do carro.
— Pai...
Abriu um sorriso tranquilo.
— Eu escolhi estar aqui.
Ele permaneceu em silêncio.
— Não foi por obrigação.
— Nem por pena.
— Nem porque fiquei sem opção.
Fiz uma pequena pausa.
— Eu simplesmente queria passar mais um pouco de tempo com o senhor.
Ele continuou calado, entramos no carro.
— Vamos lá para casa? — perguntei enquanto colocava o cinto.
— Não vou atrapalhar?
— Se eu estou te convidando, acho que não.
No caminho passamos numa loja de conveniência.
Compramos uns fardos cervejas, amendoins e um pacote de queijo coalho.
Pouco depois estavamos na minha casa.
Tomei um banho e coloquei um conjuntinho rosa de dormir da minnie.Era um top branco que mostrava bem a barriga e um short preto curto colado ao corpo que vazava a poupa da bunda, roupa de dormir mesmo
Quando voltei meu pai estava sentado na cadeira da varanda do apartamento. Estava sem camisa, de short jeans azul e a latinha da brahma na não, beliscando os petiscos de queijo
“Voltei pai!”
“Oi filha”
Quando ele me viu no conjuntinho, notei ele me olhar da cabeça aos pés.Sentei na cadeira ao lado e peguei outra Brahma que estava ao lado no chão.
Sentados na pequena varanda do meu apartamento, olhavamos os prédios ainda estavam iluminados.
Alguns carros cruzavam lentamente a avenida.
Lá embaixo, um casal passeava com um cachorro
“Espero que não se incomode que eu tirei a camisa”
“claro que não pai”
“é que ta muito calor”
“se o senhor quiser tomar um banho eu pego uma toalha “
“não, não precisa se incomodar”
“o senhor que sabe..
Ficamos alguns minutos apenas observando a noite.
Então rompi o silencio
— Engraçado...
— O quê?
— Nunca imaginei que um dia ficaríamos sentados tomando cerveja numa varanda sem discutir.
— É, eu também achei que esse momento nunca aconteceria
— Sabe de uma coisa?
— Hum?
— Estou conhecendo o senhor agora.
Virei o rosto.
— Como assim?
— Antes eu conhecia o pai. Agora estou conhecendo o homem.
— E... está gostando?
Eu sorri
— Bastante.
Notei ele respirando fundo
— Pai...
— Hum?
— Posso fazer uma pergunta?
— Claro.
girei lentamente a garrafa entre as mãos.
— Se a mamãe estivesse aqui... o que o senhor diria para ela?
Meu pai olhou para o ceu depois para mim
— Primeiro eu pediria perdão.
Fez uma pausa.
— Depois agradeceria.
— Pelo quê?
Os olhos dele encontraram os meus.
— Porque, mesmo indo embora cedo demais... ela deixou em você a melhor parte dela.
Meus olhos marejarem.
apoiei minha cabeça no ombro dele
— Agora o senhor pegou pesado
Ele sorriu e começou a mexer nos meus cabelos
— Mas e qual é essa melhor parte?
— O coração !!
— Coração!?
— Sim, você tem um bom coração filha
Sinto o carinho dele nos meus cabelos indo mais fundo, agora ele massageia minha cabeça
— Acho que nem eu sabia que tinha isso
— Mas tem e muito mais
Levantei a cabeça e fique encarando ele
— Sério como o que!?
Meu pai coçou a barba pensativo
— Você faz cada pergunta difícil...
Dei um beliscão de leve na barriga dele
— Agora quero saber.
Ele respirou fundo.
— E pode continuar com a massagem na minha cabeça, tou adorando
Ele riu e continuou.
— Você é... generosa.
Olhei para ele em silêncio.
— Você tem uma capacidade enorme de cuidar das pessoas. Às vezes até mais do que deveria.
Sorri.
— Você também é muito corajosa.
Franzi a testa.
— Corajosa? Eu morro de medo de um monte de coisas.
— Coragem não é não sentir medo.
— Você é inteligente. Aprende depressa. Tem curiosidade sobre tudo. Faz perguntas que obrigam as pessoas a pensar.
Sorri.
— Essa parte eu herdei de quem?
Ele apontou para si mesmo
— convencido rsrsrsrs
Ele deu risada.
— E você?
Levantei os olhos.
— O que tem eu pai?
— O que você tem a dizer de mim?
Ele fez uma pequena pausa antes de completar:
— Do homem que você está conhecendo.
Olhei para ele.
Não respondi de imediato.
Era uma pergunta difícil.
— Posso ser completamente sincera?
Ele sorriu.
— Depois de tudo que passamos, acho que merecemos isso.
Assenti.
— Então tá.
— O senhor continua sendo muito fechado.
Ele deu uma risada baixa.
— Mas tem melhorado muito.
Ele riu.
— Às vezes parece que o senhor passa meia hora pensando antes de dizer uma frase.
— Passo mesmo.
— Eu percebi.
Nós dois rimos.
— o senho é gentil, quando quer.
Ele pareceu surpreso.
— É paciente.Se preocupa comigo de um jeito que eu nunca imaginei.
— Descobri também que o senhor é muito mais sensível do que deixa transparecer.
— Essa parte eu preferia que continuasse em segredo.
Dei uma risada.
— Faz perder a pose de "homão" né. Quanta besteira e agora já tarde demais. Vou começar a te chamar de manteiga derretida. rsrsrs
Ele fingiu indignação.
— Respeita seu velho.
— Velho nada.
Está até fazendo academia agora.
Ele balançou a cabeça, sorrindo.
— É que eu quero me cuidar pra ficar com você por muito mais tempo
Olhei para ele sem conseguir responder.
Senti meus olhos marejarem outra vez.
— O senhor sabe...
Minha voz saiu baixa.
— ...que essa é uma das coisas mais bonitas que já me disse?
Ele pareceu surpreso.
— É?
Assenti.
Segurei no rosto dele, meu polegar movimentava-se pela barba rala dele.
Ele sorriu, eu sorri de volta.
— Estou gostando muito desse lado do senhor
O rosto dele foi ficando mais proximo do meu até encostar uma testa na outra
— Eu vou cuidar de você filha
— Vai!!?
— Sim, de um jeito que nunca cuidei
Ele segurou uma mecha do meu cabelo que voava, depois minha boca
— você é tão linda filha, tão parecida com sua mãe
o polegar direito dele tocou nos meus labios inferiores
eu respirava com dificuldades, meu coração parecia querer sair pela boca
A mão direita dele segurou minha nuca com força
Nossa boca estava tão proximo que eu podia sentir o hálito dele.
A boca dele se abria lentamente..
— É…acho que vou pegar mais gelo na geladeira
Me levantei num salto.
Quando cheguei na cozinha meu coração parecia querer sair pela boca.
Fiquei parada de frente para geladeira aberta tentando fazer o calor que eu sentia dissipar.
Voltei para varanda
— Ué!? cadê o gelo que você foi buscar!?
— Pai, eu vou dormir
Ele me olhou, franziu a testa, colocou a cerveja no chão e levantou
— Foi alguma coisa que eu disse !?
— Não!?
— Alguma coisa que eu fiz!?
— Não pai, não. Eu só quero descansar, já ta tarde também
Aumentei o tom de voz sem pensar
— Ta bom, então vou indo
Ele passou por mim, parou do meu lado dando um beijo na minha testa
— Boa noite filha!!
— boa noite pai.
Olhei pela varanda o carro dele saindo do apartamento
Fui deitar tentando entender o que tinha acabado de acontecer entre nós.
Na manha seguinte meu pai manda uma mensagem
“Ta tudo bem?
"sim" respondi secamente e com o senhor!?
“Também!!”
De repente eu não sabia o que escrever e pelo visto nem ele
Continuamos conversando por mensagem ignorando o episodio daquela noite, meu pai conitnuava comentando:”linda” e um monte de emojis nas minhas fotos da rede social como se nada tivesse acontecido
“alguns dias depois Paulinha me procurou. Ela apareceu no meu apartamento. entre uma conversa aqui e outra ali
“e ai amiga como foi a noite com seu pai”
Demorei a responder
“foi muito boa amiga”
“então por que falou com esse tom”
Olhei para minha amiga em silencio
“O que foi amiga, aconteceu alguma coisa? voces brigaram de novo!?”
“Não, pelo contrário”
“Então por que voce ta assim”
“Paulinha, o que eu vou contar tem que ficar entre nós”
“É tão grave assim!? vocÊ nunca me pediu pra guardar segredo por que sempre soube que eu guardaria”
“Pois é..Naquele dia, depois que você foi embora, meu pai me levou pra casa, a gente ficou bebendo e conversando na varanda. Então conversa vai conversa vem e ele quase se beijou!
“espera é muita informação pra mim, como assim amiga!?”
“eu não sei paulinha, eu não sei. Ele estava me elogiando, eu a ele.Nos abraçamos e de repente quase aconteceu.
“calma amiga”
Paulinha segurou minha mão
“Eu nunca te vi assim Silvana.
Ela ficou me olhando, parecia querer me fazer uma pergunta
“Que foi Paulinha, por que ta me olhando com essa cara”
“Amiga, posso te fazer uma pergunta
“claro”
“vai ser sincera!?
“vou!! anda fala logo!”
“"E você... queria que ele tivesse beijado?"
Fiquei calada, não conseguia abrir a boca
“caralho amiga””
“pois é”
“esse é o problema paulinha, por um momento eu quis”
“E Vocês estão se falando?"
"Por mensagem. Todo dia. mas nada sobre isso.
Paulinha ficou em silêncio, as mãos apoiadas na mesa
“"Amiga, e se ele me procurar, o que eu faço?"
Paulinha esticou o braço e segurou a minha mão.
"Amiga, tenta ganhar tempo. Vai inventando desculpas até você refletir melhor sobre o que tá acontecendo."
"Desculpas?"
"Trabalho, compromisso, dor de cabeça. O que for. Você precisa de espaço pra pensar."
Fiquei parada olhando para o vazio.
“Sabe paulinha, as lembranças que eu tinha dele antes dele partir era de um homem frio, distante
“Certa vez na adolescencia, estava tendo apresentação dos dias dos pais no colegio
Ao final, todo mundo saiu correndo para abraçar os pais
Eu também, sair correndo em direção aos braços dele
Sorri quando vi. achei que ele ia me abraçar e me pôr no colo
Em vez disso
ele colocou a mão no meu ombro e disse:
"Vamos embora porque ainda preciso passar em outro lugar."
Eu lembro de olhar para os outros pais abraçando seus filhos
Depois olhei para mim.
Achei que tinha feito alguma coisa errada.
Paulinha apertou minhas mãos
“onw amiga”
— Sabe quantas vezes meu pai me beijou quando eu era mais nova?
Paulinha não respondeu
— Eu também não sei.Porque não consigo lembrar de nenhuma.
—Quando eu chorava ele simplesmente sai de perto.
— Isso deve ter doído muito.
— Doeu
Então dei uma pequena risada
— Agora esse mesmo homem me dá um beijo na testa quando vai embora. Pergunta se eu almocei. Me abraça
Paulinha sorriu discretamente.
— então agora esse mesmo homem esta diante de mim, tocando meu rosto com aquele mão quente, áspera, mas com cuidado para não arranhar meu rosto
Paulinha sorriu novamente
— Se abrindo para mim como eu sempre sonhei e eu recuando por saber que o que ele quer eu não devo atender
— Que situação amiga, mas pode ter certeza de uma coisa
— O que amiga!?
— Que ele deve ta tão confuso quanto voce
Olhei pra Paulinha imaginando em como ele esta na casa dele
— Imagina passar anos longe da filha, um reencontro inesperado, se deparar com uma filha totalmente mudada, que virou mulherão da porra. Ele estando ha anos sem mulher. Na hora de demonstrar o carinho, o amor, que claramente vocês sentem um pelo outro, acabaram se confundiu com desejo.
— É amiga deve ter sido isso. obrigada por me ouvir
Quando Paulinha se foi resolvi seguir os conselhos dela
"Hoje não dá, pai, reunião até tarde."
"Tô gripada, fica pra próxima."
"Amiga me chamou pra um rolê, outro dia a gente se vê."
A noite, na cama, ficava remoendo
“ain pai, me desculpa, mas é melhor que seja assim por enquanto
De repente a notificação.
Vejo que é a paulinha:
Ela pergunta como eu estou, respondo que bem
então ele escreve:” e sobre sugar daddy?” uma referência ao meu pai
“Na mesma” digitei
Ela respondeu com emojis tristes
De repente escuto a campainha tocar
era estranho, já era quase 22:00 horas, já vestia meu top roxo e shrotinho da minnie de dormir
Escrevi para paulinha “vou ver quem ta na minha porta e volto logo”
ela respondeu com emoji de ok
Fui caminho descalça, o chão gelado do ar condicionado.
Olhei pela chave mestre e virei de costas para porta
Coloquei a mão no peito,fiquei pensando se fingia desmaio
E ele insistia em aperta a campainha.
e eu rezando: só vai embora por favor, vai embora
a campainha touc mais uma vez e depois silenciou.
Permaneci imovel
Até ouvir passos.
Lentos.
Afastando-se pelo corredor.
Voltei a olhar pela chave mestra e ele já não estava mais lá.
Fechei os olhos
Senti um aperto no peito
Não era a primeira vez que veria meu pai indo embora
Só que agora…
Abrir a porta e sai correndo pelo corredor gritando: “paaai!!?”
Minha voz ecoava pelo predio
Nenhuma resposta.
continue correndo
“pai!!!”
Dobrei o corredor seguinte
Então parei,
Lá estava ele, de costas
Talvez ainda esperasse o elevador.
Talvez apenas não tivesse conseguido ir embora.
Ele virou lentamente
Nos encaramos por alguns segundos
Ele estava vestindo uma camisa gola polo branca com a gola em vermelho e uma bermuda jeans azul
“Essa blusa!!”
“você se lembra dela!?”
“Sim, eu dei de presente para o senhor nos dias dos pais”
“Isso mesmo!”
“Lembro do senhor abrindo desinteressadamente
Dizendo apenas:
— Obrigado.
Sem experimentar.
Sem abraço.
Sem beijo.
Sem olhar para mim
Sem ao menos saber do meu esforço em escolher essa cor que era a sua preferida
—Então deixa eu conserta isso
Ele abriu os braços, um sorriso pequeno foi tomando conta de mim
Então caminhei, devagar no começo,depois apressei os passos e corri
Corri como uma menina de muito tempo atrás, que um dia atravessou o patio do colegio acreditando que encontraria um abraço
e dessa vez encontrei
Atirei-me nos braços dele
Ele me envolveu com toda a força que tinha
Como se tentasse abraçar também todos os anos que haviam perdido.
Eu entrei meu rosto no peito dele
Podia sentir o tecido da camisa molhar com minhas lágrimas.
Ele beijou meus cabelos
Depois minha testa
— Feliz Dia dos Pais...
Comecei a rir em emio ao choro
— Está uns dez anos atrasado.
Ele também riu.
— Eu sei.
Ele tocou meu queijo com o polegar, depois minha boca, da mesma forma que fez na outra noite
Toquei a mão dele
— Você sente isso não sente!!?
— O que pai!!?
— esse fogo, esse calor
Fiquei paralisada,
— Filha, não vou mais fingir que não te quero como mulher
— O senhor enlouqueceu!? Não posso ser sua mulher pai
— Pois diga na minha cara que voce não quer dar pra mim
—Eu…
— vamos diz silvana
Fiquei em silêncio
— Não consegue né
Então ele se afastou de mim
— Pra onde o senhor vai!?
— Eu vou indo
Engoli a saliva seco
— O que eu queria saber eu já conseguir
CONTINUA....