Antes que pudesse virar o bolo, meu marido Henrique surge com meu celular em mãos:
”toma, estão ligando pra você”
Quando pego o celular e vejo o DDD 28 sei de antemão se tratar do meu pai, pois é o único contato que tenho dessa região.
Atendo a ligação e antes que terminasse de falar: “alô” a voz da Socorro, mulher que é cuidadora do meu pai interpõem.
“Dona Patricia, queria lhe dizer algo”
“Diga dona Socorro, como está meu pai!!?”
“Pois é, é sobre esse assunto mesmo. Queria lhe dizer que consegui um emprego na minha cidade natal e não poderei mais cuidar do seu pai. Terei que partir amanhã mesmo”
“Como assim dona Socorro!? E como fica o meu pai?”
“Sinto muito. A oportunidade surgiu de forma inesperada, não tive como lhe avisar com antecedência”
Meu marido estava ao meu lado não só ouvia a conversa como via minha cara de chateação.
“Tudo bem Dona Socorro, pelo menos a senhora poderia indicar alguém que possa desempenhar as mesma funções que a senhora!!?”
“Infelizmente não dona Patricia. A senhora sabe muito bem que não sou daqui, logo não conheço ninguém que possa me substituir”
Ponho a mão na cabeça, olho de relance para meu marido, ele me olha de volta e eu digo tampando o telefone: “A dona socorro não vai poder mais ficar com o meu pai”
“E o que você ta pensando!!?”
“Acho que vou ter que trazer ele para cá”
Meu marido faz um cara de quem não gostou da ideia. Termino de falar com dona Socorro,dizendo-lhe que voltaria a entrar em contato com ela em breve
Com a ligação encerrada eu e meu marido começamos a discutir.
“Realmente não tem ninguém que possa ficar com ele!!?”
“Eu não tenho ninguém em mente e a dona Socorro também não conhece ninguém”
“Então por que não colocá-lo num asilo? em algum lar para idosos!?
“Eu não vou colocar meu pai num lugar desses!!”
“Porque não Patricia!!? Eles são bem tratados nesses lugares.
“Não sei meu amor, vou pensar, mas a questão é que precisamos traze-lo para cá, pelos menos até pensarmos em algo melhor”
“Tudo bem”
Voltei a ligar para dona Socorro avisando que ia buscar meu pai.
Partimos de carro ainda naquela tarde de sábado, depois de aproximadamente uma hora de viagem chegamos em Santa Leopoldina.
Encontrei meu pai sentado numa daquelas cadeiras de balanço de fio de cor azul. Ele usava uma bermuda jeans azul toda esfarrapada e uma camisa branca de botão, onde apenas dois dos botões estavam fechados.
Estava com os cabelos brancos penteados para trás, uma barba fechada tão branca quantos os cabelos. Assim que me viu seus olhos azuis brilharam. Ele levantou da cadeira e seus 1,85 de altura comparados com o meu 1,73 de altura facilmente me deixaram pequena na frente dele.
Fui atingida por um abraço e um beijo no rosto.
— Patricia…minha filha, que saudades!!
— Também tou pai e como o senhor ta?
— Daquele jeito que você sabe né. Com diabetes, colesterol alto
— Sei…
Nosso abraço se desfaz, em seguida meu marido estica o braço apertando a mão do meu pai.
— Como ta de seu Valdo!!?
— Indo e você !!?
— Tou bem
Não nos demoramos muito, meu pai já tinha arrumado suas coisas, fechamos a casa e nos despedimos da dona Socorro que aparentava pressa.
No caminho de volta para casa, meu pai fazia suas perguntas, duvidas pertinentes, já que não adiantamos nada pra ele
— E onde eu vou ficar!!?
— No quarto que era da Dani.
— E como está minha neta!!?
— Ta bem pai,ta fazendo faculdade
— Que bom, deve ta uma moça
— Sim, acabou de completar 20 anos
— Nossa, como o tempo voa
— E como voa pai, às vezes nem acredito que já sou uma quarentona, quarenta e três anos para ser exato.
— Logo eu farei meu 70 anos, como a juventude me faz falta
Meu pai foi a virgem inteira contanto historias do passado.
Quando chegamos em casa, peguei as coisas do meu pai, apenas duas mochilas e levei até o quarto que ele iria ficar. Mostrei a casa, que não era muito grande,tinha dois quartos, um meu e outro da minha filha, sala, cozinha com balcão americano, um banheiro e um area de serviço onde além de lavar roupas fazíamos nossos churrasco no final de semana
— Pronto pai, é aqui que o senhor vai ficar. O quarto não é grande coisa, mas…
— Que isso filha ta otimo. Não precisa se preocupar muito comigo.
O quarto tinha uma cama de solteiro, um guarda roupas, uma escrivaninha e alguns posters de celebridades que minha filha era fã.
Meu pai sentou-se na cama e ficou parado olhando para parede
— O que foi pai, o senhor ta se sentindo mal!!?
— Não, não é isso. É que eu acho que seu marido não gostou muito da ideia de me trazer pra cá
— Porque o senhor acha isso!!?
—Ele quase não falou a viagem inteira e estava todo tempo de cara fechada
— Ele só deve ta cansado, só isso. O senhor quer alguma coisa? tomar banho? comer alguma coisa? é só falar
— Sim, eu quero tomar banho.
— O senhor trouxe toalha!?
— Sim.
— Otimo, então enquanto isso eu vou preparar alguma coisa para o senhor comer
Fui até a cozinha e comecei a preparar a janta do meu pai, ao mesmo tempo que conferia a lista de remédio que ele devia tomar no devido horário.
Resolvo deixar preso a geladeira a lista de remedios do meu pai, assim não esqueceria
Alberto, surge já de roupa trocada, vestia apenas sua samba canção azul marinho.
— Já vai dormir amor!!?
— Estou com dor de cabeça. Vim lhe dar um beijo
Beijo dado, Alberto se retirou. Deixo o prato de comida sobre o balcão e vou até o quarto me trocar.
Tiro o short jeans que vestia, a camisa branca de alcinha e o sutiã ficando só de calcinha.Alberto ainda estava acordado e me olhava me trocar.
Apanhei um camisola rosa do guarda roupas e o vesti ainda com o olhar do meu marido me fintando
— O que foi amor, a tudo bem?
— Ta, por que!?
— Não sei, você ta me olhando estranho ai
— Você não acha que é melhor esperar seu pai dormir pra se vestir assim!?
— como assim!? o que voce ta querendo dizer
Alberto respirou fundo, disse: “Nada” e se virou.
Voltei para sala vou até o sofá e me sento.
Ligo a televisão e fico passando de canal e canal até deixar no SBT onde passava o programa supernanny.
Alguns minutos depois, vejo de relance meu pai saindo de toalha vermelha do banheiro. Ele para atrás de mim, toca no meu ombro e pergunta se o prato no
balcão era para ele.
Digo que sim, ele vai até a cozinha, pega o prato e volta pra onde eu estou sentando-se na poltrona que Alberto costuma sentar-se. É uma poltrona marrom,
macia, confortável e meu pai esparrama-se nela.
— Seu marido já foi dormir!!?
— Sim, ele disse que ta com dor de cabeça
— Hum..
Enquanto assistimos tv e comíamos, meu pai perguntava qual seria seu destino, eu respondia de forma sincera que ainda não sabia.
— Me sinto tão mal sendo um peso na vida dos outros
— O senhor não é um peso nenhum pai. Além do mais eu tou aqui pra ajuda-lo
— Obrigado filha, vou tentar atrapalhar o minimo possivel
— Ai pai deixa disso
— ta bom, ta bom, não ta mais aqui quem falou. Faz quanto tempo que a Dani foi embora
— Ta com alguns meses só
— É, eu imaginei. Tem muita coisa dela no quarto. Encontrei um album com as fotos recentes dela. Ela está linda, herdou a beleza da mãe
— Ai pai, conversa. A Dani é mais bonita que eu, só herdou de mim a loirisse.
— Pois eu acho ela muito parecida com você quando você tinha a idade dela
— Pode até ser de rosto...
— O que você quer dizer!!?
— Nada, só que ela é bem mais bem feita do que eu. Eu nunca tive um corpo muito bonito, sou meio quadradona, sem curvas
— Que conversa é essa
Ao mesmo tempo que ele falou aquilo, ele me fintou olhando minhas pernas e coxas. Eu estava com as pernas dobradas e as mãos repousando sobre a coxa
— Você é linda fia, sempre foi
— Obrigada pai, sabe é bom ouvir essas coisas de vez enquando
Meu sorriso aos poucos foi dando lugar a outra expressão. Eu vejo que a toalha do meu pai já não cobria tudo que devia cobrir.
Ela tinha subido não sei como, encolhido, ficado mais curta, sei lá o que. Só sei que o pau do meu pai, uma jeba grande, aparecia parcialmente entre as suas pernas.
Estava amolecido, em repouso, mas era o suficiente para me impressionar.
Continuamos conversando normalmente, eu tentava não olhar, mas às vezes era inevitável.
Eu me perguntava: “será se ele não percebeu tamanho deslize!?” ou “será se ele notou que eu olhei!?”
Qualquer que fosse a resposta eu não saberia, pois não tratei de perguntar.
A situação um tanto constrangedora só teve fim, após ele terminar de comer. Ele levantou-se da poltrona e veio ate mim dando um beijo na minha testa.
— Boa noite filha
— Boa noite pai, qualquer coisa é só chamar tá!!?
— Ta certo.
Continua.....
