Manuel não era um homem de impulsos, mas era um homem de memórias. Ele lembrava-se de cada vez que Rita, a melhor amiga de sua esposa Tina, cruzou a sala de estar usando vestidos que pareciam planejados para torturá-lo. Tina, com quem dividia trinta anos de companheirismo e uma intimidade confortável, era a mulher da sua vida, mas Rita... Rita era a fantasia que ele guardava em uma gaveta trancada no fundo da mente.
O convite veio em uma tarde de terça-feira, enquanto Tina estava em viagem de negócios. "Manuel, você consegue passar aqui em casa? Minha prateleira do escritório caiu e eu não consigo levantar as caixas sozinha", disse Rita ao telefone. A voz dela tinha um tom diferente, algo que Manuel não soube identificar na hora, mas que fez seu estômago contrair.
Ao chegar, ele não encontrou a Rita "ajudadora de mudanças". Quando ele entrou na casa, a porta já estava encostada. O silêncio do corredor era interrompido apenas pelo som distante de um ventilador.
Ele caminhou até o quarto e parou abruptamente. Rita estava de pé, encostada na cômoda, vestindo apenas um conjunto de lingerie de renda preta que contrastava violentamente com a pele alva e as curvas generosas. Ela não estava carregando caixas; ela estava esperando por ele.
— A prateleira pode esperar, Manuel — ela disse, com um sorriso que desarmou qualquer tentativa de racionalidade.
O beijo foi urgente, acumulando a tensão de duas décadas. Manuel a prensou contra a parede, sentindo o calor do corpo dela contra o seu. Ele descobriu, com um choque de prazer, que a pele de Rita era tão macia quanto ele imaginara nos sonhos mais profundos.
Ele a levou para a cama, onde a exploração tornou-se voraz. Manuel, movido por um desejo reprimido, perdeu-se nos detalhes dela. Quando ele desceu para explorar a intimidade de Rita, encontrou algo que o deixou hipnotizado: um clitóris saliente, pulsando, que parecia clamar por atenção. Ele se dedicou a ela com uma fome quase primitiva, sentindo a língua percorrer cada centímetro, sentindo-a arquear as costas e soltar gemidos que ecoavam pelo quarto. Rita não apenas gozou; ela teve orgasmos sucessivos, espasmódicos, que a deixavam trêmula sob o toque dele.
A intensidade subiu. Eles experimentaram posições que Manuel nunca ousara tentar, explorando cada ângulo daquele corpo deslumbrante. A química era visceral, quase violenta de tão real. Em um momento de entrega total, movidos por uma curiosidade mútua e a adrenalina da traição consentida, eles exploraram o sexo anal. Foi lento, intenso, preenchido por suspiros e olhares que diziam tudo o que as palavras nunca puderam dizer durante vinte anos.
Quando finalmente desabaram nos lençóis, suados e exaustos, o silêncio voltou a reinar. Manuel olhou para Rita, ainda ofegante, e percebeu que a fantasia, agora que era realidade, tinha um gosto muito melhor do que qualquer sonho.
Ele saiu da casa dela horas depois, ajustando a camisa e tentando recuperar a compostura. Ao chegar em casa, viu a foto de Tina na estante e sentiu um aperto no peito, mas também um novo vigor. Ele sabia que, a partir daquele dia, as tardes de terça-feira teriam um significado completamente diferente.
"A porta da frente estava aberta, mas o trinco não tinha sido forçado."
Manuel repetiu essa frase mentalmente enquanto estacionava o carro na garagem, na terça-feira seguinte. O silêncio da casa de Tina era enganoso; ele sabia que a esposa ainda estava em reunião, mas o coração batia contra as costelas como um animal enjaulado. A traição não era um peso, era um combustível. O segredo, paradoxalmente, deu a ele uma energia que ele não sentia há décadas.
Ele não foi direto para a casa de Rita. Ele precisou de meia hora para se recompor, para olhar para as próprias mãos e se perguntar como aquele homem — o marido previsível, o amigo confiável — conseguia carregar tamanha voracidade sob a pele.
Quando finalmente chegou à porta de Rita, ele não bateu. Ele entrou, sentindo o cheiro de sândalo e desejo que já parecia ter impregnado as paredes. Rita estava na cozinha, de costas, usando apenas um robe de seda que mal cobria o início da curva de seus quadris.
— Você demorou três minutos a mais do que na semana passada — ela disse, sem se virar, a voz carregada de uma malícia que o fez endurecer instantaneamente.
Manuel não respondeu com palavras. Ele caminhou até ela e a envolveu por trás, as mãos grandes apertando a carne firme de suas coxas, puxando-a contra si. Ele sentiu a respiração dela falhar quando ele enterrou o rosto no pescoço dela, depositando beijos úmidos e profundos, enquanto sua mão deslizava para frente, encontrando a renda fina que ela ainda insistia em usar.
— Eu não consegui parar de pensar no som que você fez — ele sussurrou, a voz rouca. — Naquele momento em que você esqueceu quem eu era e só queria que eu não parasse.
Rita soltou um suspiro trêmulo e girou nos braços dele, os olhos injetados de luxúria. Ela não queria preliminares gentis; eles já haviam passado da fase da descoberta para a fase da fome. Ela o empurrou contra a mesa da cozinha, o impacto fazendo os talheres tilintarem.
Com um movimento ágil, ela abriu a calça dele, libertando-o, e ajoelhou-se no chão. Manuel soltou um
gemido rouco quando sentiu a boca quente e úmida de Rita envolver sua masculinidade com uma precisão devastadora. Ela não apenas o sugava; ela usava a língua para circular a glande, explorando cada nervo, enquanto olhava para ele de baixo para cima, com um olhar de posse que o desestabilizava. Manuel sentiu a espinha arquear e as mãos apertarem a borda da mesa com tanta força que os nós dos dedos ficaram brancos.
— Hoje... — ela murmurou, afastando-se apenas o suficiente para que ele sentisse o hálito quente contra a pele — ...eu quero que você esqueça que existe um mundo lá fora.
Ela o puxou para o quarto, mas no caminho, Manuel a prensou contra a parede do corredor. Ele queria sentir a resistência da superfície rígida contra as costas dela enquanto ele se abria caminho por entre as pernas dela. Ele levantou a perna de Rita, encaixando-a em seu quadril, e a penetrou de uma vez, com um impulso profundo e visceral que arrancou dela um grito abafado.
O ritmo era urgente, quase desesperado. Não era mais sobre a curiosidade de vinte anos, mas sobre a necessidade imediata de preencher o vazio que a vida doméstica, por mais amorosa que fosse, não conseguia alcançar. Manuel sentia o aperto perfeito dela, a lubrificação natural que tornava cada estocada deslize suave, porém intensa. Ele a apertava contra a parede, sentindo o calor irradiando de cada poro dela, enquanto ela enterrava as unhas em seus ombros, puxando-o para mais perto, como se quisesse fundir seus corpos em um único organismo.
— Mais... Manuel, por favor, mais fundo — ela implorava, a voz quebrada.
Ele mudou o ângulo, elevando o quadril dela para que a penetração fosse total, atingindo o ponto exato que a fazia tremer. Enquanto isso, Manuel deslizou a mão para trás, encontrando novamente aquela zona sensível que ele descobrira na primeira vez. Com um movimento rítmico de dedos, ele estimulou o clitóris dela enquanto continuava a estocada profunda.
A sobrecarga sensorial foi imediata. Rita começou a soluçar, o corpo inteiro contraindo-se em ondas de prazer que a faziam perder o equilíbrio. Manuel sentiu a pressão subir, a tensão acumulada em sua base explodindo em um ritmo frenético. Ele acelerou, sentindo a parede de músculos dela apertá-lo em espasmos violentos, até que ambos atingiram o ápice juntos, em um silêncio súbito e ofegante que parecia sugar todo o oxigênio do corredor.
Eles ficaram ali por alguns minutos, sustentados apenas pela gravidade e pela respiração pesada. Quando Manuel finalmente se afastou, notou que Rita tinha um pequeno sorriso satisfeito nos lábios, embora seus olhos ainda estivessem nublados pelo prazer.
— A Tina ligou para mim hoje cedo — ela disse, a voz voltando ao normal, mas mantendo a malícia. — Ela disse que sente saudades de você.
Manuel sentiu um frio na espinha, mas não de culpa. Era a adrenalina do risco. Ele a beijou lentamente, sentindo o gosto de sal e desejo.
Continua....



