O telefone tocou por volta das três da tarde. Raquel estava no escritório de casa, de saia preta justa e blusa branca, a terminar um relatório, quando viu o nome do Rui no ecrã. — Rui? — Boa tarde, Raquel. Desculpa o incómodo a esta hora. Estou aqui perto, a caminho de uma instalação em Cascais, e lembrei-me daqueles painéis solares da garagem. O António tinha dito há uns dias que um deles estava a dar leitura estranha. Posso passar aí uns minutos? Só para verificar o sistema. Raquel olhou para o relógio. O António só chegava depois das sete. A casa estava vazia. O silêncio pesava. — Podes vir. Estou em casa. Entra pela porta da garagem, está aberta. — Perfeito. Chego daqui a dez minutos. Desligou. Raquel ficou a olhar para o ecrã. Sentiu o estômago apertar. Desde a última vez que o Rui lá tinha estado, não conseguiam parar de se olhar de forma diferente. Levou a mão ao cabelo, ajeitou a blusa e decidiu não mudar de roupa. Queria vê-lo assim. Dez minutos depois, ouviu o carro a parar. A porta da garagem abriu-se e o Rui subiu as escadas com a mala de ferramentas na mão. Camisa azul clara, mangas arregaçadas até ao cotovelo, calças escuras, o cabelo ainda húmido do calor do dia. — Boa tarde — disse ele, a sorrir. — Obrigado por deixares-me passar. É rápido, prometo. — Vamos ao escritório. Os monitores estão lá. Subiram juntos. O escritório era pequeno, com uma secretária grande de madeira escura, duas cadeiras e a parede cheia de ecrãs que mostravam a produção dos painéis. Raquel sentou-se na cadeira e abriu o programa. O Rui inclinava-se por detrás dela, a mão pousada no espaldar da cadeira, o peito quase a tocar-lhe as costas. — Vês aqui? — apontou ele para um gráfico. — Esta variação entre as 11h e as 13h… parece que o inversor está a desligar e a ligar sozinho. — E isso é grave? — Não. Só precisa de uma atualização de firmware. Cinco minutos e fica resolvido. Ficaram em silêncio uns segundos. O cheiro do aftershave dele misturava-se com o perfume dela. Raquel sentia o calor do corpo dele tão perto. — Rui… — começou ela, sem virar a cabeça. — Sim? — Não vieste só por causa dos painéis, pois não? Ele não respondeu de imediato. A mão dele desceu devagar do espaldar da cadeira até ao ombro dela. Os dedos tocaram-lhe a pele por baixo do colo da blusa. — Não. Não vim só por causa disso. Raquel virou a cadeira. Estavam frente a frente. Os olhos dele desceram até à boca dela e voltaram a subir. — Então por que é que vieste? — Porque não consigo deixar de pensar em ti. Desde a última vez. Desde aquele dia no armazém. Acordo a pensar no teu cheiro. No som que fazes quando vens. Raquel engoliu em seco. Levantou-se devagar. Ficaram a poucos centímetros um do outro. — E o António? — Não está aqui. E tu também sabes disso. Ele aproximou-se mais. A mão dele subiu até ao pescoço dela, o polegar a acariciar o maxilar. — Diz-me para parar e eu saio já. Agora. Raquel não disse nada. Em vez disso, agarrou-lhe a camisa pela frente e puxou-o para si. Os lábios encontraram-se com força. O beijo foi fundo, húmido, urgente. A língua dele entrou na boca dela e ela respondeu com o mesmo desejo. As mãos do Rui desceram pela cintura dela, apertaram-lhe as nádegas por cima da saia e puxaram-na contra o corpo. Ela sentiu o pau dele já duro a pressionar-lhe a barriga. — Fecha a porta — murmurou ela contra a boca dele. Ele afastou-se só o suficiente para fechar a porta do escritório e voltar a agarrá-la. Desta vez levantou-a e sentou-a em cima da secretária. Papéis e canetas caíram para o chão. A saia subiu até às ancas. O Rui meteu as mãos por baixo e puxou o fio do tanga preto para o lado. — Estás molhada — disse ele, a voz rouca, enquanto os dedos deslizavam entre as dobras. — Desde que atendi o telefone. Ele ajoelhou-se entre as pernas dela. Olhou-a de baixo, os olhos escuros, e depois meteu a boca nela. Raquel arqueou as costas e agarrou-lhe o cabelo com as duas mãos. A língua dele fazia círculos lentos no clitóris, depois chupava com força, depois voltava a ser suave. Ela gemia baixo, os dentes cravados no lábio inferior. — Assim… continua… não pares. O Rui não parou. Meteu dois dedos dentro dela enquanto a língua trabalhava, e Raquel sentiu o orgasmo a chegar depressa demais. As coxas tremeram. O corpo contraiu-se. Ela veio com um gemido abafado, a puxar-lhe o cabelo com força. Quando ele se levantou, a boca ainda brilhante, o cinto já estava aberto. Raquel puxou-lhe as calças e a boxers para baixo de uma só vez. O pau dele saltou, grosso, duro, a veia a pulsar. Ela agarrou-o com a mão direita e guiou-o até à entrada. — Mete. O Rui empurrou de uma vez só. Raquel soltou um gemido longo, as unhas cravadas nas costas dele por baixo da camisa. Ele fodeu-a ali, em cima da secretária, com estocadas profundas e ritmadas. A madeira rangia a cada embate. As pernas dela fechavam-se à volta da cintura dele, os calcanhares a empurrá-lo para dentro. — Mais fundo — pediu ela, a voz cortada. — Quero sentir-te todo. Ele agarrou-lhe as ancas com força e penetrou ainda mais fundo, até ela gemer o nome dele. O ritmo acelerou. O som da pele a bater na pele enchia o escritório. Raquel sentia o pau dele a deslizar dentro dela, molhado, quente, e cada estocada fazia-a ver estrelas. — Vais gozar outra vez? — perguntou ele, a respiração ofegante contra o pescoço dela. — Sim… continua… assim… Ele meteu a mão entre os dois e esfregou o clitóris dela com o polegar enquanto a fodia. Raquel veio segunda vez, mais forte, o corpo a tremer, a contrair-se à volta do pau dele. O Rui segurou-se mais uns segundos e depois gozou também, enterrado até ao fundo, a encher-a com um gemido baixo e longo no pescoço dela. Ficaram quietos, colados um ao outro, a respirar pesado. O suor escorria pela nuca dele. Raquel tinha as pernas ainda à volta da cintura dele e não queria soltá-lo. — Os painéis… — murmurou ela, a sorrir contra o ombro dele. — Estão todos bem — respondeu ele, a rir baixinho. — Mas se precisares de outra “verificação”, liga-me. Ele saiu devagar de dentro dela. Raquel sentiu o sémen a escorrer-lhe pela coxa. O Rui tirou um lenço da mala de ferramentas — o mesmo que usava para limpar os inversores — e limpou-a com cuidado. Depois ajeitou a saia dela, ajudou-a a descer da secretária e beijou-lhe a boca uma última vez, mais lento, quase terno. — Tenho de ir. O cliente está à espera. — Vai. E Rui… — Sim? — Da próxima vez não inventes desculpa. Só diz que queres foder-me. Ele sorriu, abotoou a camisa, pegou na mala e saiu pela porta da garagem. Raquel ficou sozinha no escritório, o cheiro dele ainda no ar, a secretária desalinhada, o tanga húmido. Olhou para o relógio. Ainda tinha quase três horas até o António chegar. Sorriu para os monitores dos painéis solares e começou a apanhar os papéis do chão.
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