Um Toque Inesperado
Maria Eduarda vivia uma vida de rotina impecável, como as páginas de uma Bíblia bem marcada. Aos 54 anos, evangélica fervorosa, casada há mais de 30 com Mário, o pedreiro de 59 anos cuja maior preocupação era o dízimo na igreja e o suor do trabalho diário. Eles moravam numa casa simples no subúrbio, onde o silêncio da noite era quebrado apenas pelas orações antes de dormir. Fazia anos que não havia intimidade entre eles – o casamento se tornara uma parceria de fé e dever, sem o fogo que um dia existira. Mário saía cedo para a obra, voltava cansado à noite, jantava em silêncio e, nos fins de semana, acompanhava a esposa à igreja. Maria Eduarda, por sua vez, dedicava-se à casa e à evangelização: de segunda a sábado, ia à igreja para os cultos e estudos bíblicos; aos domingos, saía a pé visitando casas, pregando a palavra de Deus, batendo de porta em porta com um sorriso sereno, mas os olhos carregados de uma tristeza quieta.
Ela era uma mulher de beleza marcante, que o tempo parecia ter poupado com carinho. Cabelos pretos e longos, cascateando até a cintura, seios fartos e firmes que ainda desafiavam a gravidade sob os vestidos modestos, quadris generosos e uma pele morena macia. Mas aquele sorriso... ah, ele carregava uma melancolia profunda. Maria Eduarda ansiava por mais: ser vista não só como a esposa devota, a irmã da igreja, mas como mulher, desejada, viva. Reclamava frequentemente das dores nos pés, inchados e cansados de tanto andar nos domingos de pregação. "Esses pés me matam, Mário", dizia ela à noite, massageando-os sozinha enquanto ele ressonava ao lado.
Um dia, folheando o jornal local enquanto esperava o culto começar, Maria Eduarda viu um anúncio que chamou sua atenção: "Clínica de Estética Sheila – Depilação, Massagens e Massoterapia. Relaxe corpo e alma!" Sheila... sim, aquela Sheila, a depiladora que ela conhecera anos atrás na igreja, antes de a moça se afastar um pouco da congregação. Agora, expandira os serviços. Massagens nos pés? Parecia perfeito para suas dores crônicas. Curiosa, ela anotou o número e, em casa, ligou.
– Alô, clínica da Sheila? – perguntou Maria Eduarda, voz tímida.
Do outro lado, uma voz calorosa e confiante: – Sim, querida! Sheila falando. Quem é?
Elas se reconheceram imediatamente. Conversaram sobre a vida, a igreja, as mudanças. Maria Eduarda mencionou as dores nos pés.
– Ah, irmã, massagem nos pés é minha especialidade agora! Faço reflexologia, drenagem... alivia na hora. Mas por telefone é difícil explicar. Por que não vem aqui na clínica? Sem compromisso, sem custo nenhum. Só pra conhecer o espaço e a gente se ver pessoalmente. Faz tempo que não nos encontramos!
Maria Eduarda hesitou. Ir a uma clínica de estética? Não era vaidade proibida? Mas era só massagem terapêutica, para a dor... e Sheila era quase uma amiga. Mário nem precisava saber dos detalhes. Dias depois, num sábado à tarde, enquanto o marido estava na obra, ela pegou o ônibus e foi.
A clínica ficava num sobrado discreto, com placa luminosa e aroma de óleos essenciais escapando pela porta. Sheila a recebeu com um abraço apertado. Aos 42 anos, Sheila era o oposto de Maria Eduarda: cabelos loiros tingidos, curtos e modernos, corpo escultural moldado por academias, unhas longas e vermelhas, um decote generoso na blusa justa. "Que saudade, mana! Você está linda como sempre!", exclamou Sheila, guiando-a para dentro.
O espaço era acolhedor: luz suave, música instrumental baixa, uma maca confortável num quarto privativo com cortinas. Sheila explicou os serviços, mostrou cremes e óleos. "Senta aqui, tira os sapatos. Deixa eu ver esses pés sofridos."
Maria Eduarda, corando um pouco, obedeceu. Sentou-se na maca, removendo os sapatos baixos e as meias. Seus pés, pequenos e bem cuidados apesar das dores, estavam inchados das caminhadas. Sheila se ajoelhou diante dela, mãos quentes e habilidosas.
– Nossa, que pele macia você tem... em todo lugar – murmurou Sheila, com um sorriso malicioso, enquanto começava a massagear.
As mãos dela eram firmes, precisas. Pressionava os pontos certos, aliviando a tensão acumulada. Maria Eduarda fechou os olhos, suspirando de alívio. Fazia anos que ninguém a tocava assim – com cuidado, com intenção. O toque subia das solas dos pés para os tornozelos, dedos de Sheila deslizando devagar, untados com óleo quente de lavanda.
– Relaxa, querida. Você merece isso. Vive se doando pros outros... e pra você, o quê? – perguntou Sheila, voz baixa, quase sussurrada.
Maria Eduarda sentiu um calor subir pelo corpo. Era só massagem, pensou. Mas o toque era íntimo, sensual de um jeito que ela não esperava. Sheila subia mais, massageando as panturrilhas, joelhos... "Pra circulação melhorar", justificava. Os seios de Maria Eduarda arfavam sob o vestido, os mamilos endurecendo involuntariamente.
– Sheila... isso é... muito bom – murmurou ela, voz trêmula.
Sheila ergueu os olhos, sorrindo. – Quer que eu pare? Ou quer mais? Posso fazer uma massagem completa... corpo todo. Sem custo hoje, só pra você experimentar.
Maria Eduarda mordeu o lábio. O sorriso triste se transformava em algo novo: curiosidade, desejo reprimido. Pela primeira vez em anos, sentia-se viva, desejada. "Só um pouco mais...", pensou.
Sheila se levantou, fechando a porta do quarto. "Deita aqui, tira o vestido se quiser ficar confortável. Ninguém vai nos interromper."
E assim, naquela tarde pacata, a rotina de Maria Eduarda começou a rachar. O toque de Sheila despertava algo adormecido há décadas – uma mulher que queria ser mais que devota. Mais que esposa. Queria ser tocada, amada, explorada.
O que viria depois... só o tempo – e as próximas visitas – diriam. Mas naquele momento, com mãos experientes deslizando por sua pele, Maria Eduarda sorriu de verdade pela primeira vez em anos.
Um Toque Inesperado: O Conflito Interno
Maria Eduarda deitou-se na maca, o vestido dobrado ao lado, coberta apenas por uma toalha fina que Sheila arrumara com cuidado. O ar da clínica estava impregnado de lavanda e algo mais – um cheiro de proibição, de segredo. As mãos de Sheila, agora untadas com óleo morno, deslizavam pelas suas costas, pressionando os músculos tensos, subindo e descendo em movimentos ritmados que faziam sua pele arrepiar. "Relaxe, mana... deixa o corpo falar", sussurrava Sheila, os dedos traçando caminhos que pareciam acender faíscas internas.
Mas dentro de Maria Eduarda, uma tempestade rugia. O que estou fazendo aqui?, pensou ela, os olhos fechados com força, como se pudesse bloquear os pensamentos. Aos 54 anos, sua vida era um altar erguido à fé: orações matinais, cultos noturnos, domingos de pregação porta a porta. Mário, o marido fiel, era o pilar dessa existência – um homem bom, trabalhador, que nunca a traíra, que pagava o dízimo em dia e lia a Bíblia com ela à mesa. Fazia anos que não se tocavam além de um beijo casto na bochecha. É assim que Deus quer, repetia para si mesma nas noites solitárias, quando o corpo clamava por algo mais, mas a mente silenciava o desejo com versos das Escrituras. "Não cobiçarás", "O corpo é templo do Espírito Santo". Ela se convencera de que a paixão era coisa de juventude, de pecadores não regenerados.
Agora, porém, com o toque de Sheila – uma mulher, ainda por cima! –, tudo desmoronava. O prazer era inegável: ondas de calor subiam das pernas para o ventre, fazendo-a apertar as coxas involuntariamente. Isso é errado, é abominação, gritava uma voz interna, ecoando os sermões do pastor sobre sodomia e tentações carnais. Ela imaginava o julgamento da congregação, os olhares acusadores das irmãs da igreja que tanto admiravam sua devoção. Se souberem, serei excomungada. Mário... o que ele diria? Ele que me ama do jeito dele, pacato, sem exigências. Lágrimas quentes escaparam pelos cantos dos olhos, misturando-se ao óleo na maca.
Mas outra voz, mais fraca, mas insistente, contra-argumentava: E eu? O que mereço? Trinta anos limpando, cozinhando, pregando... e nada para mim? Maria Eduarda sempre sentira um vazio, um anseio por ser vista, tocada, desejada. Seus seios fartos, que outrora enchiam os olhos de Mário, agora eram ignorados; seus cabelos longos, pretos, que ela penteava com vaidade secreta, serviam só para serem presos em coques modestos. Deus me fez mulher, com desejos. Por que reprimi-los tanto? O sorriso triste que carregava era o reflexo dessa prisão interna: a beleza desperdiçada, a vitalidade sufocada pela rotina. Sheila a fazia se sentir viva – não como irmã de fé, mas como fêmea, pulsante, sedenta.
As mãos de Sheila desceram para as nádegas, massageando com firmeza, e Maria Eduarda soltou um gemido baixo, involuntário. Pare!, ordenou a si mesma, o coração acelerado. Mas o corpo traía: os mamilos endurecidos roçavam na toalha, o ventre contraía-se em espasmos de prazer reprimido. É só massagem, terapêutica, justificava, mas sabia que era mentira. Era tentação, puro e simples. E se eu ceder? Só uma vez? Ninguém precisa saber. A ideia a aterrorizava e excitava na mesma medida. Imaginava noites com Sheila, toques proibidos, risos compartilhados – uma vida além da igreja e da casa. Mas depois? O arrependimento, a confissão, o inferno eterno?
Sheila notou a tensão. "O que foi, Duda? Tá tudo bem? Se quiser parar..."
Maria Eduarda abriu os olhos, o sorriso triste retornando. "Não... " continua. Só... pensando na vida." Mas internamente, a batalha prosseguia: fé contra carne, dever contra desejo, a esposa devota contra a mulher faminta. Quanto tempo aguentaria antes de escolher um lado? Ou seria consumida pelo meio-termo, vivendo em segredo, dilacerada?
Um Toque Inesperado: A Fenda na Alma
Maria Eduarda estava deitada de bruços na maca, a toalha fina mal cobrindo suas nádegas, o vestido modesto dobrado numa cadeira distante como um símbolo de tudo o que ela estava prestes a trair. O quarto estava quase escuro, só a luz suave de uma arandela dourada iluminando a pele morena que brilhava com o óleo. Sheila trabalhava em silêncio agora, as mãos deslizando pelas costas, descendo perigosamente para a curva da cintura, os dedos roçando as laterais dos seios fartos que se esmagavam contra a maca. Cada toque era uma chama. Cada pressão, uma facada no peito.
Dentro dela, o inferno se instalara.
Senhor, perdoa-me... perdoa-me..., repetia em loop, como uma oração desesperada, enquanto lágrimas quentes escorriam pelo rosto e pingavam na maca. A voz do pastor ecoava em sua mente como trovão: “A carne é fraca, irmãs! O diabo se disfarça de anjo de luz! Fugí da aparência do mal!” Ela via o rosto das irmãs da igreja, os olhares piedosos que se transformariam em horror se soubessem. Via Mário, o homem bom, cansado, que nunca lhe pedira nada além de comida quente e oração conjunta. Trinta anos de fidelidade, de noites castas, de “não” sussurrados quando o corpo pedia. Tudo ruindo por causa de um toque. De um toque de mulher.
Mas o corpo... ah, o corpo traidor latejava. Os mamilos, duros como pedras, roçavam no tecido da maca a cada respiração ofegante. Entre as coxas, uma umidade quente, vergonhosa, que ela tentava ignorar apertando as pernas. Fazia décadas que não sentia aquilo – aquele fogo líquido, aquela necessidade animal. Quando Sheila massageou a parte interna das coxas, subindo devagar, perigosamente perto do centro de tudo, Maria Eduarda soltou um gemido rouco, incontrolável, que a fez corar de vergonha mortal.
Eu sou uma pecadora. Sou pior que a prostituta da Bíblia. Sou hipócrita. Levo a Palavra de porta em porta e aqui estou, me derretendo com mãos de outra mulher. O nojo de si mesma era uma onda sufocante. Queria gritar, queria levantar e correr para casa, ajoelhar-se no chão frio do quarto e pedir perdão até sangrar os joelhos. Imaginava o inferno: chamas eternas lambendo sua pele, o choro e ranger de dentes, o Senhor virando o rosto dela para sempre.
E, no entanto...
No entanto, outra voz – mais baixa, mais antiga, mais faminta – gritava mais alto agora: E eu? Quando foi a última vez que alguém me tocou como se eu fosse desejável? Quando foi a última vez que me senti viva, não só um vaso de honra na prateleira da igreja? Ela pensava nos anos de solidão disfarçada de santidade. Nas noites em que se tocava às escondidas, envergonhada, pedindo perdão logo depois. Nos olhares que lançava para si mesma no espelho, admirando os seios ainda firmes, os quadris largos, e se perguntando por que Deus lhe dera tanta beleza se era para escondê-la para sempre.
Sheila inclinou-se sobre ela, o hálito quente no pescoço. "Você é linda, Duda... tão linda que dói olhar. Deixa eu te cuidar. Só hoje. Só nós duas."
As palavras foram como gasolina no fogo. Maria Eduarda virou o rosto, os olhos vermelhos de choro, os lábios tremendo. "Eu... eu não posso. Isso é pecado. Eu vou pro inferno", sussurrou, a voz quebrada.
Sheila não parou. Um dedo deslizou por baixo da toalha, roçando levemente o sexo encharcado. Maria Eduarda arqueou as costas com um soluço que era metade desespero, metade rendição.
"Então vamos pro inferno juntas", murmurou Sheila, beijando sua nuca. "Mas pelo menos vamos sentir algo antes."
Naquele instante, algo se partiu dentro de Maria Eduarda – um estalo seco, como uma costela quebrando. A esposa devota, a irmã respeitada, a mulher que carregava a cruz com orgulho... tudo se dissolveu numa dor lancinante e, ao mesmo tempo, numa libertação aterradora. Ela chorava alto agora, soluços profundos que vinham do fundo da alma, enquanto o corpo se entregava, se abria, se contorcia sob mãos que sabiam exatamente onde tocar.
Era traição. Era abominação. Era salvação.
Era o fim de uma vida e o começo de outra que ela ainda não sabia se teria coragem de viver.
Quando tudo terminou, Maria Eduarda ficou deitada, o rosto enterrado na maca, o corpo trêmulo de prazer e de culpa. Sheila a cobriu com carinho, beijou sua testa suada.
"Volta quando quiser, mana. A porta vai estar sempre aberta."
Maria Eduarda não respondeu. Só chorou mais, um choro silencioso, rasgando a alma ao meio.
Naquela tarde, ela saiu da clínica com os pés leves, mas a alma pesada. O conflito mal começara – e já ameaçava redefinir tudo o que ela era.
Na volta para casa, no ônibus lotado, ela olhava pela janela embaçada e via o reflexo de uma mulher que já não reconhecia. Os pés não doíam mais.
Mas o coração... o coração sangrava como nunca.
Continua…??