A Evangélica sem dominada pelo prazer

Anteriormente…
Maria Eduarda deitava-se na cama todas as noites, o corpo traído por uma excitação que não a deixava em paz. O quarto estava escuro, apenas o som da respiração pesada e ritmada de Mário ao seu lado, dormindo profundamente como sempre. Ele nem desconfiava do turbilhão que se agitava dentro dela.
Os lençois colavam-se à sua pele úmida de suor e desejo. Entre as coxas, sentia-se inchada, o clitóris latejando com uma dor doce que a fazia morder o lábio inferior para não gemer alto. As lembranças vinham em ondas: o toque macio e insistente de Sheila, os beijos vorazes de Bianca, as mãos delas explorando seu corpo como se fosse um território novo e proibido. Mas o que mais a consumia, o que fazia seu corpo arquear involuntariamente, era a memória de Fábio.
Aquele momento em que ele a tomou por trás, socando forte e sem piedade no seu cuzinho virgem. No primeiro dia, a dor havia sido intensa, quase insuportável, misturada a um prazer que ela nunca imaginara possível. Agora, dias depois, o que restava era uma saudade ardente, um vazio que implorava para ser preenchido novamente. Ela queria mais. Queria sentir aquela invasão profunda, o atrito quente, o domínio absoluto que a fazia sentir viva de um jeito que Mário nunca conseguira.
Com cuidado para não acordá-lo, Maria Eduarda deslizou a mão por baixo do camisola, os dedos encontrando o caminho já conhecido. Estava encharcada, os lábios inchados e escorregadios. Começou devagar, circulando o clitóris com a ponta dos dedos, imaginando que eram as línguas de Sheila e Bianca. Mas logo a fantasia mudava: era Fábio atrás dela, as mãos firmes em seus quadris, empurrando com força, preenchendo-a completamente.
Os movimentos aceleraram. Ela virou o rosto para o travesseiro, abafando os gemidos que escapavam apesar de todo o esforço. O corpo tremia, as coxas se contraiam enquanto o orgasmo se aproximava rápido, inevitável. Pensava na dor misturada ao prazer, no quanto se sentia suja e ao mesmo tempo tão desejada. Gozou forte, o corpo convulsionando em silêncio, as lágrimas escorrendo pelo canto dos olhos – metade culpa, metade alívio.
Depois, ficava ali, ofegante, o coração disparado. A culpa voltava como sempre, pesada como chumbo. Como podia trair Mário assim, mesmo que só em pensamento? Como podia desejar tanto algo que sabia ser errado?
Mas no fundo, bem no fundo, ela sabia que aquilo não ia parar. O desejo era maior que a culpa. E, em algum momento, ela iria querer mais do que apenas lembranças.
Maria Eduarda já não conseguia mais disfarçar o tremor nas mãos quando mentia para Mário sobre suas “saídas rápidas” durante a semana. Um café com as amigas, uma visita à academia nova, uma passada na casa da mãe… as desculpas saíam mecânicas, mas os olhos dela denunciavam. E Mário, que antes dormia como pedra às dez da noite, agora andava inquieto, com olheiras fundas e um frasco de modafinil escondido na gaveta do criado-mudo.
Ele começou a tomar os comprimidos à noite, dizendo que era “para render mais no trabalho remoto”. Mas Maria Eduarda sabia que não era só isso. Às vezes, fingindo dormir, sentia o olhar dele fixo nas suas costas enquanto ela se virava na cama. Outras vezes, acordava de madrugada e o encontrava sentado na sala, celular na mão, rolando fotos antigas dela com expressão distante.
A ideia que Sheila havia plantado naquela noite — “imagina você com três homens ao mesmo tempo, Duda… a gente arruma fácil” — não saía da cabeça dela. Era uma fantasia que a consumia inteira. Imaginava corpos fortes ao seu redor, mãos em todos os lugares, bocas disputando sua pele, um dentro dela enquanto outro tomava seu cuzinho como Fábio havia feito. Só de pensar, ficava molhada em segundos. Mas agora, com Mário vigilante, o risco era outro patamar.
Naquela semana, ele começou a fazer perguntas casuais demais para serem casuais.
— Amor, você tá saindo muito ultimamente… tá tudo bem?
— Claro, Má. Só tô precisando arejar a cabeça.
— Arejar com quem?
O tom dele era calmo, mas havia algo afiado por baixo.
Na sexta-feira à noite, depois de mais uma discussão disfarçada de conversa, Mário esperou ela dormir (ou fingir que dormia) e pegou o celular dele. Maria Eduarda, de olhos semicerrados, viu a luz da tela iluminar o rosto dele enquanto ele abria o Google. Digitou devagar: “detetive particular discreto São Paulo”.
No dia seguinte, enquanto ela tomava banho, ele saiu “para comprar pão”. Voltou duas horas depois, sem pão, mas com um sorriso forçado e um papel dobrado no bolso da calça — um número de telefone anotado à mão.
Maria Eduarda sentiu um frio na barriga. Parte dela queria parar tudo, confessar, voltar a ser a esposa certinha. Outra parte — a que latejava entre suas pernas só de lembrar da proposta de Sheila — queria acelerar. Queria marcar logo aquele encontro com os três homens, queria ser tomada sem piedade, queria gozar até desmaiar.
Mas agora o jogo tinha mudado. Mário estava acordado. Mário estava observando. Mário talvez já tivesse contratado alguém para segui-la.
A pergunta que queimava na mente dela, enquanto se masturbava em silêncio no banho, água quente escorrendo pelo corpo, era simples e perigosa:
Será que ela conseguiria ser discreta o suficiente… ou será que, no fundo, uma parte dela queria ser pega?
Mário estava obcecado. Pegou uma licença médica no trabalho alegando “estafa emocional” e passou a dividir os dias entre o carro estacionado em ruas discretas e as atualizações constantes do detetive. O homem, um ex-policial chamado Renato, era profissional: mandava fotos com data e hora, relatórios curtos, nada de julgamento. Apenas fatos.
Nas primeiras semanas, os fatos eram frustrantemente inocentes.
Maria Eduarda saía do escritório às 12h30 em ponto nas terças e quintas. Encontrava Sheila e Bianca numa cafeteria charmosa no centro, a mesma das duas vezes que Mário já tinha visto pessoalmente. Elas se abraçavam longamente demais para simples colegas de trabalho, riam alto, dividiam um bolo de cenoura com cobertura generosa. Ficavam ali por quase duas horas, às vezes três. Conversavam com as cabeças próximas, os joelhos se tocando debaixo da mesa. Em uma das fotos do detetive, a mão de Sheila repousava discretamente na coxa de Maria Eduarda por longos minutos.
Mas nada além disso. Nenhum homem. Nenhum quarto de hotel. Nenhum beijo na boca em público.
Mário olhava as fotos no celular, ampliava cada pixel, procurando algo que justificasse o aperto no peito. Por que ela mentia sobre esses encontros? Por que dizia que era “almoço com as amigas” ou “tenho consulta médica” se era só tomar café com as amigas? Por que escondia algo tão banal?
Ele não conseguia dormir. Tomava os comprimidos de guaraná, café preto forte, ficava acordado até o amanhecer revendo as imagens. Aqueles abraços o corroíam. A forma como Maria Eduarda jogava a cabeça para trás quando ria de algo que Bianca sussurrava. A maneira como Sheila passava o dedo no canto da boca dela para tirar um restinho de chantilly, e Maria Eduarda chupava o dedo dela devagar, quase imperceptivelmente, antes de corar e desviar o olhar.
Nada explícito. Mas tudo parecia carregado de um segredo que ele não conseguia decifrar.
Numa noite, depois de mais um relatório vazio do detetive (“Sujeito manteve rotina normal. Encontro com as mesmas duas mulheres na cafeteria habitual. Sem contato físico além de abraços e toques leves”), Mário confrontou o espelho do banheiro. Estava pálido, barba por fazer, olhos fundos.
“Ela está me traindo com elas?”, perguntou-se em voz alta, a voz rouca de tanto silêncio.
A ideia o atingiu como um soco. Não eram homens. Eram elas. Sheila e Bianca. As amigas que ele conhecia de vista, que já tinham vindo em casa para churrascos, que pareciam tão normais.
As peças começaram a se encaixar de forma torta: as noites em que Maria Eduarda se tocava na cama pensando alto o suficiente para ele ouvir gemidos abafados; o perfume diferente; os banhos demorados quando chegava; a excitação constante que ele percebia no corpo dela, mas que ela nunca mais oferecia a ele.
Não era um amante. Eram amantes.
Mário pegou o celular e mandou uma mensagem para o detetive às 3h17 da manhã:
“Preciso de algo mais próximo. Áudio, se possível. Quero ouvir o que elas conversam.”
Renato respondeu apenas: “Isso eleva o risco e o preço. Confirma?”
Mário digitou sem hesitar: “Confirma. Quero saber tudo.”
Enquanto isso, na cama ao lado, Maria Eduarda dormia tranquilamente, sonhando com o próximo encontro — não mais só café, mas o motel discreto que Sheila havia reservado para o sábado à tarde. Os três homens que ela prometera ainda eram uma fantasia distante, mas Sheila e Bianca já não bastavam mais para saciar o fogo que crescia dentro dela.
E Mário, acordado no escuro, sentia que estava a um passo de ver o abismo que se abria no seu casamento.
Um passo que, quando dado, não teria volta.
O detetive Renato passou a manhã inteira na cafeteria, fingindo ler o jornal em uma mesa no canto, boné baixo, fones de ouvido falsos. Horas antes da chegada prevista, ele agiu rápido: três microfones minúsculos, do tamanho de uma cabeça de alfinete, colados discretamente embaixo de duas mesas que Maria Eduarda sempre escolhia — a do canto perto da janela e a outra ao lado da estante de revistas. Bateria para semanas, transmissão em tempo real para o aplicativo no celular dele.
Mário, escondido no carro estacionado duas quadras dali, ouvia tudo pelo fone conectado ao aparelho de Renato. O coração batia descompassado, as mãos suadas no volante.
Quando as três chegaram — Maria Eduarda, Sheila e Bianca —, os abraços foram calorosos como sempre. Sentaram-se exatamente numa das mesas grampeadas. A conversa começou leve, quase banal.
“Meninas, vocês acreditam que no domingo o Pastor falou exatamente sobre o que eu estava precisando ouvir? Aquela parte sobre perdão e renovação… me tocou tanto”, disse Maria Eduarda, a voz emocionada, pedindo um cappuccino desnatado.
Sheila completou: “Eu chorei, Duda. Chorei mesmo. E depois pensei: precisamos marcar logo aquele jantar com os maridos. O Fábio tá louco pra conhecer o Mário, faz tempo que ele fala sobre isso e jogar uma sinuca lá no apê com ele”
Bianca riu: “E eu quero levar o Lucas. Ele vive falando que o churrasco no apê de Sheila é o melhor,e damos muitas risadas com Fábio e suas piadas. Vamos combinar pra esse mês ainda?”
Falaram de viagem para a praia no feriado, de uma nova pizzaria que abriu no bairro, das receitas de lasanha que trocaram no grupo da igreja, da reunião de família que a mãe de Bianca estava organizando. Risadas, planos, fofocas leves sobre quem estava grávida na comunidade, quem tinha mudado de emprego.
Nem uma palavra ambígua. Nem um sussurro. Nada sobre motel, nada sobre corpos, nada sobre desejo. Apenas três amigas católicas, casadas, falando de vida normal, de fé, de família.
Do outro lado da transmissão, o silêncio de Mário era ensurdecedor. Renato, profissional até o osso, apenas mandou uma mensagem curta: “Conversa limpa. Sem nada comprometedor. Continuo?”
Mário não respondeu. Desligou o fone, encostou a cabeça no volante e chorou como não chorava desde criança. Chorou de alívio, de vergonha, de culpa. Toda aquela paranoia, as noites sem dormir, os remédios, o dinheiro gasto com detetive… tudo por causa dos fantasmas que ele mesmo criou na cabeça.
Naquela noite, pela primeira vez em semanas, ele não tomou os comprimidos de guaraná. Deitou-se cedo, esperou Maria Eduarda chegar. Quando ela entrou no quarto, cansada mas sorridente, ele a puxou para um abraço longo, apertado, daqueles que ela não recebia havia tempo.
“Oi, amor… tá tudo bem?”, ela perguntou, surpresa com a intensidade.
Mário beijou a testa dela, os olhos marejados que ele disfarçou na penumbra.
“Tá tudo perfeito. Você é a esposa da minha vida, Duda. Da minha vida inteira. Desculpa se andei estranho ultimamente… tava com a cabeça cheia de bobagem.”
Ela sorriu, enterrou o rosto no peito dele, sentindo o coração dele bater forte.
“Eu te amo, Mário.”
“Eu te amo mais”, ele respondeu, a voz embargada.
Naquele momento, ele decidiu: ia cancelar o detetive no dia seguinte. Ia jogar fora os remédios.Ia reconquistar a esposa que quase perdeu por causa das sombras que ele mesmo inventou.
Mas bem no fundo, num cantinho escuro que ele ainda não queria enxergar, uma dúvida minúscula ficou ali, quieta. Porque, apesar de tudo, Maria Eduarda ainda se tocava à noite na cama, gemendo baixinho coisas que ele não entendia.
Por enquanto, ele escolheu acreditar.
Escolheu amar.
E, pela primeira vez em muito tempo, os dois dormiram abraçados, como nos primeiros anos de casados.

Continua…A descoberta de Mário


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Ficha do conto

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Nome do conto:
A Evangélica sem dominada pelo prazer

Codigo do conto:
251182

Categoria:
Fantasias

Data da Publicação:
06/01/2026

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