A Canção que Afunda

O mar estava de vidro naquela noite sem lua. O navio mercante Esperança Errante flutuava quase sem se mexer, como se tivesse medo de acordar alguma coisa. João do Mar, o contramestre de pele queimada e mãos que pareciam cordas velhas, estava de vigia na proa. Não dormia direito há semanas. Algo o chamava.
Primeiro veio o cheiro: sal, algas mornas e um perfume doce que não pertencia ao oceano aberto. Depois o som. Não era canto ainda — era um sussurro molhado, como se alguém respirasse dentro da água bem perto do casco.
Ele se deitou de bruços na prancha, o rosto quase tocando as ondas. E ela subiu.
A sereia não era como as gravuras antigas. Não tinha cabelos de fogo nem conchas perfeitas nos seios. Sua pele era cinza-azulada, quase translúcida nas partes mais finas, e as escamas da cauda pareciam lâminas de obsidiana polida. Os olhos eram enormes, inteiramente pretos, sem branco, sem pupila visível — apenas dois poços que engoliam a pouca luz que havia.
— Você demorou — disse ela.
A voz não vinha da boca. Vinha de dentro da cabeça dele, macia, quente, como língua deslizando na nuca.
João sentiu o membro endurecer instantaneamente, uma ereção tão violenta que doeu. Ele nunca tinha sentido desejo assim: não era tesão de homem, era fome de afogamento.
Ela se aproximou mais. As mãos dela — dedos longos, membranas entre eles — tocaram a madeira do navio. Subiram devagar até alcançarem as dele. A pele era fria, mas o toque queimava.
— Me dá tua boca — pediu ela.
Ele obedeceu sem pensar. Inclinou-se tanto que quase caiu na água. Beijou-a com desespero. A língua dela era áspera como lixa fina e tinha gosto de cobre e mel. Quando ela o puxou para mais perto, ele sentiu os dentes — pequenos, afiados, muitos — roçando seu lábio inferior até sangrar. O sangue escorreu na água e ela gemeu de prazer dentro da mente dele.
João rasgou a camisa com as próprias mãos. Ela o ajudou a descer as calças. O pau dele latejava exposto ao vento frio, mas o frio não importava mais. Ela o envolveu com uma das mãos membranosas enquanto a cauda se enrolava devagar na corda da âncora, prendendo-se ao navio como se quisesse ficar.
— Entra em mim — sussurrou ela.
Não havia como. Não da forma humana. Mas ela abriu as escamas na região onde deveria haver uma virilha e revelou uma entrada úmida, rosada, pulsando como uma boca viva. Era quente por dentro, absurdamente quente para criatura do abismo.
Ele se segurou nas bordas do convés e empurrou. Entrou inteiro de uma vez. Ela era apertada, ondulante, como se tivesse músculos internos que o sugavam mais fundo a cada estocada. João grunhia como animal. Ela cantava baixo, um som que vibrava nos ossos dele, que fazia os testículos se contraírem sem parar.
A cauda dela começou a se mover ritmicamente, batendo na água, criando pequenas ondas que subiam e molhavam o peito dele. Cada vez que ele saía quase inteiro e voltava com força, ela apertava mais, como se quisesse triturá-lo de prazer.
— Mais fundo — ordenou ela.
Ele obedeceu até sentir que estava batendo em algo que não era carne. Algo duro, cartilaginoso. Ela estremeceu violentamente e cravou as unhas nas costas dele. Sangue quente escorreu pelas costelas.
Então veio o segundo orgasmo dela.
Não foi um gozo comum.
Foi um espasmo que fez o corpo inteiro dela vibrar numa frequência que ele sentiu nos dentes. O prazer dele virou dor aguda, depois prazer de novo, depois dor pior. Ele gozou tão forte que enxergou branco por alguns segundos, jatos grossos que ela parecia sugar para dentro de si como se bebesse.
Mas ela não parou.
Continuou movendo os quadris, continuou cantando, continuou apertando.
— Mais — disse ela. — Ainda não acabou.
João tentou recuar. Não conseguiu. A entrada dela havia se fechado em torno dele como anel de músculo vivo. Cada tentativa de sair só o fazia penetrar mais fundo. Ele começou a sentir falta de ar, mas não era por esforço — era porque algo dentro dela estava puxando o ar dos pulmões dele.
— Você prometeu — sussurrou ela na mente dele. — Todo homem que me toca morre dentro de mim.
Ele não se lembrava de ter prometido nada. Mas talvez tivesse prometido com o primeiro olhar. Talvez o desejo já fosse a promessa.
O navio rangeu. A tripulação ainda dormia pesado lá embaixo, dopada pelo mesmo canto que o chamara. Ninguém viria salvá-lo.
A cauda dela se enrolou agora nas pernas dele, puxando-o para fora do convés. Ele caiu na água gelada. Ainda estava dentro dela. Ela o arrastava para baixo, devagar, enquanto continuava fodendo-o com movimentos lentos, quase carinhosos.
A cada metro que desciam, ele sentia menos frio. O prazer voltava, misturado com a certeza da morte. Ele gozou de novo, mesmo sem querer, mesmo com os pulmões queimando. Ela bebeu tudo — sêmen, ar, vida.
Quando chegaram ao fundo, a escuridão era completa.
Ele ainda estava duro dentro dela.
Ela o abraçou com braços e cauda, como quem embala um filho.
E então, só então, cantou de verdade.
Era a canção mais linda que ele já ouvira.
Também foi a última.
De manhã o navio foi encontrado à deriva. Não havia sinal de luta. Apenas um contramestre desaparecido, uma corda de âncora estranhamente enrolada em forma de nó de amor, e um cheiro doce e podre pairando sobre o convés.
Os homens que sobreviveram juraram que, por muitos anos depois, em noites sem lua, ainda ouviam um gemido baixo subindo da água.
Não era choro.
Era satisfação.
Foto 1 do Conto erotico: A Canção que Afunda


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Ficha do conto

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weblover1978

Nome do conto:
A Canção que Afunda

Codigo do conto:
253752

Categoria:
Fantasias

Data da Publicação:
02/02/2026

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