O Espelho que Tortura

A loja era daquelas pequenas e caras no Leblon, daquelas que mal têm placa na rua e o atendimento é quase confidencial. Ele entrou por volta das 19h45, quando o movimento já tinha caído e a vendedora — uma mulher de uns 32 anos, pele morena clara, cabelo preso num coque frouxo e batom vermelho discreto — estava sozinha no salão. Chamava-se Clara, segundo o crachá discreto.
Ele carregava uma lista mental: presente de aniversário para a esposa. "Algo sofisticado, mas... provocante. Ela gosta de se sentir desejada sem parecer óbvia." Clara sorriu profissionalmente e começou a mostrar conjuntos: sutiã de renda francesa com calcinha fio dental, body de cetim com recortes estratégicos, chemise preta translúcida. Ele aprovava com a cabeça, mas hesitava. "Difícil imaginar só olhando a peça no cabide."
Ela parou por um segundo, avaliando. "Quer que eu experimente pra você ver como cai no corpo? A gente faz isso às vezes com clientes fiéis. Tem espelho grande lá atrás, e a loja está vazia."
Ele engoliu em seco, mas disse sim com um aceno curto.
Clara não era ingênua. Sabia ler clientes. Sabia quando o pedido de "experimentar" não era só praticidade. "Eu posso mostrar como cai", disse ela, voz neutra, quase clínica. "Mas só se for útil pra decisão final."
Ele assentiu mais uma vez, seco. Não piscou.
O provador não tinha cortina — nunca teve, na verdade; era um detalhe que a loja usava como diferencial para clientes "especiais". Espelho de corpo inteiro, parede baixa, entrada aberta para o corredor estreito. Se ele ficasse na borda, via tudo. Ele ficou.Às 19:57, as luzes do salão principal já estavam apagadas. Só o provador no fundo permanecia aceso, um palco iluminado por spots quentes que transformavam a pele em algo quase pecaminoso. Clara sabia que ele não iria embora. Homens como ele nunca vão embora quando o desejo já os traiu.
Ela fechou a porta da frente com um clique suave — não trancou, mas o som foi deliberado. "Assim ninguém entra e nos interrompe", disse, voz baixa, como se estivesse confidenciando um segredo. Ele não respondeu. Ficou parado na entrada do provador, mãos nos bolsos para esconder o tremor.
Primeiro conjunto: sutiã de renda preta e calcinha alta. Ela virou de costas para tirar o vestido — demorou mais do que o necessário, deixando o zíper descer centímetro por centímetro. A lingerie básica que usava por baixo era cinza comum, quase humilde. Um contraste calculado. Quando vestiu as peças novas, ajustou as alças devagar, dedos traçando a pele como se estivesse se acariciando para ele assistir. Virou-se.
Olhou diretamente para o reflexo dele, não para o próprio corpo. "Olha como a renda morde aqui..." Tocou a lateral da calcinha, puxando levemente para cima, só o suficiente para marcar a pele. "Sua esposa vai gostar disso? Ou você acha que ela merece algo... mais gentil?"
A pergunta era uma faca. Ele engoliu em seco. "Ela... merece o melhor." A voz saiu fraca.
Clara sorriu — um sorriso pequeno, quase maternal. "Claro que merece. Mas você está aqui escolhendo por ela... ou por você?" Deu um passo para o lado, posicionando-se de forma que o espelho mostrasse os dois ao mesmo tempo: ela exposta, ele vestido, rígido, impotente.
Próximo: o body vermelho. Ela vestiu devagar, deixando o tecido escorregar pelos quadris como uma promessa quebrada. Ajustou os seios com as palmas das mãos, demorando nos movimentos circulares. "Esse aperta um pouco... mas o aperto é bom, não é? Faz a gente lembrar do que está sendo negado." Olhou para ele no reflexo. "Você está negando algo agora?"
Ele fechou os olhos. Quando abriu, estavam vidrados. "Não... eu só..."
"Shhh." Ela ergueu um dedo aos lábios — não o dele, os próprios. "Não precisa explicar. Eu entendo." Pegou o enchimento e colocou devagar, modelando o busto com toques precisos, olhando para ele o tempo todo. "Assim? Mais cheio, mais... tentador? Imagina ela vestindo isso pra você. Ou imagina eu vestindo... e você não podendo tocar."
As palavras caíram como gotas de ácido na ferida aberta. Ele deu um passo para dentro do provador — parou na linha invisível. Punhos cerrados. Respiração irregular.
O chemise preto foi o ápice. Sem nada por baixo. O tecido translúcido grudou na pele úmida de suor. Mamilos visíveis, endurecidos pelo frio e pela excitação controlada dela. Girou devagar, deixando a luz dançar nas coxas, nas curvas. Parou de frente para o espelho, mãos na cintura, queixo erguido.
"Decida", disse ela, voz suave como veludo sobre lâmina. "O que você quer comprar? Ou o que você quer levar embora na cabeça... e na consciência?"
Ele não respondeu. Só olhava. Ela deu um passo para trás, encostando na parede, aumentando a distância — e o tormento. "Sabe o que é mais cruel? Eu poderia te mandar embora agora. Ou poderia deixar você ficar mais um pouco... assistindo. Sem tocar. Sem falar. Só assistindo enquanto eu tiro tudo devagar... e coloco de volta. De novo. E de novo."
Ela começou a ajustar o chemise como se estivesse sozinha: puxou a alça de um ombro, deixando-a cair um pouco, depois ajeitou de volta. Um movimento repetitivo, hipnótico. "Você está se sentindo culpado agora? Bom. A culpa deixa tudo mais intenso. Mais real." Sorriu para o reflexo dele. "Sua esposa nunca vai saber... mas você vai. Toda vez que olhar pra ela vestindo isso, vai lembrar que foi eu quem escolheu. Eu quem mostrou. Eu quem fez você querer."
Ele respirou fundo, quase um gemido reprimido. "O chemise. Embrulhe."
Clara vestiu o vestido preto de volta — ritual lento, cada botão uma vitória. Quando terminou, entregou a sacola. Seus dedos roçaram os dele de propósito, demorando o suficiente para ele sentir o calor. "Boa noite. E... cuide bem dela. Ou melhor: cuide bem de você. Porque isso aqui..." Tocou a própria clavícula levemente. "...vai ficar na sua cabeça por muito tempo."
Ele saiu cambaleando para a rua escura.
Clara apagou a luz do provador. Ficou no escuro por um minuto, encostada no espelho frio, sentindo o próprio pulso acelerado no pescoço. Sorriu para o reflexo invisível. Não era sobre ele. Era sobre o poder de fazer um homem se destruir devagar... só com o olhar e algumas palavras bem colocadas.

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Ficha do conto

Foto Perfil weblover1978
weblover1978

Nome do conto:
O Espelho que Tortura

Codigo do conto:
252022

Categoria:
Exibicionismo

Data da Publicação:
13/01/2026

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