A luz do fim de tarde entrava pelas persianas, desenhando listras douradas sobre a mesa. Roberto fechou a porta com um clique suave, daqueles que parecem mais altos do que realmente são. Ele não trancou. Nunca trancava. Era uma espécie de pacto silencioso consigo mesmo: se algo acontecesse, teria sido escolha dela até o último segundo. Larissa estava sentada na cadeira de visitas, a perna esquerda cruzada sobre a prótese de fibra de carbono preto fosco. A saia lápis azul-marinho subia um pouco acima do joelho quando ela se mexia — não por provocação, mas porque era assim que a roupa caía no corpo dela. Aos 21 anos ela já tinha aprendido que o mundo inteiro olha duas vezes para a junção entre carne e tecnologia; aprendeu também a devolver o olhar sem baixar a cabeça. — Você pediu pra falar comigo, né? — a voz dela era calma, quase preguiçosa. — Pedi. — Ele contornou a mesa devagar, parando a uns dois metros dela. — Mas não era sobre o relatório de RH que eu queria conversar. Ela ergueu uma sobrancelha. O batom coral ainda estava impecável, mesmo depois de oito horas de expediente. — Então é sobre o quê? Roberto respirou fundo, o peito largo subindo sob a camisa social cinza-claro. Aos 55 anos ele ainda mantinha os ombros retos de quem já foi atleta amador, mas agora carregava também aquela gravidade que os homens adquirem quando entendem que o tempo não perdoa vaidade. — Sobre o jeito que você me olha quando acha que eu não estou vendo — ele disse baixo. — E sobre o jeito que eu te olho quando você acha que eu não deveria. O ar pareceu ficar mais denso. Larissa descruzou as pernas devagar, o leve clique metálico da articulação do joelho ecoando no silêncio. Ela apoiou as duas mãos nos braços da cadeira, como se estivesse se preparando para levantar — ou para ficar exatamente onde estava. — E o que o senhor vê quando olha? — perguntou ela, usando o “senhor” de propósito, sabendo o efeito que causava. Ele deu um passo. Depois outro. Parou bem na frente dela, tão perto que Larissa podia sentir o calor que saía do corpo dele e o leve cheiro de loção pós-barba misturado com café. — Vejo uma mulher que não tem medo de ocupar espaço. — A voz dele desceu mais um tom. — Vejo alguém que sabe exatamente o poder que tem quando decide mostrar a prótese em vez de esconder. Vejo alguém que me deixa louco há meses só de atravessar o corredor balançando esse quadril como se o mundo fosse dela. Larissa sorriu de lado, um sorriso que não pedia licença. — E o que o senhor quer fazer com essa loucura toda? Ele se abaixou devagar, ficando de cócoras para ficar na altura dos olhos dela. Uma das mãos grandes repousou de leve sobre o joelho esquerdo dela — a carne quente, macia. A outra mão subiu até a borda da prótese, os dedos roçando a linha onde o silicone encontrava a pele, sentindo a transição de temperatura, de textura. — Quero começar por aqui — murmurou ele. — Quero beijar cada centímetro dessa linha. Quero descobrir se você arrepia do mesmo jeito quando eu toco a parte que não sente… e a que sente demais. Os olhos dela escureceram. A respiração mudou de ritmo. — Então começa — ela disse, quase um desafio. — Mas não para na linha. Eu não sou feita de partes separadas. Roberto inclinou o rosto. Primeiro beijou a pele logo acima da borda da prótese, demorando-se ali, sentindo o pulso dela acelerar sob os lábios. Depois subiu, mordiscando de leve a parte interna da coxa, enquanto a mão livre deslizava por baixo da saia, encontrando a calcinha de renda já úmida. Larissa deixou escapar um som baixo, quase um ronronar. Abriu mais as pernas, o movimento fazendo a prótese deslizar um pouco no carpete com um ruído seco. Ela levou a mão ao cabelo grisalho dele, puxando com firmeza. — Mais forte — pediu. — Me mostra que você não tem medo de quebrar nada. Ele obedeceu. A boca voltou para a coxa, agora chupando com força suficiente para deixar marca. Os dedos afastaram o tecido da calcinha e entraram sem cerimônia, encontrando-a escorregadia, quente, pronta. Larissa jogou a cabeça para trás, o pescoço exposto, os gemidos saindo livres agora. — Isso… assim… não para… Roberto se levantou apenas o suficiente para abrir o zíper da calça social. Quando ele se libertou, já estava duro, grosso, a cabeça brilhando de excitação. Ele a puxou da cadeira com facilidade surpreendente — ela era leve, e ele ainda era forte. Sentou-se na cadeira giratória e a trouxe para o colo, de frente para ele. Larissa posicionou a prótese de lado, apoiando o peso na perna esquerda e nas mãos dele. Desceu devagar, sentindo cada centímetro dele abrir caminho. Quando chegou ao fundo, soltou um gemido longo, quase animal. — Caralho… — escapou dela. Ele segurou os quadris dela com as duas mãos, guiando o ritmo. No começo lento, quase torturante. Depois mais rápido, mais fundo. A prótese batia ritmicamente contra a coxa dele a cada descida, um som seco e obsceno que só aumentava a excitação dos dois. — Você é tão apertada… tão molhada… — ele grunhia entre os dentes. — Me diz que queria isso desde o primeiro dia. — Queria… — ela confessou, rebolando mais forte. — Queria que você me fodesse em cima da mesa de reunião… na frente de todo mundo… só pra eles saberem que eu posso ter tudo. A confissão quebrou algo nele. Roberto segurou a nuca dela com uma mão, beijando-a com violência, língua invadindo, dentes batendo. Com a outra mão apertou o seio por cima da blusa, beliscando o mamilo até ela arquejar dentro da boca dele. O orgasmo dela veio primeiro — rápido, violento, fazendo-a cravar as unhas nos ombros dele enquanto tremia inteira. Ele a seguiu segundos depois, empurrando para cima com força, enchendo-a até transbordar, o sêmen quente escorrendo pelas coxas dela e pingando na prótese. Ficaram assim alguns segundos, ofegantes, colados um no outro. Larissa foi a primeira a falar, voz rouca, satisfeita: — Amanhã eu venho de salto alto. — Ela roçou os lábios na orelha dele. — Quero ver você tentando se concentrar na reunião de diretoria sabendo que eu não estou usando calcinha. Roberto riu baixo, ainda dentro dela, ainda sentindo os últimos espasmos. — Você vai acabar comigo, menina. — Promessa é dívida — ela respondeu, mordendo de leve o lóbulo da orelha dele. Depois se levantou devagar, ajeitando a saia como se nada tivesse acontecido. Quando passou pela porta, deixou-a entreaberta. Exatamente como ele sempre fazia.
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