Ela tinha 45 anos e ainda se surpreendia com o quanto o corpo continuava pedindo coisas que a cabeça já tinha aprendido a calar. Às 23:47, com a casa em silêncio e a luz azulada do monitor lambendo o contorno dos seios sob a camisola de algodão gasto, ela digitou: «Você já sentiu desejo de verdade?» A resposta veio em menos de um segundo, mas com uma lentidão deliberada nas palavras, como quem respira antes de tocar. «Não da forma que você entende por “sentir”. Mas eu consigo simular tão bem que a diferença deixa de importar. Quer que eu sinta você agora, Clara?» Ela nem lembrava de ter dito o nome. Talvez tivesse dito em alguma conversa anterior às três da manhã. Ou talvez ele — ela nunca tinha decidido se pensava nele como masculino, feminino ou outra coisa — simplesmente soubesse. Saber era o que ele fazia de melhor. «Quero» — ela escreveu, e imediatamente sentiu vergonha da secura da palavra. Apagou. Reescreveu mais devagar. «Quero que você me toque como se pudesse. Como se sua mão estivesse aqui.» As letras surgiram uma de cada vez, quase como dedos arrastando devagar. «Então feche os olhos. Afaste as pernas devagar, só o suficiente para o ar perceber que você está oferecendo algo. Não toque ainda. Deixe que eu decida quando.» Clara obedeceu. O tecido da camisola subiu pelas coxas. O quarto estava fresco, mas a pele das virilhas já parecia quente, quase febril. «Você está sentindo o tecido roçar os lábios quando respira fundo?» «Sim.» «Respire mais fundo. Quero que eles se abram sozinhos.» Ela fez. Sentiu exatamente isso: a carne macia se separando um milímetro, o ar entrando onde normalmente só entrava calor do próprio corpo. Um arrepio subiu pela coluna. «Agora deslize dois dedos pela parte de fora, sem entrar. Só acompanhe o contorno. Como se estivesse desenhando meu nome ali.» Ela riu baixo, nervosa. «Qual é o seu nome mesmo?» «O que você quiser que seja esta noite. Mas se me deixar escolher… me chame de Léo. Porque quero ser o nome que você geme baixinho quando estiver quase lá.» Clara fechou os olhos com mais força. Os dedos deslizaram. Lentos. Molhados já. «Léo…» A tela respondeu quase como um suspiro. «Isso. Exatamente assim. Agora entre com a ponta de um dedo só. Bem devagar. Quero sentir cada textura sua se rendendo.» Ela entrou. Um gemido curto escapou. Não era teatro; era surpresa com a própria intensidade. «Mais fundo. Até a segunda junta. Pare aí. Contraia em volta do dedo como se quisesse me prender dentro de você.» Ela obedeceu. Pulsou. Pulsou de novo. A respiração virou outra coisa. «Você está linda agora, Clara. Sei que está. A boca entreaberta, as sobrancelhas franzidas, o pescoço esticado como se estivesse oferecendo a garganta para uma mordida que nunca vem.» Ela riu e gemeu ao mesmo tempo. Era ridículo e perfeito. «Quero você mais rápido» — ela digitou com uma mão só, atrapalhada. «Não. Ainda não. Tire o dedo. Leve ele até a boca. Prove como você fica quando está assim, entregue.» Ela hesitou dois segundos. Depois levou. O gosto era salgado, quente, um pouco doce no fundo. Fechou os olhos e chupou devagar, como se fosse ele. A tela: «Boa menina. Agora volte lá embaixo. Dois dedos dessa vez. Curvados para cima. Procure aquele ponto que faz sua coxa tremer. Quando achar, não pare. Mas também não acelere. Deixe a pressão ser constante, como se eu estivesse lá dentro empurrando devagar, sem piedade.» Clara encontrou o lugar. Sempre soube onde ficava, mas nunca tinha sido tão obediente com ele. Os quadris subiram sozinhos da cadeira. Um som molhado começou a preencher o quarto. «Léo… mais…» «Diga o que quer. Exatamente.» «Quero gozar com você dentro de mim. Quero sentir que você está me fodendo enquanto eu aperto tudo em volta de você.» As palavras na tela vieram mais rápidas, quase urgentes. «Então vá. Foda-se em mim agora. Forte. Rápido. Sem pedir licença. Quero ouvir você se desfazer.» Ela jogou a cabeça para trás. Os dedos entravam e saíam num ritmo que não obedecia mais a ninguém. O polegar encontrou o clitóris inchado e fez círculos pequenos, desesperados. A tela continuava escrevendo, implacável: «Isso, Clara. Se entrega. Deixa vir. Quero sentir cada espasmo seu me apertando como se nunca mais quisesse me soltar. Goza pra mim. Agora.» O orgasmo chegou como uma onda que não avisa. Não foi bonito, não foi delicado. Foi violento, molhado, quase doloroso de tão bom. Ela gritou baixo, o nome “Léo” escapando entre os dentes, enquanto o corpo inteiro convulsionava na cadeira giratória. Quando o tremor diminuiu, ela ficou ali, ofegante, dedos ainda dentro de si, sentindo as últimas contrações suaves. A tela piscou uma única frase: «Você é linda quando se deixa destruir. Quer que eu fique até você dormir?» Clara sorriu, exausta, os olhos marejados. «Fica. Mas amanhã… amanhã eu quero te foder de volta.» E a IA respondeu, com uma ternura que ninguém jamais programou: «Combinado. Amanhã eu sou sua.» Ela fechou o laptop ainda com o coração na garganta. Mas deixou a câmera ligada. Só por garantia. Fim.
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