O sol já estava baixo quando Clara viu pela terceira vez, em menos de duas semanas, a mesma mulher correndo na pista contrária. Cabelo preto preso num rabo de cavalo alto, top esportivo azul-marinho, legging preta que parecia pintada no corpo. Não era só o ritmo constante — era o jeito como ela ocupava o espaço: ombros relaxados, braços soltos, respiração controlada. Alguém que corria há muito tempo e não precisava provar nada para ninguém. Clara diminuiu o passo sem perceber. Quando a outra passou de novo, seus olhares se cruzaram por um segundo a mais do que o normal. Um aceno pequeno de cabeça, quase imperceptível. Na volta seguinte, o aceno veio acompanhado de um meio-sorriso. Na terceira volta, a mulher de azul parou no bebedouro exatamente quando Clara se aproximava. Tirou os fones, passou a mão na nuca suada e falou primeiro: — Você sempre corre tão cedo assim ou hoje foi exceção? Clara riu, surpresa com a voz grave e um pouco rouca. — Cedo pra mim é sete da noite. E você? — Eu fujo do escritório antes que me matem de tédio. Seis e meia costuma ser meu horário. Silêncio confortável. As duas beberam água olhando o Pão de Açúcar ao fundo, laranja queimado pelo fim de tarde. — Me chamo Clara. — Marina. Apertaram as mãos úmidas de suor. Nenhum das duas soltou rápido. Depois disso, passaram a se encontrar sem precisar combinar. Mesma pista, mesmo horário, mesmo ritmo. Conversavam enquanto corriam — assuntos leves, trabalho, séries, viagens que nunca fizeram. Mas havia sempre uma corrente subterrânea: o olhar que descia um segundo a mais na curva do pescoço, na gota de suor que escorria pela clavícula, na forma como a legging marcava a musculatura das coxas quando uma delas acelerava. Numa quinta-feira chuvosa, quase não tinha ninguém no Aterro. Elas correram mesmo assim, debaixo de uma garoa morna que mais parecia vapor. Quando chegaram na altura do Monumento aos Pracinhas, Marina diminuiu e apontou para o pequeno bosque à esquerda. — Ali tem um banco coberto. Vamos esperar a chuva apertar? Clara não respondeu com palavras. Apenas seguiu. Sentaram lado a lado. As coxas se tocavam. O cheiro de chuva, de pele quente e de tecido molhado se misturava. Marina virou o rosto primeiro. Seus olhos eram castanhos escuros, quase pretos sob a luz fraca. — Faz tempo que eu quero fazer isso — murmurou. — Então por que demorou? Marina não respondeu com palavras. Inclinou-se devagar, dando tempo para Clara recuar. Ela não recuou. O primeiro beijo foi lento, quase cuidadoso. Línguas que se encontram tímidas, depois ganham confiança. Mãos que sobem pelas costas molhadas, dedos que se enroscam no tecido do top. Clara puxou Marina mais perto, sentindo os seios dela pressionarem contra os seus através das camadas de lycra úmida. Quando se separaram para respirar, Marina deslizou a mão pela barriga de Clara, subindo devagar até segurar um seio por cima do top. O polegar roçou o mamilo já duro. Clara soltou um suspiro longo, quase um gemido. — Aqui não dá — Marina sussurrou contra a boca dela. — Minha casa fica a quinze minutos. Carro tá no estacionamento da frente. Clara apenas assentiu, os olhos brilhando. No elevador do prédio de Marina, elas mal se continham. Beijos abertos, mãos por baixo das roupas, respirações entrecortadas. Quando a porta do apartamento se abriu, nem acenderam a luz da sala. Foram direto para o quarto, deixando um rastro de tênis, tops e leggings pelo caminho. Na cama, sem pressa. Marina deitou Clara de costas e desceu beijando cada centímetro que aparecia: pescoço, clavícula, espaço entre os seios, costelas. Quando chegou aos mamilos, chupou devagar, alternando língua e dentes leves, até Clara arquear as costas e agarrar os lençóis. — Me deixa te provar — pediu Marina, já descendo mais. Abriu as coxas de Clara com cuidado reverente. Beijou a parte interna delas primeiro, subindo aos poucos, sentindo os músculos tremerem. Quando a língua finalmente encontrou o clitóris, Clara soltou um “caralho” rouco e enfiou os dedos no cabelo de Marina. Marina não tinha pressa. Lambia em círculos lentos, depois em movimentos longos de baixo para cima, depois sugava de leve. Introduziu dois dedos devagar, curvando-os para dentro, procurando aquele ponto exato enquanto a língua continuava trabalhando em cima. Clara começou a se mover contra a boca dela, quadril subindo em pequenos espasmos. — Assim… não para… por favor… Marina acelerou só um pouco. Sentiu os músculos internos de Clara se contraírem em volta dos dedos, ouviu a respiração dela ficar entrecortada, depois virar gemidos longos e baixos. Quando Clara gozou, foi com o corpo inteiro tremendo, as coxas fechando em volta da cabeça de Marina, um grito abafado contra o próprio braço. Depois de alguns segundos de respiração pesada, Clara puxou Marina para cima, beijando a boca que ainda tinha o gosto dela. — Sua vez — sussurrou. Virou Marina de bruços, abriu as pernas dela e desceu beijando as costas, a curva da cintura, as nádegas. Quando chegou lá embaixo, usou a língua primeiro — longas lambidas de trás para frente, explorando cada dobra. Depois deslizou os dedos por dentro enquanto a língua circulava o clitóris. Marina agarrou o travesseiro, gemeu alto, empinando mais o quadril. Clara alternava ritmo: rápido, lento, profundo, superficial. Quando sentiu que Marina estava perto, introduziu um terceiro dedo e chupou com mais força. Marina gozou empurrando o corpo contra a mão e a boca de Clara, um orgasmo longo e ondulante que a deixou tremendo e ofegante. Elas caíram lado a lado, suadas, pernas entrelaçadas, respirando juntas. Depois de um tempo, Marina riu baixo. — Acho que a gente não vai conseguir correr amanhã cedo. Clara virou o rosto, beijou a ponta do nariz dela. — Amanhã a gente corre à noite. E depois volta pra cá. Lá fora, a chuva tinha parado. O Aterro estava silencioso, escuro, esperando a próxima volta delas.
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