O terminal de cargas do Porto do Rio estava quase deserto àquela hora. As luzes de sódio tingiam tudo de um laranja sujo, e o ronco distante dos guindastes parecia o ronronar lento de um animal adormecido. Era quase meia-noite quando o Scania vermelho com placas de MG encostou na fila da inspeção secundária. Cláudia desceu da guarita de controle com o colete refletivo aberto sobre a camisa social azul-marinho desabotoada no segundo botão. Aos 34 anos ela já tinha visto de tudo: cargas declaradas como “peças de reposição” que eram caixas de eletrônicos sem nota, contêineres “vazios” que cheiravam a maconha prensada, motoristas que tentavam negociar com maços de notas ou com olhares insistentes. Mas aquele caminhoneiro… aquele era diferente. Ele desceu da boleia devagar, botas surradas batendo no concreto. Alto, ombros largos de quem carrega corrente e amarra lona desde os 18 anos, barba de três dias e uma tatuagem mal feita escapando pela gola da camiseta cinza. Chamava-se Márcio. Não precisava olhar a CNH para saber o nome — ele sempre assinava o termo de vistoria com letra grande e arredondada, como quem aprendeu a escrever em escola de interior. — Boa noite, fiscal — ele disse, voz rouca de cigarro e estrada. — Atendente de fiscalização aduaneira — corrigiu ela, mais por hábito do que por implicância. — Abre o lacre pra mim, por favor. Márcio obedeceu sem pressa. Quando esticou o braço para cortar o lacre de plástico, a manga subiu e Cláudia viu mais da tatuagem: uma âncora entrelaçada com uma rosa. O cheiro dele chegou junto — diesel, suor limpo, um resto de loção barata que lembrava pinho. Ela passou o scanner no lacre rompido, conferiu o número no sistema. Carga declarada: “peças automotivas diversas”. Nada fora do comum. Mas o jeito que ele ficou parado, encostado na lateral do baú, olhando fixo para ela… aquilo não era comum. — Posso abrir as portas? — perguntou Cláudia, já segurando a alavanca. — Pode. Mas tá escuro aí dentro. Quer que eu acenda a lanterna do celular? — Não precisa. Eu conheço o caminho. Ela subiu no degrau do semirreboque, abriu as portas de uma vez. O ar preso lá dentro saiu quente, carregado de cheiro de graxa e borracha nova. Márcio subiu atrás dela, quase encostando o peito nas costas dela. Não era acidente. — Tá precisando inspecionar peça por peça hoje? — ele perguntou baixo, perto demais do ouvido. Cláudia virou o rosto devagar. Os olhos dele estavam quase pretos sob a luz fraca. — Depende — respondeu ela. — Às vezes a gente encontra mercadoria que não tá na declaração… às vezes encontra outra coisa. Ele deu meio sorriso torto. — E o que a senhora tá procurando hoje? Ela não respondeu com palavras. Passou a mão devagar pelo zíper do colete refletivo, abrindo-o até o fim. A camisa fina marcava o sutiã preto por baixo. Márcio respirou fundo, o peito subindo e descendo visivelmente. Cláudia deu um passo para trás, encostando nas caixas empilhadas, sentindo o papelão áspero nas costas. — Fecha a porta — ela disse, voz firme, mas rouca. Ele obedeceu. O baque das portas batendo ecoou como um trovão abafado. Ficaram ali, no escuro quase total, só o brilho fraco do farol do caminhão infiltrando pelas frestas. Márcio chegou mais perto. Não a agarrou de uma vez — primeiro passou as costas dos dedos pelo braço dela, subindo devagar até o ombro, depois desceu pela lateral do corpo, contornando a curva da cintura. Cláudia deixou escapar um suspiro curto quando os dedos dele encontraram a pele nua entre a barra da camisa e a calça do uniforme. — Você já fez isso aqui dentro? — ele perguntou, boca roçando a lateral do pescoço dela. — Não com caminhoneiro de Scania — ela respondeu, mordendo o lábio inferior. — Ainda. As mãos grandes dele subiram pelas costas dela, desabotoando a camisa com uma lentidão torturante. Quando o tecido abriu, ele parou um segundo, só olhando. Cláudia sentiu o calor subir pelo peito, os mamilos endurecendo contra o sutiã de renda. Ela puxou a camiseta dele para cima. O abdômen dele era duro, marcado por linhas de pelos escuros que desciam até a fivela do cinto. Cláudia passou as unhas de leve por ali, sentindo ele estremecer. — Tira — ordenou ela. Márcio abriu o cinto com um estalo seco. A calça desceu junto com a cueca boxer até os tornozelos. Ele estava duro, grosso, a cabeça brilhando de umidade na penumbra. Cláudia lambeu os lábios sem perceber. Ela se ajoelhou no assoalho do baú, sentindo o cheiro forte de homem misturado com óleo diesel. Passou a língua devagar, da base até a ponta, sentindo o gosto salgado e quente. Márcio gemeu baixo, enfiou os dedos no cabelo dela, sem forçar, só segurando. Cláudia o levou inteiro na boca, devagar no começo, depois mais fundo, até sentir a garganta se contrair. Ele xingou baixinho, um “porra, mulher…” quase reverente. Quando ela se levantou, Márcio a virou de costas com firmeza. Desabotoou a calça dela, desceu junto com a calcinha preta até os joelhos. Passou a mão entre as coxas dela, encontrando-a molhada, escorregadia. Dois dedos entraram sem dificuldade, curvando-se para dentro, procurando aquele ponto que a fez jogar a cabeça para trás e morder o próprio braço para não gritar. — Aqui? — ele perguntou, já sabendo a resposta. — Aí… não para… Ele tirou os dedos, substituiu pela cabeça grossa do pau, esfregando devagar na entrada, molhando-se com ela. Entrou de uma vez, até o fundo, arrancando um gemido rouco dos dois ao mesmo tempo. Márcio segurou os quadris dela com as duas mãos grandes, mantendo-a exatamente onde queria. O pau dele estava enterrado até o talo, pulsando dentro dela, e por alguns segundos os dois ficaram imóveis, apenas sentindo — o latejar dele, o aperto quente e ritmado dela ao redor, o suor escorrendo pela linha da coluna dela e pingando no assoalho de madeira do baú. Cláudia empinou mais as costas, arqueando a lombar de um jeito que fez o ângulo mudar. Ele escorregou ainda mais fundo, batendo num ponto que a fez soltar um gemido rouco, quase animal. Ela apertou os olhos, mordeu o lábio inferior com tanta força que sentiu o gosto metálico do sangue misturado com saliva. — Porra… assim não — ela sussurrou, mas o tom era de quem implorava o oposto. Márcio entendeu. Começou a se mover devagar no começo, estocadas longas e profundas, saindo quase inteiro e voltando com força controlada, sentindo cada centímetro dela se abrir e depois se fechar ao redor dele. O som era molhado, obsceno, ecoando dentro do contêiner fechado como se fosse uma caverna particular. Cada vez que ele entrava até o talo, as bolas dele batiam contra o clitóris inchado dela, enviando choques elétricos que subiam pela barriga e explodiam no peito. Cláudia apoiou as duas mãos abertas nas caixas de papelão à frente. O material áspero arranhava as palmas, mas ela mal percebia. Empurrava o quadril para trás ao mesmo tempo que ele avançava, encontrando o ritmo dele, acelerando-o. O baú inteiro parecia balançar levemente com os movimentos — ou talvez fosse só a ilusão causada pelo sangue correndo rápido demais nos ouvidos dela. — Mais forte — ela pediu, voz entrecortada. — Me fode com vontade! Ele grunhiu algo incompreensível, um som gutural que vibrou no peito dele e se transferiu para as costas dela. As mãos deslizaram dos quadris para a cintura, subiram pelas costelas, agarraram os seios por cima do sutiã ainda no lugar. Apertou com força, os polegares roçando os mamilos duros através da renda. Cláudia jogou a cabeça para trás, o rabo de cavalo se desfazendo, fios grudando no pescoço suado. Márcio acelerou. As estocadas ficaram curtas, rápidas, brutas. O pau dele entrava e saía num ritmo frenético, batendo no fundo dela a cada golpe, fazendo-a soltar pequenos gritos abafados que ela tentava engolir. O clitóris roçava na base grossa dele a cada investida, inchado, hipersensível. Ela sentia o orgasmo se formando como uma onda distante que crescia rápido demais. — Tô quase… não para… caralho, não para… Ele soltou um dos seios e levou a mão direita entre as pernas dela. Dois dedos grossos encontraram o clitóris, esfregando em círculos rápidos e firmes, sem delicadeza. Cláudia tremeu inteira. As coxas começaram a tremer primeiro, depois a barriga, depois o corpo todo. Ela apertou os músculos internos com força, como se quisesse segurá-lo dentro de si para sempre. — Goza, vai… goza no meu pau — ele rosnou no ouvido dela, mordendo o lóbulo com os dentes. Foi o gatilho. O orgasmo a atravessou como um raio. Começou no clitóris, explodiu para dentro, subiu pela coluna em espasmos violentos. Ela gritou — não conseguiu segurar dessa vez —, um som rouco e longo que ecoou no contêiner. Os músculos da vagina se contraíram em ondas ritmadas, apertando-o com tanta força que Márcio xingou alto, quase perdendo o controle. Ele continuou empurrando através do orgasmo dela, prolongando-o, forçando-a a sentir cada estocada enquanto tremia e se desfazia. O líquido dela escorria pelas coxas internas, pingando no chão, misturando-se ao suor e ao cheiro forte de sexo que tomava conta do ar quente e abafado. Quando as contrações dela começaram a diminuir, Márcio segurou firme nos quadris dela de novo, deu mais quatro estocadas profundas, lentas, deliberadas. Na última ele se enterrou até o fundo e ficou lá, pulsando. Cláudia sentiu o calor dele explodir dentro dela — jato após jato quente, enchendo-a, escorrendo pelas laterais quando ele não aguentou mais ficar parado e começou a se mover de leve, prolongando o próprio prazer. Ele gemeu baixo, quase dolorido, encostando a testa suada nas costas dela. Ficaram assim alguns segundos, ofegantes, colados um no outro, o pau dele ainda dentro, amolecendo devagar enquanto os dois tentavam recuperar o fôlego. Cláudia foi a primeira a se mexer. Contraiu os músculos internos de propósito, apertando-o uma última vez só para ouvir o gemido surpreso que ele soltou. Depois se afastou devagar, sentindo o sêmen quente escorrer pelas coxas, pingar no assoalho. Ela se virou, encostou as costas nas caixas, pernas ainda trêmulas. Olhou para ele: barba molhada de suor, peito subindo e descendo rápido, pau brilhando com os fluidos dos dois, uma gota final pendurada na ponta. — Vistoria… concluída — disse ela, tentando soar séria, mas a voz saiu rouca, quebrada, com um sorriso safado nos lábios inchados. Márcio riu baixo, passou a mão pelo cabelo bagunçado. — Pendência registrada, então? Ela lambeu os lábios devagar, sentindo o gosto dele ainda na boca. — Pendência grave. Vai exigir… reinspeção na próxima passagem. Ele fechou o zíper da calça com calma, sem tirar os olhos dela. — Pode anotar no sistema que eu volto semana que vem. Cláudia abotoou a camisa com dedos lentos, ainda sentindo as pernas moles e o calor latejante entre as coxas. — Anotado. Quando ele abriu as portas do baú, o ar fresco da noite invadiu o espaço, levando embora um pouco do cheiro denso de sexo. Mas não tudo. Algumas coisas ficam grudadas na pele — e na memória — por muito mais tempo do que o lacre de um contêiner.
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