A sala de consulta cheirava a antisséptico e a um leve perfume amadeirado que o Dr. Roberto usava há mais de trinta anos — o mesmo que a secretária já nem registrava mais. Aos sessenta, ele ainda mantinha os ombros largos e as mãos grandes, de dedos longos, que pareciam feitas exatamente para o que fazia: examinar, abrir, acalmar, às vezes conduzir. Mariana entrou com os olhos baixos, o vestido florido de algodão colado ao corpo pelo calor de janeiro. Dezenove anos recém-completados. Virgem. Não por convicção religiosa ou moral particularmente rígida, mas porque nunca tinha acontecido. E porque tinha medo. Muito medo. O suficiente para adiar o primeiro exame ginecológico por quase dois anos. — Pode tirar a calcinha e subir na mesa, por favor — a voz dele era grave, lenta, quase paternal. — Pode ficar com o vestido levantado até a cintura. Tem um lençol aí pra cobrir as pernas se quiser. Ela obedeceu tremendo. O papel da mesa de exame fez barulho quando ela se deitou. O lençol azul-claro cobria até o meio da coxa. As pernas estavam juntas, os joelhos quase colados um no outro. Dr. Roberto lavou as mãos demoradamente, o som da água preenchendo o silêncio pesado. Quando voltou, calçou as luvas de látex com um estalo seco que fez Mariana fechar os olhos com força. — Relaxa, menina. Respira fundo pelo nariz. Solta pela boca. Isso… assim mesmo. Ele sentou no banquinho com rodinhas e se aproximou. As mãos enluvadas tocaram primeiro a parte interna das coxas dela, não para abrir ainda, apenas para marcar território, para avisar que estavam ali. — Vou começar tocando por fora, tá bem? Só pra você se acostumar com a sensação. Se quiser parar, é só falar. Combinado? Ela fez que sim com a cabeça, os olhos ainda fechados. Os dedos dele começaram um movimento circular lento sobre o monte de Vênus, por cima do tecido imaginário que já não existia. Depois desceram, contornando os grandes lábios sem forçar a separação. O toque era firme, mas nunca brusco. Como quem acaricia um animal assustado. Mariana soltou um suspiro curto, quase um soluço. — Tá sentindo alguma dor? — ele perguntou, sem parar o movimento. — Não… — a voz saiu fininha. — É… estranho. — Estranho bom ou estranho ruim? Ela hesitou. Engoliu em seco. — Bom… acho. Ele deixou escapar um som baixo, quase um ronronar de aprovação. As mãos deslizaram mais para baixo. Agora os polegares roçavam a linha central, separando suavemente os grandes lábios. O ar fresco da sala bateu na pele úmida e ela se contraiu inteira. — Calma… — ele sussurrou. — Só vou olhar agora. Não vou entrar ainda. Mas não era só olhar. O dedo médio direito, ainda enluvado, começou a traçar a fenda de cima para baixo, devagar, coletando a umidade que já escorria. Ele não comentou nada sobre o quanto ela estava molhada. Apenas continuou o movimento, cada vez um pouco mais fundo na superfície, sem nunca romper a barreira da entrada. Mariana abriu os olhos pela primeira vez. O teto branco. A lâmpada fria. E, entre suas coxas abertas, o topo grisalho da cabeça dele, concentrado, sério, como se estivesse resolvendo um problema de cálculo extremamente delicado. — Vou tocar o clitóris agora — ele avisou, voz profissional, mas com um tom mais rouco do que antes. — Pode doer um pouquinho no começo se estiver muito sensível. Me avisa. O polegar encontrou o capuz. Levantou-o com cuidado. O clitóris pequeno, inchado, apareceu exposto. Ele começou com toques leves, quase só o peso do látex. Depois círculos. Pequenos. Lentos. Depois um pouco mais rápidos. Depois mais pressão. O quadril dela subiu sozinho do papel da maca. — Isso… — ele murmurou, mais para si mesmo. — Assim mesmo… deixa acontecer. Dois dedos agora deslizavam ao longo da entrada, sem entrar, apenas espalhando a lubrificação, pressionando as laterais do clitóris indiretamente. O ritmo aumentou. Não era mais exame. Era outra coisa. Ambos sabiam. Nenhum dos dois falou em parar. Mariana começou a respirar pela boca, arquejos curtos. Os dedos dos pés se esticaram. A barriga tremia. — Dr. Roberto… — a voz saiu quebrada. — Pode gozar, Mariana. Pode. Ninguém vai te julgar aqui. Foi a frase final. O corpo dela se curvou como se tivesse levado um choque. Um gemido longo, quase animal, escapou da garganta. As coxas se fecharam em torno da mão dele, prendendo-a ali enquanto as contrações vinham em ondas violentas. Ele não tirou a mão. Continuou o movimento, agora mais leve, acompanhando as pulsações, prolongando até onde ela aguentava. Os dedos do Dr. Roberto não pararam quando o primeiro tremor atravessou o corpo dela. Pelo contrário: ele diminuiu a pressão, mas manteve o ritmo — círculos menores, mais lentos, exatamente no ponto onde o clitóris pulsava mais forte, como se soubesse que qualquer interrupção abrupta seria cruel. Mariana sentiu o calor subir da barriga em direção ao peito, como se alguém tivesse acendido um fósforo dentro dela. A respiração virou soluços curtos, entrecortados. As coxas tremiam tanto que batiam uma na outra, tentando se fechar, mas as mãos grandes dele as mantinham abertas com firmeza tranquila, sem violência. — Isso, menina… deixa vir… não segura — a voz dele saiu baixa, quase um ronco, colada à pele interna da coxa dela. O polegar continuou girando sobre o clitóris exposto enquanto os outros dois dedos deslizavam apenas na entrada, pressionando as bordas internas dos pequenos lábios, abrindo e fechando num movimento ritmado que imitava penetração sem nunca romper o hímen. Cada passada espalhava mais umidade, o som molhado ficando mais alto, mais obsceno no silêncio da sala. Então veio. Primeiro foi uma contração profunda, como se o útero inteiro se fechasse de uma vez. Mariana arqueou as costas, o papel da maca rasgando sob os quadris. Um gemido longo e rouco escapou, mais animal do que humano, ecoando nas paredes brancas. As mãos dela agarraram o lençol azul com tanta força que os nós dos dedos ficaram brancos. A segunda onda veio mais forte, mais rápida. As coxas se fecharam em torno da mão dele, prendendo-a ali como uma armadilha de carne quente e trêmula. Ele não resistiu — deixou que o corpo dela ditasse o ritmo por alguns segundos, apenas acompanhando com toques leves enquanto as contrações vinham uma atrás da outra, cada vez mais próximas, até virarem um espasmo contínuo. O clitóris inchado pulsava sob o látex como um coração minúsculo e desesperado. Cada pulso mandava choques elétricos pelas pernas, pela barriga, até a nuca. Mariana abriu a boca num grito mudo, os olhos revirados, lágrimas escorrendo pelas têmporas sem que ela percebesse. O corpo inteiro convulsionava — barriga tremendo, seios subindo e descendo rápido sob o vestido florido, dedos dos pés esticados como se tentassem alcançar alguma coisa invisível. — Isso… isso… muito bem… — ele murmurava, mais para si mesmo, enquanto prolongava o prazer com toques suaves e circulares, acompanhando cada espasmo, esticando-o o máximo possível. Demorou quase um minuto inteiro até as contrações começarem a espaçar. O corpo dela foi relaxando aos poucos, músculo por músculo. Primeiro as coxas se afrouxaram, deixando a mão dele livre de novo. Depois a barriga parou de tremer. Por fim, a respiração, que estava em golfadas, foi voltando a um ritmo quase normal — embora ainda entrecortado por suspiros longos e trêmulos. Quando tudo terminou, Mariana ficou ali, largada na maca, pernas abertas, pele brilhando de suor fino, o vestido amarrotado na cintura, o lençol embolado nos pés. Entre as coxas, a vulva estava vermelha, inchada, reluzente de umidade que escorria devagar pela dobra interna das coxas até pingar no papel protetor. Dr. Roberto permaneceu imóvel por longos segundos, apenas observando — o peito subindo e descendo um pouco mais rápido do que o normal, os olhos escuros fixos na cena que ele mesmo havia criado. Só então tirou a mão devagar, com cuidado quase reverente, e deixou o ar fresco da sala tocar a pele hipersensível dela. Mariana abriu os olhos devagar. O mundo parecia embaçado, distante. Encontrou o olhar dele — calmo, profissional, mas com alguma coisa crua queimando no fundo. Ela não conseguiu falar. Apenas fechou os olhos de novo, deixou uma lágrima escorrer, e respirou fundo, sentindo o corpo ainda vibrar com os ecos daquele prazer que ela nem sabia que era possível sentir. O silêncio que veio depois foi mais alto que qualquer gemido. Mariana permaneceu deitada na maca, o corpo ainda percorrido por tremores residuais, como se pequenas correntes elétricas passeassem preguiçosas sob a pele. A respiração dela era lenta agora, profunda, mas entrecortada por suspiros longos que pareciam sair do fundo do peito. Os olhos continuavam fechados — talvez por vergonha, talvez porque abrir significasse encarar a realidade do que acabara de acontecer. Entre as coxas, a sensação era de calor úmido e hipersensível. Cada mínimo movimento do ar condicionado parecia uma carícia indesejada, fazendo-a contrair levemente os músculos internos. Ela sentia o líquido escorrendo devagar, descendo pela dobra entre as nádegas, molhando o papel protetor já amarrotado. Era uma sensação ao mesmo tempo constrangedora e estranhamente íntima, como se o próprio corpo estivesse contando o que ela ainda não conseguia verbalizar. Dr. Roberto não se moveu imediatamente. Ficou ali, sentado no banquinho, as mãos grandes apoiadas nas próprias coxas, o jaleco branco ligeiramente desalinhado. Observava-a com uma atenção calma, quase clínica, mas havia algo nos olhos dele — uma mistura de satisfação contida e ternura inesperada. Ele não sorria. Não fazia piada. Apenas esperava. Depois de longos segundos, ele se levantou devagar. Pegou uma caixa de lenços de papel da bancada e arrancou vários com cuidado. Voltou até ela. — Posso? — perguntou, voz baixa. Mariana abriu os olhos pela primeira vez desde o clímax. Encontrou o olhar dele. Assentiu quase imperceptivelmente. Ele passou os lenços com delicadeza entre as coxas dela, limpando a umidade sem pressa, sem pressa nenhuma. O toque era neutro agora, profissional de novo, mas ainda assim carregado da memória recente. Ela se contraiu uma última vez quando o papel roçou o clitóris ainda inchado e sensível demais. Um gemidinho escapou sem querer. — Desculpa… — murmurou ela, quase inaudível. — Não precisa pedir desculpa por nada — ele respondeu, sem alterar o tom. — Seu corpo está reagindo exatamente como deve depois de algo tão intenso. É normal. Ele terminou de limpá-la, jogou os lenços na lixeira e pegou um novo lençol limpo da prateleira. Cobriu as pernas dela com cuidado, como quem embrulha algo precioso. Só então se afastou um passo, dando espaço. Mariana sentou devagar. O vestido desceu sozinho até cobrir as coxas. Ela passou as mãos pelo rosto, tentando arrumar o cabelo bagunçado, mas as mãos tremiam. Sentia as bochechas queimando, o pescoço quente. Lágrimas que não tinham caído antes agora ameaçavam. — Eu… nunca… — começou ela, a voz rouca. — Quer dizer… eu não sabia que era assim. Ele inclinou a cabeça levemente, como quem escuta com paciência infinita. — A maioria das mulheres não sabe, na primeira vez que chega perto disso. E tudo bem. Não existe manual. Só experiência. Ela baixou os olhos para as próprias mãos no colo. — Eu me sinto… estranha. Tipo… aliviada. Mas também com vergonha. E… com vontade de chorar. Não sei por quê. — É comum — ele disse, sentando-se de novo, mas dessa vez numa cadeira mais distante, para não invadir o espaço dela. — O corpo libera muita coisa quando chega lá. Endorfinas, ocitocina… às vezes vem junto uma emoção que estava guardada. Pode chorar se quiser. Aqui ninguém vai julgar. Mariana deixou escapar uma lágrima solitária. Depois outra. Não era choro de tristeza, era mais uma liberação, como se o orgasmo tivesse aberto uma comporta que ela nem sabia que existia. Ela enxugou o rosto com as costas da mão. Dr. Roberto esperou mais um pouco antes de falar de novo. — Você quer água? Tem uma garrafinha ali na mesinha. Ela fez que sim. Ele se levantou, pegou a água, abriu a tampa e entregou para ela. Quando os dedos se tocaram por um segundo, nenhum dos dois recuou rápido demais. Mariana bebeu devagar, sentindo o líquido fresco descer pela garganta seca. Aos poucos, o tremor diminuiu. A respiração se estabilizou. — Eu volto na quinta? — perguntou ela, quase num sussurro, sem olhar para ele. Ele demorou um segundo para responder. — Só se você quiser. Não tem obrigação nenhuma. Mas se quiser continuar… aprendendo sobre seu corpo, sobre o que te dá prazer… eu estarei aqui. Sem julgamento. Sem pressa. Ela assentiu devagar, ainda olhando para a garrafinha na mão. — Acho que… quero. Ele se levantou, abriu a porta da saleta de exame e chamou a secretária pelo interfone para marcar o próximo horário. Enquanto isso, Mariana desceu da maca com as pernas bambas, ajeitou o vestido, pegou a bolsa. Quando passou por ele na porta, parou por um instante. — Obrigada — disse, tão baixo que quase não saiu. Dr. Roberto apenas inclinou a cabeça, um gesto mínimo. — Obrigado você, Mariana. Por confiar. Ela saiu. O corredor estava vazio. O ar lá fora parecia diferente — mais leve, mais vivo. No consultório, ele ficou sozinho por alguns segundos. Olhou para a maca ainda amarrotada, o lençol azul embolado, o cheiro sutil que ainda pairava no ar. Respirou fundo uma vez. Depois fechou os olhos, como quem guarda uma memória que não pretende esquecer tão cedo. Quinta-feira seria outro dia.
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