Era quase 2 da manhã numa sexta-feira abafada de verão no Rio. O aplicativo apitou com uma corrida curta: Copacabana ? Leme. Valor baixo, uns R$ 11,80. Aceitei mais por hábito do que por expectativa de lucro. Quando entrei na rua indicada, ela já estava na calçada acenando. Vestido preto justo, salto alto na mão esquerda, bolsa pequena pendurada no ombro. Cabelo bagunçado de quem dançou muito, batom borrado num canto da boca. Uns 25, 26 anos, pele morena brilhando de suor e glitter. Abriu a porta traseira e se jogou no banco com um suspiro teatral. — Ai meu Deus, obrigada por aceitar. Meu celular tá com 3% e eu juro que o saldo acabou agora há pouco. Olhei pelo retrovisor. Ela me encarava de volta, sem desviar. — Sem problema — respondi. — Mas se o pagamento não cair, o app bloqueia a corrida e eu levo prejuízo. Ela mordeu o lábio inferior, fingindo pensar. — Eu sei… eu sei… — murmurou. — Mas eu realmente não tenho como pagar agora. Meu cartão tá estourado, Pix zerado, tudo. — Fez uma pausa, depois baixou a voz. — Mas eu posso te compensar de outro jeito. Mantive os olhos na rua, mas senti o peso do olhar dela. — Que jeito seria esse? Ela se inclinou para frente, aproximando o rosto do banco do motorista. — O jeito que você já tá imaginando desde que eu entrei no carro. Silêncio de três quarteirões. O ar-condicionado soprava fraco, o cheiro dela — bebida doce, perfume caro e pele quente — invadia o espaço. — Aqui dentro não rola — falei, mais rouco do que pretendia. — Tem um condomínio velho na esquina da próxima rua. Entrada de serviço sem cancela, sem câmera. Eu já fiz festa lá. — Ela sorriu de lado. — Cinco minutos e eu te pago direitinho. Passei reto do destino original e virei na rua que ela indicou. Estacionei num canto escuro atrás de um prédio antigo, onde a luz do poste mal chegava. Desliguei o motor. O silêncio caiu pesado. Ela abriu a porta, desceu, abriu a minha e se ajoelhou no asfalto antes que eu pudesse dizer qualquer coisa. O vestido subiu nas coxas, revelando a calcinha preta minúscula. — Relaxa — sussurrou, já abrindo meu zíper com dedos rápidos. — Deixa eu te mostrar como eu fico grata. A boca dela era quente, molhada, decidida. Não tinha preliminares, não tinha jogo de sedução lenta. Ela me engoliu com vontade, como quem quer terminar logo e ao mesmo tempo aproveitar cada segundo. A língua pressionava embaixo, os lábios faziam vácuo perfeito, a mão acompanhava o ritmo na base. Segurei no encosto do banco para não tombar para trás. O vidro começou a embaçar rápido. Ela gemia baixo, o som vibrando contra mim, os olhos subindo de vez em quando para me encarar — um misto de provocação e obediência. Quando senti que estava perto, tentei avisar. Ela não recuou. Pelo contrário: acelerou, apertou mais os lábios, enfiou até onde conseguia. Engoliu tudo com um gemido longo e satisfeito, como se tivesse ganhado um presente. Depois limpou a boca com o dorso da mão, levantou devagar, ajeitou o vestido e me olhou com um sorriso safado. — Agora estamos quites, né motorista? Entrei no aplicativo e marquei a corrida como “paga em dinheiro”. Ela riu baixo. — Boa noite, amor. Se precisar de carona de novo… — piscou — …me chama. Fechou a porta e saiu caminhando em direção ao Leme, o salto já calçado de novo, rebolado tranquilo como se nada tivesse acontecido. Eu fiquei ali uns bons segundos, respiração pesada, tentando entender o que tinha acabado de rolar. Depois dei partida. O aplicativo já mostrava a próxima corrida. Mas, por algum motivo, eu não aceitei. Fiquei olhando a rua vazia, o gosto dela ainda na memória, pensando que talvez, só talvez, aquela fosse a corrida mais lucrativa da minha vida.
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