O apartamento de Lara ainda cheirava a café frio e perfume misturado quando Beatriz abriu a porta com a chave reserva. Eram 20:47. As duas tinham saído do escritório exaustas, os olhos ardendo de tela e o humor pendurado por um fio. — Se eu ouvir mais uma planilha falando comigo hoje, eu grito — Beatriz anunciou, já tirando os sapatos com o pé e jogando a bolsa no canto. Lara nem respondeu. Só fechou a porta com o calcanhar, trancou e foi direto para o sofá comprido. Deixou o corpo cair de costas, braços abertos, saia subindo até o meio da coxa sem que ela se importasse. — Eu tô com tanta tensão acumulada que sinto os dentes doendo — murmurou. — Sério. Os dentes. Beatriz riu baixo, aquele riso rouco de quem está exausta demais para rir alto. Tirou a blusa social de uma vez, ficando só de sutiã preto e saia. Jogou a peça em cima da poltrona e se sentou na ponta do sofá, olhando para a amiga deitada. — Sabe o que a gente não faz há uns… sei lá, uns dois anos? Lara abriu um olho. — Sexo decente? — Isso também. Mas eu tava pensando em outra coisa. — Beatriz passou a língua nos lábios, devagar. — A gente sentava no mesmo colchão, na sua casa, e fazia isso juntas pra “treinar”. Lembra? Lara sentiu um calor subir do umbigo até o peito. Lembrou. Claro que lembrou. As duas com 16, 17 anos, cortinas fechadas, risinhos nervosos, dedos tímidos que depois viraram confiantes. — Você tá sugerindo…? — Tô sugerindo que a gente se ajuda a descarregar essa merda de dia. Sem culpa. Sem depois. Só alívio. Silêncio de três segundos. Lara se sentou devagar. Olhou Beatriz nos olhos — aquele olhar castanho que ela conhecia desde os cinco anos — e começou a abrir os botões da própria blusa. Um a um. Sem pressa. — Então vem cá — disse, voz baixa. Beatriz não precisou de mais convite. Rastejou pelo sofá até ficar de joelhos entre as pernas abertas da amiga. As duas se encararam por um instante longo, quase como se estivessem pedindo permissão final. Depois riram — um riso curto, cúmplice — e se beijaram. Não foi beijo de paixão cinematográfica. Foi beijo de quem se conhece demais: molhado, familiar, com língua que já sabia o gosto uma da outra. Enquanto se beijavam, as mãos começaram a trabalhar. Lara subiu a saia de Beatriz até a cintura e passou os dedos por cima da calcinha de renda preta. Já estava úmida. Ela pressionou o tecido contra o clitóris inchado, fazendo círculos lentos e firmes. Beatriz gemeu dentro da boca dela, um som abafado e necessitado. Em retribuição, Beatriz abriu o zíper lateral da saia lápis de Lara, puxou-a para baixo junto com a calcinha de algodão cinza. Os dedos dela encontraram a vulva quente e escorregadia de imediato. Não precisou procurar. O clitóris estava duro, exposto, pedindo. Ela começou com dois dedos de cada lado, abrindo os lábios devagar, depois deixou o dedo médio deslizar direto sobre o pontinho sensível — de cima para baixo, depois em círculos apertados. As duas se separaram do beijo para respirar. Testas encostadas, bocas abertas, ofegantes. — Caralho, Bia… você ainda lembra exatamente como eu gosto… — Lara sussurrou, a voz tremendo. — Você também… — Beatriz respondeu, mordendo o próprio lábio inferior. — Tá pulsando na minha mão. Elas aceleraram quase ao mesmo tempo, como se tivessem combinado sem falar. Lara enfiou a mão dentro da calcinha de Beatriz, afastou o tecido para o lado e penetrou com dois dedos, curvando-os para cima, batendo direto naquele ponto que fazia as coxas da amiga tremerem. Ao mesmo tempo, o polegar dela ficou responsável pelo clitóris — pressão constante, movimento rápido de vai-e-vem curto. Beatriz fez o mesmo: dois dedos bem fundo em Lara, polegar esfregando o clitóris em círculos pequenos e rápidos, quase vibrando. As duas estavam encharcadas; dava para ouvir o som molhado dos dedos entrando e saindo, misturado com os gemidos cada vez menos contidos. — Vai… vai… não para… — Beatriz pediu, a voz quebrando. — Tô quase… tô quase… — Lara respondeu, quadril subindo contra a mão da amiga. Elas se olharam no exato momento em que o prazer virou inevitável. Os olhos se fecharam ao mesmo tempo. As costas arquearam. Os gemidos viraram um único som rouco e longo. Lara gozou primeiro — o canal apertou forte em torno dos dedos de Beatriz, pulsando em espasmos rápidos enquanto um jorro quente escorria pela palma da mão da amiga. Ela gritou o nome da outra, sem vergonha nenhuma. Dois segundos depois Beatriz veio em cima, o corpo inteiro convulsionando, coxas fechando em torno da mão de Lara, clitóris pulsando sob o polegar que não parava. Ela enterrou o rosto no pescoço da amiga e mordeu de leve, abafando o grito. Por quase um minuto ficaram assim: mãos ainda dentro da outra, respirações entrecortadas, suor escorrendo pelas nucas, corações batendo descompassados. Lentamente, os dedos foram saindo. Elas riram — um riso exausto, satisfeito, quase infantil. Beatriz caiu de lado no sofá, puxando Lara junto. Ficaram deitadas, pernas entrelaçadas, calcinhas tortas, saias amassadas na cintura. — Melhor remédio antiestresse do mundo — murmurou Beatriz, beijando a testa suada da amiga. Lara sorriu, ainda de olhos fechados. — Segunda-feira a gente repete? — Se você prometer não falar de planilha enquanto eu estiver com os dedos dentro de você… sim. As duas riram de novo, baixinho. E, pela primeira vez em semanas, o silêncio que caiu no apartamento foi tranquilo.
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