Rafael chegou em casa mais cedo do que o habitual naquela sexta-feira. O rosto carregado, a gravata já solta, os ombros caídos de quem carrega más notícias há dias. Clara estava na cozinha, descalça, mexendo algo no fogão, o short jeans curto deixando à mostra as coxas que ele ainda olhava com o mesmo desejo de dez anos atrás. — Preciso te contar uma coisa — ele disse sem rodeios, parando na entrada da cozinha. Ela desligou o fogo e virou-se devagar. Conhecia aquele tom. Era o tom de quando ele perdia um cliente grande, ou quando o banco ligava cobrando parcelas atrasadas. — Quanto dessa vez? — perguntou ela, cruzando os braços sob os seios. — Oitenta e cinco mil. Vence segunda. Se não pagar… — Ele engoliu em seco. — Eles vão tomar o apartamento. Clara ficou em silêncio por longos segundos. Depois soltou um riso curto, quase sem humor. — E o que o seu amigo Marcel disse? Porque foi com ele que você assinou aquele aval, não foi? Rafael baixou os olhos. — Ele disse que… que perdoa a dívida. Inteira. Se… — Se o quê, Rafael? Ele respirou fundo, como quem mergulha de uma prancha alta. — Se você passar uma noite com ele. Só uma noite. Ele prometeu que ninguém vai saber, que vai ser discreto, que depois a dívida some do mapa e nunca mais tocamos no assunto. O silêncio que veio em seguida foi tão denso que dava para ouvir o tic-tac do relógio da sala. Clara caminhou até ele, parou a poucos centímetros. Olhou-o nos olhos por um tempo longo. — Você já disse sim pra ele, não foi? Rafael não respondeu. Não precisava. Ela deu um passo para trás, tirou o avental devagar, dobrou-o com cuidado excessivo. — Então tá. — A voz saiu calma demais. — Mas tem condições minhas. Ele ergueu o rosto, surpreso. — Quais? — Você vai estar lá. No mesmo quarto. Sentado na poltrona. Sem interromper. Sem falar. Só olhando. Se eu quiser parar, a gente para e a dívida continua sendo sua. E se eu quiser que você entre… você entra. Entendido? Rafael sentiu o sangue subir ao rosto e ao mesmo tempo descer para outro lugar. Assentiu. — Entendido. Clara sorriu de lado. Um sorriso que ele não via fazia muito tempo. — Então liga pro seu amigo. Diz que é hoje. Às nove. Às nove em ponto Marcel bateu na porta. Alto, ombros largos, barba bem aparada, o tipo de homem que ocupa espaço sem precisar se esforçar. Vestia camisa social preta desabotoada no primeiro botão e carregava uma garrafa de Malbec caro na mão esquerda. Cumprimentou Rafael com um aperto de mão firme, quase amigável, como se aquilo fosse um jantar qualquer. Clara desceu as escadas usando um vestido preto justo, sem sutiã, sem calcinha — eles descobriram isso mais tarde. O tecido marcava cada curva, os mamilos já visíveis contra o tecido fino. Ela não sorriu para Marcel. Apenas apontou a sala de estar. — A poltrona ali é pra você, marido. Senta. Rafael sentou. Pernas abertas, mãos apoiadas nos joelhos, o pau já meio duro dentro da calça só de imaginar o que viria. Marcel colocou a garrafa sobre a mesinha, tirou os sapatos com calma e se aproximou dela. Não falou nada no começo. Apenas passou os dedos grandes pela nuca dela, desceu pela coluna, apertou a cintura com força suficiente para fazê-la soltar um suspiro curto. — Você é mais bonita pessoalmente — murmurou ele, voz grave. Clara ergueu o queixo. — E você fala demais. Ele riu baixo. Em um movimento rápido, segurou-a pela nuca e a beijou com vontade. Não foi delicado. Foi faminto. Clara correspondeu com a mesma intensidade, mordendo o lábio inferior dele, enfiando as unhas no pescoço largo. As mãos dele desceram, subiram o vestido até a cintura, encontraram a pele nua da bunda e apertaram com força. Rafael ouviu o gemido abafado da esposa contra a boca do outro homem e sentiu o próprio pau pulsar dolorosamente dentro da cueca. Marcel a virou de costas, empurrou-a contra a parede da sala. Levantou o vestido até os ombros dela, expondo-a completamente. Passou a mão entre as coxas, encontrou-a já molhada, os dedos deslizaram com facilidade. — Caralho… — ele grunhiu. — Molhada assim antes mesmo de começar? Clara virou o rosto para o lado, olhando diretamente para Rafael enquanto respondia: — Faz tempo que ninguém me fode como homem de verdade. Rafael engoliu em seco. O insulto doeu e excitou na mesma medida. Marcel abriu o zíper, tirou o pau grosso para fora. Não era desproporcional, mas era mais grosso que o de Rafael, a cabeça já brilhando. Ele esfregou a cabeça na entrada dela algumas vezes, só provocando, até Clara empinar os quadris num pedido mudo. Quando ele entrou, foi de uma vez. Fundo. Forte. Clara deixou escapar um grito rouco, as mãos espalmadas na parede. Marcel segurou os quadris dela com as duas mãos e começou a meter em estocadas longas e pesadas, o som molhado ecoando na sala silenciosa. Rafael não piscava. Via o pau do outro homem desaparecer dentro da esposa, via os seios dela balançando a cada estocada, via o rosto dela se contorcer de prazer puro. Viu quando ela virou o rosto de novo pra ele, olhos semicerrados, boca entreaberta, e sussurrou: — Tá gostando do show, amor? Ele só conseguiu assentir. Marcel acelerou. Uma das mãos subiu até o pescoço dela, apertou de leve. A outra desceu até o clitóris e começou a esfregar em círculos rápidos. Clara começou a tremer, os gemidos viraram gritos curtos e agudos. — Isso… assim… não para… — ela implorava. Quando gozou, foi violento. As pernas fraquejaram, Marcel a segurou com firmeza enquanto ela convulsionava, o corpo todo se contraindo em torno dele. Ele continuou metendo durante o orgasmo dela, prolongando-o, até que ela quase choramingava de tanto prazer. Então ele saiu dela, virou-a de frente, levantou uma das pernas dela sobre o próprio ombro e voltou a penetrá-la nessa posição. Agora estavam de frente para Rafael. Clara olhava diretamente nos olhos do marido enquanto era fodida com força, os lábios entreabertos, o rosto vermelho. — Me diz que você quer ver ele gozar dentro de mim — ela pediu, voz entrecortada. Rafael demorou dois segundos para responder. A voz saiu rouca: — Quero. Marcel grunhiu de satisfação. Acelerou ainda mais. O som dos corpos se chocando ficou obsceno. Até que ele travou, gemeu alto e gozou fundo dentro dela, pulsando várias vezes, enchendo-a. Quando saiu, o sêmen escorreu pela coxa interna de Clara em filetes grossos e brancos. Ela caminhou devagar até Rafael, ainda ofegante. Parou na frente dele, abriu as pernas. — Sua vez de limpar, amor. Rafael não hesitou. Ajoelhou-se ali mesmo, na sala, e lambeu tudo. O gosto salgado do outro homem misturado ao dela. Clara segurou a cabeça dele com as duas mãos, guiando-o, gemendo baixinho enquanto ele lambia cada gota. Depois de limpar tudo, ela se sentou no colo dele, ainda vestindo apenas o vestido amarrotado na cintura. — Dívida paga? — perguntou ela a Marcel, sem desviar os olhos do marido. Marcel, já se vestindo, sorriu. — Dívida zerada. E se precisarem de mais… já sabem onde me encontrar. Ele saiu sem dizer mais nada. Clara beijou Rafael devagar, profundamente, deixando que ele sentisse o gosto dos três na boca dela. — Agora me leva pra cama — sussurrou contra os lábios dele. — E me fode até eu esquecer o nome dele. Rafael a carregou escada acima. Naquela noite, pela primeira vez em muito tempo, ele não precisou pedir permissão para gozar. Ela implorou.
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