Era um sábado chuvoso, desses que convidam à preguiça. Eu, Pedro, tinha passado a tarde jogando videogame quando o interfone tocou. Era o Fernando.
— “Oi, cara. Tô meio quebrado. Perdi o último ônibus pra minha cidade e minha mãe já trancou a porta. Posso ficar aqui hoje?” — pediu, com aquele sorriso meio sem vergonha que sempre o salvava das enrascadas.
Claro que deixei. Fernando era meu melhor amigo desde a infância — desses que veem você pelado, que roubam sua comida da geladeira e que já te puxaram pra umas confusões memoráveis.
A noite foi boa: pedimos pizza, assistimos a um filme ruim rindo das cenas toscas e bebemos umas cervejas. Quando o sono chegou pesado, lá pelas duas da manhã, ofereci metade da minha cama de solteiro.
— “Sem frescura, a gente já dividiu barraca no acampamento” — brinquei, jogando um travesseiro pra ele.
Fernando riu, tirou a calça jeans e ficou de cueca. Eu também só de shorts. O quarto ficou escuro, o barulho da chuva lá fora, e num piscar de olhos estávamos dormindo.
O que veio depois me pegou desprevenido.
Acordei com uma sensação estranha — um calor constante pressionando minhas costas. O quarto ainda estava escuro, só uma nesga de luz da rua entrando pela cortina. Foram alguns segundos até meu cérebro entender: o corpo do Fernando estava colado ao meu, e havia algo... rígido, insistente, encaixado bem na fenda entre minhas nádegas.
Ele me abraçava por trás, o braço pesado sobre minha cintura, e seus quadris se moviam devagar, num ritmo involuntário, como se estivesse sonhando. O tecido fino da cueca não escondia nada — dava pra sentir cada centímetro da ereção dele deslizando contra mim, quase como se buscasse um ponto de entrada.
Minha primeira reação foi congelar. O coração disparou. Será que ele sabia o que estava fazendo? Um instinto mais safado, porém, me impediu de falar ou me mexer. Fingi que ainda dormia, prendendo a respiração.
Foi aí que Fernando resmungou algo baixo — um sussurro quente no meu cangote — e apertou mais o braço, puxando meu corpo contra o dele. A cueca dele molhada na ponta, roçando agora mais rápido, com intenção. Sua mão escorregou por dentro da minha camiseta, dedos frios arranhando levemente meu abdômen.
Ele segurou meu quadril com força, parou por um segundo... e então empurrou. Não entrou, claro — o tecido atrapalhava — mas a pressão foi direta, exata, como se estivesse testando se eu ofereceria resistência.
Meu pau já estava duro feito pedra, pressionado contra o colchão. A adrenalina misturada com tesão me deixou tonto. Ali, na penumbra, com o melhor amigo me usando como travesseiro humano, algo muito errado e muito excitante tomou conta de mim.
Num gesto que nem eu esperava, empinei levemente o quadril, empurrando de volta contra ele. Um gemido baixo e gutural veio da nuca de Fernando — e o silêncio pesado que se seguiu foi cortado pela voz dele, rouca:
— “Ah... então você tá acordado, Pedro...”
Não houve fingimento possível. Meu corpo já tinha respondido por mim. E quando ele sussurrou “pode deixar, eu cuido disso...”, senti sua mão descer, puxar minha cueca para o lado, e a ponta quente da sua excitação roçando agora na minha, pele contra pele.
A chuva lá fora engrossou, e o resto da noite foi só o som do vento — e o barulho abafado de dois amigos aprendendo um novo jeito de se conhecer.
DELÍCIA DE AMIZADE