Ela scaneava o salão como um animal noturno. O olhar deslizava sobre os corpos, descartando os jovens — pele lisa demais, cheiro de perfume doce, insegurança no andar. Ela queria textura. Queria o cheiro de tabaco enraizado na roupa, a aspereza de uma mão que trabalhou a vida inteira.
Ela era alta, magra, com curvas que apareciam na medida certa. Cabelo castanho escuro, liso, caindo até o meio das costas. Olhos verdes puxados, quase orientais, com uma expressão que oscilava entre inocência e putaria. Boca carnuda, batom vermelho barato — daqueles que borram fácil. Vestia uma saia jeans curta, tão justa que marcava cada centímetro da coxa, e uma regata branca decotada, mostrando o começo dos seios. Os mamilos endureciam com o ar gelado do ar-condicionado. Sandália rasteira nos pés, unhas pintadas de vermelho. No pescoço, um cordão fino com uma argola de prata. Ela parecia uma vizinha que pedia açúcar — até você olhar nos olhos dela.
Foi quando viu ele.
Encostado no balcão da lanchonete, bebericando um café preto. Cabelos grisalhos nas laterais, bigode grosso, camisa xadrez desbotada. As veias das mãos saltavam — mão de quem segurou cano, volante, enxada. Ele olhou o relógio de pulso, um trambolho de aço arranhado. Tinha cheiro de homem.
Ele era grande. Não gordo — largo. Ombros de quem carregou peso a vida inteira, barriga firme por baixo da camisa. A pele do rosto era morena, queimada de sol, com poros abertos e rugas profundas ao redor dos olhos e da boca. A mão que segurava o café era grossa, calos nos dedos, unhas curtas e limpas. O bigode grisalho tinha fios brancos misturados aos pretos. O cheiro dele era uma mistura de suor seco, tabaco de cigarro barato e um toque de álcool de barbear — provavelmente o mesmo que o pai dele usava.
Ela se levantou. O salto da sandália fez um clac seco no piso sujo. Caminhou devagar, sentindo o ar quente do terminal bater no rosto. Parou ao lado dele.
— Esse ônibus pra Curitiba sempre atrasa, né?
Ele virou o rosto. Olhos castanhos, profundos, com rugas no canto. Sorriu com um canto da boca.
— É a vida, mocinha. A gente espera.
Ela riu. Aproximou meio passo. Sentiu o cheiro dele — suor seco, café, um toque de álcool de barbear barato. A pele dele era morena queimada de sol, com poros abertos.
— Cansado da viagem? — perguntou, inclinando a cabeça.
— Cansado é quem carrega pressa. Eu só carrego mala.
Ela adorou a resposta. Homem sem pressa era o melhor. Sabia apreciar.
Vinte minutos depois, ele ria de uma piada dela, a mão apoiada no balcão, o corpo relaxado. Ela tocou o antebraço dele de leve. A pele era quente, áspera, com pelos grossos que arranhavam a ponta dos dedos. Um arrepio subiu pela nuca dela.
— Vem comigo — disse, baixo.
A voz dela saiu firme, mas com um tom macio, quase infantil. Ela inclinou a cabeça, o cabelo caindo para o lado, e olhou nos olhos dele. Não piscou. O convite estava inteiro ali — na boca entreaberta, na mão que deslizou do antebraço dele até a mão, entrelaçando os dedos. A palma dela era pequena, macia, quente. Ela apertou de leve, como quem diz "confia".
Ele hesitou por um segundo. Olhou em volta — ninguém olhando. Depois deu um gole no café, largou o copo no balcão e seguiu ela.
O caminho até o banheiro foi curto, mas elétrico. Ela andava na frente, segurando a mão dele, a saia balançando a cada passo. Ele via a curva da cintura dela, o balanço do cabelo, a nuca exposta. O coração dele batia mais forte, mas ele não dizia nada.
Os poucos que estavam lá, com certeza pensavam que eram pai e filha esperando o ônibus. Não imaginavam o que estava para acontecer.
A porta do banheiro masculino rangeu quando ela empurrou. O cheiro veio na cara — mijo seco, desinfetante barato, suor de milhares de homens que passaram por ali. Azulejo amarelo, piso manchado, uma lâmpada fraca zumbindo. Ela entrou primeiro box, puxou ele pela mão, e fechou a porta. O trinco girou com um clique metálico.
O espaço era apertado. Mal cabiam os dois. Ela ficou de costas para a porta, olhando para ele. A distância entre os corpos era de um palmo. Ela sentiu o calor do corpo dele irradiando, misturado ao fedor do banheiro. Respirou fundo — aquele cheiro de suor, de homem, de tabaco. Fechou os olhos por um segundo.
— Quieto — sussurrou.
Ela ajoelhou. O concreto frio mordeu seus joelhos. Sentiu a textura áspera do jeans dele contra a palma da mão enquanto abria o cinto. O metal da fivela tilintou. O cheiro ali era mais forte — suor concentrado, couro, o odor salgado e terroso de pele suada.
Ela passou a língua nos lábios, sentindo o gosto do próprio batom — barato, doce químico. Inclinou a cabeça. O cabelo caiu para o lado, revelando a nuca. Ele colocou a mão ali, dedos grossos, quentes, pressionando de leve.
Ela abriu a boca.
Ela começou devagar. Lamber a ponta, sentir o gosto, sentir o calor. Passou a língua em volta, em círculos lentos, como quem prova uma fruta. Depois abriu mais a boca, engolindo devagar, sentindo ele encostar no fundo da garganta. Ela fez um som — um gemido baixo, gutural, de prazer. A boca dela era molhada, quente, macia.
Ele gemeu baixo, a mão apertando a nuca dela.
Ela acelerou. A cabeça indo e vindo, o batom borrando nos lábios dele, o cabelo balançando. Ela usava a língua, o céu da boca, os dentes de leve na borda. Saliva escorria pelo canto da boca dela, escorrendo pelo queixo. Ela não limpava. Ela gostava daquilo.
— Assim... — ele murmurou, a voz rouca.
Foi quando ouviram a porta do banheiro abrir.
— Pô, esse negócio de banheiro sujo é foda — uma voz masculina, jovem, acompanhada de passos no piso molhado.
O senhor congelou. O corpo dele ficou tenso. A mão na nuca dela apertou de leve, quase um aviso. Ela sentiu a hesitação, mas não parou. Pelo contrário — aprofundou, engoliu mais, a língua trabalhando mais rápido.
— É, mas é o que tem — outra voz, mais velha. Passos se aproximando. Alguém bateu na porta ao lado. O som de mijo batendo na porcelana ecoou.
O senhor respirou fundo, os olhos arregalados, a respiração presa. Ele ouvia os caras conversando a poucos metros. Qualquer barulho — um gemido, um arranhão na porta — e estavam ferrados.
Ela sabia. Ela sentiu o corpo dele tenso, o pau duro, a respiração controlada. Aquilo a excitou mais. Ela fez questão de fazer barulho — um schlop molhado quando puxou a boca, um gemido baixinho quando engoliu de novo. A saliva escorria, quente, nojenta, perfeita.
— Vamos nessa que o busão já vai — a voz mais jovem. A descarga. Passos se afastando. A porta do banheiro bateu.
Silêncio.
O senhor soltou o ar preso, o corpo tremendo. Olhou para baixo — ela estava olhando para ele, os olhos verdes semi-cerrados, a boca cheia, o batom todo borrado. Ela piscou devagar, como quem diz "relaxa".
Ela voltou a chupar com tudo. Agora sem medo, sem freio. A cabeça dela era um pistão, a boca sugando com força, a língua enlouquecida. Ela colocou a mão no saco dele, apertando de leve, sentindo as bolas pesadas na palma. A outra mão segurava a coxa dele, unhas cravadas no jeans.
Ele gemeu alto, sem se segurar. A mão dele agarrou o cabelo dela, puxando. O corpo dele arqueou, o som saindo gutural, rouco, quase um urro.
— Vou gozar — ele avisou, a voz falhando.
Ela não tirou a boca. Olhou para ele, os olhos verdes fixos nos dele, e engoliu. A boca cheia, o gozo quente escorrendo garganta abaixo. Ela fez questão de engolir devagar, sentindo o gosto, o cheiro, a textura. Quando terminou, lambeu os lábios, passou a língua em volta da boca, e sorriu.
— Boa viagem, senhor.
Ela levantou devagar, as pernas formigando. Olhou para ele — olhos vidrados, respiração pesada, mão ainda no ar, como se procurasse apoio. O pau dele ainda molhado, brilhando na luz fraca.
Ela limpou o canto da boca com o polegar, passou a mão no cabelo, ajeitou a regata. Abriu a porta. O ar do terminal bateu no rosto dela, gelado em contraste com o calor da boca. Ela caminhou em direção ao guichê, sentindo o gosto ainda na língua, os joelhos doloridos, um sorriso nos lábios.
No banheiro, o senhor ainda estava parado, olhando para a porta fechada. Respirou fundo, baixou a calça, fechou o zíper com mãos trêmulas. Olhou no espelho sujo — bigode desalinhado, olhos vidrados, bochechas vermelhas.
— Filha da puta — murmurou, sem raiva. Com admiração.




