— O que é isso? — Pai Urso rosnou, cheirando o ar.
— Cheira a humano. Cheira a medo.
Cachinhos se ajoelhou no chão, as mãos trêmulas, os cabelos dourados cobrindo o rosto.
— Por favor... não me matem — ela sussurrou, a voz quebrada. — Eu fui judiada por humanos em um convento. Não quero mais ser uma deles. Posso ser útil. Posso ser... a empregada de vocês.
Os ursos trocaram olhares. Eles odiavam humanos. Mas aquela criatura frágil, de joelhos, com marcas de chicote nas costas e um olhar de puro desespero, não parecia uma ameaça.
— Humana não — Pai Urso grunhiu, arrancando o vestido de Cachinhos com um movimento brusco.
— Aqui, você não é humana. Você é um bicho. E bichos não usam roupas.
Cachinhos sentiu medo e vergonha. Os ursos eram enormes, ao ponto dela chegar na altura do umbigo do menor.
Mãe Ursa aproximou-se, passando a mão pelos cabelos de Cachinhos.
— Você vai comer no potinho, fazer suas necessidades no quintal e dormir no chão. Se desobedecer, a gente come você.
— Como bicho, vai agir como bicho. Terá amor, se agir como humana, vai para o nosso prato.
Cachinhos abaixou a cabeça, sentindo um arrepio de medo e, estranhamente, alívio. Porque, pela primeira vez, alguém estava sendo honesto com ela.
Cachinhos acordava antes do nascer do sol. Seu primeiro dever era aquecer os pés do Pai Urso com seu corpo, enrolando-se aos seus pés como um cachorro. Se ele acordasse e ela não estivesse lá, levava um tapa.
— Acorda, cachorrinha — Pai Urso grunhia, chutando-a levemente.
— Vai ajudar na cozinha.
Ela engatinhava até a cozinha, onde Mãe Ursa já estava preparando a comida. Seu trabalho era lamber os pratos sujos do jantar da noite anterior.
— Não use as mãos — Mãe Ursa ordenava. — Use a língua. Bichos não têm mãos.
Cachinhos obedeceu, sentindo o gosto amargo da comida velha.
Durante o dia, Cachinhos varria o chão. Um dos poucos momentos que podia ficar de pé, usar as mão e se sentir um pouco humana.
Se deixasse algo para trás, Mãe Ursa a chicoteava com um galho de espinhos.
— Cachorro sujo — Mãe Ursa cuspia. — Faça direito, ou vai dormir sem jantar.
Às vezes, Filhote a observava, com um sorriso cruel.
— Você é bonitinha, cachorrinha — ele dizia, passando a mão em suas costas.
— Mas bonitinha não quer dizer boa. Se você for má, a gente come você.
Cachinhos sentia um arrepio e medo ao ouvir isso. Sabia que era verdade.
Ela não podia dizer nada, afinal, animal não fala e um por favor, não etc...poderia ser o fim dela.
À noite, Cachinhos comia os restos do jantar dos ursos, direto de uma tigela no chão. Se tentasse usar as mãos, Pai Urso a batia.
— Bicho come com a boca, não com as patas — ele rosnava.
Depois, se tivesse feito tudo do agrado deles, ela dormia aos pés da cama de Pai Urso, enrolada em um cobertor velho e cheirando a suor e musgo.
Essa rotina diária a estava transformando em algo cada vez mais distante do humano.
Filhote gostava de brincar com Cachinhos. Sempre que os pais saíam para caçar, ele a levava para a floresta.
— Vem, cachorrinha — ele dizia, puxando-a pela coleira.
— Vamos brincar.
Ele a amarrava a uma árvore com cordas de tripas secas, que machucavam sua pele sempre que ela se mexia.
— Você é minha agora — ele sussurrava, passando as garras por seus seios.
— E cachorras não têm direito de dizer não.
— Se disser, bem...você não vai gostar e vou dizer para o papai que fugiu.
Filhote abriu o zíper de suas calças e tirou seu pênis, grosso e coberto de veias escuras.
— Chupa — ele ordenou.
Ser tratada como um bicho, andar como um bicho era uma coisa, mas o que ele queria. Ela deveria dar prazer aquele animal.
Cachinhos fechou os olhos e obedeceu. O gosto era amargo e salgado, como terra e suor. Ela engasgou quando ele empurrou fundo, mas não resistiu. Porque se resistisse, ele a machucaria mais.
— Assim. Até o fundo — Filhote segurou sua cabeça, forçando-a para baixo até que ela sentiu o pênis bater no fundo de sua garganta.
Ela tossiu, lágrimas escorrendo, mas não parou. Porque parte dela não queria que ele parasse.
Era um dos poucos momentos que não era simplesmente um bicho, era desejada e podia agir mais livre.
— Você gosta, não gosta? — Filhote rosnou.
— Faz au-au se gostar.
Ela latiu, baixinho, como um filhote assustado.
Depois de gozar em sua boca, Filhote ajoelhou entre suas pernas.
— Agora é minha vez de comer — ele disse, e enterrou o focinho entre suas coxas.
Sua língua era longa, áspera, quente como brasas. Cachinhos gritou, mas o som saiu abafado, como um mugido. Suas mãos, amarradas atrás da árvore, arranhavam a casca, tentando se soltar, mas não conseguia.
— Você cheira como floresta — Filhote murmurou.
— Cheira como coisa nossa.
Ela tremia, sentindo o prazer e a vergonha queimando dentro dela. Porque, Deus a perdoe, ela estava molhada.
— Você tá gostando, não tá? — Filhote rosnou, e mordeu seu clitóris, fazendo-a gritar.
— Cachorras no cio gostam de ser comidas.
Ela chorou, mas arqueou as costas, empurrando o rosto dele mais para dentro. Porque precisava disso. Precisava sentir algo, mesmo que fosse dor.
Filhote lambeu, chupou, mordeu, até que ela gozou, seu corpo tremendo como uma folha ao vento.
— Boa garota — ele repetiu, enquanto se levantava.
— Agora vou te foder de verdade.
E, antes que ela pudesse reagir, ele a penetrou.
O pênis de Filhote rasgou ela por dentro.
Não doía como ela imaginava. Doía mais.
Porque não era só dor. Era vergonha. Era prazer. Era ódio.
Era tudo o que ela sentia pelo padre, mas pior, porque agora ela não podia culpar um humano. Agora, ela estava se entregando a um monstro.
E gostava disso.
— Você é minha — Filhote grunhiu, enquanto a fodia com violência, suas garras cravadas em seus quadris, deixando marcas vermelhas.
— Minha cachorrinha.
Ela chorou, mas não resistiu. Porque parte dela queria aquilo. Queria ser usada. Queria ser suja. Queria ser qualquer coisa, menos humana.
Quando ele gozou dentro dela, ela sentiu o sêmen quente encher sua buceta, e chorou mais ainda.
Porque agora ela era deles. Completamente.
E não queria voltar a ser humana nunca mais.
Meses depois, Cachinhos descobriu que estava grávida.
— Você tá no cio, cachorra — Mãe Ursa disse, passando a mão em sua barriga.
— Vai ter um filhote....mas como?
Cachinhos tocou sua barriga e sorriu.
— Finalmente, eu vou ter algo que é só meu — ela pensou, enquanto lambia o sangue dos dedos.
Porque, no fundo, ela sempre soube que não era humana.
E agora, finalmente, tinha um lugar onde pertencia.




