A região onde viviam era evitada por todos. A vila mais próxima ficava a duas horas de caminhada, e mesmo assim, os moradores só passavam por ali de dia, com cruzes de madeira e amuletos de alho pendurados no pescoço. "Lá tem feras", diziam. "Coisas que não são naturais". Clara só conhecia duas pessoas em toda a sua vida: sua mãe e sua avó. Seu pai era uma lembrança vaga — um homem alto, de olhos âmbar, que a pegara no colo uma vez, antes de sumir para sempre. "Foi por causa da maldição", sua mãe murmurava nas noites de tempestade, quando achava que Clara já dormia. "Ele roubou o que não deveria, e a floresta o levou".
Agora, só restavam elas. E a floresta.
Maria adoeceu devagar. Primeiro, foram as mãos trêmulas. Depois, as noites em que voltava da casa da avó com arranhões nos braços, a saia rasgada, os olhos vidrados como se tivesse visto algo que não podia ser esquecido. Até que, uma manhã, ela segurou o braço de Clara com uma força inesperada e disse:
— Hoje você vai.
Ela foi indo, começando a pegar a trilha, ao olhar para trás, via que sua mãe já estava se afastando, os ombros curvados como se carregasse um peso invisível.
— Não olhe nos olhos dele — foi tudo que disse antes de fechar a porta.
— Olhos de quem? Perguntou sem resposta. Não havia mais ninguém além delas na floresta... ou havia?
A floresta estava silenciosa demais. Clara caminhava com a cesta nos braços, o vestido de linho arranhando suas coxas a cada passo. O capuz vermelho, agora desbotado, não servia mais para esconder seu cabelo negro, que caía em mechas rebeldes sobre os ombros. Ela nunca tinha ido sozinha até a casa da avó. Sempre foi sua mãe quem fazia esse trajeto, voltando com olheiras e um cheiro estranho na pele, como de terra molhada e algo mais, algo que Clara não conseguia identificar.
Quando avistou a cabana, o sol já estava baixo. A porta estava entreaberta, e de dentro vinha um cheiro de alecrim queimado e carne. Sua avó estava sentada na cadeira de balanço, os dedos ossudos trançando um fio vermelho que brilhava como sangue seco.
— Chegaste — disse a velha, sem levantar os olhos. — Boa menina.
Clara colocou a cesta sobre a mesa, tirando o frasco e o envelope com cuidado. Suas mãos tremiam.
— Mãe mandou isso — sussurrou.
A avó sorriu, e seus dentes, amarelos e afiados, pareceram brilhar à luz do fogo.
— Tudo — repetiu, como se provasse uma fruta madura. — Então tira esse vestido. Não precisamos de mentiras entre nós hoje.
Clara engoliu em seco. O ar da casa era quente, mas ela sentiu um calafrio percorrer a coluna.
— O que... o que eu tenho que fazer? — perguntou, a voz falhando.
A avó finalmente olhou para ela, os olhos âmbar brilhando como os de um animal na escuridão.
— Você vai saber — respondeu. — Quando ele chegar.
Antes que Clara pudesse perguntar quem, três pancadas pesadas ecoaram na porta. Ela saltou, o coração batendo tão rápido que achou que ia desmaiar.
— Abre — disse a avó, sem parar de trançar.
Clara obedeceu.
Não era um homem.
Era uma criatura imensa, coberta por uma pele escura e grossa, os músculos definidos como os de um lobo, mas com uma postura que lembrava algo quase humano. Os olhos âmbar queimavam como brasas, e quando ele entrou, o vento trouxe consigo o cheiro de musgo, chuva e carne crua. Clara recuou, as costas batendo na parede, mas a avó segurou seu pulso, firme.
— Não tenhas medo — sussurrou a velha. — Ele não vai te comer... ainda.
— Tire a roupa como falei. Ele já está ficando ansioso, da ultima vez que sua mãe demorou, precisei dar pontos na ferida.
Clara começou a tirar peça por peça. Os joelhos tremiam. Aquele criatura era enorme. Era um lobo, mas de pé como um homem.
Então lá estava ela, totalmente nua. O bumbum parecia ter saído do forno de uma padaria, tão perfeito. Os seios médios expostos. Mamilos duros, não sabia se de frio ou medo.
Os poucos pelos perto do sexo, não eram nada em comparação com o visitante que se aproximava.
A fera rosnou, baixo, e Clara sentiu algo quente e molhado entre as pernas. Não era medo. Era outra coisa, algo que doía e ardia ao mesmo tempo.
— O que faço vovó. Estou com medo!!!!
— Deita no tapete — ordenou a avó, apontando para o chão. — De costas.
Clara obedeceu, a lã áspera arranhando suas costas nuas. A fera ajoelhou-se ao seu lado, as mãos — ou garras — grandes demais, pairando sobre ela como se temesse quebrá-la. Clara tremia, mas não conseguia tirar os olhos da criatura. Era como se algo dentro dela soubesse o que viria. Como se seu corpo já estivesse esperando por aquilo.
A avó ajoelhou-se ao lado dela, passando os dedos pelos cabelos de Clara.
— Ele é só instinto — sussurrou. — Só desejo. Você não precisa ter medo. Só precisa deixar.
— Deixar o quê????
Antes que tivesse resposta, a fera agiu.
A língua da fera tocou seu pescoço, quente e áspera como lixa. Clara estremeceu, as unhas enterrando-se no tapete. A criatura não tinha pressa. Sua língua percorreu cada centímetro: os ombros, os seios (onde parou para circular os mamilos até que doessem de tanto desejo), o ventre, as coxas. Quando chegou entre suas pernas, Clara já estava ofegante, o corpo arqueado como um arco pronto para disparar.
— Isso — murmurou a avó, observando tudo com olhos famintos. — Você é feita para isso.
— Você vai mesmo ver isso avó?
— Sim, tudo, cada momento, do mesmo jeito que fazia ao assistir sua mãe.
A língua da fera era longa, quente, e quando lambeu o lugar mais sensível de Clara, ela gritou, as mãos agarrando o pelo grosso da criatura. A avó riu baixinho, passando os dedos pelo sangue que já escorria de Clara, provando-o como se fosse vinho.
— Agora — disse a avó, levantando-se —, é a sua vez de aprender a servir.
Ela apontou para a fera, que estava dura, o membro grosso e escuro como a casca de uma árvore antiga. Clara nunca tinha visto um de perto. Hesitou, mas a avó segurou seu queixo, forçando-a a olhar.
— Não é um monstro — sussurrou. — É um presente. E presentes se abrem com a boca.
— Isso irá acalma-lo. Você não quer ele nervoso ou chateado com você, quer?
Clara obedeceu.
A primeira lambida teve gosto de sal e terra. A fera gemeu, as garras afundando no tapete. Clara repetiu o movimento, ganhando confiança, até que a avó ordenou:
— Agora, engole. Todo.
Foi difícil. Ele era grande, e ela engasgou no início, mas a mão da avó em seu cabelo a guiou, ensinando o ritmo. Quando finalmente conseguiu, a fera rosnou, as coxas tremendo.
— Bom — aprovou a avó. — Deixa entrar tudo, deixa sua língua massagear.
O lobo ronronava com a boca de Clara.
Então um momento ele parou e ficou encarando e babando.
— Fez direitinho minha neta, mas ele quer mais. Quer você.
A avó a guiou até a cama, afastando os cobertores.
— Deita — ordenou. — Pernas abertas.
Clara obedeceu, o coração disparado. Sabia o que viria. Não tinha medo. Só... expectativa.
A fera posicionou-se entre suas pernas, o corpo pesado pressionando-as contra o colchão. Ele era tão grande, que o corpo dela sumia abaixo dele. Clara sentiu a ponta dura contra sua entrada, e então, uma dor aguda.
Não era como ela imaginara. Não doía como um corte, mas como um estiramento, algo sendo rasgado para dar espaço a outra coisa. Ela mordeu o lábio, as unhas enterradas nos braços da avó, que sussurrou:
— Respira, menina. É só a primeira vez.
A fera empurrou mais fundo, e Clara sentiu algo quente escorrer por suas coxas. Sangue. Seu sangue. Mas não havia vergonha. Só uma sensação estranha de pertencer — a si mesma, à floresta, àquilo.
— Isso — murmurou a avó, passando os dedos pelo sangue e levando-os à boca de Clara. — Prova.
Ela obedeceu. O gosto era metálico, doce.
Quando a fera começou a se mover, a dor deu lugar a algo mais. Uma queimação, uma necessidade que crescia dentro dela como uma raiz. Clara não sabia o que era, até que de repente, uma onda.
Seu corpo se arqueou, os músculos contraindo-se sem controle, um grito rasgando sua garganta. Por um momento, ela pensou que ia morrer. Depois, entendeu: era prazer. Um prazer tão intenso que doía.
A fera não demorou. Com alguns empurrões mais, ele enterrou o rosto no pescoço de Clara e uivou, o corpo tremendo enquanto algo quente e espesso enchia ela por dentro. Depois, lambendo os lábios dela — seu sangue, seu suor, seu prazer —, ele se levantou.
A avó passou um pano úmido entre suas pernas, limpando o sangue e o sêmen com cuidado.
— Vai doer por um tempo — disse, sorrindo. — Mas passa. E da próxima vez, só vai doer se você quiser.
Clara olhou para a fera, que agora se afastava, a pele reluzindo à luz do fogo. Havia algo em seus olhos, algo quase... humano. Como se, por um instante, ele a tivesse reconhecido.
Foi então que viu.
No dedo da fera, brilhando fraco, havia um anel dourado.
O mesmo anel que sua mãe descrevera.
O mesmo anel que seu pai usava na lembrança vaga que tinha dele.
Clara sentiu o mundo girar.
— Ele... — sussurrou, a voz quebrada. — Ele é...
A avó riu, baixinho, os olhos brilhando como os da criatura.
— Sim — respondeu. — E agora, você também faz parte disso.





Nossa, é de arrepiar, que conto é esse gente? Maravilhoso, delicioso, gostoso demais de ler e reler. Muito bem bolado, bem escrito, bem detalhado, enfim, completo e sensual, excitante. votado e aprovado demais
E as fotos da chapeuzinho vermelho com o lobo mau ficaram hiper excitantes!
NOSSA!!! Que conto super excitante! Fiquei molhadinha lendo e tive que me tocar!
Que história incrível, sensacional! Merece uma continuação