Foi então que o viu.
Um navio, destroçado pelas rochas, afundava lentamente, e entre os escombros, um homem flutuava, inconsciente, arrastado pelas correntes. Seu corpo era forte, a pele bronzeada pelo sol, e suas roupas, embora molhadas, não conseguiam esconder as formas que Ariel nunca havia visto de perto.
Com um movimento rápido de sua cauda, ela o puxou para a praia, arrastando-o pela areia macia. Seu peito subia e descia com a respiração ofegante, e seus dedos — tão diferentes das barbatanas que ela conhecia — tremiam ao tocar a pele quente do estranho.
Ele estava desacordado.
E ela estava sozinha.
A Curiosidade que Arde
Ariel nunca havia visto um homem tão de perto. Seu olhar desceu pelo torso musculoso, pelas pernas fortes, até parar nas calças molhadas, coladas ao corpo. Havia algo ali, algo que ela só conhecia pelos sussurros das outras sereias, pelas histórias que as gaivotas contavam.
Com um movimento hesitante, ela puxou o tecido, revelando o que estava escondido.
Seu coração disparou.
Era estranho, diferente de tudo que ela já havia visto. Macio, mas ao mesmo tempo firme, como um coral vivo. E então, enquanto seus dedos o tocavam, ele começou a mudar — a crescer, a se endurecer, como se despertasse para ela.
Ariel sentiu um calor desconhecido percorrer seu corpo. Sua respiração ficou mais rápida, e seus lábios se entreabriram em um suspiro.
Ela não podia resistir.
O Primeiro Gosto do Néctar
Com cuidado, ela se inclinou, aproximando o rosto. Primeiro, só um cheiro — salgado, masculino, como o mar após uma tempestade. Depois, um toque suave com os lábios, sentindo a textura aveludada, o calor pulsante.
E então, sem pensar, abriu a boca.
O sabor explodiu em sua língua — salgado, amargo, mas doce como o mel das profundezas. Ela fechou os lábios em torno dele, sentindo-o inchar ainda mais, e começou a mover a cabeça, instintivamente, como se soubesse o que fazer.
O homem gemeu baixo, ainda inconsciente, mas seu corpo respondia a ela.
Ariel sentiu algo novo dentro de si, uma fome que não era de comida, mas de algo mais. Seu corpo tremeu, e ela continuou, cada vez mais rápida, até que um tremor percorreu o homem, e um jorro quente encheu sua boca.
Ela engoliu, surpresa, mas não assustada. Era estranho, mas delicioso — como o néctar das flores que só floresciam no fundo do oceano.
E então, ele acordou.
A Fuga e o Desejo
Seus olhos se abriram, confusos, até que viram Ariel, ainda com os lábios úmidos, a cauda brilhando sob a lua. Ele gritou, assustado, e se afastou como se ela fosse um monstro.
— O que... o que você fez? — sua voz tremia, enquanto se levantava, ajustando as calças com mãos trêmulas.
Ariel não respondeu. Ela só sorriu, um sorriso que não era inocente, mas cheio de uma compreensão nova.
Ele correu, desaparecendo na escuridão da praia, deixando para trás apenas pegadas na areia.
E Ariel, ainda saboreando o gosto em seus lábios, voltou para o mar.
O Chamado das Ondas
Enquanto nadava de volta para as profundezas, sua mente girava. Aquele sabor, aquela sensação... era algo que ela queria experimentar novamente.
E por que não?
O mar era vasto, cheio de homens — marinheiros, pescadores, náufragos. Todos com aquele mesmo segredo escondido sob as roupas.
Ela sorriu, sentindo a água acariciar sua pele.
Talvez o príncipe não fosse o único que poderia lhe dar o que ela desejava.
Talvez o mar guardasse muito mais do que ela imaginava.
E Ariel, a pequena sereia, estava pronta para descobrir.

