Sua mãe, desfeita em lágrimas e dívidas, não tivera escolha senão arrancá-la dali — o único refúgio que Alice conhecera — para entregá-la a um casamento arranjado. Um viúvo de cinquenta anos, de mãos que cheiravam a tabaco e dinheiro velho, e um sorriso que jamais alcançava os olhos. Um homem que a comprara como se compra um objeto, para salvar a honra de uma família arruinada.
Era sob a macieira do jardim da casa outrora opulenta — agora mofada e cheirando a desespero — que Alice se sentara naquela tarde, o vestido de linho branco, simples e apertado, a saia arregaçada até a cintura. Seus dedos trêmulos e úmidos exploravam o espaço entre suas coxas, não por mero prazer, mas por uma necessidade urgente de esquecer. Esquecer o noivo que a esperava dentro de casa, o casamento que se aproximava como uma sentença, a vida que não lhe pertencia.
A seus pés, aberto em seu colo, jazia um livro que encontrara no porão, encadernado em couro negro, com páginas amareladas que exalavam um odor de poeira e algo mais — algo que lhe revolvia o estômago e queimava a pele. As gravuras em seu interior não retratavam fadas nem cavaleiros, mas corpos entrelaçados em poses que lhe faziam o rosto arder e o coração bater descompassado. Em uma das ilustrações, uma mulher de cabelos negros, amarrada a uma árvore, era beijada entre as coxas por um homem de orelhas de coelho. Alice sabia que não deveria estar olhando aquilo. Se fosse descoberta, seria chicoteada, trancafiada, ou pior. Mas não conseguia parar. Precisava olhar. Precisava se colocar no lugar daquela mulher, se tocar, se perder naqueles desenhos proibidos.
Havia momentos em que se tocava com tamanha ferocidade que parecia querer acender uma fogueira entre as pernas.
Ela se julgava isolada de todos na casa, mas naquele dia...
Foi então que ouviu o riso.
Baixo. Rouco. Como folhas secas sendo esmagadas sob uma bota.
— Tu és uma moça muito curiosa, Alice.
Ela congelou.
Aos pés da macieira, um coelho branco a observava. Não um coelho comum, mas um ser vestindo um colete de veludo vermelho, surrado nas bordas, e calças justas que deixavam pouco à imaginação. Seus olhos — dourados, quase humanos — brilhavam com algo que não era inocência. Segurava um relógio de bolso, mas não olhava para as horas. Olhava para ela. Para o que ela estava fazendo.
Alice deveria ter gritado. Deveria ter corado, se coberto, fugido. Mas não fez nenhuma dessas coisas. Em vez disso, sentiu algo quente e pesado no ventre, uma mistura de vergonha e excitação que a deixou paralisada.
A sensação de ter sido descoberta naquele ato vergonhoso gerou uma emoção forte e desconhecida.
O coelho lambeu os lábios, e sua língua era demasiado longa, demasiado rosa.
— Continua assim, não pare por minha causa — disse ele, e sua voz era um arrulho úmido, como mel derramado sobre pedras quentes.
Ela não respondeu. Não podia. Sua mão ainda estava entre as coxas, os dedos brilhantes de umidade, e o ar de repente ficou espesso, como se o mundo inteiro tivesse prendido a respiração.
O coelho sorriu. E então, sem pressa, começou a recuar, os olhos ainda fixos nela, como se a desafiasse a segui-lo.
— Estou atrasado.
Ela deveria ter corrido para casa. Deveria ter fechado o livro, arrumado as saias, fingido que nada havia acontecido.
Mas Alice nunca fora uma moça boa.
Com um movimento brusco, jogou o livro no chão, deixou a calçola de linho branco na grama e se levantou, as coxas ainda tremendo. O coelho não esperou. Virou-se e começou a correr, o rabo branco balançando como um convite.
E Alice o seguiu.
— Espera. Volte coelho.
Ela olhava para frente. Então o chão sumiu.
O buraco não estava lá um segundo antes. Mas de repente, abriu-se aos seus pés, uma fenda escura e úmida que cheirava a terra molhada e algo doce, como frutas podres. Alice não hesitou. Pulou.
A queda foi longa demais, curta demais. O vento uivava em seus ouvidos, e suas saias voavam ao redor de suas coxas nuas, mostrando o sexo e as nádegas brancas, o ar frio beijando a pele onde seus dedos haviam estado momentos antes. Ela gritou, mas o som se transformou em risada antes de sair de sua garganta.
Quando aterrissou, não foi em um chão duro, mas em algo macio e quente, como um colchão de carne viva. Ao se levantar, viu que estava em um corredor estreito, iluminado por lanternas cujas chamas dançavam em tons de roxo e azul, como se estivessem queimando algo mais que cera.
À sua frente, o coelho a esperava, agora sem o colete, a pele branca marcada por veias vermelhas que pulsavam sob a superfície.
— Vou te guiar por esse mundo cheio de oportunidades — disse ele, a voz grossa, quase um rosnado. Antes que ela pudesse reagir, ele levantou o vestidinho dela, e com a falta da calçola, sua bucetinha ficou exposta, rosada e úmida. Os dedos frios do coelho roçaram suas coxas nuas, fazendo-a estremecer.
Alice tentou se cobrir, mas suas mãos foram imobilizadas por raízes que saíram do chão, enroscando-se em seus pulsos e tornozelos, como serpentes. As raízes puxaram suas pernas, mantendo-as abertas, expondo-a ainda mais.
— Olha só o que temos aqui — sussurrou o coelho, seus olhos dourados brilhando com uma fome que não era só de curiosidade. — Tão bonitinha... tão molhadinha...
Alice mordeu o lábio, sentindo o calor subir pelo pescoço. Não era vergonha. Era algo novo, algo que ardia e doía e era delicioso. Seu corpo reagia antes que sua mente pudesse protestar, suas coxas tremendo, a buceta latejando com a exposição.
— Você gosta de ser olhada, não gosta? — perguntou o coelho, um dedo deslizando entre seus lábios íntimos, sem penetrar, apenas provocando. — Ou prefere que eu pare?
Alice engoliu em seco, mas não respondeu. Não podia. Porque a verdade — a que ela não queria admitir — era que não queria que ele parasse.
Ele massageava de forma suave, vendo os lábios incharem. Alguns momentos, massageava os pelos pubianos, loiros e quase translúcidos.
— O que não te permitiam no convento, aqui é lei.
Ela gemia com o toque até que o coelho recuou de repente, como se tivesse ouvido algo que Alice não podia. Seus olhos dourados, antes fixos nela com uma intensidade que a fazia arder por dentro, agora brilhavam com uma urgência selvagem. Ele retirou os dedos, deixando Alice trêmula, molhada, e com um vazio que doía quase tanto quanto o prazer.
— Tenho que ir — disse ele, a voz rouca, enquanto se levantava com um movimento brusco. Seu corpo começou a se transformar novamente, as mãos voltando a ser patas, o veludo vermelho do colete reaparecendo como se nunca tivesse sumido.
— Onde... onde você vai? — Alice perguntou, ainda ofegante, as coxas úmidas e latejantes, o corpo pedindo por mais.
O coelho já estava se afastando, mas virou a cabeça apenas o suficiente para lançar um olhar por sobre o ombro. Seu sorriso era largo, quase predatório.
— Procure o Chapeleiro — disse ele, enquanto desaparecia em um redemoinho de folhas secas e risadas distantes. — Ele sabe o que fazer com meninas curiosas como você.
E então, sumiu.
Alice ficou sozinha no salão de espelhos quebrados, o corpo queimando, a mente confusa. As raízes que a prendiam se retraíram, voltando para o chão como serpentes saciadas. Ela tocou-se, sentindo o próprio calor, a umidade que o coelho havia deixado para trás. Nunca tinha se sentido tão viva. E tão... perdida.
Ansiava por mais daquilo que ele oferecia. Então decidiu procurar o Chapeleiro.
À sua frente, o corredor se dividia em três caminhos:
Um caminho de pedras vermelhas, que brilhavam como rubis sob uma luz que não vinha de lugar nenhum. Uma porta baixa, feita do que parecia ser costelas humanas, entreaberta, de onde vinham sons de risadas e copos quebrando. Um túnel escuro, onde algo respirava com um ritmo lento e pesado, como se estivesse dormindo.
E em algum lugar, o eco de uma voz:
— Venha, Alice. O chá está servido.
Será que eu estou correndo para longe de algo... ou para algo?
Alice seguiu o caminho de pedras vermelhas, que a conduziu até uma porta de costelas entreaberta. Do outro lado, o som de risadas estridentes, copos quebrando e vozes arrastadas como se estivessem embriagadas de tempo. Empurrou a porta — que era macia como pele — e entrou.
O salão era imenso e torto. As paredes se curvavam como se estivessem ébrias, e o teto parecia respirar, subindo e descendo em um ritmo lento. No centro, uma mesa comprida, posta com xícaras de porcelana trincada, bule fumegante e pratos cheios de bolos que pareciam vivos, pulsando levemente. Os convivas não eram pessoas. Eram criaturas:
O Chapeleiro Maluco estava sentado à cabeceira, seu chapéu — feito de pele e osso — torto sobre a cabeça. Seu rosto era metade homem, metade boneca de porcelana, com rachaduras preenchidas por um líquido dourado que escorria como mel. Ele segurou uma xícara que transbordava um chá preto e espesso, e seus dedos, longos e articulados como patas de aranha, tamborilavam na mesa.
A Lebre de Março estava ao seu lado, com orelhas de coelho costuradas na cabeça, uma delas pendurada por um fio de sangue seco. Seu casaco era feito de peles de animais desconhecidos, e ele mastigava um relógio de bolso, os ponteiros girando ao contrário.
O Arganaz — um homem-rato com dentes afiados e olhos vermelhos — lambia um prato de mel, suas patas dianteiras sujas de doce.
A Duquesa — uma mulher com um bebê (que era mais um anão peludo) que choramingava e ria ao mesmo tempo — amamentava a criatura, cujos olhos eram duas luas cheias. Seu vestido era feito de pétalas de rosas negras, e ela sussurrava canções de ninar que soavam como ameaças.
O ar cheirava a canela queimada, suor de bêbado e algo metálico, como moedas antigas deixadas ao sol. As paredes pareciam feitas de veludo podre, e o chão, uma carne viva que pulsava sob seus pés descalços. Cada respiração era como inalar fumaça de chá envenenado, doce e perigoso.
O Chapeleiro levantou os olhos — um azul elétrico, o outro preto como tinta — e sorriu. Seus dentes eram demasiado brancos, demasiados afiados.
— Alice! — exclamou, como se a conhecesse há séculos. — Finalmente chegaste! O chá está frio, mas o que importa isso? Sentemos antes que o tempo nos engula!
Alice hesitou. O ar era espesso, como se estivesse respirando mel derretido. Ela queria o coelho, não ficar com aquele grupo estranho que parecia uma alucinação viva.
— Onde está o Coelho Branco? — perguntou, colocando os braços sobre a saia, ao lembrar do toque do coelho, como se isso pudesse esconder sua nudez e vergonha.
O Chapeleiro riu, um som que soava como sinos quebrados.
— Ah, aquele? Ainda não é hora dele tomar chá. Ele é pontual demais para a nossa mesa. — Ele bateu na cadeira ao seu lado, feita de ossos entrelaçados. — Senta, senta! Ou prefere ficar de pé como uma estátua sem graça?
Alice obedeceu, sentindo o assento quente e pulsante sob suas nádegas nuas. Assim que se acomodou, o Chapeleiro desapareceu.
Ela olhava para os lados, embaixo da mesa e nada dele.
Quando levantou levantou depois de olhar por baixo da mesa, aí o viu.
Agora, ele estava em pé sobre a mesa, equilibrando-se em um pé só, o chapéu torto cobrindo metade do rosto.
— Alice! — gritou, apontando para ela com um dedo longo. — Você está sem calçola!
Os outros convivas pararam.
A Lebre de Março engasgou com o relógio. O Arganaz cheirou o ar, seus bigodes trêmulos. A Duquesa sorriu, seus lábios manchados de leite azedo.
— É verdade? — perguntou a Lebre, inclinando-se para frente, as orelhas tremendo.
Alice sentiu o rosto queimar. Suas mãos voaram para a saia, tentando cobrir-se, mas era tarde. Como ele sabia?
— Claro que é! — gritou o Chapeleiro, batendo o pé. — Não seja mal-educada, Alice! Mostre para os nossos convidados!
O Chapeleiro puxou a cadeira, fazendo-a ficar de pé. Todos a encaravam, sem piscar.
Naquele momento, ela poderia ter negado, dito uma desculpa ou simplesmente saído. Mas não.
Sentindo os olhares, ela hesitou. O coração batia tão forte que parecia que ia rasgar suas costelas. Mas havia algo no sorriso do Chapeleiro, algo que não era só loucura — era um desafio.
Será que eu quero ser vista? Ou será que eu só quero me sentir viva?
Com dedos trêmulos, Alice levantou a saia.
Um silêncio.
E então, risadas.
A Lebre assobiou, batendo as patas na mesa. — Oh, que lindinha! — exclamou a Duquesa, ajustando o bebê no colo. — Tão rosada! Tão... úmida! O Arganaz cheirou o ar novamente, seus olhos vermelhos fixos nela. — Deliciosa — rosnou.
Alice deveria ter vergonha. Deveria corar, gritar, fugir.
Mas em vez disso, sentiu algo quente e pesado no ventre. Uma curiosidade doentia. Uma vontade de rir. A sensação de estar exposta na frente daqueles estranhos a fazia tremer, mas não de medo. Era como se seu corpo queimasse sob os olhares famintos, como se cada respiração aquecesse ainda mais a pele entre suas pernas. Ela podia sentir o ar frio acariciando sua buceta úmida, e isso a fazia estremecer de prazer. Era proibido, era vergonhoso, mas ao mesmo tempo, era libertador. Nunca antes havia se sentido tão viva, tão desejada, tão poderosa em sua própria vulnerabilidade.
O Chapeleiro pulou na mesa, aterrissando com um estalo de ossos, e estendeu a mão. — Suba, Alice — disse, os olhos brilhando. — Por que tomar chá na mesa como uma convidada comum? Aqui, nós tomamos chá... em cima da mesa.
Ela olhou para a mão dele. Os dedos eram longos, as unhas afiadas como agulhas.
Será que eu quero subir? Ou será que eu só quero ver até onde isso vai?
— Mas... — Mas nada! — gritou a Lebre. — Sobe, menina! Ou vai perder a melhor parte!
Alice respirou fundo. E aceitou a mão.
Alice mal havia subido na mesa quando a Lebre de Março bateu com a pata no tampo de madeira, fazendo as xícaras tilintarem. — E então, Alice? — perguntou, os olhos injetados de uma curiosidade doentia. — Veio assim sem calçola só para nos provocar, não foi? Ou será que estava se tocando antes de chegar aqui, pensando em nós?
Ela não teve tempo de responder. Sentiu alguém segurando sua saia.
O Chapeleiro puxou a saia dela com um movimento brusco, fazendo-a rodar e o tecido voar longe, deixando a bucetinha toda exposta naquele palco para todos verem. Os pelos pubianos, levemente cacheados, brilhavam sob a luz fraca do salão, e os lábios íntimos, inchados e sensíveis, tremiam levemente com o ar frio.
Será que eu quero que eles me vejam? Ou será que eu só quero me sentir desejada?
— Olha só, que beleza! — exclamou a Duquesa, ajustando o bebê no colo, seus dedos coçando o próprio seio por cima do vestido de pétalas. — Tão rosada! Tão molhadinha! — Veja a bundinha, tão branca e redondinha! Parece obra de um padeiro — berrou a Lebre. — Que delícia! — rosnou o Arganaz, seus olhos vermelhos brilhando de excitação, a língua passando pelos dentes afiados. — Mostre para nós, Alice! Toque-se! Queremos ver como você faz isso!
Alice hesitou apenas um segundo, mas seus dedos já desciam até seu sexo. Era a primeira vez que se mostrava para várias pessoas assim, e aquilo mexia com ela de uma forma que não conseguia explicar.
O Chapeleiro sorriu, seus olhos brilhando de satisfação, enquanto ela se abaixava, pernas abertas, e começava a se tocar, seus dedos circulando seu clitóris, os quadris se movendo levemente enquanto o prazer começava a tomar conta dela.
Será que eu sou uma cadela? Ou será que eu só estou descobrindo o que eu gosto?
O grupo se aproximaram mais, seus rostos tortos pela luxúria, os olhos vidrados em cada movimento de Alice. — Isso, moça! — sussurrou a Duquesa, sua voz doce e venenosa. — Toque-se para nós. Mostre como você faz quando ninguém está olhando.
Alice sentia o coração bater forte, mas não de medo. Era uma curiosidade doentia, uma vontade de rir, uma sensação estranha de ser vista por aqueles estranhos que acabara de conhecer. Seu corpo ardia, e a sensação de estar exposta na frente daqueles olhares a fazia tremer. Cada vez que seus dedos passavam sobre seu clitóris, ela sentia um calor elétrico percorrer sua coluna, como se cada toque acendesse uma chama dentro dela. Os olhares dos convivas queimavam sua pele, e ela podia sentir a umidade aumentar entre suas pernas, como se seu corpo respondesse àqueles desejos alheios. Era vergonhoso, mas ao mesmo tempo, excitante. Nunca antes havia se sentido tão observada, tão desejada, tão poderosa em sua própria nudez.
O Chapeleiro sorriu, seus olhos brilhando de satisfação, enquanto ela continuava a se tocar, seus dedos circulando seu clitóris, os quadris se movendo levemente enquanto o prazer começava a tomar conta dela.
— Isso, garota! — sussurrou a Duquesa, sua língua lambendo os lábios. — Assim! Não pare!
— Deus, que gostosa! — murmurou o Arganaz, suas patas coçando o próprio peito peludo. — Continue, Alice! Mostre tudo para nós!
Alice arqueou as costas, um gemido baixinho saindo de sua garganta. O Chapeleiro ofereceu a xícara de porcelana trincada, mas ela mal olhou. Seu corpo queimava, e a sensação de estar exposta na frente daqueles estranhos a fazia tremer.
— Beba algo, Alice — disse o Chapeleiro, sua voz rouca. — Para não desmaiar de prazer.
Ela pegou a xícara, mas ao cheirar, franziu o nariz. — Isso não é chá... — Claro que não — riu o Chapeleiro. — É leite. Leite doce. Leite quente. — Ele desabotoou as calças, tirando para fora um pau grosso e curvado, as veias pulsando.
— Coloque minha barra de açúcar na sua boca, Alice. Faça como viu no livro.
Alice olhou para o pau dele, depois para os outros convidados, que observavam com olhares famintos. Era a primeira vez que via um membro masculino de verdade e tão de perto, e aquilo a fazia sentir um calor estranho no ventre.
Seu falecido pai diria que isso é coisa de mulher devassa...mas o que ela era agora.
Será que eu quero isso? Ou será que eu só quero saber como é?
Os olhos dela acompanhavam cada detalhe do membro do Chapeleiro. Ela parecia estar vendo um doce, esperando que a mãe dissesse que podia pegar.
A Duquesa deitou-se na mesa, rastejando até Alice, o rosto se aproximando de sua buceta.
— Não pare, querida — sussurrou a Duquesa, a língua saindo para lamber os lábios.
— Deixe-os te ver. Deixe-os te provar.
Alice não hesitou mais. Abriu a boca.
O Chapeleiro segurou sua cabeça, guiando-a até seu pau. Ela lambeu a ponta, sentindo o gosto salgado e doce, como açúcar derretido. Ele gemeu, os dedos se enterrando em seu cabelo.
— Assim, Alice — rosnou. — Chupe como se fosse o último doce do mundo.
Enquanto Alice chupava o Chapeleiro, a Duquesa enterrou o rosto entre suas pernas, a língua longa e quente lambendo-a sem piedade. Alice arqueou as costas, um gemido abafado saindo de sua garganta enquanto tentava concentrar-se em ambas as sensações — a boca cheia do pau do Chapeleiro, a língua da Duquesa explorando cada dobra de sua buceta.
Será que eu sou uma putinha? Ou será que eu só estou descobrindo o que eu gosto?
— Deus, que gostosa — murmurou o Arganaz, as patas coçando o próprio peito peludo. A Lebre de Março batia na mesa, os olhos vidrados. — Mais rápido, Alice! Mostre para nós como você goza!
E ela obedeceu.
Seus dedos se enterraram no cabelo da Duquesa, puxando-a mais para perto enquanto sua boca trabalhava no pau do Chapeleiro, os gemidos dele se misturando aos seus. O prazer crescia dentro dela, uma onda quente que ameaçava engoli-la.
— Eu vou... eu vou... — gaguejou, os quadris se levantando da mesa.
— Sim, Alice — sussurrou a Duquesa, a língua se movendo mais rápido. — Goza para nós. Goza bem bonito.
E então, ela gozou.
Um grito abafado saiu de sua garganta enquanto o corpo se contorcia, as coxas trêmulas, o prazer explodindo em ondas que a deixaram sem fôlego. Ao mesmo tempo, o Chapeleiro enterrou os dedos em seu cabelo, empurrando seu pau fundo em sua boca enquanto gozava, o sabor quente e salgado enchendo sua língua.
Alice engoliu tudo, os olhos lacrimejando, o corpo exausto, mas satisfeito.
Será que eu sou uma menina boa? Ou será que eu nunca quis ser?
Por um momento, houve silêncio.
Então, uma voz familiar: — Alice! Você está atrasada!
Ela levantou a cabeça, ainda ofegante, e viu o Coelho Branco parado na porta, o relógio na mão, os olhos arregalados.
— O chá da Rainha! Você vai se atrasar! — gritou, o pânico em sua voz.
— Corra!!!!!
Alice pulou da mesa, deixando a saia caída no chão, mas ela não se importou. Correu, nua da cintura para baixo, as pernas ainda trêmulas de prazer, o coração batendo forte.
Não podia perder o coelho novamente.
Os convivas riram, mas ela não olhou para trás.
— Olha só, a garota esqueceu a saia! — gritou a Lebre de Março, rindo.
— Corre, Alice, com a bucetinha de fora! — Que vergonha! — riu a Duquesa, ajustando o bebê no colo. — Mas que delícia de ver!
O Coelho já estava correndo pelo corredor, e Alice o seguiu, a excitação queimando dentro dela novamente.
Porque, afinal, que menina boa seria eu, se parasse agora?
Alice correu pelo corredor escuro, as pernas ainda trêmulas de prazer, o coração batendo forte. O Coelho Branco estava logo à frente, seu relógio brilhando como uma estrela prateada na escuridão. Ela podia ouvir o tique-taque acelerado, como se o tempo estivesse prestes a se esgotar.
O corredor parecia esticar-se, como se estivesse respirando, as paredes cobertas por um musgo brilhante que pulsava em tons de roxo e azul. O chão era macio, como se estivesse pisando em carne viva, e o ar cheirava a terra úmida e algo doce, como frutas maduras prestes a apodrecer.
— Espere! — gritou, estendendo a mão, mas o Coelho não parou.
Em vez disso, ele sumiu.
Não foi um desaparecimento gradual. Foi como se o corredor o engolisse, deixando para trás apenas um eco de risadas e o cheiro de musgo e relógio quebrado.
Alice parou, ofegante, olhando para o vazio à sua frente. O silêncio era espesso, como se o próprio ar estivesse esperando algo.
Foi então que ouviu as risadas.
Baixas. Guturais. Gêmeas.
— Olha só o que temos aqui.
Alice virou-se lentamente, como se estivesse se movendo dentro de um sonho. À sua frente, bloqueando o caminho, estavam dois homens gordos e idênticos, vestidos com roupas surradas e chapéus tortos. Seus rostos eram redondos, as bochechas rosadas, os olhos pequenos e brilhantes como contas de vidro. Tweedledee e Tweedledum.
Eles parecem garotos travessos..., se é que podemos chamar figuras com quase dois metros e com olhares de predadores de garotos.
— Uma mocinha perdida — disse um, coçando a barriga com dedos grossos e oleosos, como se tivessem acabado de comer algo gorduroso.
— E tão... exposta — completou o outro, os olhos fixos nas coxas nuas de Alice, onde a luz fraca do corredor fazia sua pele brilhar como leite derramado.
Alice olhou para baixo e lembrou.
O vestido. Ela o havia deixado para trás, no salão do Chapeleiro. Agora, estava nua da cintura para baixo, a pele pálida brilhando sob a luz fraca do corredor. Ela sentiu o ar frio acariciar sua buceta, ainda úmida dos toques do Chapeleiro e da Duquesa, e um calafrio de excitação percorreu sua coluna.
— Onde está o Coelho Branco? — perguntou, enquanto tentava cobrir a bucetinha com as mãos, como se isso pudesse esconder sua nudez.
Os gêmeos trocaram um olhar e riram, suas barrigas balançando.
— Ah, ah, ah! — disse Tweedledee, batendo as mãos.
— Primeiro, responda uma coisa, mocinha. — Por que está tão... desvestida? — perguntou Tweedledum, os olhos percorrendo seu corpo com uma curiosidade que a fez estremecer.
Alice mordeu o lábio. — Eu... eu perdi meu vestido — mentiu, mas os gêmeos apenas riram mais alto.
— Perdeu? — repetiu Tweedledee, incrédulo. — Ou deixou para trás de propósito?
— Não importa — cortou Alice, impaciente. — Onde está o Coelho?
Os gêmeos trocaram outro olhar, como se estivessem se comunicando sem palavras. Eles rodeavam ela, apreciando a tentativa dela de se cobrir e a bunda branca. — Nós sabemos — disse Tweedledum, coçando o queixo.
— Mas não podemos dar informações de graça, pode? — Seu irmão assentiu, os olhos ainda fixos em Alice.
— O que vocês querem? — perguntou ela, desconfiada.
Tweedledee sorriu, mostrando dentes amarelos e tortos. — Algo pequeno. Só um... pagamento. — Um beijo — disse Tweedledum, passando a língua pelos lábios.
— Não — corrigiu o irmão. — Algo melhor.
Alice sentiu um nó no estômago. — O quê? — perguntou, a voz mais baixa.
Tweedledee apontou para os sapatos dela. — Esses. Dê-os a nós.
Alice olhou para seus pés. Os sapatos eram simples, de couro gasto, mas eram seus. O único pedaço de normalidade que lhe restava e presente do seu falecido pai.
— Não — disse, firme.
Os gêmeos trocaram outro olhar, e então Tweedledum deu um passo à frente, sua voz baixando para um sussurro rouco. — Então, tire a parte de cima.
Alice sentiu o sangue gelar. — O quê?
— É simples, mocinha— disse Tweedledee, como se estivesse explicando algo óbvio.
— Não faz sentido usar algo em cima se não tem nada embaixo. É... ilógico.
Alice olhou para si mesma. Seu corpete ainda estava no lugar, mas o que adiantava? Ela já estava exposta, vulnerável. E aqueles dois não iam desistir.
A lógica começava a fugir, o que seria melhor, dar os sapatos ou o corpete?
A dupla a cercou. Sabia que não podia demorar.
Ela conversava consigo em dúvida, mas no fim sempre tinha a resposta.
Com um suspiro, ela desatou os laços do corpete, deixando-o cair no chão. Os seios médios, do tamanho de peras, ficaram de fora. Agora, estava totalmente nua, a não ser pelos sapatos.
Os gêmeos assobiavam, os olhos brilhando.
— Muito melhor — disse Tweedledee, lambendo os lábios. — Agora, venha aqui.
Alice hesitou, mas obedeceu. Não tinha escolha.
Eles eram enormes.
Os gêmeos se sentaram no chão, as pernas abertas, as calças já desabotoadas. Seus paus eram grossos e curtos, como tudo neles. — Na boca, mocinha — ordenou Tweedledum, guiando a cabeça de Alice até seu colo.
Ela se abaixou, empinando a bunda enquanto a cabeça descia na direção dos membros. Fechou os olhos e começou.
Os gêmeos gemeram, as mãos enterradas em seu cabelo. — Ah, que boa — suspirou Tweedledee. — Chupa tão bem. — Como se já tivesse feito isso antes — acrescentou o irmão, empurrando seu pau mais fundo.
Realmente, há poucos minutos ela não tinha feito e agora já estava sentindo dois novos membros.
Alice não respondeu. Ela apenas continuou, sentindo o gosto salgado, a textura áspera, as mãos deles guiando seus movimentos. Ela nua no meio da estrada, se revezando em chupa-los. Era estranho, mecânico, mas também havia algo de poderoso nisso. Ela os tinha nas mãos — ou melhor, na boca.
Será que eu sou uma cadela? Ou será que eu só estou descobrindo que quero ser uma?
Não demorou muito para que ambos gozassem, seus gemidos ecoando pelo corredor. Alice engoliu, sentindo o gosto amargo, mas sem protestar.
Os gêmeos ficaram deitados, ofegantes, sorridentes. — Bom trabalho, mocinha — disse Tweedledee, passando a mão em seu cabelo. — Agora, o Coelho... — Seguiu por ali — apontou Tweedledum, indicando um caminho à esquerda.
— Mas corra. Ele não gosta de esperar.
Alice não perdeu tempo. Deixou o corpete e correu, sentindo o ar frio em sua pele nua, mas sem se importar. O importante era encontrar o Coelho.
Mas o corredor começou a ficar nebuloso, como se uma névoa espessa estivesse se formando ao seu redor. Alice desacelerou, tentando enxergar, mas tudo estava borrado, distorcido. — Onde... onde eu estou? — sussurrou, girando em círculos.
Foi então que ouviu a voz. — Por que está tão nua, menina?
Alice ficou sozinha na névoa espessa, o corpo ainda trêmulo dos toques dos gêmeos, a pele fria e úmida do ar úmido do corredor. As paredes pareciam respirar, e o chão, feito de algo que não era pedra nem madeira, mas sim uma algo vivo e pulsante, a fazia sentir como se estivesse afundando em um pesadelo delicioso. Ela apertou os braços contra o peito, tentando cobrir-se, mas era inútil. Estava totalmente nua, exceto pelos sapatos surrados que ainda apertavam seus pés.
Por que eu não sinto vergonha? Será que eu estou ficando louca? Ou será que, pela primeira vez, estou finalmente sã?
O ar cheirava a terra molhada e forte, como frutas podres fermentando sob o sol. Mas havia mais: um perfume metálico, como se o próprio corredor estivesse sangrando. Alice respirou fundo, sentindo o aroma encher seus pulmões, e por um instante, tudo girou. Sua pele formigou, como se mil agulhas invisíveis estivessem picando cada centímetro de seu corpo.
— Por que está tão nua, menina?
A voz veio de lugar nenhum e de todos os lugares ao mesmo tempo. Alice congelou.
À sua frente, sentado em um galho baixo de uma árvore que não estava lá um segundo antes, estava um gato. Não um gato comum. Era enorme, do tamanho de um tigre, com listras que pulsavam como veias cheias de sangue. Seus olhos, amarelos e verticais, brilhavam como lanternas na escuridão. E seu sorriso... Deus, seu sorriso era cheio de dentes afiados, como agulhas.
Alice recuou, mas suas costas bateram em uma árvore. O tronco se moveu, como se estivesse vivo, e ela sentiu raízes se enroscando em seus tornozelos, impedindo-a de fugir. As raízes eram frias e úmidas, como dedos de cadáver, mas ao mesmo tempo quentes, como se estivessem alimentando-se de seu calor.
— Bem — disse o Gato, a voz um arrastar de garras em seda. — Responda. Ou prefere que eu adivinhe?
Alice engoliu em seco, mas manteve a voz firme.
— Eu... eu me perdi — disse, sentindo o rosto queimar.
Mentira. Eu não me perdi. Eu me entreguei. Veio uma voz de dentro de sua cabeça.
O Gato riu, um som que ecoou como trovão distante, e seu corpo começou a desaparecer, como se estivesse se dissolvendo na névoa.
— Todos se perdem aqui, Alice — disse, a voz agora vindo de todos os lados.
— Mas você... você parece estar se perdendo de propósito. Falou isso rodeando ela.
Alice sentiu um calafrio percorrer sua coluna. Não era medo. Era antecipação.
Será que eu quero ser encontrada?
Não, não, por que me vem esses pensamento?
O Gato reapareceu, agora em pé atrás dela, seu hálito quente em seu pescoço. Ela podia sentir o cheiro de algo animal, como se ele fosse uma criatura selvagem disfarçada de elegância.
— E o que uma moça perdida e nua faz quando não sabe para onde ir? — sussurrou, a língua longa e áspera lambendo sua orelha.
Alice tentou se virar, mas as raízes a seguiam, apertando seus tornozelos como algemas vivas.
— Eu... eu preciso encontrar o Coelho Branco — disse, a voz trêmula.
Ou será que eu preciso encontrar a mim mesma? Novamente a voz de dentro da cabeça.
O Gato riu novamente, e seu corpo se materializou na frente dela, tão perto que ela podia ver cada pelo de seu peito, cada listra que se movia como se fosse viva.
— Ah, o Coelho — disse, as garras arranhando levemente o chão.
— Se você quer que a ajude, pode me dar o tesouro que tem abaixo dos pelos loiros.
Ele apontava com sua garra na direção do sexo de Alice.
— Não, o coelho falou para não perder, preciso mantê-la como está.
— Ele sempre foi um tolo. Maldito coelho.... O olhar do gato era de desagrado. Então o sorriso, de aparência maldosa voltou.
— Mas muito bem. Se não é isso que você quer me oferecer... Pego o outro.
De repente, ele sumiu.
Alice sentiu algo duro pressionar suas nádegas. Patas invisíveis a empurraram contra a árvore, e ela sentiu pelos grossos contra suas costas, garras envolverem sua cintura. O Gato ainda estava lá, mas agora, invisível.
— O que você vai fazer? — perguntou Alice, a voz quebrando de medo.
— O pagamento — rosnou o Gato, sua voz vindo de todas as direções. — Pela ajuda que darei.
Ela sentiu algo grosso e quente pressionar entre suas nádegas. Não era um dedo. Era seu pau, duro como pedra, e enorme. Começou a forçar a entrada do seu ânus.
— Não! — gritou, tentando se virar, mas as garras a seguraram com força.
— Shhh — sussurrou o Gato, sua boca roçando seu ouvido. — Vai doer no começo. Mas você vai gostar. Eu sei que vou.
E então, ele empurrou.
Alice gritou. Uma dor aguda e queimando rasgou seu corpo, como se estivesse sendo aberta ao meio. O eco do seu grito demorou para acabar.
Mas então, algo mudou. A dor se transformou em uma sensação estranha, uma mistura de vergonha e prazer, como se seu corpo soubesse o que fazer, mesmo que sua mente gritasse para parar.
— Isso — rosnou o Gato, sua voz um gemido.
— Tão apertada. Tão... virgem.
— Falam que é errado, mas errado é não dar atenção para o tesouro que fica atrás.
As flores ao redor começaram a rir. — Olhem só! — disse uma rosa, a voz um farfalhar de pétalas.
— A menina está sendo montada por um gato! — E nem sabe o que fazer! — riu um lírio, suas pétalas se abrindo como uma boca.
Alice choramingou, mas não de dor. Era vergonha, era excitação, era medo, tudo misturado. Ela podia sentir cada movimento do Gato, cada vez que ele empurrava mais fundo, seu corpo se ajustando àquilo que nunca havia sentido antes.
Por ele estar invisível, seu corpo ficava totalmente exposto.
— Você gosta, não gosta? — rosnou o Gato, suas garras afundando em seus quadris.
— De ser possuída por um animal? De ser vista por todas elas?
Alice não respondeu. Não conseguia. Porque, depois da dor, havia algo mais. Uma onda de prazer que crescia dentro dela, como uma maré que não podia ser contida.
As flores vivas olhavam e comentavam tudo. Ela sendo possuída à força... ou será que não?
Um homem passou pela estrada próxima, parando ao vê-la: uma garota nua, empinada contra uma árvore, o ânus bem aberto, esticado por algo que ele não podia ver. Ele se aproximou, os olhos arregalados, a boca aberta.
— Meu Deus... — sussurrou.
Mas então, o Gato reapareceu, seu corpo enorme cobrindo Alice por completo, os dentes à mostra, os olhos brilhando como fogo. — Sai daqui — rosnou, a voz um trovão. — Ela é minha. Ou quer que te devore em seguida.
O homem correu, e o Gato riu, voltando sua atenção para Alice.
— Ninguém mais vai atrapalhar — sussurrou, enquanto continuava a movê-la, seu pau deslizando dentro dela com um ritmo que a fazia gemer.
— A não ser que você queira.
Alice fechou os olhos, mas as flores continuavam a comentar.
— Olha como ela se mexe! — disse uma margarida, suas pétalas se abrindo como olhos.
— Ela está gostando! — Claro que está! — riu a rosa.
— Quem não gostaria de ser montada por um gato tão bonito?
— Humm, ela é noiva, ouvi. Mal virou mulher e já se tornou puta.
O Gato mordiscou seu ombro, não com força, mas o suficiente para marcá-la.
— Diga-me, Alice — rosnou, enquanto seu corpo se movia mais rápido, suas garras deixando marcas vermelhas em seus quadris.
— Você gosta de estar indo cada vez mais fundo no caos? De não saber o que vai acontecer a seguir?
Alice gemia, seu corpo respondendo antes que sua mente pudesse formar palavras.
— Eu... eu acho que estou ficando louca — sussurrou, as unhas enterradas na casca da árvore.
O Gato riu, um som que vibrou em seu peito.
— Loucura? — disse, enquanto seu pau inchava dentro dela, pronto para gozar.
— Aqui, a loucura é apenas uma questão de perspectiva. Se todos são loucos... então a loucura é o novo normal.
— Se os animais não usam roupas, por que você deveria?
E então, ele gozou.
Alice sentiu o calor inundá-la, encher ela por dentro, e algo dentro dela se quebrou. Não de dor. De prazer. De libertação.
O Gato se afastou, e ela desmoronou contra a árvore, ofegante, o corpo trêmulo e suado.
— Agora — disse o Gato, lambendo suas garras como se nada tivesse acontecido — você quer sabe o caminho, não é?
Alice assentiu, ainda sem fôlego.
— Poderia me dizer, por favor — perguntou, a voz fraca — que caminho devo tomar para sair daqui?
O Gato sorriu, seus olhos brilhando. — Isso depende muito de para onde você quer ir — respondeu.
— Não me importo muito para onde... — disse Alice, tentando se recompor.
— Então não importa que caminho você tome — finalizou o Gato.
Ele se aproximou, passando a língua áspera em seu rosto, como se a estivesse marcando.
— Mas eu sei que você quer ver o Coelho — sussurrou. — Ele está esperando por você. Pelo caminho das pedras vermelhas. Mas corra, Alice. O tempo está acabando.
E então, ele sumiu.
Alice ficou sozinha, nua, marcada, cheia de um líquido quente que escorria por suas coxas. As flores continuavam a rir, mas ela não se importava mais.
Porque, pela primeira vez, eu não tenho medo do caos.
Eu tenho medo de não sentir mais aquilo.
E então, correu, correu, correu.
Corria tanto que não ligou para uma fumaça que apareceu no caminho, conforme respirava a consciência ia embora. Até que desabou no chão.
Alice acordou em um jardim de cogumelos gigantes, onde o ar cheirava a fumaça de narguilé e terra molhada. O chão era macio, como se estivesse deitada sobre um colchão de musgo vivo, que pulsava levemente sob suas costas nuas. Ao seu redor, cogumelos azuis e roxos brilhavam com uma luz própria, como se estivessem respirando.
Onde estou agora?, pensou, enquanto passava os dedos pelas marcas que o Gato havia deixado em seus quadris. Será que eu ainda estou no mesmo lugar? Ou será que cada passo que dou me leva mais fundo em um sonho que não acaba?
De repente, ouviu um ronronar baixo, como o som de um gato dormindo. Mas não era um gato. Sentada em um cogumelo azul, uma Lagarta Azul soprava anéis de fumaça que se transformavam em borboletas antes de se dissiparem. Seu corpo era longo e sinuoso, coberto por uma pele azulada que brilhava como seda molhada. Seus olhos, vermelhos e verticais, fixaram-se em Alice com uma intensidade que a fez estremecer.
— Quem és tu? — perguntou a Lagarta, sua voz um murmúrio arrastado, como se estivesse sempre prestes a adormecer.
Alice tentou se cobrir com as mãos, mas a Lagarta apenas riu, suas antenas se movendo como dedos curiosos.
— Eu... eu estou perdida, procurando o coelho — respondeu Alice, sentindo o cheiro de fumaça doce e algo terroso encher seus pulmões. Era como se o ar estivesse embriagando-a, fazendo seus pensamentos ficarem mais lentos, mais pesados.
— Todos estão perdidos, menina — disse a Lagarta, oferecendo seu narguilé.
— A questão é: o que você vai fazer com isso?
Alice hesitou, mas aceitou o narguilé. Ao inalar, sentiu o mundo girar, as cores ficarem mais vivas, e seu corpo formigar como se mil agulhas de prazer estivessem picando sua pele. A fumaça tinha gosto de mel e algo proibido, como se estivesse inalando um segredo.
— O que é isso? — perguntou, sentindo seus lábios ficarem dormentes e quentes ao mesmo tempo.
— Conhecimento — respondeu a Lagarta, deslizando até ela, suas antenas roçando os seios de Alice.
— Ou pelo menos, a ilusão dele.
Alice sentiu as mãos da Lagarta deslizando por suas coxas, e antes que pudesse protestar, a criatura enterrou o rosto entre suas pernas, sua língua longa e úmida lambendo sua buceta com uma precisão que a fez gemer. Alice arqueou as costas, suas mãos enterradas nos cogumelos ao redor, enquanto a Lagarta explorava cada dobra, cada segredo de seu corpo.
— Ahhh... — Alice suspirou, sentindo o prazer queimar dentro dela como fogo líquido.
A língua da Lagarta era quente e comprida como uma cobra, e seus lábios sugavam com uma habilidade que fazia Alice sentir como se estivesse derretendo. Cada lambida era como uma onda de calor, subindo por sua coluna, fazendo seus dedos dos pés se curvarem.
— Você é tão doce — sussurrou a Lagarta, sua voz vibrando contra a pele de Alice.
— E tão... virgem em alguns lugares....por enquanto.
Alice sentiu os dedos da Lagarta deslizando para dentro dela, encontrando um ponto que a fez ver estrelas. Seu corpo tremeu, e ela não conseguiu segurar um grito.
— N-não... — gaguejou, sentindo as lágrimas escorrerem pelos cantos dos olhos. Não eram lágrimas de dor. Eram de algo mais profundo, algo que ela não conseguia nomear.
— Bom — disse a Lagarta, sua voz um ronronar satisfatório.
— Porque eu vou te mostrar o que quando você diz não, na verdade quer dizer sim.
E então, a Lagarta enterrou dois dedos dentro de Alice, enquanto sua língua continuava a lambê-la, em um ritmo que fazia o corpo de Alice tremer como uma folha.
— Você é minha agora — sussurrou a Lagarta, enquanto Alice gozava, seu corpo se contorcendo, as coxas apertando a cabeça da criatura entre suas pernas.
Alice desmoronou no cogumelo, ofegante, o corpo coberto de suor, a mente nublada pela fumaça e pelo prazer. A Lagarta se afastou, lambendo os lábios, seus olhos vermelhos brilhando de satisfação.
— Agora você sabe — disse, enquanto Alice tentava recuperar o fôlego.
— O que é ser desejada. O que é ser... consumida.
Alice olhou para a Lagarta, sentindo algo quente e dolorido no peito.
— Por que você fez isso? — perguntou, a voz fraca.
A Lagarta sorriu, suas antenas se movendo como se estivessem acariciando o ar.
— Porque você precisava — respondeu, enquanto começava a se dissolver na névoa azulada que envolvia o jardim.
— E porque eu queria. E porque você deixou.
E então, ela desapareceu, deixando Alice sozinha, seu corpo ainda queimando, sua mente ainda girando com as sensações que havia experimentado.
Alice fechou os olhos, sentindo o vento acariciar sua pele nua, como se o próprio jardim estivesse sussurrando segredos em seu ouvido.
E então, ela sorriu.
Ela prosseguiu o caminho.
Depois de muito caminha, Alice chegou às portas do castelo. As portas eram duas bocas gigantes, com dentes de marfim e línguas que se moviam como serpentes. Ela hesitou, mas o cheiro do Coelho Branco — aquele perfume de musgo e relógio quebrado — vinha de dentro. Precisava encontrá-lo.
Tinham guardas na porta. Precisava enfrenta-los.
Será que eu estou pronta para isso?, pensou, enquanto passava os dedos pelas marcas que o Gato havia deixado em seus quadris. Ou será que eu nunca estive pronta para nada?
— Onde está o Coelho Branco? — perguntou às cartas que guardavam a entrada, duas figuras com rostos de Valete, seus olhos pintados movendo-se independentemente, como se estivessem vivos. Uma delas tinha um bigode que se retorcia como uma minúscula serpente, e a outra, um sorriso torto que revelava dentes afiados como agulhas.
— Dentro, é claro — respondeu um, enquanto o outro olhava fixamente para sua nudez, os olhos percorrendo seu corpo como dedos invisíveis.
— Mas para entrar — disse o segundo, a voz um farfalhar de papel rasgado — é preciso um presente para a Rainha.
Alice olhou para si mesma. Nada restava. Nem o vestido, nem a calçola, nem a virgindade do ânus. Apenas os sapatos, surrados e que ainda apertavam seus pés. Eles eram o último pedaço de seu mundo, da sua família, o último vestígio de quem ela era antes de cair no buraco.
Será que eu tenho algo a perder?, pensou, enquanto sentia o vento frio acariciar sua pele nua. Ou será que eu já perdi tudo o que importava?
Sem hesitar, tirou-os e os ofereceu às cartas. — Isso? — riu o Valete, pegando os sapatos como se fossem um troféu. Sua risada soou como páginas sendo rasgadas, e seus dedos, longos e pálidos, acariciavam o couro gasto como se fosse pele.
— Isso não é nada. — Você não tem mais nada? — perguntou o outro, os olhos brilhando de malícia, como se já soubessem a resposta.
As cartas trocaram um olhar, e seus sorrisos se alargaram, como se estivessem compartilhando um segredo sujo.
— Então entre como veio ao mundo — disse um, abrindo as portas com um gesto teatral, como se estivessem revelando um palco. — Como um bicho.
Alice engoliu em seco e entrou.
O salão do trono era imenso e caótico. As paredes eram feitas de cartas de baralho vivas, que sussurravam entre si, seus olhos pintados seguindo cada movimento de Alice. A corte — homens com cabeças de animais, mulheres com vestidos de espelhos, criaturas que não tinham forma definida — parou ao vê-la. Um silêncio pesado e cheio de risadas abafadas tomou conta do salão.
— Olhem só! — gritou uma Dama de Copas, apontando.
— Uma moça pelada! — E que bichinho mais interessante — comentou um Valete de Paus, seus chifres de carneiro brilhando à luz das velas.
Alice sentiu os olhares queimando sua pele, mas manteve a cabeça erguida. Não tinha mais nada a perder.
— Onde está o Coelho Branco? — perguntou, a voz ecoando no salão.
A Rainha de Copas, sentada em um trono de espelhos quebrados, levantou-se lentamente. Seu vestido era feito de cartas costuradas, e sua coroa, um círculo de lanças douradas. Seus olhos — negros e profundos como poços — fixaram-se em Alice com uma mistura de desdém e curiosidade.
— Ah, a moça que anda nua como um animal — disse, a voz fria e cortante. — E ainda ousa fazer perguntas.
A rainha se levantou, ficando na frente de Alice.
— Você veio aqui sem nada — disse, passando um dedo pela buceta de Alice, fazendo-a estremecer.
— Nem mesmo a dignidade.
Alice mordeu o lábio, mas não recuou.
— Eu só quero ver o Coelho Branco — disse, a voz mais firme do que se sentia.
A Rainha riu, um som que ecoou como vidro quebrando. Ela rodou a garota nua e com tom grave disse:
— Animais não andam, garota — disse, empurrando Alice com um dedo no peito. — Eles rastejam. Ou pulam. Ou voam. Ou andam de quatro.
— O quê?
— Animais não andam, garota — disse, empurrando Alice com um dedo no peito. — Eles rastejam. Ou pulam. Ou voam. Ou andam de quatro.
Alice olhou para o chão, depois para a Rainha. Entendeu.
Com um suspiro, ajoelhou-se e depois apoiou as mãos no chão, ficando de quatro. A corte riu, mas a Rainha silenciou todos com um olhar.
— Bom animal — disse, passando a mão pelo cabelo de Alice. A rainha voltou ao trono — Agora, venha aqui. Mostre o que sabe fazer.
Alice engoliu em seco e começou a rastejar em direção à Rainha, sentindo os olhares de todos queimando suas costas. Ao chegar perto, a Rainha abriu as pernas, expondo sua buceta inchada e úmida.
— Lamba — ordenou. — Como um bichinho obediente.
Alice sentiu uma grande vergonha, mas não podia agora voltar. Ela se aproximou com todos olhando e depois, enterrou o rosto entre as coxas da Rainha, sua língua encontrando o clitóris já duro. A Rainha gemeu, os dedos enterrando-se no cabelo de Alice.
— Isso — sussurrou. — Assim. Mostre a todos como um animal bem treinado chupa.
A corte observava, alguns gemendo, outros rindo, mas todos hipnotizados. Alice continuou, sua língua trabalhando enquanto a Rainha se movia contra seu rosto, até que, com um grito, gozou, suas coxas tremendo.
Ela segurou o rosto de Alice ali, até terminar de convulsionar.
— Muito bem — disse a Rainha, ofegante, passando a mão pelo rosto de Alice, sujo de seus fluidos.
— Agora você é meu bichinho. Para usar como eu quiser.
Alice levantou a cabeça, sentindo o gosto da Rainha em seus lábios. Antes que pudesse responder, o Rei de Copas — um homem com olhos injetados de luxúria — levantou-se, seu pau já duro pressionando as calças.
— Agora eu quero a bucetinha dessa cadelinha! — gritou, a voz rouca de desejo.
Alice recuou, os olhos arregalados. — Não! — disse, firme.
— Isso... isso é meu. O Coelho disse que é precioso. Que eu preciso guardar.
A Rainha franziu a testa, e o Rei ficou vermelho de raiva.
— Como ousa? — rugiu o Rei.
— Você é uma putinha, uma vagabunda que se oferece para qualquer um! Na frente de todos.
— E ainda se recusa ao seu rei? — completou a Rainha, os olhos brilhando de fúria.
Sem mais palavras, acenaram para os guardas. — Levem-na para o calabouço — ordenou a Rainha. — Até que aprenda seu lugar.
Os guardas — cartas com rostos de espadas — arrastaram Alice, que gritou, mas não resistiu. Enquanto era levada, ouviu as risadas e comentários da corte:
— Olha só, a putinha da Rainha! — disse uma Dama de Ouros.
— Pensou que era especial, mas é só mais uma cadela! — riu um Valete de Paus.
— Será que o Coelho Branco vai salvá-la? — perguntou um Rei de Espadas, enquanto Alice era empurrada escada abaixo, em direção à escuridão.
Alice foi jogada no calabouço como um saco de farinha sujo. O chão era de pedra fria, úmida, e as paredes, feitas de cartas de baralho velhas e amareladas, sussurravam segredos que faziam seu corpo formigar. A cela era pequena, com grades de ferro enferrujado que rangiam como ossos velhos. Do outro lado, uma sombra se mexeu. — Você não é a primeira a cair aqui — disse uma voz rouca e doce, como mel queimado. — Mas é a primeira que cheira a sexo e a loucura.
Alice virou-se. Na cela ao lado, um homem gordo, de pele pálida e mãos farinhentas, estava sentado no chão, apoiado contra a parede. Seu cabelo era branco como farinha, e seus olhos, pequenos e brilhantes, a observavam com uma curiosidade que não era apenas sexual — era fome de outro tipo.
— Quem é você? — perguntou Alice, tentando cobrir-se com as mãos, embora soubesse que era inútil.
O homem sorriu, mostrando dentes amarelos e lascados.
— Eu sou o Padeiro — disse, passando a língua pelos lábios. — Ou pelo menos, era. Antes que a Rainha me trancasse aqui por... — ele fez uma pausa, como se estivesse saboreando a memória — por não seguir suas regras. — Que regras? — Alice perguntou, sentindo o cheiro de pão fresco vindo da direção dele. Era quase intoxicante.
O Padeiro riu, um som que soou como massa sendo amassada. — Ah, menina — disse, estendendo uma mão pelas grades. Entre seus dedos, havia um pedaço de pão, ainda quente, com uma crosta dourada que brilhava como ouro. — A Rainha não gosta que façamos o que queremos. Ela gosta que façamos o que ela quer.
Alice olhou para o pão. Seu estômago roncou, mas não era só fome. Era um desejo mais profundo, algo que a fazia salivar. — O que você quer em troca? — perguntou, desconfiada.
O Padeiro sorriu, e seus olhos desceram pelo corpo nu de Alice, parando em sua buceta, ainda úmida e inchada dos toques anteriores. — Apenas um pouco de... alívio — disse, sua voz agora mais grossa. — Você parece tão tensa, menina. Deixe-me ajudar.
Ele aproximou-se das grades, e Alice viu o volume em suas calças, um pau grosso e longo, pressionando o tecido como se quisesse rasgá-lo. — E se eu não quiser? — perguntou, a voz mais baixa.
O Padeiro riu, um som que ecoou como forno aquecendo. — Então fique com fome — disse, começando a guardar o pão. — Mas algo me diz que você não é do tipo que recusa um banquete.
Alice mordeu o lábio. Seu corpo tremia, mas não de medo. De necessidade.
Com um suspiro, ajoelhou-se e seguiu o pau do Padeiro, sentindo o peso, a textura áspera da pele. Ele gemeu quando ela começou a fazer carinho, seus dedos subindo e descendo pelo comprimento, antes de levá-lo à boca.
— Ahhh — suspirou o Padeiro, suas mãos agarrando as grades com tanta força que seus nós dos dedos ficaram brancos.
— Isso. Assim, garota. Chupa como se fosse o último pedaço de pão do mundo.
Alice obedeceu. Sua boca trabalhou, a língua circulando a cabeça, enquanto suas mãos massageavam a base. O Padeiro gemia, seu corpo tremendo a cada movimento. Ela podia sentir o gosto salgado, a textura quente, e algo dentro dela se acendia, como se estivesse queimando por dentro.
— Mais fundo — rosnou o Padeiro, empurrando seus quadris contra as grades. — Engole tudo, mocinha.
Alice fez o que ele pediu, sentindo o pau deslizar até sua garganta, fazendo-a engasgar, mas ela não parou. Seus dedos brincavam com seus próprios seios, beliscando os mamilos até que doíram de prazer. — Vou gozar — avisou o Padeiro, sua voz rouca e urgente. — Tudo na tua boca, menina. Não desperdice.
Alice preparou-se, e quando ele gozou, engoliu tudo, sentindo o gosto amargo e doce encher sua língua. O Padeiro ofegou, seu corpo relaxando contra as grades.
— Bom trabalho — disse, a voz ainda trêmula. — Aqui está. — Ele passou o pão pelas grades.
Alice pegou-o e, sem hesitar, mordeu.
O sabor explodiu em sua língua — doce, quente, intoxicante. Mas havia algo mais. Uma sensação de leveza, como se seu corpo estivesse flutuando. Sua visão turvou, e de repente, tudo ficou mais vivo — as cores mais brilhantes, os sons mais altos, sua própria pele queimando como se estivesse em chamas.
Ela deixou o pão cair e desmoronou no chão, as mãos correndo por seu corpo, os dedos afundando em sua buceta, enquanto gemidos escapavam de seus lábios. As paredes sussurravam, as cartas riam, e Alice se tocava, cada vez mais rápido, até que gozou, seu corpo se contorcendo no chão de pedra, os dedos molhados, a respiração ofegante.
E então, desmaiou.
Alice acordou com um arrepio. O calabouço estava silencioso, mas não vazio. Na frente de sua cela, o Coelho Branco estava parado, seu colete vermelho manchado de terra, o relógio de bolso brilhando fraco na escuridão. Seus olhos dourados brilhavam com urgência, mas também com algo mais — um desejo que ele não conseguia esconder. — Coelho... — sussurrou Alice, tentando se levantar, o corpo ainda dolorido dos toques do Padeiro, da humilhação da Rainha, da fumaça do pão que ainda queimava sua mente.
— Alice — disse o Coelho, a voz suave e apressada. — Eu vim te ajudar.
Ela olhou para as grades. Eram demasiado estreitas para ela passar, mesmo que se espremesse.
— Eu não consigo sair — disse, desesperada. — As grades são muito pequenas.
O Coelho sorriu, um sorriso que não era gentil, mas cheio de promessas. — Eu tenho algo para isso — disse, tirando do bolso um pequeno frasco de vidro, cheio de um líquido azulado e brilhante, como lágrimas de fada.
Alice olhou para o frasco, depois para o Coelho. — O que é isso?
— Uma poção — respondeu ele, girando o frasco entre os dedos.
— Vai te deixar pequena o suficiente para passar pelas grades.
Alice estendeu a mão, mas o Coelho recuou. — Não é de graça — disse, a voz firme.
— Consegui isso com muito esforço. A Rainha não gosta que roubem suas poções.
Alice baixou a mão, sentindo o coração afundar.
— Eu não tenho nada para te dar — disse, olhando para si mesma. Nua, suja, sem nada.
— Nem mesmo um laço me sobrou.
O Coelho se aproximou das grades, seus olhos descendo pelo corpo de Alice, parando entre suas pernas.
— Você tem algo — disse, a voz mais baixa, mais rouca. — Algo que ainda não foi tocado. Algo que a Rainha não teve. Algo que pedi para guardar.
Alice entendeu.
Seu último tesouro.
A virgindade de sua buceta.
Ela mordeu o lábio, sentindo o calor subir pelo pescoço. Não tinha escolha. Não se importava mais. Talvez nunca tivesse se importado.
— Tudo bem — disse, a voz trêmula, mas firme.
O Coelho sorriu, um sorriso que era metade alívio, metade fome. Ele passou o frasco pelas grades, e Alice pegou-o, sentindo o vidro frio em seus dedos.
— Beba tudo — instruiu o Coelho. — E rápido. Não temos tempo.
Alice destampou o frasco e bebeu o líquido de um só gole. Era doce e amargo, como lágrimas misturadas com mel. Assim que engoliu, sentiu um formigamento percorrer seu corpo, como se mil agulhas estivessem picando sua pele. Seu corpo começou a encolher, não apenas ficando pequena, mas minúscula, até que, quando olhou para o Coelho, ele parecia um gigante, seu corpo duas vezes maior que o dela agora.
— Perfeito — disse o Coelho, abrindo as grades com facilidade e entrando na cela. — Agora, cumpre sua parte do acordo.
Alice não resistiu. Não havia vergonha, não havia medo. Apenas uma curiosidade doentia, um desejo de saber o que era ser completamente possuída.
Ela subiu no colchão velho e sujo, as pernas abertas, expondo-se para o Coelho. Ele se aproximou, seu pau já duro, grosso para seu tamanho, mas enorme para o dela agora.
Alice ficou olhando para o pau do Coelho, sabendo o que viria.
— Faça — sussurrou.
O Coelho subiu no colchão, posicionando-se entre suas pernas. Alice sentiu a ponta pressionar sua entrada, e então, com um empurrão, ele entrou.
Ela gritou, mas não de dor. Era uma mistura de surpresa e prazer, como se algo dentro dela tivesse sido despertado. O Coelho começou a se mover, e Alice olhou para o lado, onde o Padeiro, do outro lado das grades, observava tudo, seus olhos brilhando de excitação, a boca aberta.
— Olha só — sussurrou o Padeiro, passando a língua pelos lábios.
— A garota está perdendo tudo. Tudo mesmo.
— O que o noivo vai dizer quando ver que perdeu a pureza?
Alice virou o rosto para os espelhos do lugar, mostrando ela perdendo tudo. Realmente era o animal que a rainha falou.
Depois que gozou, o Coelho falou para correrem antes que o remédio perdesse o efeito. Eles saíram da cela e Alice, pensando e agora, como escapar do castelo.
Alice e o Coelho Branco escaparam do calabouço e entraram em um corredor de espelhos que distorciam a realidade. Cada espelho mostrava uma versão diferente de Alice: uma menina assustada, uma mulher confiante, uma criatura de desejos. O Coelho explicou que para sair do castelo, ela deve escolher qual versão quer ser.
— Qual delas é a verdadeira? — pergunta Alice, olhando para os espelhos.
— Todas — responde o Coelho. — E nenhuma. A pergunta é: qual você quer levar consigo?
Alice olha para os espelhos, que mostram o Gato a possuindo, os gêmeos a usando, a Rainha a humilhando. Ela escolhe a versão que sorri, a que parece livre.
— Eu escolho essa — diz Alice, apontando para o reflexo.
O Coelho assente, e os espelhos começam a tremer. As imagens se quebram, e o salão se transforma em um corredor estreito, que leva a uma porta de madeira escura, com uma maçaneta de cristal.
— Por aqui — diz o Coelho, empurrando a porta.
Do outro lado, o ar fresco da noite. Eles estão fora do castelo, em uma varanda de pedra, com o céu estrelado acima deles. Mas não há tempo para admirar. Gritos ecoam pelos corredores atrás deles — os guardas da Rainha, correndo em sua direção.
— Corra! — grita o Coelho, puxando Alice pela mão.
Mas antes que pudessem descer as escadas, uma sombra imensa bloqueia o caminho. Alice recua, mas o Coelho sorri.
— Grifo — diz, como se fosse um velho amigo.
A criatura diante deles é metade águia, metade leão, com um corpo coberto de penas douradas e pelagem castanha. Seu rosto é humanoide, com olhos amarelos e penetrantes, e um bico curvo como uma adaga. Suas patas dianteiras são garras de águia, e as traseiras, de leão, com unhas que brilham como lâminas.
— Vocês estão atrasados — diz o Grifo, a voz profunda e rouca, como um trovão distante.
— Sim, perdão meu amigo — responde o Coelho, ajudando Alice a subir nas costas do Grifo.
— Vamos?
O Grifo flexiona as asas e, com um salto, decola. Alice grita, não de medo, mas de êxtase, enquanto o vento bate em seu corpo nu, fazendo sua pele formigar. Ela se apega às penas do Grifo, sentindo a textura macia e quente sob seus dedos, o músculo poderoso se movendo a cada batida de asa. — Segure-se — rosna o Grifo, e Alice obedece, pressionando seu corpo nu contra as costas da criatura. Pode sentir cada movimento dos músculos, a respiração profunda do Grifo, o calor que emana dele. É estranho e excitante, como se estivesse montando uma besta selvagem que poderia devorá-la a qualquer momento.
— Eles estão vindo! — grita o Coelho, olhando para trás.
Alice vira a cabeça e vê os guardas da Rainha, cartas com rostos distorcidos, correndo pela varanda, gritando ordens. Um deles atira uma lança, que passa raspando por eles. O Grifo mergulha, e Alice sente o estômago revirar, mas ri, uma risada louca e livre, enquanto o vento aflige seus cabelos.
— Para onde estamos indo? — grita Alice, acima do barulho do vento.
— Para longe daqui — responde o Grifo, sua voz vibrando em seu peito.
— Pelo menos por enquanto.
E então, eles voam, cada vez mais alto, cada vez mais longe, enquanto os gritos dos guardas se perdem no vento.
O Grifo pousa suavemente em uma clareira circular, onde uma porta branca se ergue sozinha, flutuando a alguns centímetros do chão. O ar aqui é diferente — não cheira a terra molhada ou a fumaça de cachimbo, mas a algo limpo e estéril, como se estivesse no limiar entre dois mundos. O Coelho Branco salta das costas do Grifo, ajustando o colete vermelho, enquanto Alice desliza pelo corpo da criatura, sentindo o calor das penas douradas e a textura áspera da pelagem de leão sob seus dedos.
— Esta é a porta — diz o Coelho, apontando para a estrutura simples, sem maçaneta.
— Ela te levará de volta ao teu mundo, Alice. Ao teu jardim, à tua árvore, ao teu livro...
Alice olha para a porta, depois para o Grifo, que flexiona as asas, sacudindo as penas. Seu corpo é imponente — as patas dianteiras, garras de águia, afiadas e poderosas; as traseiras, de leão, musculosas e cobertas por uma pelagem castanha que brilha sob a luz fraca daquele lugar. O peito é largo e forte, coberto por penas douradas que cintilam como ouro líquido. E entre suas pernas, algo se move — uma proeminência que Alice não havia notado antes.
Ela se aproxima do Grifo, passando a mão por seu peito, sentindo o coração bater forte sob as penas. A criatura arqueia as costas, como um gato grande sendo acariciado, e então, deita-se de barriga para cima, expondo o ventre macio e as patas traseiras abertas. Entre elas, um membro grosso e longo emerge, coberto por uma pele escamosa que brilha como madrepérola.
Alice não hesita.
Seus dedos deslizam pela barriga do Grifo, descendo até envolver seu pau. Ele arqueia, surpreso — não por medo ou recusa, mas porque nunca havia sido tocado assim. Nunca havia sido agradecido assim.
— Você me salvou — sussurra Alice, olhando para o membro que cresce em suas mãos, quente e pesado.
— Eu só... só quero agradecer.
O Grifo geme, suas garras se fechando e abrindo em um ritmo involuntário. O Coelho Branco observa de lado, os olhos dourados brilhando com uma mistura de curiosidade e luxúria, enquanto Alice começa a beijar a ponta do pau do Grifo, sua língua circulando a cabeça larga, sentindo o gosto salgado e selvagem, como o mar misturado com mel. — Ahhh — rosna o Grifo, sua voz um misto de advertência e prazer.
— Você não precisa...
— Eu quero — responde ela, abocanhando-o, sentindo o membro inchar em sua boca. O Coelho suspira, sua mão deslizando para dentro de suas calças, enquanto assistia Alice trabalhar no Grifo, que agora respirava pesado, suas garras enterrando-se na terra.
— Por todos os deuses... — o Grifo geme, e Alice acelera os movimentos, sua boca deslizando até a base, engolindo-o por completo. O Coelho suspira, sua mão deslizando para dentro de suas calças, enquanto observa a cena com olhos vidrados.
— Vou... vou... — o Grifo começou a tremer, e então, com um grito abafado, goza, seu sêmen quente e espesso jorrando na boca de
Alice, que engole tudo, sentindo o gosto amargo e doce encher sua garganta.
Ela se afasta, ofegante, o rosto e os seios sujos de sêmen, enquanto o Grifo respira pesado, seus olhos fechados, como se tivesse sido levado a um lugar que nunca imaginara.
— Obrigada — diz Alice, passando a mão em seu peito, sentindo o coração do Grifo bater forte sob suas penas.
O Grifo abre os olhos, olhando para ela com uma mistura de gratidão e espanto.
— Você é... diferente — diz, sua voz rouca.
— Nunca conheci ninguém como você.
O Coelho Branco se aproxima, ajustando o relógio.
— Nós devemos ir — diz, olhando para a porta branca.
— Antes que a Rainha encontre um jeito de nos seguir.
Alice assente, mas antes de se virar, hesita. Olha para a porta, depois para o Coelho.
— E se eu não quiser voltar? — pergunta, sua voz pequena.
O Coelho sorri, seus olhos dourados brilhando.
— Você não pertence a este lugar, Alice — diz, passando um dedo por seu rosto, limpando uma gota de sêmen de sua bochecha.
— Mas eu... eu posso te visitar. Sempre que você quiser.
Alice olha para ele, sentindo algo quente e dolorido no peito.
— Jure — pede.
O Coelho coloca a mão no coração.
— Eu juro — diz, sua voz firme. — Pela minha cauda, pelo meu relógio, pela minha própria loucura. Eu voltarei.
Alice sorri, e então, sem olhar para trás, empurra a porta branca.
Do outro lado, o jardim de sua casa. A macieira, o livro abandonado no chão, a calcinha de renda branca ainda na grama. Tudo como antes.
Mas Alice sabe.
Nada seria igual novamente.
E quando ouve o tique-taque de um relógio vindo de algum lugar entre as árvores, sorri.
Porque ele cumpriu sua promessa.




