Dois meses se passaram. O amor era verdadeiro, mas algo incomodava João no silêncio do quarto real.
Uma tarde, ele encontrou o Gato no pátio dos fundos, longe dos olhos dos criados. O Gato polia suas longas botas de couro com um pano de seda preta, os olhos dourados e semicerrados sob o sol.
— Preciso falar convosco — disse João, a voz baixa, o semblante carregado.
O Gato não levantou os olhos. Continuou o movimento rítmico do pano.
— Dizei, meu senhor.
— A princesa... Isabelle... ela é a mais linda criatura que já vi — desabafou João, sentando-se num barril de carvalho e enterrando a cabeça entre as mãos. — Seus cabelos brilham como ouro, seus olhos são duas safiras, seu corpo parece esculpido pelos deuses. Mas na cama... ela é um deserto, Gato. Um bloco de gelo.
O Gato parou de polir. Levantou os olhos dourados, cujas pupilas verticais estreitaram-se como lâminas.
— Explicai melhor, jovem mestre.
— Ela deita de costas, abre as pernas e espera que eu termine — confessou João, amargurado. — Não geme. Não se mexe. Não pede. Não me olha nos olhos. Parece que estou montando uma estátua de mármore. Casei-me com uma princesa, não com uma boneca de porcelana. Preciso de uma mulher que me deseje, que sangre fogo.
O Gato largou o pano de seda e cruzou os braços/patas sobre o peito coberto de pelos finos e escuros. Um sorriso lento desenhou-se em suas feições, sem jamais alcançar seus olhos frios.
— Quereis, então, que eu ensine vossa altiva mulher a ser possuída como uma fêmea de verdade? Que eu desperte a carne que ela esconde sob os panos reais?
— Isso! — exclamou João, erguendo os olhos, desesperado. — Resolvestes tudo na minha vida. Tirastes-me da miséria e deste-me este castelo. Resolvei isto também, eu vos rogo.
— Terei um preço alto por este tipo de lição, sabeis disso — advertiu o Gato.
— O que quiserdes! Metade do meu tesouro!
— Ajustaremos os detalhes depois — o Gato murmurou, virando as costas. — Esta noite, a lição começará.
Naquela noite, quando o castelo inteiro dormia sob o manto das estrelas, o Gato subiu as escadas de pedra até as instalações da princesa. Bateu três vezes contra a madeira pesada. A porta abriu-se lentamente, revelando Isabelle em sua camisola de seda branca, os cabelos dourados soltos sobre os ombros nus, os olhos azuis arregalados de surpresa.
— Gato? A esta hora? — ela sussurrou, recolhendo-se. — O que houve? Meu senhor corre perigo?
— Preciso falar convosco, senhora. É grave. — O Gato entrou sem pedir licença. Acomodou-se na poltrona de veludo junto à lareira morna, cruzando as pernas calçadas em suas botas pretas.
Isabelle fechou a porta e permaneceu de pé, as mãos entrelaçadas sobre o ventre, confusa e intimidada pelo olhar felino que a despia na penumbra.
— Vosso marido veio falar comigo hoje — começou o Gato, a voz fria como o vento da montanha. — Disse que o casamento de vós é uma farsa silenciosa. Disse que sois bela, mas que vosso corpo é morto. Ele se sente deitando-se com um cadáver de mármore.
O rubor subiu instantaneamente do colo de Isabelle até as bochechas, manchando a pele alva.
— Como ele ousa... como ele ousa expor nossa intimidade a um... a vós? — ela gaguejou, ultrajada.
— Ele ousa porque eu sou a mente por trás da coroa dele — cortou o Gato, a voz mansa, porém cortante. — E agora vou resolver isto também. Quereis salvar vosso casamento e manter o trono, ou quereis que ele se canse de vossa frieza e encha este lugar de concubinas da taverna?
A princesa calou-se. As mãos tremiam contra o tecido da camisola. Ela olhou para o chão, engolindo o orgulho, e depois ergueu os olhos azuis cheios de lágrimas contidas.
— Quero salvá-lo. Mas não sei o que fazer... a corte sempre me ensinou que o prazer é uma torpeza.
— Então fareis exatamente o que eu mandar. Sem perguntas. Sem julgamentos. Confiais em mi?
Ela hesitou por longos segundos. Os lábios rosados tremeram antes de ceder.
— Confio.
— Boa menina. Agora deitai-vos na cama.
Isabelle obedeceu. Deitou-se de costas na imensa cama de dossel, os cabelos dourados espalhando-se sobre o travesseiro de plumas. O tecido fino subiu pelas suas coxas lisas. Ela tremia como uma folha. O Gato levantou-se, caminhou até a beira do colchão e olhou-a de cima, as mãos para trás, sem tocá-la.
— Abri as pernas. Mostrai-me o deserto de que João reclama.
Envergonhada, ela afastou os joelhos, revelando a nudez oculta sob o véu de seda.
— Olhai para mim — ordenou o Gato. — Quero ver vossos olhos enquanto vossa mente aprende. Agora, passai a vossa própria mão entre vossas pernas.
— Gato, por favor... — ela implorou.
— Fazei o que eu digo! Senti o próprio calor. Afastai o pano.
Com os dedos trêmulos, Isabelle obedeceu. O toque de seus próprios dedos na pele rosada fez brotar uma umidade que ela jamais se permitira conhecer.
— Tocai-vos. Devagar. Em círculos — comandou o Gato, a voz hipnótica.
Um gemido baixo e involuntário escapou dos lábios da princesa. Seus olhos azuis ficaram vidrados, fixos nas pupilas douradas do ser à sua frente.
— Mais devagar. Senti o vosso corpo respondendo. Isso... agora parai.
Ela travou o movimento, ofegante, o peito subindo e descendo rapidamente.
— Isso que sentistes agora é apenas uma faísca do que sentireis amanhã, com ele dentro de vós — sussurrou o Gato, inclinando-se. — E comigo assistindo. Será a noite mais libidinosa da vossa existência. Agora, virai-vos de quatro.
Quebrada em sua dignidade, Isabelle virou-se de joelhos, apoiou as mãos no colchão e arqueou as costas. A camisola subiu até a cintura, expondo suas curvas brancas à luz das velas.
— Baixai a cabeça no travesseiro. Empinai o quadril. Assim... perfeita. Pareceis uma cortesã de província. É assim que ele quer vos ver. Agora, movei o quadril. Treinai o ritmo.
Ela moveu-se, desajeitada a princípio, mas logo cedendo ao comando.
— Ficai assim por cinco minutos na escuridão. Pensai no que vos espera. Depois, dormi. — O Gato virou-se e saiu, deixando-a sozinha naquela postura, contando os minutos no silêncio do quarto real.
Na noite seguinte, o Gato transformou o quarto do casal em um cenário de ritual. Velas foram espalhadas por toda parte, fazendo as sombras dançarem nas paredes de pedra. Uma poltrona foi posicionada de frente para a cama, como uma cadeira de teatro, onde o Gato sentou-se com uma taça de vinho tinto na mão.
João e Isabelle entraram. Ele estava nu, exibindo o corpo jovem e forte de camponês. Ela também estava nua, com os longos cabelos dourados caindo sobre os seios fartos, a pele brilhando sob o calor das chamas. Embora tremesse, os olhos azuis da princesa buscavam fixamente os do Gato.
— Deitai-vos de costas — comandou a criatura da poltrona.
Isabelle deitou-se.
— Abri as pernas. Mostrai-vos ao vosso senhor.
Ela separou as coxas, revelando-se já úmida pelo tremor da expectativa. João engoliu em seco, maravilhado.
— João, aproximai-vos. Passai a mão nela — instruiu o Gato. — Senti como ela está molhada? Isso é porque ela passou as últimas horas ansiando por este momento. Olhai para mim, Isabelle. Enquanto ele vos possuir, olhareis apenas para mim. Se desviardes o olhar, eu farei ele parar. Combinado?
Ela assentiu com a cabeça. João subiu na cama, posicionou-se e penetrou-a devagar. Isabelle soltou um gemido alto, agudo, mantendo os olhos cravados nos do Gato.
— Mais devagar, João. Deixai que ela sinta cada polegada — orientava o Gato, bebericando o vinho. — Agora, acelerai... Parai!... Acelerai de novo.
João seguia as ordens como um soldado. Quando o Gato ordenou que ele parasse completamente, Isabelle arqueou o quadril num espasmo de frustração, buscando o preenchimento.
— Gostastes, princesa? — perguntou o Gato, levantando-se e caminhando até a cabeceira. — O que dizeis ao vosso marido? Dizei: "Por favor, possuí-me."
— Por favor... possuí-me — ela repetiu, a voz trêmula.
— Mais alto! Que o quarto inteiro ouça!
— POR FAVOR, POSSUÍ-ME! — ela gritou.
O Gato sorriu e fez o sinal para que João continuasse. Enquanto o moleiro a possuía com vigor, o Gato estendeu a mão e apertou o mamilo rosado de Isabelle, intensificando o transe.
— Agora, virai-vos de quatro — comandou o Gato.
João retirou-se a contragosto. Isabelle mudou de posição instantaneamente, exatamente como havia treinado. O Gato posicionou-se logo atrás dela, espalmando a mão na nádega branca da princesa, apertando-a com força.
— Olhai para mim por cima do ombro, senhora.
Ela olhou, os olhos azuis transbordando uma mistura de luxúria e submissão.
— Agora, João, entrai por trás. Tomai-a como a mulher que ela aprendeu a ser.
O ato consumou-se no ápice do barulho e dos gemidos. Sob o comando final do Gato, ambos atingiram o clímax juntos, com Isabelle cravando os dedos nos lençóis e gritando de puro êxtase, enquanto João caía exausto ao seu lado.
As semanas passaram como folhas ao vento. O Gato continuou treinando Isabelle a sós. Ensinou-a a ficar de quatro por horas, até a musculatura doer. Ensinou-a a se tocar na frente dele, abrindo-se e mostrando-se até gozar sob seu olhar frio. Ensinou-a a se ajoelhar, de cócoras, de bruços, cada posição mais submissa que a anterior, quebrando sua altivez real.
Ela aprendia rápido. O corpo branco ficava mais ágil, mais solto. Os olhos azuis perdiam a inocência aristocrática e ganhavam um brilho carnal profundo.
No entanto, uma noite, João chamou o Gato em um canto do pátio.
— Melhorou muito, meu amigo — disse o moleiro, pensativo. — Mas ainda parece... um teatro ensaiado. Ela faz tudo o que peço, mas sinto que falta uma faísca de perversão real. Falta a luxúria que nasce da vontade própria, não apenas da obediência mecânica.
O Gato compreendeu imediatamente. A mente da princesa fora moldada, mas sua alma nobre ainda precisava ser corrompida. Faltava sujar a realeza.
— Deixai comigo — respondeu o Gato. — Mas desta vez, não podereis saber o que vai acontecer. Prometeis não fazer perguntas?
João, confiando cegamente no ser que lhe dera tudo, acordou.
— Prometo.
Na noite seguinte, o Gato conduziu Isabelle para fora dos muros do castelo. Ela vestia um traje simples de camponesa, sem joias, sem coroa, com os cabelos dourados escondidos sob um capuz rústico. Caminharam pelas ruas de paralelepípedo até uma taverna decrépita na parte baixa da cidade. O fedor de cerveja azeda, tabaco barato e suor humano batia antes mesmo de cruzar o portal. Homens rudes e ébrios jogavam dados e paravam para cobiçar qualquer silhueta que entrasse.
O Gato levou-a diretamente para um quarto nos fundos. Uma cama de palha seca, uma vela queimando num canto, uma bacia de água turva. Nenhum luxo. Nenhuma dignidade.
— Tirai a roupa — ordenou o Gato.
Ela obedeceu. O vestido grosseiro caiu no chão de terra batida. Ela ficou inteiramente nua, a pele alva brilhando na penumbra, os seios fartos, a nudez exposta entre as coxas lisas. Cruzou os braços na frente do corpo, tremendo.
— Abaixai os braços. Não tendes do que vos envergonhar. Vosso corpo é belo, mas é inútil se não souberdes usá-lo com audácia.
O Gato saiu, deixando-a sozinha por cinco minutos de pura agonia silenciosa. Quando a porta rangeu novamente, ele retornou. Atrás dele, vinha um soldado da guarda real de baixa patente: um homem grande, barbudo, com a cara vermelha pelo álcool e as mãos sujas de graxa das armaduras.
— O que é isto?... — ela perguntou, o pânico travando sua garganta. — Gato, por favor...
O Gato aproximou-se e segurou seu queixo com os dedos firmes e frios.
— Vossa primeira aula prática de libertinagem. Quereis salvar vosso casamento? De quatro na palha.
Isabelle congelou, mas o medo da ruína e o poder psicológico que o Gato exercia sobre ela a fizeram ceder. Ela ajoelhou-se na palha suja, apoiou as mãos na terra e arqueou as costas, empinando o quadril e expondo sua nudez.
Ela parecia se o animal não o gato, pois ficava nas posições como ele mandava.
— Agora ele vai vos possuir — disse o Gato, afastando-se para o canto do cômodo. — E vós ficareis quieta. Recebereis. Aprendereis a ser submetida por um homem que não se importa com vossa coroa.
O soldado soltou um riso bêbado e grosseiro. Subiu na cama atrás dela, cuspiu na própria mão e a penetrou sem qualquer delicadeza. Isabelle soltou um gemido agudo de dor e surpresa, seus dedos cravando-se na palha.
O Gato ajoelhou-se bem à frente dela, segurando seu rosto, forçando-a a erguer os olhos.
— Olhai para mim, Isabelle. Relaxai. Deixai-o fazer o trabalho bruto. Vós só precisais não resistir. É assim que se aprende a receber o prazer da carne sem as barreiras do orgulho.
O soldado possuiu-a com força, sem pressa, as mãos sujas apertando a cintura alva da princesa. Ela chorou baixo, mas obedeceu. Não resistiu. Deixou-se corromper. Quando o homem grunhiu e descarregou seu sêmen dentro dela, ela tremeu por inteiro.
— Levantai-vos. Próximo — ordenou o Gato, frio.
Com as pernas bambas, Isabelle limpou o rosto. O Gato abriu a porta e trouxe o segundo soldado. Este era mais jovem, mais magro, com olhos que faiscavam malícia pura.
— De bruços. Quadril elevado — comandou o Gato.
Ela obedeceu instantaneamente, deitando-se na palha. O jovem guarda montou-a por trás, puxou-lhe os cabelos dourados com força e possuiu-a com movimentos rápidos e agressivos. Isabelle já não chorava; seus gemidos agora saíam mais soltos, misturando dor e uma eletricidade carnal que começava a dominá-la.
— Terceiro — anunciou o Gato assim que o segundo se retirou.
O terceiro soldado era um veterano musculoso, o peito visível marcado por cicatrizes de batalhas. O Gato mandou Isabelle ficar de cócoras na beira da cama de palha, com as pernas totalmente abertas.
— Abri-vos com as próprias mãos. Mostrai tudo.
Dominada pelo transe da submissão, ela obedeceu. Os dedos abriram os lábios de sua intimidade, revelando-se completamente ao homem. O soldado tomou-a de frente, segurando firmemente suas coxas brancas, encarando-a nos olhos. Durante todo o ato, Isabelle manteve seu olhar fixo no do Gato, sem desviar, absorvendo a quebra definitiva de sua pureza.
Quando o terceiro soldado terminou e saiu, o quarto da taverna mergulhou em um silêncio pesado. Isabelle estava sentada na palha, nua, suja de suor e fluidos, os cabelos dourados grudados ao rosto, os olhos vermelhos.
O Gato aproximou-se e ajoelhou-se à frente dela na terra batida. Abriu as calças de couro, revelando sua virilidade ereta.
— Desta vez é diferente, Isabelle — sussurrou ele, a voz hipnótica. — Não fareis porque eu mandei. Fareis porque vossa mente agora compreende. Quereis agradar vosso marido. Quereis dominar a arte do leito.
A princesa abriu os lábios. Envolveu a virilidade do Gato com uma vontade e uma técnica que transcendiam qualquer lição anterior, movendo a língua com uma fome nova e selvagem. O Gato gemeu baixo, aprovando a audácia da nova mulher que criara, e descarregou sua semente na boca dela. Ela engoliu tudo, encarando suas pupilas douradas.
O Gato ajeitou suas vestes e limpou as botas.
— Pronto. Agora sabeis tudo o que precisais.
Antes do amanhecer, o Gato a trouxe de volta ao castelo. A lua ainda estava alta quando pararam diante dos portões de ferro.
— Amanhã à noite, fareis exatamente o que aprendestes aqui com vosso marido. Mesmas posições. Mesma entrega selvagem — instruiu o Gato. — Mas lembrai-vos: nunca contareis a ele o que aconteceu nesta taverna. Esta noite morre aqui. Entendestes?
— Entendi — ela respondeu, a voz agora firme, despida de qualquer hesitação.
— Se ele perguntar de onde vem tamanha luxúria, dizei que lestes num livro antigo, ou que sonhastes. Mas meu nome não deve ser envolvido.
Ela assentiu, virou-se e entrou nos aposentos.
Na noite seguinte, João encontrou o Gato no pátio interno. O jovem senhor de terras tinha os olhos arregalados, as mãos trêmulas de puro assombro e entusiasmo.
— Meu Deus, Gato! O que fizestes com aquela mulher? — exclamou João, agarrando os ombros do conselheiro. — Ela entregou-se a mim como... como uma cortesã experiente! Abriu as pernas, gemeu, comandou o leito! Eu nunca vi ela assim em toda a minha vida. Ela parecia uma puta perfeita! De onde veio aquilo?
O Gato de Botas sorriu ladino, agachando-se para lavar suas botas de couro em um balde de água limpa.
— Eu apenas lhe dei um livro, meu senhor.
— Que livro? Por Deus, não se acham mais obras assim!
— Um tomo muito antigo. Raro. Não se comercializa mais — respondeu o Gato, dando um tapinha condescendente nas costas do moleiro.
João riu, extasiado, e caminhou de volta para o interior do palácio, ansioso por mais uma noite de paixão.
O Gato permaneceu no pátio. Ele ergueu os olhos dourados em direção à torre mais alta do castelo. Uma luz suave brilhava na janela do quarto real. Ali, silhueta contra as chamas das velas, Isabelle observava o pátio lá embaixo. Seus cabelos dourados flutuavam ao vento da noite.
Ela olhou fixamente nos olhos do Gato. Ela sabia o preço de sua coroa. Ele sabia o segredo de sua carne.
O mistério permaneceu trancado entre os dois, e o reino próspero dormiu em paz, sob o manto eterno das estrelas.




