Sua única verdade era Gothel, a mulher que a chamava de filha e que subia todas as noites pela trança de ouro, trazendo o mundo exterior em histórias mastigadas. Rapunzel a amava com a devoção cega dos prisioneiros.
Naquela noite, contudo, o silêncio da torre parecia mais espesso.
— Mãe? — Rapunzel perguntou, a voz pequena, um sussurro no escuro, quando viu Gothel soltar as amarras do vestido. O tecido pesado caiu ao chão como as pétalas de uma flor murcha.
— Por que a senhora se despe diante do frio?
Gothel sorriu, a pele madura brilhando à luz trêmula das velas.
— Porque hoje você vai aprender o que é ser mulher, minha flor.
— Mas… — Rapunzel mordeu o lábio inferior, as mãos juntas ao peito.
— Eu já sou mulher, não sou? A senhora mesma disse que meu corpo floresceu.
— Cresceu a carne, mas não a alma. — Gothel aproximou-se, suas mãos frias emoldurando o rosto jovem da filha, os polegares acariciando as bochechas quentes.
— Deixe sua mãe lhe ensinar os mistérios do jardim.
Rapunzel cedeu. Sempre cedia. Havia uma santidade inquestionável nos comandos daquela mulher.
Gothel a conduziu até o leito de palha e penas. Com uma lentidão cerimonial, afastou as pernas da jovem, abrindo-as como quem abre as páginas de um livro sagrado e proibido.
— Olhe — murmurou Gothel, apontando para o próprio corpo nu, exposto à penumbra.
— Veja a arquitetura de sua mãe. Veja o solo de onde você brotou.
Rapunzel olhou, os olhos arregalados, a respiração presa na garganta. Era um território desconhecido, um segredo sob a carne.
— Mãe… isso… isto não é pecado? — a voz tremeu, uma corda esticada.
— A senhora sempre disse que os olhos de Deus tudo veem.
Gothel riu baixinho, um som aveludado que flutuou pelo teto arqueado da torre.
— Deus está ocupado governando os reis, minha flor. E sua mãe está aqui.
Ela tomou a mão trêmula da jovem e a guiou pelo ventre macio, descendo até a umidade oculta.
— Sinta. Sinta o calor que a gerou. Isto não é pecado. É o amor em seu estado mais puro.
Os dedos de Rapunzel moveram-se por puro instinto, impulsionados pela curiosidade e pelo comando. A textura era quente, viva, estranha.
— Agora — Gothel sussurrou, deitando-se ao lado dela, as coxas abertas como asas de uma ave noturna.
— Beije sua mãe. Ali. Onde nenhum príncipe jamais ousará tocar.
— Beijar? — Rapunzel franziu a testa, o coração batendo contra as costelas.
— Mas mãe… ali não há lábios de fala…
— É a outra boca, minha flor. A boca que silencia o mundo e que só pertence a nós duas.
Rapunzel hesitou. Olhou para o rosto da mãe, banhado por uma doçura magnética. Olhou para a penumbra entre as pernas dela, o véu de pelos dourados que imitava os seus. Parecia errado; um nó apertava seu estômago. Mas a mãe era a dona da verdade.
A jovem desceu.
O primeiro toque de seus lábios foi tímido, seco. Gothel soltou um gemido baixo, profundo, e suas mãos longas enroscaram-se desesperadamente nos cabelos de ouro da filha, prendendo-a ali.
— Isso… use a língua, minha flor… colha o mel…
Rapunzel obedeceu. Sua língua encontrou a carne macia e úmida. Um sabor ferroso, salgado, completamente novo. Ela não compreendia o motivo dos gemidos da mãe, nem por que as mãos de Gothel puxavam seu couro cabeludo com tanta urgência, mas continuou. Sorveu, guardou o gosto, alimentou-se do prazer alheio como se fosse o seu próprio dever sagrado.
— Mãezinha… — murmurou contra a pele quente.
— Está correto? A senhora encontra paz assim?
— Sim, sim… continue, minha flor… não pare…
Quando Gothel arqueou o corpo e estremeceu, o som que ecoou pela torre foi como o canto de uma sereia moribunda. Logo depois, com os olhos ainda nublados, ela virou o corpo de Rapunzel, fazendo-a deitar de costas.
— Agora é a sua vez.
— Minha vez de quê, mãe?
A resposta não veio em palavras. A cabeça de Gothel desceu entre as pernas da jovem. O primeiro toque de sua língua fez Rapunzel soltar um grito agudo.
Não de dor. De susto. De uma eletricidade violenta que ela não sabia nomear.
— Mãe! Mãe, o que é isso? Está… está queimando… meu corpo não me pertence!
— É o prazer, minha flor. Deixe que sua mãe desate os seus nós.
E Gothel persistiu. Sua boca moldou-se à inocência da filha, sugando e pressionando com a experiência de quem domina um instrumento antigo. Rapunzel arqueou as costas, os dedos cravando-se nos lençóis ásperos, os olhos inundados por uma mistura de lágrimas, confusão e êxtase.
— Mãezinha… eu não entendo… mas não pare… por favor, não pare…
— Nunca, minha flor. Nunca mais.
Quando o ápice desabou sobre ela, Rapunzel acreditou piamente que a morte havia entrado pela janela. O corpo convulsionou, a visão apagou-se por um segundo e um som ancestral rasgou sua garganta — o primeiro grito de gozo daquela torre isolada do mundo.
Instantes depois, Gothel a puxou para o peito, os corpos colados pelo suor.
— Agora, minha filha, dancemos juntas. Deite-se ao contrário. Boca na boca.
Trêmula, exausta e com a mente fragmentada, Rapunzel obedeceu. Inverteu a posição no leito, o rosto mergulhado na intimidade da mãe, sentindo o hálito quente de Gothel contra a sua própria pele ainda pulsante.
— Assim… — a voz de Gothel era um feitiço. — Alimente-se de mim enquanto eu colho o seu fruto.
E no compasso daquela noite eterna, a torre transformou-se num casulo de sons abafados e humores compartilhados.
— Mãe… — a voz de Rapunzel ecoava abafada, perdida entre as coxas de Gothel.
— Isso é o amor?
— É o único amor que existe para você, minha flor.
Rapunzel não alcançou a resposta com a razão. Mas seu corpo, já corrompido e domesticado, entendeu o suficiente para continuar. Lamberam-se, sugaram-se e perderam-se uma na outra até que o último espasmo as unisse, os corpos entrelaçados e colados como os fios de cabelo que as isolavam do resto dos homens.
Lá fora, a lua fria iluminava a copa das árvores. Lá dentro, a inocência morria devagar, noite após noite, enredada nos mesmos fios dourados que prendiam a jovem ao topo do mundo.



