Irmandade deliciosa

O relógio de parede da sala de estar batia as três da tarde, mas para nós, o tempo sempre operava em outra frequência.

— Se você continuar olhando para a porta desse jeito, vai acabar abrindo um buraco nela — disse Célia, a voz carregada de um sarcasmo que escondia a urgência.

Ela estava sentada no sofá de couro, as pernas cruzadas, vestindo um robe de seda que mal escondia a expectativa. Mário, meu irmão, estava parado ao lado da janela, observando a rua deserta do condomínio. Nós três tínhamos vidas montadas: casas separadas, cônjuges que acreditavam em nossa "união fraternal inabalável" e filhos que nos viam como o exemplo de família perfeita. Mas havia um segredo que nos mantinha ligados por um fio invisível e elétrico, algo que nasceu nos verões abafados da nossa adolescência, quando as portas dos quartos eram trancadas e a curiosidade superava qualquer tabu.
— A minha esposa acha que estou em uma reunião de condomínio — Mário comentou, virando-se para nós. Seus olhos brilhavam com a mesma fome de vinte anos atrás. — E você, João?

— Minha mulher dorme como um anjo depois do remédio para ansiedade — respondi, aproximando-me de Célia.

O beijo começou antes mesmo de eu chegar ao sofá. Foi um encontro bruto, faminto. Célia soltou um gemido baixo, as mãos puxando meu cabelo enquanto Mário se posicionava atrás dela, as mãos grandes apertando as coxas da irmã com uma possessividade que só nós entendíamos.

Não havia espaço para a delicadeza. O desejo entre nós era visceral, quase animal, alimentado pelo risco e pelo proibido. Mário puxou o robe de Célia, expondo a pele pálida ao ar condicionado da sala. Ele a penetrou por trás, com força, enquanto eu me ajoelhava diante dela, preenchendo sua boca com a minha língua, sentindo o gosto do pecado e da familiaridade.

O som dos corpos colidindo era o único ritmo daquela sala. Célia arqueava as costas, os olhos revirando, dividida entre a força de Mário e a minha urgência. Eu deslizava as mãos por suas curvas, subindo para os seios, apertando-os enquanto ela soltava gritos abafados contra o meu peito.
Houve um momento em que nossos olhares se cruzaram — eu e Mário — acima da cabeça de Célia. Não havia julgamento, apenas um reconhecimento mútuo de que ninguém mais no mundo poderia nos satisfazer daquela maneira. A conexão de sangue transformava o sexo em algo transcendente, uma espécie de volta ao útero, onde as regras da sociedade não existiam.

Eu me posicionei atrás de Mário, sentindo o calor do corpo dele, enquanto ele continuava a mover-se dentro de Célia. A fricção, o suor compartilhado, a respiração pesada sincronizada. Quando o ápice chegou, foi como uma explosão coordenada. Célia gritou o meu nome e o de Mário em um único sopro, enquanto nós dois desmoronávamos sobre ela, exaustos e satisfeitos.

Ficamos ali, em silêncio, sentindo o coração um do outro bater contra a pele.

— Precisamos ir — disse Célia, recuperando a voz, enquanto se levantava para ajeitar o robe. — Tenho um jantar com as amigas às sete.

Limpamos a pele, vestimos nossas roupas de "homens de família" e "mulher virtuosa". Beijamos as testas uns dos outros, um gesto quase inocente, antes de sairmos por portas diferentes.

Ao entrar no meu carro, olhei pelo retrovisor. Éramos três estranhos para o mundo, mas, na escuridão daquela sala, éramos a única verdade que conhecíamos.

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Comentários


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kabel-74 Comentou em 21/07/2026

Que trio bom de mais




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Ficha do conto

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lampiao69

Nome do conto:
Irmandade deliciosa

Codigo do conto:
267804

Categoria:
Incesto

Data da Publicação:
20/07/2026

Quant.de Votos:
11

Quant.de Fotos:
5