Eu estava encostado na cômoda, ainda com a camisa social semiaberta. Mário não esperou. Ele avançou, agarrando a gola da minha camisa e me puxando para um beijo que não tinha nada de fraternal. Era um beijo de posse, carregado de uma agressividade latente, as línguas lutando por espaço, o gosto de café e urgência.
Ele me empurrou contra a madeira da cômoda, o impacto fazendo os perfumes e frascos de vidro chacoalhar. Minhas mãos desceram freneticamente para a cintura dele, puxando-o para mais perto, sentindo a rigidez do seu desejo contra a minha coxa.
— Eu cansei de fingir que isso só acontece quando ela está no meio — ele sussurrou contra o meu pescoço, as mordidas curtas e precisas deixando marcas que eu teria que esconder com a gola da camisa no dia seguinte.
Mário ajoelhou-se rapidamente, o movimento brusco e decidido. Quando ele abriu minha calça, o ar frio do quarto contrastou com o calor súbito de sua boca. A sensação foi devastadora. Eu fechei os olhos, a cabeça jogada para trás, sentindo cada sucção, cada movimento da língua dele, que conhecia exatamente onde apertar. Eu soltei um gemido baixo, as mãos enterradas nos cabelos dele, puxando-o para cima, incapaz de suportar a distância.
Nós nos jogamos na cama, um emaranhado de membros e respirações ofegantes. Não havia a delicadeza de um primeiro encontro, mas a brutalidade de quem já se conhecia em todas as camadas. Mário se posicionou sobre mim, seus olhos fixos nos meus, buscando a confirmação de que eu queria aquilo tanto quanto ele.
— Olhe para mim, João — ele comandou.
Eu olhei. E então, ele me penetrou.
O choque inicial da invasão foi seguido por uma onda de prazer visceral. Era diferente de qualquer coisa; havia uma simetria quase assustadora na forma como nossos corpos se encaixavam, como se fôssemos versões espelhadas um do outro. Eu arqueava as costas, as unhas cravando nos ombros dele, enquanto o ritmo se tornava frenético. O som da pele batendo contra a pele, o suor que nos tornava escorregadios, a respiração que se fundia em um único som animal.
Cada estocada era como se estivéssemos quebrando mais um tabu, demolindo mais uma parede daquela imagem de "irmãos perfeitos" que vendíamos ao mundo. Eu sentia o peso dele, a força de seus braços me prendendo ao colchão, e a intensidade do que sentíamos era tão esmagadora que chegamos a chorar, não de tristeza, mas de um alívio violento.
Quando o orgasmo nos atingiu, foi simultâneo, um espasmo que nos deixou sem fôlego, tremendo sob os lençóis bagunçados. Ficamos ali, emaranhados, o peito subindo e descendo em sincronia.
Mário encostou a testa na minha, o olhar agora calmo, mas ainda possessivo.
— Agora não tem mais volta — ele murmurou.
— Nunca houve volta — respondi, sentindo o gosto do pecado ainda fresco na boca.
Lentamente, nos levantamos. O ritual de "limpeza" começou: as toalhas, o banho rápido, a reconstrução das máscaras. Vestimos nossas roupas, ajustamos as horas nos relógios e voltamos a ser os homens que o mundo esperava que fôssemos.
Mas, ao sairmos
encontramos Célia.
Ela estava encostada na parede do corredor, os braços cruzados e um sorriso enigmático nos lábios. Seus olhos saltaram de Mário para mim, captando cada detalhe: a respiração ainda pesada, o cabelo desalinhado, o cheiro inconfundível de sexo que emanava de nós dois.
Explicamos a situação, as palavras saindo truncadas, a tentativa patética de justificar a urgência que nos levou ao quarto. Mas, para nossa surpresa, Célia não gritou, não questionou e, muito menos, ficou chocada. Pelo contrário, ela soltou uma risada baixa, quase melodiosa, e caminhou até nós, colocando-se entre os dois.
— Vocês realmente acharam que eu era a única a notar a tensão elétrica entre vocês dois enquanto eu estava no meio? — Ela passou a mão pelo peito de Mário e depois pelo meu, com um olhar de quem finalmente via a última peça de um quebra-cabeça se encaixar. — Já estava na hora. Ficaria cansativo demais ter que ser a única ponte para esse desejo.
A reação dela não apenas legitimou o que havíamos feito, mas incendiou a atmosfera. A surpresa deu lugar a uma nova camada de excitação: a de que agora, não havia mais segredos entre nós três. O círculo estava completo.
Entramos novamente no quarto, mas desta vez não havia pressa de esconder nada. O clima era de celebração do proibido. Pegamos os celulares e, em uma coordenação quase teatral, ligamos para os nossos cônjuges. Inventamos desculpas rápidas — uma reunião que se estendeu, um imprevisto no caminho, um cansaço súbito que exigia mais algumas horas de repouso. Mentiras que deslizavam pelas nossas línguas com a facilidade de quem já domina a arte do disfarce.
Assim que os aparelhos foram desligados e jogados em um canto qualquer da sala, o mundo exterior deixou de existir.
A noite que se seguiu foi um mergulho profundo e caótico na luxúria. Não houve mais a cautela do início; era um sexo louco, faminto, movido por anos de repressão e pela nova liberdade de sabermos que éramos cúmplices absolutos.
O 69 tornou-se a nossa geometria favorita. Em vários momentos daquela noite, Célia e eu nos invertíamos, nossas bocas encontrando o centro um do outro em um espelhamento perfeito de prazer, enquanto Mário, posicionado atrás dela, mantinha o ritmo frenético, unindo-nos em um único bloco de carne e desejo. A sensação de ter Mário e Célia ao mesmo tempo, sentindo a pele de um e o sabor do outro, era inebriante.
Houve momentos de ternura bruta, beijos longos que sabiam a suor e pecado, e o amor que sentíamos — aquele amor distorcido, visceral e own-nothing — transbordava em cada gemido. Nós nos exploramos sem limites, testando cada ângulo, cada profundidade, enquanto o som dos nossos corpos colidindo ecoava pelo quarto, transformando o silêncio da casa de campo em um orquestra de prazer.
Quando o sol começou a ameaçar a linha do horizonte, ainda estávamos envoltos nos lençóis, exaustos, com a pele marcada por unhas e mordidas. Olhamos uns para os outros, sabendo que, ao cruzarmos a porta daquela casa, voltaríamos a ser os estranhos perfeitos. Mas, enquanto estivéssemos ali, éramos a única verdade possível.





Adoraria ser assim com meu casal de irmãos Excelente conto