Ela riu, um som que não combinava com a imagem de serenidade que ela mantinha no coro da igreja. "O segredo, Lucas, é que ninguém espera que a 'santinha' do grupo tenha segredos."
Tudo começou três semanas depois que Lucas assinou os papéis do divórcio. Ele se sentia como um prédio demolido, tentando encontrar sentido nos escombros. O encontro com Beatriz foi um acidente geográfico: ambos estavam na mesma loja de conveniência, buscando algo banal, quando um esbarrão desajeitado perto da prateleira de vinhos fez com que os olhares se travassem.
Beatriz era a personificação da virtude. Olhos doces, voz suave e aquele corpo que, embora discretamente escondido por cortes modestos, possuía curvas que faziam o imaginário de qualquer homem trabalhar horas extras. Aquele esbarrão, porém, desencadeou uma eletricidade que nenhum dos dois conseguiu ignorar. O convite para um café virou um convite para entrar no apartamento dela, e o café esfriou na mesa enquanto eles se devoravam no corredor.
Ali, Lucas descobriu que a fé de Beatriz não anulava o desejo; ela o potencializava.
A primeira tarde foi uma revelação. No momento em que ele a despiu, percebeu que a "santinha" guardava um apetite voraz. Ela não queria apenas ser possuída; ela queria explorar cada centímetro dele. O sexo tornou-se intenso, urgente, como se estivessem compensando anos de repressão.
As noites que se seguiram viraram um ritual de descoberta. A penetração vaginal era profunda, ritmada, preenchendo o vazio que Lucas sentia no peito com a sensação física de estar vivo novamente. Eles se perdiam em gemidos abafados contra o travesseiro, onde a pele suada grudava e o tempo parecia parar.
Mas foi na exploração do proibido que a química deles realmente explodiu. Beatriz, movida por uma curiosidade ardente, quis ir além. A primeira tentativa de sexo anal foi lenta, marcada por suspiros de apreensão e algumas dificuldades iniciais. Houve tensão, houve a necessidade de pausar, de usar mais lubrificante, de respirar fundo. Mas a persistência e a confiança mútua transformaram a dificuldade em um triunfo sensorial. Quando finalmente aconteceu, o prazer foi tão agudo que ambos desmoronaram um no outro, exaustos e satisfeitos.
E então havia o 69. Para eles, aquela posição tornou-se um delírio. Era o equilíbrio perfeito entre dar e receber, onde Lucas podia admirar a beleza escultural de Beatriz enquanto se perdia no sabor dela, e ela se entregava completamente ao prazer de satisfazê-lo.
Enquanto o mundo os via como dois amigos discretos nos bancos da igreja, entre hinos e orações, eles compartilhavam um segredo visceral. O consolo que Lucas procurava não estava na fé, mas no calor da pele de Beatriz, na intensidade de cada estocada e na descoberta de que a pureza e a safadeza podem, sim, habitar o mesmo corpo.




Uma amiga dessa vale ouro