Quando Beatriz entrou, o ar parecia ter sido substituído por eletricidade. Rui não estava na cama; ele estava encostado no canto oposto do quarto, os braços cruzados sobre o peito, os olhos escuros fixos nela com uma intensidade predatória. Ele não se moveu para abraçá-la. Ele nem sequer sorriu.
— Tire a roupa — ele ordenou, a voz rouca, vibrando no centro do peito dela. — Tudo.
Beatriz obedeceu, sentindo o olhar dele como se fosse um toque físico, descendo por cada curva, cada centímetro de pele exposta. Quando ela ficou nua, vulnerável sob a luz âmbar do fim de tarde, ele finalmente falou.
— Vamos fazer um jogo, Bia. Eu vou deixar você sentir tudo o que quiser. Você pode se tocar, pode se perder no que sente... mas eu não vou encostar um dedo em você até que você implore da maneira correta. E eu sou muito rigoroso com a etiqueta do meu pedido.
Ela sentiu um calafrio percorrer a espinha. A distância entre eles era curta, mas parecia um abismo intransponível.
— Comece — ele comandou, a voz agora mais baixa, quase um sussurro. — Mostre-me como você está querendo isso.
Beatriz hesitou por um segundo, mas a vontade era maior que a vergonha. Ela deslizou as mãos pelos próprios quadris, subindo lentamente para os seios, apertando os mamilos já rígidos enquanto mantinha os olhos cravados nos dele. Ela começou a se tocar, dedos deslizando para baixo, encontrando a umidade que já a inundava. Ela soltou um gemido baixo, fechando os olhos, mas a voz de Rui a trouxe de volta, cortando o silêncio como uma lâmina.
— Não feche os olhos. Olhe para mim enquanto você se abre. Quero ver cada tremor.
Ela obedeceu, a respiração curta, os dedos trabalhando freneticamente naqueles pontos sensíveis. Enquanto ela se perdia no próprio ritmo, Rui começou a descrever, com uma precisão cruel e excitante, o que faria.
— Quando eu finalmente chegar até você — ele começou, a voz densa — eu não vou começar com delicadeza. Vou começar abrindo cada orifício seu com a ponta dos meus dedos, sentindo você apertar e lutar contra a invasão. Vou lamber cada dobra, cada fenda, até você não saber mais onde termina a minha língua e onde começa a sua pele. E depois, vou empurrar tudo para dentro. Sem pressa. Quero sentir você se expandindo, sentindo a pressão do meu membro preenchendo aquele espaço apertado, forçando você a aceitar cada centímetro até que você sinta que não cabe mais nada no mundo além de mim.
Beatriz estava em chamas. A descrição visceral, a promessa de preenchimento e a tortura da espera a levaram ao limite. Ela começou a se arquear, a mão movendo-se mais rápido, o corpo implorando pelo impacto real, pelo peso, pela carne contra a carne.
— Por favor... Rui... — ela sussurrou, a voz quebrada.
— Não é assim — ele rebateu, a voz fria, embora seus olhos estivessem injetados de desejo. — Implore do jeito certo. Diga exatamente o que você quer que eu faça com você.
Beatriz caiu de joelhos, a cabeça pendendo, a luxúria nublando seu julgamento.
— Por favor, me foda! — ela gritou, a voz rasgando o silêncio do quarto. — Me preencha toda, me usa como você quiser, me destrói! Por favor, Rui, agora!
O silêncio que se seguiu durou apenas um segundo, mas pareceu uma eternidade. Então, o movimento foi súbito e violento. Rui atravessou o quarto em dois passos, agarrando-a pela cintura e jogando-a contra a cama com uma força que a deixou sem fôlego.
Ele não perdeu tempo com preliminares suaves. Ele a reivindicou com a urgência de quem estava faminto há anos. O sexo foi visceral, um embate de corpos que buscavam a fusão total. Não havia ternura, apenas a necessidade bruta de se possuírem. Ele a penetrou com golpes profundos, cada impacto ecoando como um trovão no quarto, fazendo a cama ranger sob
...sob a força de seus corpos. Beatriz sentia que cada estocada a levava para um lugar onde a razão não existia mais, apenas a sensação tátil e avassaladora daquela pica grossa rasgando a inércia de seu corpo.
Ele a virou com um movimento brusco, prendendo as pernas dela com os próprios joelhos, forçando-a a encarar a parede enquanto ele a possuía por trás novamente. A posição era a mesma da tarde, mas agora havia uma carga de urgência multiplicada. Rui enterrou o rosto na curva do pescoço dela, mordendo a pele macia, enquanto seus quadris batiam contra os dela com um ritmo frenético e seco.
— Você é minha, Beatriz — ele rosnou ao pé do ouvido dela, a voz carregada de posse. — Cada centímetro desse corpo pertence a mim agora.
Ela não conseguia responder com palavras, apenas com gemidos agudos que escapavam entre os dentes cerrados. Ela sentia a pressão expandindo-a, o preenchimento total que a fazia sentir-se pequena e, ao mesmo tempo, imensa em prazer. A fricção era tão intensa que ela podia sentir o calor emanando de onde eles se conectavam.
Súbito, Rui mudou o ângulo. Ele a ergueu, as pernas dela envoltas na cintura dele, suspendendo-a no ar enquanto continuava a empurrar profundamente. A gravidade tornou a penetração ainda mais visceral; ela sentia cada veia, cada nervura do membro dele raspando suas paredes internas. O prazer tornou-se insuportável, uma corda esticada ao máximo prestes a romper.
— Rui... eu vou... eu vou... — ela soluçou, a cabeça jogada para trás, os olhos revirando.
— Não ouse gozar sem eu mandar — ele comandou, mas a voz dele também estava falhando, a respiração pesada, o suor pingando sobre o peito dela.
Ele a soltou abruptamente, deixando-a cair sobre o colchão e, num movimento rápido, posicionou-se sobre ela, mas não a penetrou imediatamente. Ele manteve a ponta do membro roçando a entrada, torturando-a com a proximidade, enquanto usava a mão para apertar o seio dela com força, quase a ponto de causar dor.
— Olhe para mim — ele exigiu. — Quero que você veja quem está fazendo isso com você. Quero que lembre disso toda vez que sentar à mesa com a nossa família.
E então, ele mergulhou. Um único golpe, longo e devastador, que a atingiu no ponto mais profundo. Beatriz soltou um grito abafado, o corpo inteiro contraindo-se em um orgasmo violento e prolongado. O prazer a cegou, as ondas de calor percorrendo sua espinha como descargas elétricas. Rui não parou; ele aproveitou a contração das paredes dela para liberar a própria carga, gozando com força, sentindo-se preenchido pelo aperto frenético dela.
Ele desabou sobre ela, os dois ofegantes, o silêncio do quarto sendo preenchido apenas pelo som das respirações erráticas e dos corações batendo em sincronia.
Por alguns minutos, ninguém se moveu. O peso do corpo de Rui sobre o dela era a única coisa que a mantinha ancorada à realidade. Beatriz sentia o líquido quente escorrer por suas coxas, a marca da posse dele gravada não apenas em sua pele, mas em sua alma.
Ele se afastou lentamente, os olhos ainda escuros, mas agora com um brilho de satisfação. Ele se levantou e começou a se vestir, a frieza de comando retornando, embora o desejo ainda estivesse latente
— Vá se limpar — ele disse, sem olhar para trás enquanto caminhava em direção à porta. — E lembre-se: se alguém perguntar por que você está com esse olhar, invente a história mais convincente da sua vida. Porque se você contar a verdade, a gente não vai conseguir sair desse quarto pelos próximos dez anos.
Ele saiu, fechando a porta com um clique seco, deixando Beatriz nua, exausta e irremediavelmente viciada naqueles encontros clandestinos.




