Raquel foi ela a começar. Numa quarta-feira à noite, quando o António já dormia ao lado dela, o telemóvel brilhou no escuro. Abriu a conversa com o Rui e escreveu devagar, como se cada palavra fosse um toque: «Estou deitada. Sem cuecas. A cona a latejar só de pensar em ti.» Anexou a primeira fotografia. As coxas abertas sobre o lençol, a mão a segurar os lábios inchados e brilhantes, o fio dental preto puxado para o lado. A luz do candeeiro de cabeceira tornava a pele dourada. Segundos depois mandou outra: de costas, ajoelhada na cama, a saia subida até à cintura, o cu empinado e redondo, a renda a desaparecer entre as nádegas. «Quero ir ao teu escritório. Quero que me recebas lá. Fecha a porta, põe-me em cima da secretária e fode-me até eu não conseguir falar. Diz-me quando.» A resposta dele chegou quase de imediato, curta e directa: «Amanhã. Fim do dia. Depois das sete o piso fica vazio. Vem sem cuecas.» Raquel sorriu no escuro. Mandou mais uma foto, desta vez os seios livres, os mamilos duros e escuros, a legenda escrita com o dedo ainda húmido: «Estou a contar as horas.» No dia seguinte escolheu a roupa com cuidado. Por baixo de um casaco comprido e elegante, quase até aos joelhos, ficou apenas de lingerie preta de renda — um sutiã que empurrava os seios para cima e os deixava quase a saltar, um fio dental tão fino que quase não existia — e saltos altos de verniz. O cabelo loiro curto bem arranjado, os lábios pintados de vermelho vivo, o perfume mais intenso do que o habitual. O corpo de um metro e cinquenta e sete, atesoado, as coxas firmes e o cu empinado prontos a serem revelados no momento certo. Chegou à empresa do Rui por volta das sete e dez. A recepção já estava quase deserta. Subiu no elevador, o coração a bater um pouco mais depressa, e esperou no corredor em frente ao gabinete dele. Do outro lado da porta ouvia-se apenas um silêncio interrompido por respirações baixas e o leve ranger de uma cadeira. Lá dentro, Rui estava sentado, as calças abertas e descidas até meio das coxas. Ajoelhada entre as pernas dele estava a N. Morena, ancas normais, cu empinado e firme, corpo escultural apertado num vestido justo que subia quando se inclinava. Os lábios carnudos envolviam o pénis dele com uma lentidão quase preguiçosa, a língua a roçar a cabeça sensível a cada movimento de sobe e desce. A mão direita massageava o que não cabia na boca, a esquerda apoiava-se na coxa dele. Rui tinha os dedos enfiados no cabelo escuro dela, a guiar o ritmo sem pressa. Quando gozou, foi em silêncio, o corpo a tensionar, a debicar fundo na garganta dela. A N engoliu tudo, cada jacto quente e denso, depois limpou os cantos dos lábios com o polegar e levantou-se. O cabelo estava ligeiramente desalinhado, os lábios inchados e brilhantes. Ajeitou o vestido, abriu a porta e deparou-se com Raquel à espera. As duas cruzaram o olhar durante um segundo a mais do que o necessário. A N sorriu com educação profissional: — Boa tarde. Já ia embora. Boa reunião. Passou por ela e seguiu pelo corredor. Mas não foi embora. Ficou escondida atrás de um armário alto de pastas, o telemóvel já na mão, a câmara a gravar em silêncio. Suspeitava. Tinha visto a forma como os olhos do Rui se demoraram no corpo da loira. Raquel entrou no gabinete e deixou a porta aberta de propósito. Rui olhou para o corredor, depois para ela. — Espera um segundo — disse ele, a voz ainda um pouco rouca. — Vou ver se ela já saiu mesmo. Saiu. Raquel aproveitou o momento com calma. Desabotoou o casaco comprido, tirou-o dos ombros e dobrou-o com cuidado sobre a cadeira. Ficou só de lingerie preta de renda e saltos altos. Os seios firmes quase a saltar do sutiã, a cintura estreita, as coxas fortes, o fio dental a marcar o sulco do cu empinado. A pele brilhava debaixo da luz fria do gabinete. Quando Rui voltou e fechou a porta de vez, parou no umbral a olhar para ela. Ela aproximou-se devagar, o sorriso pequeno e provocador. — A N saiu com o cabelo todo desalinhado — disse em voz baixa, os olhos nos dele. — Estavam a fazer alguma coisa antes de eu chegar? Rui negou depressa demais: — Não. Nada. Estávamos só a fechar uns assuntos do dia. Raquel não insistiu. Ajoelhou-se à frente dele sem pressa, abriu-lhe o cinto e o botão das calças e puxou o fecho. Tirou o pénis. Ainda estava mole, macio, ligeiramente húmido. Passou a língua de uma extremidade à outra, lenta, saboreando o gosto. Envolveu a cabeça com os lábios quentes e chupou com uma lentidão deliberada, a língua a rodar, a mão a acariciar o resto. Demorou. Sentiu-o a crescer pouco a pouco dentro da boca, a endurecer, a ficar pesado e quente até estar completamente duro outra vez. Só então se levantou. Virou-se de costas, apoiou as mãos abertas na secretária e arqueou as costas com lentidão, o cu empinado bem à vista, o fio dental puxado para o lado com um dedo. Olhou por cima do ombro. — Agora fode-me — pediu, a voz rouca de desejo. — Quero sentir-te a entrar todo. Rui aproximou-se por detrás. As mãos grandes desceram pelas ancas dela, apertaram a carne firme, abriram-na um pouco. Posicionou a cabeça grossa na entrada já molhada e empurrou devagar, centímetro a centímetro, até estar completamente dentro. Raquel soltou um gemido longo e baixo, a testa a baixar contra a madeira fria, os dedos a agarrar a secretária. Ele começou a mover-se. Primeiro lento, profundo, saboreando cada entrada e saída. Depois o ritmo aumentou, as estocadas tornaram-se mais fortes, o som da pele a bater no cu empinado dela a encher o gabinete. A cada investida os seios balançavam dentro do sutiã de renda, os mamilos duros a roçar o tecido. O cheiro a sexo misturava-se com o perfume dela. Rui inclinava-se sobre as costas dela e falava-lhe ao ouvido, a voz baixa e suja: — Puta. Vens ao meu escritório de lingerie por baixo do casaco só para isto. Gozaste com o teu diretor e agora estás aqui outra vez, a pedir para ser fodida. És uma vaca. Uma porca que gosta de ficar cheia e ir embora a sorrir. Raquel empurrava o cu para trás ao encontro de cada estocada, a pedir mais fundo, mais forte. As coxas firmes tremiam. O suor começava a brilhar na pele. Ele agarrava-lhe as ancas com força, puxava-a contra si a cada embate, o pénis a entrar até ao limite, a enchê-la por completo. Do outro lado da porta, a N gravava tudo em silêncio. O telemóvel captava os gemidos abafados, o bater húmido da pele, as palavras baixas. Via o cu empinado da Raquel a receber cada estocada profunda, via as mãos do Rui a deixar marcas vermelhas nas ancas dela, via o mesmo homem que minutos antes tinha gozado na boca dela a foder outra mulher com a mesma intensidade. Raquel gozou primeiro. O corpo inteiro tensionou, a cona apertou-se em espasmos ritmados à volta do pénis dele, um gemido longo e rouco escapou-lhe dos lábios. Rui continuou a foder através do orgasmo dela, mais fundo, mais rápido, até gozar também. Enterrou-se até ao fundo e veio em jactos longos e quentes, enchendo-a completamente. Ficou lá dentro alguns segundos, a pulsar, a respiração pesada contra as costas dela, antes de sair devagar. Nada escorreu. A esporra ficou lá dentro, densa e quente. Raquel endireitou-se com calma. Puxou o fio dental para o sítio, vestiu o casaco comprido por cima da lingerie e ajeitou o cabelo com os dedos. As pernas ainda tremiam ligeiramente, mas o sorriso era o de sempre — calmo, satisfeito, quase inocente. — Marca já a próxima — disse ela, a voz ainda um pouco rouca. Rui riu baixo, a fechar as calças, o olhar a percorrer o corpo dela por baixo do casaco. — A próxima é para a semana. Do corredor, a N guardou o vídeo, o coração a bater depressa, as pernas um pouco trémulas. Ia mostrar-lhe mais tarde. Ia ver a cara dele quando descobrisse que ela tinha assistido a tudo
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