Na semana passada o Felipe me ligou convidando para ir no clube de campo que ele era sócio.
Aceitei na hora. Ia rever o amigo e Letícia também.
Cheguei no final da tarde. O clube estava quase vazio. O Felipe estava sozinho numa mesa de madeira perto da piscina, de camisa social aberta no peito, calça jeans e um copo de whisky na mão. Quando me viu, sorriu, mas o sorriso não chegou aos olhos.
— Cadê a Letícia?Ele deu uma risada curta, amarga.
— Separados. Faz três meses.
Me sentei. Ele encheu outro copo e empurrou na minha direção. Depois começou a contar tudo, sem pressa, sem deixar nenhum detalhe de fora.
Tinha chegado mais cedo do trabalho um dia. Ouviu gemidos vindos do quarto. Abriu a porta devagar. A Letícia estava de quatro na cama, as unhas cravadas no lençol.
Atrás dela, o Fred — o mesmo Fred do nosso grupo, o solteirão convicto — metia fundo, as mãos largas segurando a cintura dela, o pau grosso sumindo e reaparecendo. Os dois gemiam alto. A Letícia pedia mais. O Fred respondia com estocadas mais fortes. Felipe ficou parado na porta por quase um minuto, assistindo. Quando a Letícia gritou o nome do Fred no orgasmo, ele fechou a porta e saiu de casa.Desde então não se falavam mais.
Eu fiquei em silêncio. O whisky queimava na garganta. O Felipe olhou para mim com aqueles olhos escuros que eu conhecia desde os dezoito anos.
— Você nunca pensou nisso, Alan? Em como a gente se afasta e, de repente, tudo muda?
A conversa foi se alongando. A noite caiu. O clube esvaziou de vez. Ficamos só nós dois no bar fechado, as luzes baixas, o cheiro de madeira e álcool no ar. Em algum momento ele colocou a mão no meu joelho. Não tirou. Eu também não.
— Eu preciso esquecer, Alan — murmurou. — Preciso sentir outra coisa.Levantei. Ele também. Nos olhamos. Não houve beijo romântico. Foi direto, faminto. Eu empurrei ele contra a parede de madeira do corredor que dava para os vestiários. Nossas bocas se encontraram com força. A língua dele era quente, com gosto de whisky.
Minhas mãos desceram pela camisa aberta, sentindo o peito peludo, os mamilos duros. Ele gemeu baixo quando eu apertei.Arrancamos as roupas no primeiro vestiário que encontramos.
A porta nem fechou direito. O Felipe ficou nu primeiro: corpo ainda firme, peito largo, a barriga levemente marcada, o pau já duro, grosso, a cabeça rosada brilhando de pré-gozo.
Eu me ajoelhei. Chupei ele com vontade, sentindo o peso na língua, o cheiro de homem, o gosto salgado. Ele segurou meus cabelos e empurrou mais fundo, gemendo meu nome.
— Porra, Alan… faz tempo que ninguém me chupa assim.
Levantei. Ele me virou de frente para o banco. Cuspiu na própria mão, passou nos dedos e começou a me abrir. Um dedo, depois dois, devagar no começo, depois mais fundo.
Eu gemia, a testa apoiada no braço, o pau pingando no chão frio. Quando ele tirou os dedos, senti a cabeça do pau dele pressionar. Entrou num só movimento longo e fundo.
Ardi e gozei de prazer ao mesmo tempo. Ele ficou parado um segundo, respirando pesado contra minha nuca, depois começou a foder.As estocadas eram fortes, ritmadas.
O som da pele batendo ecoava no vestiário vazio. Ele segurava minha cintura com uma mão e com a outra puxava meu cabelo, obrigando-me a olhar para o espelho embaçado.
Eu me via sendo comido pelo meu amigo de faculdade, o mesmo que eu tinha visto casado por anos. O Felipe metia fundo, falando putaria baixa:
— Você sempre foi o mais gostoso do grupo… eu sabia… porra, como você aperta…Eu gozei primeiro, sem nem tocar no pau, só com ele me fodendo.
O gozo escorreu pelo banco. Ele não parou. Continuou, mais rápido, até gemer alto e descarregar dentro de mim, quente, pulsando. Ficamos assim por um tempo, colados, suados, o cheiro de sexo misturado com o do cloro da piscina que entrava pela janela.Depois ele me virou, ajoelhou e me chupou limpo, lambendo tudo.
Eu ainda estava sensível. Quando ele levantou, os olhos estavam diferentes — mais calmos.
— Fica mais um pouco — disse.
Ficamos. Naquela mesma noite, no quarto de hóspedes do clube, eu o fodi pela primeira vez. Lento no começo, depois com a mesma fome que ele tinha tido. Ele gemia meu nome abafado no travesseiro, as pernas abertas, o cu se abrindo para mim.
Gozei fundo nele, e ele gozou de novo só com isso.
No dia seguinte o sol entrou pela janela. O Felipe estava deitado de lado, uma mão no meu peito. Não falamos de Letícia nem de Fred. Só ficamos quietos, suados, ainda cheirando um ao outro.
Aquela não foi a última vez.Mas essa, Alan, foi a primeira.