Desde que a mãe de Lucas se casou com o pai de Kenzie, os dois jovens — agora na casa dos vinte — aprenderam rapidamente a conviver sob o mesmo teto. Aprenderam também a fingir que não percebiam o outro. Fingir que não reparavam nos olhares demorados. Fingir que o ar não ficava mais pesado quando se esbarravam na cozinha às três da manhã.
Naquela noite Lucas acordou com sede. Ou pelo menos foi o que disse a si mesmo enquanto descia as escadas descalço, apenas de boxer preta. A luz da geladeira iluminou seu abdômen definido por alguns segundos antes de ele pegar a jarra d'água.
Foi quando ouviu.
Um som baixo, quase inaudível. Um gemido abafado vindo do corredor dos quartos.
Ele fechou a geladeira devagar. O coração já batia diferente.
Caminhou na ponta dos pés. Quanto mais perto do quarto dela, mais claro ficava: não era choro, não era pesadelo. Era prazer. O tipo de prazer que alguém tenta esconder e acaba traindo a si mesmo com cada respiração entrecortada.
A porta estava entreaberta. Só uma fresta. O suficiente.
Kenzie estava deitada de bruços, de lado na cama, o lençol embolado na cintura. A camisola curta de algodão branco subiu até quase a curva da bunda. Entre as coxas abertas, a mão direita se movia em círculos lentos, precisos. O celular apoiado no travesseiro exibia um vídeo em volume muito baixo. Ele reconheceu o áudio imediatamente: gemidos femininos em oração, misturados com súplicas profanas. O mesmo tipo de pornô religioso proibido que ele também assistia escondido.
Ela não o viu.
Ou fingiu que não viu.
Lucas ficou parado na sombra do corredor, o pau já endurecendo dolorosamente contra o tecido da boxer. Ele deveria voltar. Deveria fechar a porta. Deveria fazer qualquer coisa que não fosse continuar olhando.
Mas então Kenzie sussurrou, quase inaudível:
— Eu sei que você tá aí…
A mão dela não parou. Pelo contrário. O ritmo ficou mais deliberado. Mais exibicionista.
Lucas empurrou a porta devagar. Entrou. Fechou atrás de si sem fazer barulho.
— Você reza pedindo isso toda noite? — a voz dele saiu rouca.
Kenzie virou o rosto devagar, os olhos brilhando na penumbra. Havia um sorriso pequeno, quase sagrado, nos lábios entreabertos.
— Às vezes peço perdão depois… — ela respondeu, a voz baixa e melíflua. — Mas hoje… hoje eu só quero o milagre.
Ela rolou de lado, deixando a camisola subir completamente. Sem calcinha. A pele clara reluzia de excitação. Os dedos ainda brilhavam.
— Vem cá, enteado… — ela chamou, usando o termo de propósito, saboreando a palavra proibida. — Me mostra se você também acredita em milagres.
Lucas tirou a boxer em um movimento só. O pau saltou livre, pesado, latejando. Kenzie mordeu o lábio inferior ao ver o tamanho.
Ela se arrastou de joelhos até a beira da cama, como quem vai receber a comunhão.
Mas não era comunhão o que ela queria.
A língua dela saiu primeiro, lenta, traçando a glande de baixo pra cima, como se estivesse desenhando uma cruz invertida. Depois envolveu a cabeça com os lábios macios, sugando devagar, olhando nos olhos dele o tempo inteiro.
— Isso… — ela murmurou com a boca cheia — …é o que eu peço quando faço minhas orações secretas.
Lucas enfiou os dedos nos cabelos castanhos dela, não com força, mas com firmeza. Começou a foder a boca dela em movimentos lentos, profundos. Kenzie gemia em torno do pau, as vibrações subindo pela coluna dele.
Depois de alguns minutos ela se afastou, o fio de saliva ainda conectando os lábios ao pau dele.
— Deita — ela ordenou, voz doce e autoritária ao mesmo tempo.
Lucas obedeceu. Deitou de costas na cama dela, que ainda cheirava a perfume floral e a tesão.
Kenzie subiu por cima dele, posicionando-se de frente. Segurou o pau dele com a mão direita, esfregou a cabecinha entre os lábios inchados da buceta, molhando-o inteiro.
— Você já imaginou isso? — ela perguntou, quase inocente.
— Todo. Santo. Dia — ele respondeu entre dentes.
Ela desceu devagar. Centímetro por centímetro. Gemendo alto quando a grossura a abriu inteira.
Quando sentou completamente, os dois pararam. Apenas respirando. Sentindo.
Então ela começou a cavalgar.
Lento no começo. Depois mais rápido. Os seios balançando sob a camisola fina. As mãos dela apoiadas no peito dele, unhas cravando de leve.
— Me fode como se eu fosse sua irmã de verdade… — ela pediu, voz quebrada. — Me fode como se fosse pecado mortal.
Lucas segurou os quadris dela com força e começou a estocar para cima, forte, fundo. O som molhado dos corpos se chocando enchia o quarto.
Kenzie jogou a cabeça para trás.
— Isso… isso… me faz gozar… me faz gozar dentro do pecado…
Ela apertou em volta dele, tremendo inteira, as coxas sacudindo. O orgasmo veio violento, quase doloroso. Lucas sentiu os espasmos dela ordenhando o pau dele.
Não aguentou.
— Kenzie… eu vou…
— Dentro — ela exigiu, cravando as unhas nos ombros dele. — Quero sentir o milagre escorrendo de mim.
Ele gozou com um grunhido baixo, enchendo-a até transbordar. O excesso escorreu pelas coxas dela, manchando os lençóis.
Os dois ficaram imóveis por longos segundos, ofegantes.
Kenzie se deitou sobre o peito dele, ainda com ele dentro. Beijou o pescoço suado.
— Amanhã… — ela sussurrou — …a gente reza junto de novo?
Lucas sorriu no escuro, a mão acariciando as costas dela por baixo da camisola.
— Amém.



