A casa era do meu irmão mais velho, Eduardo. Ele nunca me contou quanto gastou nela, mas eu sabia que o bairro era dos mais valorizados da região, então tinha sido uma nota preta. Dei de ombros. Ele tinha grana pra caralho.
Eduardo era vinte e um anos mais velho que eu, que tenho trinta e dois, e era um advogado corporativo foda. Viajava quase duzentos dias por ano, pra todo canto do Brasil e do exterior, fechando negócios pros clientes. Eu sabia que ele ralava pra cacete e era muito bem pago por isso.
Eu não conhecia muito o Eduardo. A gente dividia o mesmo pai, mas mães diferentes. O velho tinha se divorciado da mãe dele muito antes de eu nascer, e casou com a minha mãe, que era bem novinha na época, quando ele já passava dos sessenta. Quando eu nasci, o Eduardo já tava na faculdade, então nunca rolou de a gente conviver de verdade. Depois ele ainda se mudou pra outra cidade pra começar a carreira.
Mesmo assim, eu sempre soube dele e admirava pra caralho. Nas reuniões de família ele sempre dava um jeito de passar um tempo comigo, nunca me tratando como peso morto. Quando eu era um adolescente desengonçado e cheio de espinha, ele me dava conselhos e me incentivava a seguir meu lance com computador e programação. Quando o pai morreu, eu tinha dezesseis anos, o Eduardo largou tudo, tirou uma semana de folga e ficou do meu lado, me dando força mesmo estando destruído de tristeza também. Quando eu me fodi na faculdade, bebendo demais e deixando as notas caírem, foi ele que me chamou pra conversa séria e botou a cabeça no lugar. Considerando a diferença de idade, ele tinha sido o melhor irmão que poderia ser. Só que essa distância toda impediu que a gente fosse realmente próximo.
Por isso fiquei surpreso pra caralho quando ele me ofereceu pra eu me mudar pra casa dele depois que arrumei emprego na cidade dele. Eu tinha me formado em Ciência da Computação e finalmente tava dando um passo grande na carreira, aceitando vaga de desenvolvedor de software numa empresa que ficava a uns vinte minutos da casa dele. Além disso, eu tava no meio do término com minha namorada de cinco anos e agarrei essa chance de recomeço limpo. Mandei uma mensagem animado pro meu irmão dizendo que, assim que chegasse na cidade, a gente tinha que se encontrar.
Ele respondeu quase na hora:
“Nem fode. Você vai morar aqui em casa. Fica com a gente. Pra que gastar dinheiro com aluguel? A Soph e a Olivia vão amar ter companhia.”
Fiquei surpreso, mas a ideia era tentadora pra cacete. Economizar uma grana seria ótimo, mas por outro lado eu mal conhecia a Sophia, a segunda mulher do Eduardo, e a Olivia, tendo encontrado as duas só umas poucas vezes na vida. No final, a economia venceu e aceitei o convite.
Mandei meu equipamento de computador pro endereço dele, fiz as malas e dirigi as dez horas até minha nova vida.
Finalmente, parado ali na frente, subi até a porta grande da casa e toquei a campainha. Em poucos segundos a porta abriu e a Sophia apareceu, sorrindo de orelha a orelha. Não consegui deixar de sorrir de volta.
Sophia era a segunda mulher do Eduardo e bem mais nova que ele. Na verdade, com vinte e nove anos, era até mais nova que eu, embora, graças a Deus, mais velha que a filha dele. Ela era, em uma palavra só: gostosa pra porra. Aproveitei o momento que a porta abriu pra dar uma boa olhada.
Ela era uns bons centímetros mais baixa que eu. Tinha cabelo loiro longo e olhos azuis clarinhos que brilhavam quando sorria. O rosto era fresco, com uma maquiagem leve. Meus olhos desceram pelo corpo. Ela usava uma blusa branca soltinha, estilo camponesa, que mesmo não sendo apertada, caía de um jeito que mostrava um peito impressionante, com um decote que deixava um pedacinho do vale à mostra. A calça jeans era justa nos quadris largos e na bunda redonda e empinada. Eu sabia que ela malhava pra caralho e o resultado era visível. Nos pés, uma sandália simples, e as unhas dos pés pintadas de rosa.
Ela abriu os braços e veio na minha direção, me abraçando forte e me puxando contra ela. Larguei as malas e retribuí o abraço, sentindo aqueles peitos macios espremidos no meu peito.
“Seja bem-vindo, Dan,” ela disse. “Bem-vindo em casa!”
“Obrigado, Sophia,” respondi, a voz um pouco abafada pelo cabelo dela. “Tô feliz pra caralho de finalmente ter chegado.”
“Qualé, Dan,” ela riu. “Me chama de Soph, todo mundo chama! Deixa eu te olhar direito! Faz três anos que não te vejo!” Ela me afastou um pouco e me analisou de cima a baixo, segurando meus braços.
Era difícil acreditar que tinha sido só três anos, mas fazia sentido. Eu tinha passado uma semana com eles no verão. Foi uma visita legal, embora o Eduardo tivesse trabalhado quase o tempo todo. Aquela tinha sido só a segunda vez que vi a Soph; a primeira foi no casamento deles, um ano antes.
Dei uma risadinha meio sem graça enquanto ela me media. Mesmo trabalhando com código o dia todo, eu tentava fugir do estereótipo de nerd magrelo. Tenho 1,78m, malho várias vezes por semana e corro quase todo dia pra manter o shape. Meus ombros, igual aos do Eduardo, são naturalmente largos, então, sendo sincero, eu até que tava bem bonito de jeans e camiseta preta.
Meu cabelo= sujo estava comprido, repartido de lado, com uma mecha presa atrás da orelha e a outra caindo no rosto. Tava de férias há algumas semanas e não tinha feito a barba, então uma barba grossa tinha crescido. Meus olhos eram azul-claros.
Soph assentiu depois da rápida inspeção.
“Tá ótimo, Dan,” disse, entrando de volta na casa. “Vem, vou te mostrar qual vai ser o seu quarto.”
Peguei as malas e segui a Soph. Olhei ao redor. Tava num hall enorme; na frente, escadas que subiam e desciam. À esquerda dava pra ver uma cozinha gigante, à direita uma sala de estar bem espaçosa. Tudo bem aberto, decorado de forma confortável, mas simples. Os espaços pareciam grandes demais. O teto era altíssimo. Era difícil acreditar que só três pessoas moravam ali. Bom, quatro agora, contando comigo.
“O Eduardo tá em casa hoje?” perguntei.
“Deve chegar mais tarde da noite,” respondeu a Soph. “Ele costuma trabalhar até tarde, mas disse que ia tentar chegar pra jantar com a gente.”
A Soph me deu um tour rápido pelo andar de baixo: cozinha, sala de jantar, sala de TV, um lavabo e, nos fundos, um quintal enorme com piscina tamanho família e uma hidromassagem embutida. Me contou que tinha três quartos em cima: um de hóspedes, o suíte principal e o da Olivia.
“Onde tá a Olivia?” perguntei, olhando pra escada. Da última vez que a vi, ela era uma adolescente cheia de raiva que passou quase a semana inteira trancada no quarto. Queria saber se ela tinha mudado agora, com dezenove anos e já na faculdade.
Soph suspirou.
“Bom…” disse, meio triste, “você conhece a Olivia. Ou vai conhecer. As aulas da faculdade acabaram de entrar de férias de verão, então ela tá o tempo todo em casa, mas… ela não deve descer pra dar oi pro tio tão cedo. A gente ainda não se conectou direito.”
Assenti. Quando o Eduardo se separou da primeira mulher, a Olivia foi morar com o pai pra não mudar de escola. Por vários anos foram só os dois. O Eduardo tinha me confessado que casar com a Soph, alguém tão mais nova, tinha sido bem difícil pra filha.
“Bom,” falei pra Soph, “talvez ela amoleça pro tio.”
“Espero que sim,” ela respondeu. “Vamos ver o seu cantinho. Fica lá embaixo. O Eduardo mandou fazer especialmente pra você.”
Desci atrás dela e, confesso, não consegui evitar ficar olhando aquela bunda perfeita balançando dentro da calça jeans apertada. Era quase impossível não olhar.
No final da escada tinha uma sala grande com vários sofás, pufes e uma TV de projeção enorme. Lembrei que não tinha visto televisão na sala de cima, então esse devia ser o lugar onde eles assistiam filme e série.
“Você ainda malha?” a Soph me perguntou.
Assenti.
“Ótimo. Então você vai amar isso aqui,” disse, apontando pro canto da sala que tinha sido montado como uma pequena academia: aparelho de musculação, banco de supino, esteira, bike spinning, tapetes de yoga… tudo que precisava pra manter o shape.
“Caralho, que foda,” falei, animado. Ia economizar uma grana não precisando pagar academia.
“Eu gosto bastante,” disse a Soph. “A gente pode malhar junto às vezes. Eu quase não uso a esteira, prefiro correr na rua.”
“Eu também. Mas é boa pros dias de chuva.”
A Soph sorriu.
“É mesmo. Mas eu não me importo de me molhar um pouco. Seu quarto é por aqui.”
Ela abriu uma porta e eu entrei atrás. Era espaçoso pra caralho. Tinha uma cama king size, cômoda, mesinhas de cabeceira e uma escrivaninha encostada na parede. A cadeira da escrivaninha parecia caríssima. As caixas com meu equipamento de computador estavam todas empilhadas ao redor.
“Não mexi nas caixas,” disse a Soph. “Achei que você ia querer montar tudo do seu jeito.”
“Boa ideia,” respondi. “Sou bem chato com isso.” Olhei ao redor. “Cara, isso tá incrível demais. Espero que não esteja incomodando vocês eu ficar aqui.”
“O Eduardo mandou fazer pra você. Antes era só depósito, mas tem outro depósito do outro lado. Tem um banheiro completo ali na sala de TV. Desculpa não ser suíte, mas é o que eu uso depois da malhação.”
“Tá ótimo. Nunca tive suíte na vida, então não vou sentir falta. Não me incomodo de dividir o chuveiro com você.” A Soph me lançou um olhar e eu percebi que a frase podia ter soado como se eu quisesse tomar banho com ela. Fiquei meio vermelho.
“Enfim,” ela disse, ignorando o comentário, “esse foi o tour. Vou começar o jantar. Você se ajeita aí e depois sobe. Talvez seja bom tomar um banho também. A viagem deve ter sido longa.”
Dei risada e fiz cena de cheirar minha axila. Realmente precisava.
“Desculpa,” falei. “Devo tá te dando nojo!”
“Não,” ela respondeu sorrindo. “Eu até gosto. Mas você vai ficar mais confortável.”
Ela subiu e eu rapidamente esvaziei as malas. Dei uma olhada na casa e na vida que o Eduardo tinha construído e balancei a cabeça. Tava bem pra trás no quesito “construir vida adulta”.
Atravessei a sala de TV e entrei no banheiro. Meus olhos arregalaram. Aquilo era mais um spa que banheiro. Tinha vaso, é claro, mas também banheira, chuveiro com chuva, e ainda uma sauna a vapor. Eu podia me acostumar com isso fácil, pensei enquanto tirava a roupa.
Entrei debaixo do chuveiro rain e deixei a água quente cair em cima de mim, levando embora o suor e a sujeira da viagem. Meus pensamentos, claro, foram direto pra Soph. Lembrei da primeira vez que a vi, no casamento dela com o Eduardo. Ela tava linda pra caralho de vestido branco. Em segredo, mesmo estando lá com a Patrícia, minha namorada de anos, eu me apaixonei um pouquinho por ela.
Ali no chuveiro, imaginei ela pelada comigo, a água escorrendo pelo corpo bronzeado, descendo pelos peitos perfeitos. Fiquei duro rapidinho e bati uma pensando na minha cunhada antes de terminar o banho, me vestir e subir.
A Soph tava na cozinha preparando a comida. Todos os eletrodomésticos eram de última geração; dava pra fazer comida pra um batalhão ali. Ela tinha colocado um avental por cima da roupa de antes e prendido o cabelo num coque frouxo.
Sentei no balcão de mármore grande em frente a ela e ofereci ajuda.
“Tá tranquilo,” disse a Soph. “A parte chata já tá quase pronta. Você cozinha?”
“Claro,” respondi. “Sempre gostei. Até que sou bom nisso. Quase toda a comida em casa com a Patrícia era eu que fazia.”
A Soph franziu a testa.
“O que rolou lá, aliás?” perguntou. “Sei que é recente, então se não quiser falar…”
“Não, tá de boa,” falei. “Eu tô bem. Foi… acho que no final a gente não era mais as mesmas pessoas. Fomos perdendo coisas em comum com o tempo. Ficou cada vez mais difícil lembrar por que a gente tava junto. Até que nenhum dos dois conseguia mais. É uma pena. Eu achava que ia casar, ter filhos…” Dei de ombros. “Simplesmente não rolou.”
“Isso acontece,” disse a Soph. “É ruim, mas pelo menos vocês perceberam antes de casar e ter filhos. Ia ser pior.”
“Verdade. Você tá certa.”
“Vou ter que te arrumar com alguma das minhas amigas então,” ela falou, sorrindo.
“Ah, não precisa não,” respondi. “Tô dando um tempo dos relacionamentos por enquanto.”
“Quem falou em namoro?” a Soph riu. “A maioria delas lembra de você do casamento. Se você não tivesse ido com a Patrícia, pelo menos uma teria pulado no seu colo! Talvez mais de uma! Não tem nada de errado em dar uma aliviada agora que tá solteiro!”
Levantei as sobrancelhas. Era estranho pra caralho ouvir minha cunhada falando de sexo assim, tão direto. Mas ela provavelmente tinha razão. Não tinha nada de errado em “dar uma aliviada”.
“Claro. Com o tempo,” falei. “Vou com calma por enquanto.”
“Tá bom,” disse a Soph. “Mas me avisa. Minhas amigas são bem safadas e agora que sabem que você tá aqui, podem até arrombar a porta pra te pegar!”
Isso fez minhas sobrancelhas subirem de novo. Queria saber mais sobre o quão safadas eram as amigas dela e onde a Soph se encaixava nesse meio. Antes que eu pudesse continuar a conversa, a Olivia entrou na cozinha, foi direto pra geladeira e nos ignorou completamente, com fone no ouvido.
Três anos atrás minha sobrinha era uma garota cheia de mau humor e mal tinha chamado minha atenção. Ela não tinha interesse nenhum em mim, então eu também ignorei, passando o tempo com a Soph e o Eduardo ou relaxando na piscina.
Na época ela era meio sem graça, mas agora tinha virado uma gótica completa, o que me surpreendeu. Nem sabia que isso ainda existia. O cabelo antes era loiro sujo igual ao meu e do Eduardo, agora tava preto azulado com mechas verde-esmeralda. Longo, liso, passando dos ombros, com uma franja reta e pesada cortando a testa. Batom preto, maquiagem carregada nos olhos verdes. Era ainda mais baixa que a Soph, devia ter uns 1,60m.
Usava um moletom preto enorme, várias vezes maior que o tamanho dela, que descia até o meio da coxa. As pernas estavam de fora, os pés descalços. Não consegui evitar me perguntar se ela tava de calcinha por baixo. Os peitos, claramente grandes, balançavam soltos sob o tecido. Balancei a cabeça, lembrando que eu era tio dela.
“Oi Olivia,” a Soph chamou. “Dá um oi pro seu tio.”
A menina fez um suspiro dramático e tirou um dos fones.
“Quê?” disse, virando devagar.
“Seu tio. Ele chegou. Fala oi.”
Sorri pra minha sobrinha e acenei.
“Ah,” disse a Olivia, com um tom cheio de desdém. “Você tá aqui. Que ótimo. Oi.”
“E aí,” respondi, tentando ser simpático. “Como vai?”
Ela nem se dignou a responder, virou pra madrasta:
“Vou sair daqui a pouco. Não vou jantar com vocês.”
“Mas eu pensei que a gente ia comer todo mundo junto…” disse a Soph.
“Claro. Como se o pai fosse aparecer.” Ela virou pra mim. “Bem-vindo, eu acho.”
Virou as costas e subiu as escadas de volta pro quarto. Depois que ela saiu, a Soph olhou pra mim e deu de ombros.
“Pois é… essa é a Olivia hoje em dia.”
Sorri.
“Que diversão.”