“E aí,” ele gritou. “Dan! Como cê tá, cara?” Entrou na cozinha pisando firme e estendeu a mão. Apertei e a gente deu aquele abraço de macho, ombro batendo no ombro.
“Tô bem, Eduardo,” respondi. “E a viagem?”
“Ah,” ele disse, sentando no balcão. “Trabalho, né. Passa o dia todo em sala de reunião e hotel. Mas foi de boa. E o novo emprego, como tá?”
Olhei o Eduardo de novo, reparando como a gente era parecido e ao mesmo tempo tão diferente. Ele era maior, mais largo, mas tinha amolecido, com uma boa camada de gordura. Se eu largasse a mão, provavelmente ia ficar igual. A polo esticava na barriga, mas os braços ainda eram fortes.
“Tá tranquilo,” falei. “O trampo não mudou muito do que eu fazia antes, só empresa nova. Tô me ajeitando.”
“E a família? Tá te tratando bem?”
Pensei rápido em como eu tava fodendo a Soph, minha cunhada, e a Olivia, minha sobrinha, e segurei a risada.
“Tá sim,” respondi. “Me fizeram sentir em casa.”
“Sério?” ele perguntou, levantando uma sobrancelha. “A Soph, claro. Isso é da natureza dela. Mas a Olivia? Sei que ela pode ser… um pouco difícil.”
Afastei a imagem mental da minha mão apertando o peito da Olivia, a pele clara transbordando entre meus dedos.
“Ela é só uma menina,” falei. “Sei como é nessa idade, né. Passa por umas fases.”
Como se a gente tivesse invocado ela, a Olivia desceu as escadas naquele exato momento. Tava de legging preta e moletom largo por cima. Sem maquiagem pesada, mas ainda linda pra caralho.
“Pai,” ela disse, entrando na cozinha. “Você chegou.” A voz não era exatamente chateada, mas faltava qualquer entusiasmo. Suspeitei que ela tava puta por ter outro obstáculo pra gente foder.
“Cheguei,” ele respondeu e levantou, abrindo os braços. “Vem cá dar um abraço no pai.”
Ela suspirou teatralmente, mas obedeceu e abraçou ele. De costas pro Eduardo, ela olhou pra mim por cima do ombro dele. Deu um sorrisinho safado e lambeu os lábios devagar.
Soltou o abraço rápido, serviu um café e sentou na ponta do balcão, pegando o celular e já começando a digitar.
O Eduardo deu de ombros e riu, sentando de novo.
“É isso aí,” disse pra mim, falando como se ela nem estivesse ali. “É o máximo de carinho que um pai consegue hoje em dia.”
Bom, pensei, você consegue um pouco mais se for o “daddy”, mas obviamente não falei nada.
Meu celular apitou com uma mensagem. Abri. Era da Olivia.
“como é que é conversar com meu pai sabendo que tô vazando sua porra da buceta agora?”
Fechei o app sem responder, mas balancei a cabeça levemente, tipo “não”. O Eduardo levantou a sobrancelha pra mim.
“Só trabalho,” menti. “Alguém fazendo merda. Eu resolvo depois.”
Ouvi a Olivia dar uma risadinha baixa, mas quando olhei ela parecia só respondendo algo no celular.
O Eduardo e eu batemos papo sobre o trabalho dele e um restaurante que ele tinha visitado. Uns vinte minutos depois a porta abriu de novo e a Soph entrou.
Ela tava linda pra caralho, como sempre: cabelo loiro preso num rabo de cavalo casual, maquiagem leve destacando a beleza natural. Blusa branca solta e legging preta. Me viu e sorriu, depois reparou no marido sentado comigo.
Tentou manter o rosto normal, o sorriso no lugar, mas vi ele ficar mais tenso, quase quebradiço.
“Eduardo,” ela disse depois de uma pausa tão rápida que só eu notei. “Você chegou. Seja bem-vindo! Como foi a viagem?”
O Eduardo levantou e ela atravessou a cozinha pra abraçar ele, recebendo um beijinho rápido nos lábios. Totalmente irracional, senti uma pontada de raiva do meu irmão, uma facada de ciúme cravando na barriga.
Eu não tinha direito nenhum, eu sabia. A Soph não era minha. O Eduardo tinha muito mais direito de beijar aqueles lábios do que eu. Isso não impediu o azedume subir na minha garganta.
A Soph se juntou a nós na cozinha e eu fiquei quieto, só ouvindo os dois colocarem o papo em dia. Ela contou o que tinha feito enquanto ele tava fora, óbvio que deixou de fora toda a foda que a gente tinha dado.
Meu celular vibrou de novo. Olhei com cuidado, caso fosse outra mensagem arriscada da Olivia. Não era.
“mal posso esperar pela noite de hoje! te vejo tipo 20:30? Ele já vai ter saído.”
Era da Kelly, uma das amigas da Soph. A festa na piscina do sábado tinha sido pra comemorar o noivado dela com um cara, mas isso não impediu a gente de brincar. Eu tinha entrado nela duas vezes, mas fomos interrompidos antes de eu gozar. Ela me chamou pra casa dela hoje porque o noivo ia jogar pôquer.
Ainda era surreal pra caralho que a Soph tinha topado isso. Ela disse que, enquanto eu continuasse fodendo ela, não ligava pra qual das amigas eu comesse. Eu até acreditava.
Olhei pra enteada dela, a Olivia, e fiz uma careta. Tinha minhas dúvidas se a Soph ia ficar tão tranquila se soubesse que eu tava comendo a filha dela. Ainda precisava tomar cuidado pra caralho.
“te vejo então”, digitei e mandei.
“A Soph me contou que você cozinha bem pra porra,” o Eduardo disse, chamando minha atenção de novo. “Vai fazer o jantar pra gente hoje?”
Balancei a cabeça.
“Da próxima vez,” respondi. “Tenho um encontro hoje.”
O Eduardo sorriu, tentando fazer cara de cumplicidade de macho.
“Legal,” disse. “Alguém que eu conheço?”
Olhei pra Soph. Ela balançou a cabeça quase imperceptível atrás dele. Não queria que ele soubesse que era a Kelly.
“Duvido,” falei. “Uma mina da academia.”
Notei a Olivia franzir a testa. Eu nunca prometi que não ia foder mais ninguém, mas não gostei daquele olhar de ciúme no rosto dela. Pensei que outra sessão de disciplina leve podia cair bem pra ela. Não que ela fosse reclamar, ela adorava as palmadas.
“Ah, ser jovem e livre…” o Eduardo riu. “Eu invejo você!”
A Soph levantou os olhos fingindo reprovação, fazendo uma cara de brava exagerada pro marido.
“Mas é melhor ainda ser casado feliz com a melhor mulher do mundo, claro,” ele disse rindo e levantando as mãos. “Você se divirta, Dan. Quem sabe um dia você encontra alguém como a Soph.”
Tive que segurar um sorrisinho convencido. Um dia… com certeza.
“Bom,” falei. “Tenho que voltar pro trampo. Bom te ver, Eduardo.”
Levantei e desci pro meu quarto pra botar mais umas horas de trabalho.