Férias ou Psicologia com amigos.... (2/10)

Capítulo 2: O Som da Verdade
O jantar foi exatamente como Thais temia: civilizado demais.

Eles pediram pizzas artesanais e abriram três garrafas de vinho. Estavam sentados na varanda, com o barulho do mar ao fundo. Alisson já estava na fase "palestrante" da bebedeira, com o rosto corado e a voz um tom acima do necessário. Eduardo e Saráh, por outro lado, bebiam da mesma taça há quarenta minutos, intocados.

Alisson encheu o copo de Eduardo, que tentou recusar com um gesto suave de mão.

— Que isso, Edu! — protestou Alisson, o vinho espirrando um pouco na toalha. — Solta essa amarra, meu filho. Estamos de férias! O "pai tá on", e você tá aí parecendo um monge beneditino.

Eduardo sorriu. Aquele sorriso de quem tolera uma criança malcriada. — Eu gosto de apreciar a bebida, Alisson. Se eu beber rápido demais, perco o controle dos detalhes. E eu gosto de estar no controle.

Thais, que girava o vinho na taça com tédio, pescou a frase no ar. Ela olhou para Eduardo, buscando algo além da fachada de bom moço. — Controle demais cansa, Eduardo — provocou ela, com um sorriso de canto. — Às vezes é bom deixar a coisa... explodir. Não é, Saráh? Você não acha ele muito rígido?

Saráh estava cortando um pedaço minúsculo de pizza de quatro queijos. Ela parou com o garfo no ar, limpou o canto da boca com o guardanapo e olhou para o marido. O olhar durou um segundo a mais do que o socialmente aceitável.

— O Eduardo tem um ritmo próprio, Thais — disse Saráh, a voz aveludada. — Ele parece calmo, mas é muito... metódico. Ele não gosta de desperdiçar energia. Quando ele resolve fazer algo, ele faz com intensidade.

Alisson soltou uma gargalhada, batendo na mesa. — Intensidade! O Edu? A única coisa intensa nele é a organização da planilha de excel! — Ele piscou para Eduardo. — Sem ofensa, irmão. Mas mulher gosta de pegada, de improviso. Né, amor?

Ele passou o braço pelo pescoço de Thais e deu um beijo molhado na bochecha dela. Thais forçou um sorriso, sentindo o cheiro forte de álcool e orégano. — É, Alisson. Improviso. A gente sabe bem como é o teu improviso.

Eduardo tomou um gole lento de seu vinho, os olhos fixos em Alisson por cima da borda da taça. — Curioso você dizer isso, Alisson. Eu sempre achei que a verdadeira "pegada", como você diz, não está na força bruta ou na pressa. Está na autoridade. Em saber exatamente onde tocar para ter a resposta que você quer.

Houve um silêncio na mesa. O comentário foi técnico, quase cirúrgico. Thais sentiu um arrepio estranho na nuca.

— Falou bonito! — Alisson quebrou o clima, sem entender nada. — Mas na prática, meu amigo, é bola na rede. Bom, chega de papo furado. Tô podre. Thais, bora pro quarto? O monstro saiu da jaula.

Alisson levantou, cambaleando levemente. Eduardo e Saráh permaneceram sentados. — Nós vamos ficar mais um pouco — disse Eduardo. — A noite está agradável.

— Juízo, hein? — brincou Alisson, puxando Thais pela mão. — Não vão acordar a vizinhança com o barulho da respiração de vocês.

Saráh sorriu, baixando os olhos. — Pode deixar, Alisson. Vamos tentar ser... silenciosos.

Meia hora depois, no quarto de Thais e Alisson.

O ar-condicionado lutava contra o calor do litoral. Alisson estava por cima de Thais, beijando o pescoço dela com entusiasmo, mas pouca técnica.

— Amor, você trancou a porta? — perguntou Thais, empurrando levemente o ombro dele. — Tranquei, relaxa — respondeu ele, ofegante. — Esquece eles. — É que a parede... dá para ouvir tudo. — Melhor ainda. Deixa o Edu ouvir e aprender como se faz.

A transa foi rápida. O álcool cobrou seu preço de Alisson, tirando a sensibilidade e o ritmo. Foi uma mistura de movimentos descoordenados e um final abrupto. Cinco minutos depois, Alisson rolou para o lado, apagado, roncando alto com a boca aberta.

Thais ficou acordada, olhando para o teto escuro. Ela sentia uma insatisfação irritante, não só física, mas mental. “O monstro saiu da jaula”, pensou ela com ironia. “Grande monstro.”

Ela olhou para o relógio digital no criado-mudo. 02:15 da manhã. O silêncio na casa era absoluto. Eduardo e Saráh deviam estar dormindo há horas.

Thais fechou os olhos, tentando dormir, quando ouviu.

Não foi um grito. Foi uma batida. Seca. Como pele contra pele, com força. Plaft.

Thais abriu os olhos. O som veio da parede atrás da cabeceira dela. Ela prendeu a respiração. Segundos depois, ouviu a voz. Não parecia a voz do Eduardo que jantou com eles. Era um tom grave, gutural, quase um rosnado baixo.

— Eu mandei você falar? — a voz atravessou o drywall como se não existisse barreira.

Thais congelou. Logo em seguida, a voz de Saráh. Não era a voz doce e polida. Era um gemido estrangulado, abafado, como se ela estivesse mordendo algo para não gritar. — Não, senhor...

Thais sentiu o coração disparar. Ela cutucou Alisson com o cotovelo, com força. — Alisson! Acorda! — Hã? Que foi? — Alisson resmungou, grogue. — Cala a boca e escuta. — Ela tapou a boca dele com a mão.

O silêncio reinou por cinco segundos. Então, o som da cama ao lado rangendo ritmicamente começou. Não era um rangido rápido e desesperado. Era lento. Pesado. Deliberado.

A voz de Eduardo soou de novo, calma e terrível. — Conta. Eu quero ouvir você contar cada um.

— Um... — a voz de Saráh saiu tremida, chorosa, mas carregada de um prazer inconfundível. Plaft. (Outro tapa, estalado). — Dois... Ai, meu Deus... Três...

Alisson arregalou os olhos na escuridão, o sono desaparecendo instantaneamente. Ele olhou para Thais, a boca entreaberta. — Caralho... — sussurrou Alisson. — O Edu tá batendo nela? A gente tem que...

— Shiii! — Thais apertou o braço dele, cravando as unhas. — Não é briga, seu idiota. Escuta o tom dela.

Eles ficaram imóveis, voyeurs involuntários. Do outro lado da parede, a dinâmica mudou. O ritmo acelerou. A polidez de Eduardo havia desaparecido completamente. Ele dizia coisas que fariam um marinheiro corar, descrevendo exatamente o que estava fazendo com a esposa, com uma vulgaridade suja que contrastava violentamente com sua imagem pública.

— Você gosta de ser usada assim, Saráh? Diz para mim. — A voz dele era pura dominância. — Eu amo... Eu sou sua... Por favor, Eduardo, não para... — Saráh suplicava, num tom de entrega total que Thais nunca tinha ouvido na vida real.

Alisson estava petrificado. Ele, que se orgulhava de ser o "pegador", estava ouvindo uma performance que o fazia parecer um amador virgem. O som da cabeceira deles batendo na parede aumentou, uma batida tribal, forte, constante.

— Olha pra mim — Eduardo ordenou, a voz rouca. — Não fecha os olhos. Eu quero ver você desmanchar.

Um grito abafado de Saráh atravessou a parede, seguido de uma série de gemidos longos, convulsivos, que duraram uma eternidade. Depois, o som de corpos desabando no colchão e respirações pesadas que podiam ser ouvidas no quarto vizinho.

Depois de um minuto de silêncio, a voz de Eduardo soou uma última vez, baixa, quase carinhosa, mas ainda com aquele tom de comando: — Boa menina. Agora pode dormir.

O silêncio voltou a reinar na casa.

No quarto dos "populares", Thais e Alisson estavam paralisados, olhando para a parede branca que os separava daquela realidade paralela.

Alisson engoliu em seco. Ele se sentia pequeno. A piada sobre "pijama de flanela" parecia agora a coisa mais estúpida que ele já tinha dito.

Thais sentiu o rosto queimar. Suas pernas estavam trêmulas debaixo do lençol. A imagem de Eduardo — o chato, o morno, o organizado — segurando uma taça de vinho e falando sobre "controle" voltou à mente dela com uma força devastadora.

— Eles... — Alisson tentou falar, mas a voz falhou. — Eles são doentes.

Thais virou para o lado, de costas para o marido, encarando a parede. Ela mordeu o lábio inferior, sentindo uma inveja corrosiva e uma excitação que não conseguia controlar.

— Não, Alisson — sussurrou ela para si mesma. — Eles não são doentes. Eles são profissionais. A gente é que é amador.

Fim do Capítulo 2

Foto 1 do Conto erotico: Férias ou Psicologia com amigos.... (2/10)

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Ficha do conto

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Nome do conto:
Férias ou Psicologia com amigos.... (2/10)

Codigo do conto:
252586

Categoria:
Traição/Corno

Data da Publicação:
19/01/2026

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