Às margens da floresta escura, onde os pinheiros gemem como almas penadas, João e Maria, já não mais crianças, mas moços de vinte invernos, guardavam um segredo que apodrecia como fruta madura ao sol. Aos pais, contaram que a bruxa da casa de doces ardera em seu próprio forno, reduzida a cinzas e fumaça negra.
Mentira sacrílega.
A velha ainda respirava, encurralada na mesma cela de ferro onde outrora aprisionara João, engordando-o como um porco para o Natal. Há dez anos, a bruxa apodrecia ali, alimentada por migalhas de pão duro, água turva de poça, e o espetáculo dos corpos entrelaçados daqueles que jurara devorar.
Os pais, alheios, viviam sua vida de orações e trabalho. Mas João e Maria, oh, eles sabiam do poder que tinham. Há três anos, descobriram que a vingança mais doce não era matá-la, suprimir sua liberdade, mas fazê-la assistir. Fazê-la ver como se devoravam um ao outro, irmão e irmã, carne e pecado, unidos não só pelo sangue, mas por uma fome que só eles saciavam.
No início, era apenas para fazê-la sofrer. Mas depois, virou puro prazer. Vício.
A noite era úmida, o ar pesado como chumbo. João, de ombros largos e costas marcadas por cicatrizes de chicote — marcas da bruxa quando o aprisionara —, carregava o cesto de vime com pão mofado e um odre de água podre. Maria, de quadris largos como os da mãe, os cabelos negros e crespos caindo até a cintura, seguia atrás, os pés descalços afundando na terra mole. Seus pelos, espessos e cacheados como um bosquetim selvagem, escapavam por entre as coxas, úmidos do suor da caminhada.
A bruxa já os esperava, acorrentada ao forno de ferro. Seus olhos, amarelados como sebo de vela, fixaram-se em Maria, que despiu o vestido de linho grosso, deixando-o cair no chão encharcado. Seus seios, pesados e redondos como maçãs maduras, balançavam levemente a cada movimento, os mamilos escuros e duros como pedras de rio. Entre as coxas, o pelo negro e encrespado brilhava com o suor, como um convite obsceno.
— Olha bem, bruxa — disse Maria, passando os dedos por entre os pelos úmidos, abrindo-se sem vergonha.
— Vais assistir a tudo, como sempre. E se fechares os olhos, não terás nem gota d’água por uma semana.
João, já nu, com o membro ereto e grosso como um cabo de enxada, aproximou-se por trás da irmã. Seus pelos pubianos, mais claros que os de Maria, formavam um triângulo espesso que descia até a base do pau, onde uma veia latejava como um coração diabólico.
— Ela gosta de ver, Maria — rosnou João, segurando os seios da irmã com as mãos calejadas, beliscando os mamilos até que ela gemesse.
— Gosta de ver como te como, como te fodo. Não é, bruxa?
A velha rosnou, mas não desviou o olhar. Sua boca, seca como pergaminho, abriu-se em um silvo de ódio.
— Isso é pecado. São irmãos!!! Sois doentes, malditos!
Maria riu, arqueando as costas para que João pudesse lamber suas nádegas, a língua quente e úmida como a de um cão faminto.
— Doentes como tu, velha — ela respondeu, afundando os dedos nos pelos do irmão, guiando-o para dentro dela.
— Mas nós, ao menos, gozamos.
João ajoelhou-se atrás de Maria, as mãos nos quadris dela, os dedos afundando na carne macia. Ela estava de joelhos, as coxas abertas, os pelos negros e encrespados colados de suor, enquanto o irmão enterrava o rosto entre suas pernas, a língua traçando círculos em seu sexo inchado.
— Ahhh… — Maria gemeu, as mãos nos ombros da bruxa, forçando-a a encará-la.
— Vês como ele me lambe, bruxa? Como sabe onde eu gosto…
João levantou o rosto por um instante, os lábios brilhantes de umidade, um sorriso lascivo estampado.
— Tão molhada, Maria… — ele murmurou, voltando a afundar a língua nela, arrancando um gemido abafado.
— E tu, bruxa? Também estás molhada? Ou só de raiva?
Maria riu, as unhas cravando na pele enrugada da velha, forçando-a a manter os olhos abertos.
— Responde, puta velha — ela exigiu, mordendo o lábio enquanto João chupava seu clitóris com voracidade.
— Gostas de ver como ele me come? Como eu gozo na boca dele?
A bruxa tentava desviar o rosto, mas Maria segurou seu queixo com força, os dedos sujos de terra e suor.
— Olha — ela ordenou, empurrando a cabeça da bruxa para mais perto, como se quisesse que ela aspirasse o cheiro do prazer deles.
— Olha como ele me lambe. Como me faz gemer. Nunca terás isso, bruxa. Nunca.
— Queria a carne do meu irmão quando jovem — Maria sussurrou, os olhos brilhando de malícia.
— Agora, vês o prazer que ele dá à minha carne de mulher.
João gemeu contra o sexo de Maria, a língua movendo-se com mais velocidade, os dedos beliscando seus mamilos até que ela se contorcesse de prazer.
— Goza pra ela, Maria — ele murmurou, a voz abafada entre suas coxas.
— Goza bem gostoso, pra esta puta velha sentir inveja.
Maria arqueou as costas, os seios balançando, os gemidos saindo em ondas quentes.
— Ahhh, João… assim… assim… — ela ofegou, as mãos ainda nos ombros da bruxa, como se precisasse se apoiar para não desmoronar.
— Vês, bruxa? Vês como é bom? Como é gostoso?
A bruxa rosnou, os olhos cheios de ódio, mas incapazes de desviar.
— Isso é nojento. Sois animais! Não sei se o pior é o ato ou querer que alguém assista.
Maria sorriu, ofegante, enquanto João a levava ao clímax com a boca, os dedos, a língua.
— Animais como tu nos fizeste — ela respondeu, o corpo tremendo, o prazer explodindo dentro dela como um raio.
— Mas nós, ao menos, não escondemos. Nós gozamos.
E ela gozou, as coxas apertando o rosto de João, os gemidos ecoando pela clareira, enquanto a bruxa assistia, acorrentada, sedenta, e cheia de uma fome que nunca seria saciada.
João levantou-se, o membro latejante e úmido, os olhos fixos na bruxa. Ele segurou Maria pelos quadris, puxando-a para si, e penetrou-a com um movimento firme, arrancando dela um gemido longo e rouco. A bruxa não pôde evitar: seus olhos desceram, fascinados, enquanto o corpo de Maria se adaptava a João, os músculos internos apertando-o como uma luva quente.
— Ahhh, por Deus… — Maria arfou, a cabeça jogada para trás, os cabelos negros colados às costas suadas.
— Ela está olhando, João. Sinto os olhos dela queimando em mim.
João começou a mover-se, devagar a princípio, cada investida arrancando um gemido de Maria. Ele segurou os quadris dela com força, os dedos marcando a pele, enquanto a bruxa assistia, hipnotizada, o corpo trêmulo como se fosse ela quem estivesse sendo penetrada.
— Vês como ela me aperta, bruxa? — João grunhiu, o ritmo acelerando, a pele batendo contra a pele em um som úmido e obsceno.
— Como ela me avança por dentro, como se nunca quisesse me soltar.
Maria gemeu, as palavras saindo entrecortadas:
— É… é como se tu fosses feito pra mim, irmão. Como se… ahhh… como se nosso corpo soubesse o que o outro precisa antes mesmo de a gente saber.
A bruxa tentou fechar os olhos, mas Maria esticou o braço, agarrando seu queixo com força, forçando-a a manter o olhar fixo.
— Não, puta velha — Maria ordenou, a voz rouca de prazer.
— Olha. Olha como ele me fode. Como eu gozo nele. — Ela arqueou as costas, empurrando-se ainda mais contra João, os seios balançando.
— Sentes a inveja corrompendo tua alma? Sentes como tu também querias isso?
João gemeu, as mãos deslizando para a frente, beliscando os mamilos de Maria enquanto ele a penetrava com mais força, cada movimento arrancando dela um som mais alto, mais desesperado.
— Tu nunca terás isso — João rosnou, os olhos fixos nos da bruxa.
— Nunca terás alguém que te conheça tão bem que até a dor vira prazer. Nunca terás alguém que te queira tão suja, tão profunda, quanto eu quero ela.
Maria soltou um grito, o corpo tremendo enquanto o orgasmo a atingia como uma onda. João sentiu o próprio prazer subir, queimando em suas veias como lava. Com um rosnado, ele saiu de dentro de Maria, aproximou-se da bruxa e, com a mão firme, apontou o membro para o rosto da velha.
— Abre a boca, puta — ele ordenou, os olhos brilhando de crueldade.
— Vou te dar o que sempre quis: um pouco de nós.
Maria segurou a cabeça da bruxa, deixando bem na frente do pau do irmão.
João gozou, jatos quentes e espessos caindo dentro da boca, sobre os lábios ressecados da bruxa, o queixo, o pescoço enrugado. Ela tentou recuar, mas as correntes a mantinham presa. Seus olhos, antes cheios de ódio, agora brilhavam com algo mais: uma fome que ia além da carne. Uma fome por aquilo que nunca poderia ter.
Maria aproximou-se, passando os dedos pelo sexo ainda úmido e depois pelos lábios da bruxa, espalhando o sêmen de João como um ungüento profano.
— Lambe — ela sussurrou, a voz doce e venenosa.
— Prova o que nunca terás. Se não fizer, não terá pão e agua.
A bruxa hesitou, mas a sede e a humilhação falavam mais alto. Sua língua, trêmula, tocou os lábios, e o gosto salgado e amargo do pecado encheu sua boca. Quando terminou, seus olhos encontraram os de Maria, e um sorriso torto, quase triunfante, curvou seus lábios ressecados.
— Pensais que me quebrais — ela sibilou, a voz rouca, mas firme.
— Mas não vedes? Sois meus maiores demônios… e eu, vossa maior obra. Sem mim, não haveríeis conhecido a profundidade de vosso próprio inferno.
Maria riu, baixinho, enquanto João jogava um punhado de pedrinhas brancas dentro da cela, as mesmas que marcavam o caminho de volta.
— Até daqui a duas semanas, bruxa — ela disse, vestindo o vestido com lentidão, cada movimento uma tortura.
— Até voltarmos para te mostrar, mais uma vez, o que nunca terás.
E saíram, deixando a bruxa com o gosto deles na boca e a certeza de que, da próxima vez, ela imploraria para olhar.
Porque algumas prisões não têm grades. E alguns pecados são tão doces que até o Diabo choraria por não prová-los.




