O quarto estava quente demais. O ar-condicionado desligado de propósito. Eu ainda sentado na beira da cama, só de cueca, sentindo o peito apertar de um jeito que não tinha nada a ver só com tesão. Era as duas coisas ao mesmo tempo: vontade e algo mais fundo, mais perigoso.
Ele se aproximou sem dizer nada. Tirou a camisa devagar, a corrente de ouro batendo no peito suado.
Os olhos dele não desviavam. Escuros, abertos demais, como se estivessem pedindo alguma coisa que a boca ainda não conseguia falar.
Quando se ajoelhou entre minhas pernas, as mãos dele tremeram um pouco nas minhas coxas. Só um pouco. Eu senti.
Ele puxou a cueca para baixo e o pau latejou livre, já duro, quase dolorido, a veia latejando na lateral. Ele olhou para ele como se fosse sagrado. Depois levantou o rosto e me encarou de novo. A respiração dele estava irregular.
— Deixa eu te chupar — murmurou, a voz rouca, quase quebrada.
Não era só vontade. Era necessidade. Era como se ele precisasse daquilo para se manter inteiro.
Eu não respondi com palavras. Só passei a mão no cabelo preto e bagunçado dele, apertando de leve, e ele fechou os olhos por um segundo, como se aquele toque fosse demais. Depois abriu de novo, me encarando, e abaixou a cabeça.
A língua quente e molhada passou primeiro pela cabeça. Lenta. Tremendo. Passou por baixo do freio, chupou só a glande com os lábios apertados, e depois abriu a boca e engoliu.
O calor apertado da garganta dele me fez gemer baixo. Ele desceu até o meio, subiu quase até a ponta, deixando a saliva escorrer grossa pelo pau e pingar nos ovos, e desceu de novo, mais fundo. O nariz dele quase encostou na minha pele. Eu senti a garganta ceder, o esforço, o tremor.
Ele parou com o pau ainda dentro da boca e levantou o olhar. Aqueles olhos grandes, quase marejados, me encarando enquanto a língua mexia em círculos por baixo. Como se quisesse que eu visse exatamente o quanto ele gostava de estar ali, engasgando no meu pau. Como se aquele momento fosse a única coisa que fazia sentido.
Uma das mãos — a que usava a pulseira preta — subiu e segurou a base, apertando com força enquanto a boca trabalhava só a cabeça. Depois soltou e foi direto para os ovos, puxando-os com os dedos, massageando, enquanto chupava fundo de novo. O barulho molhado enchia o quarto.
Salamandra. Garganta. Respiração pela narina. O som úmido de saliva e pele.
Ele se entregava de um jeito quase devoto. Os olhos fechavam quando engolia até o fundo, as sobrancelhas franzidas de esforço, o rosto vermelho, a barba e o bigode brilhantes de saliva. Depois abriam de novo, brilhantes, me olhando como se estivesse pedindo mais. Ou agradecendo. Ou se desmontando.
Eu agarrei o cabelo dele com mais força. Não para controlar — para sentir. Ele gemeu em volta do pau, o som vibrando direto na minha pele, e chupou ainda mais fundo, a saliva escorrendo pelo queixo, pingando nos meus ovos, escorrendo pela minha virilha. O peito dele subia e descia rápido. A corrente de ouro balançava.
O ritmo ficou mais rápido. Mais molhado. Mais desesperado. Ele não se importava com a bagunça. Só queria me engolir inteiro, até o último centímetro, até eu sentir a garganta dele se contrair ao redor da cabeça. Até o nariz esmagar contra a minha pele. Até eu sentir que ele estava se afogando de propósito.
Quando eu comecei a tremer, ele não tirou a boca.
Continuou me olhando, os olhos quase marejados de esforço e de outra coisa — aquela necessidade crua —, a boca bem aberta, a língua pressionando por baixo enquanto eu gozava direto na garganta dele.
Quente. Espesso. Ele engoliu tudo. Sem recuar. Sem desviar o olhar. Engoliu e continuou chupando, mais devagar agora, como se quisesse extrair até a última gota.
Só quando a última onda passou ele soltou o pau com um estalo molhado. A boca vermelha, inchada.
A barba brilhante de porra e saliva. Ainda ajoelhado entre minhas pernas, ainda me olhando daquele jeito intenso, quase feroz.
A respiração dele estava ofegante. Os lábios entreabertos. Os olhos ainda presos nos meus.
Como se ainda não tivesse terminado.
Como se quisesse mais.
Como se aquilo fosse a única coisa que o mantinha vivo.