Conto 6 – O Fim da Liberdade


Já fazia meses que o apartamento do fundo estava vazio.

O pequeno cômodo no final do quintal, com sua porta independente, o banheiro apertado e a janela que dava direto para o tanque de lavar, tinha se tornado quase uma extensão da nossa nudez. Quantas vezes eu tinha entrado ali nua, me masturbado no colchão velho, ou simplesmente ficado deitada sentindo o vento quente entrar pela janela aberta enquanto a buceta peluda latejava ao ar livre.
Mas todo aluguel vazio um dia encontra dono.
Foi numa terça-feira que o telefone tocou.

Um homem de voz grave, educada. Disse que se chamava João, tinha uns quarenta e cinco anos, era viúvo, morava sozinho e estava procurando um lugar simples e sossegado. Marcou de vir ver o apartamento no dia seguinte, no meio da tarde.
Eu estava na escola, de uniforme completo, suando por baixo da blusa e da saia, a calcinha já úmida só de imaginar o quintal vazio me esperando. Quando cheguei em casa, a mãe estava na cozinha, ainda vestida com o vestido simples que usava para receber gente de fora.
— Tivemos visita — ela disse sem rodeios. — O senhor João. Viúvo. Parece um homem direito. Gostou do apartamento e resolveu ficar. Vai se mudar no sábado.
Senti o estômago afundar.
— E a gente? — perguntei, já sabendo a resposta.
A mãe suspirou, cansada, e me olhou de cima a baixo. Eu ainda estava de uniforme, mas ela já conhecia o corpo que havia por baixo: os seios pesados, a bunda grande, a buceta coberta de pelos densos e pretos.
— A partir de agora, Cláudia, nossa vida nudista fica restrita aos quartos. Porta fechada. Janela fechada.

Não podemos mais andar nuas pela casa, muito menos no quintal. Vamos ter inquilino.

Não quero conversa, não quero reclamação. É assim que tem que ser.
Tentei argumentar. Falei do calor, da liberdade, de Adão e Eva, de tudo que a gente tinha construído aos poucos. Ela só balançou a cabeça.
— É diferente quando é só a gente. Agora tem homem estranho do outro lado do quintal. Acabou.
No sábado, Seu João se mudou.
Chegou num carro velho, com poucas caixas e uma mala. Homem alto, um pouco barrigudo, cabelo já grisalho nas laterais, pele queimada de sol. Tinha jeito de quem trabalhou a vida inteira. Cumprimentou a mãe com educação e me cumprimentou com um aceno tímido quando me viu na porta da cozinha, ainda vestida.
Eu fiquei olhando pela janela enquanto ele carregava as coisas para o apartamento do fundo. Cada caixa que entrava parecia uma tranca a mais na nossa liberdade.
Naquela mesma tarde, pela primeira vez em semanas, tive que me vestir para atravessar o quintal. Coloquei um short e uma camiseta larga. Mesmo assim sentia a roupa grudando no corpo, o tecido roçando nos mamilos, a costura do short apertando a bunda grande e subindo entre as nádegas. A buceta peluda coçava, revoltada por estar coberta.
À noite, depois que a luz do apartamento do fundo se apagou, entrei no quarto da mãe. Ela estava sentada na cama, ainda de camisola.
— Tira isso — eu pedi baixinho.
Ela hesitou só um segundo. Depois puxou a camisola pela cabeça. Os seios pesados caíram livres. A buceta com pelos mais ralos e alguns fios grisalhos apareceu quando ela tirou a calcinha. Eu me despí na frente dela, rápido, quase com raiva. Meus seios pesados balançaram. A bunda grande ficou exposta. A buceta peluda e densa, já úmida de frustração e desejo contido, ficou à mostra.
Deitamos lado a lado na cama estreita, nuas, porta trancada, ventilador ligado no máximo. O corpo dela quente encostando no meu. O cheiro familiar de suor e pele descoberta.
— Vai fazer falta — ela murmurou no escuro.
— Vai — respondi, a mão já descendo para entre as minhas próprias pernas, os dedos sumindo no mato preto e molhado. — Vai fazer muita falta.
Do outro lado do quintal, Seu João dormia.

E a nossa liberdade nua tinha ficado trancada atrás de uma porta.


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Ficha do conto

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Nome do conto:
Conto 6 – O Fim da Liberdade

Codigo do conto:
272364

Categoria:
Exibicionismo

Data da Publicação:
15/09/2026

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