Sempre tinha ido pescar com ele, nadar no rio, ajudar a limpar peixe. Era um homem calado, de mãos calejadas, que me tratava com um carinho meio bruto, mas verdadeiro.
Cheguei no começo da tarde. Ele ainda estava na roça. Aproveitei para arrumar a casa: varri o chão de madeira, organizei a pouca roupa que tinha levado, limpei a mesa. Quando o sol já estava mais baixo, ele apareceu, suado, com o terçado na mão e o chapéu torto.
Conversamos um pouco. Ele perguntou da mãe, da escola, da cidade. Eu respondi pela metade. Não falei nada sobre a nova vida. Sobre Seu João. Sobre os clientes. Sobre eu e minha mãe virarmos putas.
Já estava um pouco escuro quando resolvi tomar banho.
A luz amarela da casa iluminava o trapiche. O rio corria lento, preto, refletindo o pouco clarão.
— Vou logo ali, pai — avisei.
Ele apenas acenou, sentado no banco da frente, já acendendo um cigarro.
Desci até o trapiche. O lugar era afastado, deserto. Nenhum barulho além do rio e dos insetos. Tirei toda a roupa sem pressa. A camiseta, o short, a calcinha. Fiquei nua sob a luz fraca que vinha da casa. Os seios pesados livres, a bunda grande ao ar, a buceta peluda e densa sentindo a brisa úmida que subia da água.
Entrei no rio até a cintura. A água preta era morna. Comecei a me ensaboar com calma, passando a mão nos seios, na barriga, entre as pernas, abrindo os lábios peludos para a água entrar. Quando levantei o olhar na direção da casa, vi meu pai.
Ele estava na janela, o cigarro aceso entre os dedos, o corpo imóvel. Olhando direto para mim. Nua. Completamente nua na beira do rio.
Não me importei.
Continuei o banho. Virei de lado, depois de costas, deixando a luz da casa iluminar a curva da minha bunda e o caminho dos pelos densos quando abria as pernas para enxaguar. Fiquei mais tempo do que precisava. Quando terminei, saí da água, peguei a toalha e me enrolei nela sem muita pressa. Os seios ainda apareciam por cima. A bunda também.
Voltei para a casa pingando. Ele tinha voltado a sentar no banco da frente, o cigarro quase no fim.
Sentei do lado dele. A toalha subiu um pouco nas coxas. Conversamos sobre a roça, sobre o peixe que ele queria pescar no dia seguinte, sobre o tempo. A voz dele estava normal, mas os olhos desciam de vez em quando para onde a toalha mal cobria.
Em determinado momento, cansei de esconder.
Parei de falar, olhei para ele e simplesmente abri a toalha.
Deixei cair dos ombros. Fiquei nua na cadeira, os seios pesados à mostra, a buceta peluda visível entre as coxas entreabertas, a pele ainda úmida do rio.
— Pai… preciso te contar uma coisa.
Ele apagou o cigarro no chão, sem desviar o olhar do meu corpo. O silêncio ficou pesado, quebrado só pelo barulho da água preta correndo no escuro.
Eu respirei fundo, os mamilos endurecidos pelo ar da noite, e comecei a falar.