Lucas já estava sentado no sofá, vidrado no desenho, com a camiseta do Brasil que meu pai comprou na barraca da praia. Ficava grande nele. Mais uma coisa que eu via e fingia que não mudava nada.
Ele chegou perto das dez, sem avisar. Bateu palmas no portão, como um homem do interior acostumado a se anunciar. Quando abri, ele estava encostado no carro com um saco de mangas na mão e uma blusa de botão que eu nunca tinha visto. Cinza, de linho, com as mangas dobradas até o meio do braço. Meus olhos foram direto pro antebraço dele, moreno, veiado, aquela mão grande segurando o saco de fruta.
“Vim almoçar”, ele disse. “Se tiver lugar na mesa.”
“Mesa a gente tem. Cadeira contada.”
Ele sorriu. O bigode branco subiu um pouco, e o rosto inteiro mudou de figura. Eu odiava quando isso acontecia, porque esquecia quem ele era por um segundo. E esse segundo bastava para o calor subir do peito até a nuca.
Almoçamos. Ele e Lucas brigando por manga, lambuzando os dedos. Ri atrás do copo d’água. Quando a risada escapou alta, os dois pararam e olharam pra mim como se eu tivesse cantado no meio da sala. Antonio me encarou por um instante comprido demais e desviou o olhar antes que eu também desviasse.
Depois do almoço, lavei a louça. Ele ficou na sala com o menino, vendo desenho com uma paciência que eu não conhecia. Quando sentei no braço do sofá,
toquei o ombro dele e falei:
“obrigado!”
“pelo que!? ele perguntou
“por fazer o meu filho feliz”
ele sorriu e tocou minha coxa.
“Por nada minha filha”
Olhei aquele mão pesada, quente sobre minha coxa, movendo despretensiosamente pra cima e para baixo.
Aquele movimento acabou me hipnotizando, fiquei encarando a mão dele, ele me olhou e disse:
“Ta tudo bem!?”
Tá!! respondi
“voce ficou estranha”
“não é nada”
Me levantei indo para cozinha e comecei a falar sozinha. “o que foi aquilo!?” porque senti aquele calor quando a mão dele tocou minha coxa!?”
Então ele tirou a camisa:
“o que o senhor vai fazer!?”
“Só quero apertar essa torneira. Isso é algo que já vem me irritando faz tempo
“Não precisa se incomodar com isso pai”
Mas ele insistiu, entao me restou ficar de camarote olhando ele mexer na torneira.
Agua começou a espirrar nele,enquanto ele pressionava a torneira.
“anda, ajuda aqui filha”
“com que!?”
“Coloca o dedo aqui enquanto eu faço a vedação
fiz o que ele me pediu, mas comecei a me molhar toda
“aai pai, anda logo com isso”
“tou quase”
ele começou a enrolar em volta a torneira um material e aos poucos a agua foi perdendo força
“ai pai, pra que o senhor foi mexer no que tava quieto rsrsrs”
“pronto, viu nem foi tão ruim”
“não,!? olha nosso estado, ambos encharcados”
Ele começou a rir”
“espera,vou pegar uma toalha pra gente”
voltei com uma toalha azul, me aproximei dele e com as duas mãos comecei a enxugá-lo.
Comecei pelo peito dele, fazia um movimento circular, os pingos escorriam entre os pelos dele, desciam ate chegar na barriga. Eu movia minhas mãos na
mesma direção
Quando ergui minha cabeça, flagrei meu paii com os olhos perdidos no meu decote
Eu tinha seios grandes que mal podia ficar Contidos na minha blusa azul de alcinha
Nos olhamos por alguns segundos, ele colocou as duas mãos sobre meu ombro, sorriu e disse: “obrigado filha” e saiu me deixando para com a toalha na mão
“ele realmente estava olhando para os meus peitos!?”
“claro que estava, pra onde mais estaria!?”
Fui ate o quarto trocar de blusa, quando voltei ele disse que precisava ir
Só não me disse que ia demorar tanto a voltar
um,dois,tres dias e nada. no quarto dia, olhei o celular pela terceira vez com a esperança que fosse tocar.
Lucas briancava no chão da sala com os carrinhos que o avô trouxe no mes passado
fala sozinho ,criando historias onde um caminhão vermelho sempre chegava primeiro
Perguntava pelo vovo a cada cinco minutos
“mae ,ele vem hoje”
mordi o labio
“talvez amor.vamos esperar
Sem retorno por parte dele, comecei a achar que tinha culpa por ele ter sumido.
Será se aquele episdio da tolha, ele olhar meus peitos assustou ele!? era só nisso que conseguia pensar
aquilo começou a me remoer por dentro.
Quando peguei o celular para ligar pra ele, o celular tocou.
era meu pai,atendi.
Então ele disse que sua mulher, elaine estava doente. mas que na proxima semana vinha sem falta
fiqluei levemente aliviada, afinal nenhuma ação minnha tinha causado o distanciamento dele
Porém a semana passou e ele não voltou
liguei pra ele
“pai o senhor que me contar algo? eu fiz alguma coisa que o senhor nao gostou!?”
“voce nao fez nada filha!”
“então porque essa mudança repentina!?
Ele gaguejou e disse que só estava ocupado com algumas coisas do trabalho
“antes era a mulher,agora o trabalho, é só isso mesmo!?”
“claro que é,tou fazendo muita entrega e chegando tarde, tou cansado,só isso!”
E os dias iam passando, as desculpas eram as mesmas
Até que cansei se procura-lo
Então, depois de semanas, por volta das 19:00 horas da noite, tinha acabado de dar janta do meu filho
Escuto a batida seca na porta. Três toques.
Abri a porta e então..
— O senhor tem coragem, hein?
Ele estava com as mãos enfiadas nos bolsos da calça amassada, o cabelo crespo revoltado como se ele tivesse passado os dedos por ele várias vezes. Dois pacotes de pão de queijo na sacola plástica. Um pedido de desculpas barato.
— Trouxe teu favorito — ele disse, levantando a sacola como um escudo.
cruzei os braços. A blusa branca colava no corpo por causa do calor do fogão.
— Três semanas, pai. Três. Sem uma mensagem, sem uma ligação.
Lucas apareceu atrás de mim, esfregando os olhos. Pijama do superman, cabelo bagunçado de soneca.
— Vovô?
meu pai se agachou na hora, o rosto se abrindo num sorriso. O menino correu para os braços dele, e por um segundo senti uma fissura quente no peito.
— Oi, campeão. Tá grande, hein? — ele levantou Lucas no ar, e o riso da criança ecoou pelo corredor pequeno.
Lucas puxou meu pai para o quarto, mostrando algum desenho novo, e eu fiquei sozinha com o vapor subindo da panela e o zumbido da geladeira. O silêncio
de uma casa de mãe solteira.
Alguns minutos depois, meu pai reapareceu na porta da cozinha, sem o Lucas que devia ter voltado a brincar sozinho
— O senhor sabe que ele pergunta por você. Toda semana. Toda semana, pai.
Meu pai passou a mão pelo rosto,A camisa aberta no colarinho mostrava a pele morena do peito, o leve peso da barriga.
Ele suspirou. Sentou-se à mesa pequena, os cotovelos apoiados, a cabeça baixa. Parecia um menino castigado.
— Ela fica nervosa quando eu falo de você.. — Não sei explicar.
— Eu sabia que era algo assim. então vai ser assim?
—o que !?
—não vai vim mais nos ve!?
—claro que vou ve voces, eu não tou aqui!?
—É,ta
—então!
—mas não sei até quando
ele baixou a cabeça
— não precisa mais vim
— não diz isso
— é sério pai, não vem mais. Não aguento ve o lucas triste por causa do senhor
ele engoliu seco
— desculpa
me virei, tentando esconder as lagrimas
— não aguento ve ele sofrer sentindo a falta do senhor,
então me virrei lentamente
"eu também não quero mais sentir falta do senhor
Ele levantou-se, veio a minha direção, passou o polegar no meu rosto afastando a lagrima
Ele olhou para mim por tanto tempo que cheguei a sentir cada ano que passou entre aquele homem e a menina que ele um dia carregou no colo. Depois ele levantou a mão direita, devagar, como quem pede licença pra atravessar uma porteira. Passou os dedos pela minha bochecha, desceu até o canto da boca, parou ali, o polegar tocando meu lábio com uma leveza que doeu.
“voce sentiu mesmo minha falta né!"
"muita e de uma maneira que nunca imaginei!"
Fechei os olhos. A mão dele continuou ali, quente, pulsando de leve contra a minha pele. O mundo ficou pequeno.
Quando abri os olhos, ele estava mais perto. O rosto dele a um palmo do meu. Eu podia ver a linha exata onde o cinza vencia o preto nos fios da barba por fazer. Podia ver a boca dele, entreaberta, aquela respiração vindo até mim como um convite.
A mão dele desceu um pouco mais. Os dedos encontraram a curva do meu pescoço, deslizaram para a parte de trás, afundaram levemente no meu cabelo ainda úmido da noite. Eu soltei o ar devagar. Minha mão subiu sozinha e pousou no peito dele, naquela camisa de linho, sentindo o coração bater do outro lado.
Senti o peito dele subir e descer. Senti o cheiro de cigarro, sabonete e suor. Senti, pela primeira vez em muitos anos, o peso de um homem que me queria perto.
Então ele encostou a boca dele na minha, de leve, abri a boca, subi a mão pelo peito dele, agarrei a camisa de linho na altura do colarinho.
— filha ele tentou, entre um beijo e outro. “A gente não devia…”
— Xiuu, não volta atrás, não agora
Continua.....
Obrigado nanda
Nossa adoro contos com enredos assim, parabéns.