Mas ignorei, os dias foram passando e a minha estranheza com alguns comportamentos dele só aumentava
Eu perguntava: “o senhor ta bem!?
Ele respondia:”sim”
E conforme eu continuava a questioná-lo mais ele se irritava.Deixei pra lá
Até que um dia, estava no meu quarto sozinha, já era tarde da noite. Meu pai, Salvino, dormia cedo por causa do trabalho na roça.
Eu estava deitada de barriga pra cima, olhando o teto, vestia apenas um shortinho branco com imagens de ursinho e um top preto. Quando ouvi pela primeira vez. Um gemido baixo. Abafado.
Segurei a respiração pra escutar melhor. Silêncio. Talvez tivesse sido o vento batendo na janela, ou a madeira velha rangendo. Cinco minutos depois veio de novo. Mais alto. Dessa vez com um resmungo de dor.
Levantei da cama devagar. O chão de gelado, esburacado ia arranhando meus pés.
escutei um “ai, ai” mais forte
Continue andando pela casa, agora pelo corredor escuro.
Fui atravessando o corredor segurando na parede até que alcancei a porta do quarto do meu pai.
Encostei meu ouvido na porta e ouvi:
“Aaaai aaiii ta doendo, como isso doi.”
“Meu Deus, é o meu pai”
A porta do quarto dele estava entreaberta, e um facho de luz escapava pelo vão. Encostei a mão na porta e empurrei.
Meu pai estava deitado, cobertor jogado no chão, pernas abertas, e a mão fechada em volta do pênis. Erguido. Duro. Ele gemia entre os dentes e forçava os olhos fechados como quem estava tentando segurar uma dor que não passava.
“pai!? o que o senhor tem!?
Ele abriu os olhos de um jeito brusco, e a vergonha tomou conta do rosto dele em dois segundos. Puxou o lençol até o peito, mas não conseguiu esconder o volume embaixo do tecido, que ficava erguido como um poste debaixo da capa.
“o que você ta fazendo aqui menina”
“eu escutei um barulho, um gemido e vim ve o que era”
— Francisca, volta pra cama. Não é nada.
— O senhor tá gemendo de dor. Eu escutei.
— Não é nada, filha. Vai.
— Se o senhor tá com dor, a gente vai no médico. Levanta.
— Francisca, são quase onze da noite.
— O doutor Luiz atende a qualquer hora. O senhor sabe disso. Levanta.
Ele resmungou, mas se levantou. Vestiu a calça com uma dificuldade incrivel, mas ele não eme deixava ajudar. Então virei o rosto pra não vê o pau dele novamente. A gente saiu de casa juntos, ele mancando e segurando a virilha por cima do tecido, eu com uma lanterna na mão.
O consultório do doutor Luiz ficava a três quadras. Era uma casa simples, com uma placa de metal enferrujada e uma luz amarela acesa na janela da frente. Bati três vezes na porta de madeira. Esperei. Bati de novo.
A porta abriu, e o doutor apareceu de pijama listrado, cabelo desgrenhado e olhos apertados.
— Francisca? Que horas são, menina?
— Meu pai tá mal, doutor. Ele tá com uma coisa.
O doutor olhou pro meu pai, e o olhar dele parou na cintura dele por um segundo a mais do que o normal. Ficou sério na hora.
— Entra. Os dois.
A sala de atendimento era pequena, com uma maca encostada na parede, um armário de metal e um cheiro forte de álcool. Meu pai sentou na maca, e o doutor Luiz pediu que ele mostrasse onde doía. Meu pai hesitou. Olhou pra mim. Eu fingi olhar pra parede, mas não saí de perto deles
— Doutor, é... é vergonhoso. — A voz dele saiu rouca.
— Seu Salvino , eu sou médico. Isso aqui é uma consulta. Mostra.
Ele abaixou a calça até o joelho. O pênis dele subiu livre, grosso, cheio de veias, apontando pro teto. Eu nunca tinha
visto um pau de perto em toda a minha vida. Fiquei parada, com a respiração presa, sem saber onde olhar.
O doutor se aproximou,olhou, fez algumas perguntas e disse:
— Isso é priapismo, seu Salvino. Ereção involuntária, persistente e dolorosa. Dura mais de quatro horas, dependendo do caso até mais e não tem nada a ver com desejo ou estímulo. É uma condição clínica.
Meu pai olhou pra mim.
— Francisca, presta atenção no que eu vou te falar. Sempre que seu pai tiver essas dores, você vai fazer ele tomar banho com água morna. Se não passar, gelo no local da dor. E massagem também ajuda. Entendeu?
— Não tem remédio, doutor?
— Por enquanto, vamos ver se ele melhora com esses cuidados. Se piorar, a gente pensa em outra coisa. Mas o tratamento imediato é esse.
Olhei pro meu pai. Ele estava encolhido na maca, com os olhos no chão, agora com suas vergonhas escondidas. Eu entendi naquele instante que se não fosse eu, ninguém mais poderia ajudar. A gente só tinha um ao outro.
— Eu cuido dele, doutor.
Duas semanas se passaram antes que ele voltasse a sentir dor. Eu estava lavando louça quando ouvi os gemidos vindo do quarto de novo. Encontrei meu pai sentado na cama, com a mão na virilha, rosto vermelho de dor. Chamei ele pro banheiro.
— Vem. Banho morno.
Ele entrou de baixo do chuveiro, e eu fiquei do lado de fora, fui pegar a toalha. Quando voltei a cortina estava aberta. Fiquei parada na entrada do banheiro, com a toalha no ombro, observando a água cair sobre ele, e de relance, eu vi o pau dele de novo. Erguido. Pulsando. Continuei lá, parada, agora com a toalha nas mãos, e o peito subindo e descendo, sem saber se olhava ou se virava pro lado.
Três dias depois,dessa vez, o gemido veio mais cedo, ainda com sol lá fora, e eu já sabia o que era antes de chegar na porta do quarto. Meu pai estava sentado na beirada da cama, o rosto vermelho, as mãos apertando o colchão dos dois lados do corpo.
— De novo, pai?
Ele só assentiu com a cabeça, sem olhar pra mim.
Fui até a cozinha. Abri o congelador, tirei cinco pedras de gelo, peguei um pano de prato velho aquele que já tinha manchas de café e um rasgo na ponta e enrolei as pedras ali dentro, fazendo uma trouxinha. Quando voltei, ele ainda estava na mesma posição, só que agora com a calça do pijama esticada na frente, o volume empurrando o tecido como se quisesse furar.
— Toma. Põe aí dentro.
Ele pegou a trouxinha com a mão grossa, cheia de calos de enxada, e enfiou por dentro do do calção. Ajeitou contra o pau dele. Depois deixou o corpo cair pra trás na cama, os olhos fechados, a respiração pesada.
Sentei na cadeira de palha ao lado da cama e fiquei olhando o teto com ele.
— A cerca do pasto tá caindo — falei, só pra quebrar o silêncio. — Vi hoje de manhã quando fui buscar água.
— Eu sei. Vou arrumar assim que isso passar.
— O senhor não precisa fazer sozinho. Eu ajudo.
— A cerca é muito pesada pra você
— Eu carrego lata d'água cheia na cabeça desde os dez anos.
Ele riu fraco. Um riso de dor, mas sincero.
— É verdade. Você sempre foi teimosa.
— Puxei o senhor.
— As vezes esqueço que você cresceu
Realmente já não era a pirralha fedorenta de outros carnavais. Não que eu tivesse crescido muito em altura, tinha uns 1,69 ou 1,70 de altura, pele branca, cabelos pretos curtos, mais ou menos na altura do ombro. Peitos também não cresceram muito, tinha seios pequenos. A cintura tinha afinado, a bunda ficado maior, coxas mais grossas.
Ficamos quietos um tempo. O gelo derretia dentro do pano e um fio de água escorria pela perna dele, formando uma poça pequena no lençol. A cada cinco minutos ele checava o pano, tirava, olhava, colocava de novo.
— Tá diminuindo?
— Tá. Um pouco.
— Então deixa mais um pouco.
O sol foi descendo pela janela, pintando a parede de laranja. A gente conversou sobre a plantação de milho, sobre a seca que estava chegando, sobre a vizinha que tinha vendido as galinhas.
E aos poucos a voz dele foi ficando mais leve, o corpo foi relaxando, até que ele suspirou longo e disse:
— Passou.
Olhei pra ele. O volume tinha baixado. Não sumiu, mas baixou. O pau ainda estava ali, meio duro, mas não mais apontando pro teto como antes.
Sai do quarto. Apaguei a lamparina e fui dormir.
Três semanas se passaram sem crise. Eu já estava começando a achar que o tratamento do doutor tinha resolvido de vez, que o corpo do meu pai tinha aprendido a se comportar. Até que numa quarta-feira, depois do almoço, ele apareceu na cozinha dobrado, segurando a virilha com as duas mãos, o rosto branco.
— Não tá passando.
— O banho?
— Já tomei. Não resolveu.
— E o gelo?
Ele balançou a cabeça.
O pau dele estava duro como pedra. Eu vi pelo calção, o tecido esticado,
Ele gemia entre os dentes. Eu respirei fundo.
— Pai, o doutor falou que massagem também ajuda.
Ele parou. Me olhou como se eu tivesse dito a pior coisa do mundo.
— Francisca, isso é... isso é muito estranho, fia.
— Eu sei. Eu também não me sinto confortável em ter que fazer isso. Mas não tem outro jeito.
— Não. Não vou deixar.
— Pai, o senhor tá com dor. Eu vou fazer. A gente faz assim: o senhor olha pro lado e eu olho pro outro. Ninguém precisa se encarar.
Ele ficou parado por um longo tempo. A dor venceu. Ele assentiu com a cabeça, derrotado, e sentou na cama.
Fui até o armário da cozinha e peguei o vidro de óleo de copaíba que minha avó usava pra tudo — dor nas juntas, ferida, picada de cobra. Despejei um pouco na palma da mão. O cheiro forte encheu o quarto. Minha mão tremia quando me aproximei.
Ele já tinha abaixado a calça até o joelho. O pênis dele subiu livre, grosso, as veias saltadas como raízes, a glande brilhando de tensão. Eu tinha visto de relance antes,mas agora estava ali, bem ali na minha frente.
Encostei a palma da mão naquela coisa dura.
A respiração dele parou. A minha também.
Era quente. Mais quente do que eu imaginava. Duro como um pedaço de madeira
eu sentia as veias pulsando contra a minha pele, como se tivesse outra coisa viva ali dentro.
— Nossa — sussurrei. — É tão duro. Deve tá doendo muito.
— Dói demais, filha.
— Espero que isso ajude.
Fechei os olhos um instante, depois abri. Ele estava olhando pro lado, como combinado, o maxilar travado, os olhos na parede. Eu também tentei olhar pro outro
lado, mas não consegui. Minha mão começou a se mover sozinha, devagar, de cima pra baixo.
O óleo fazia a pele deslizar. Eu via a glande aparecendo e sumindo a cada movimento, brilhando
Apertei um pouco mais. A respiração dele mudou de ritmo.
— Tá doendo? — perguntei.
— Não. Tá... tá melhorando.
Os gemidos dele mudaram. No começo eram de dor — eu conhecia aquele som. Mas agora tinham outra coisa
— Pai, ainda tá doendo?
— Só um pouco. Mas ta passando.Continua.
Eu continuei. A mão subia, descia, subia. As veias pulsavam contra os meus dedos. O cheiro de copaíba se misturou com outra coisa, um cheiro mais denso, mais quente, que eu não sabia dizer o que era. O corpo dele começou a tremer. Os quadris dele subiram, empurrando contra a minha mão, e eu deixei, porque ele gemia de um jeito que eu nunca tinha escutado.
Algo em mim também acontecei, algo que eu não sabia explicar. Sentia minhas pernas tremer, mesmo sentada. Meu coração palpitar mais forte e lá embaixo esquentar
A mão dele agarrou o lençol com força, os nós dos dedos brancos. A respiração virou um chiado. E então — um jato quente saiu dele, espirrando na minha mão, no meu pulso, na minha blusa.
Eu levei um susto e tirei a mão na hora.
— Que isso, pai?!
Ele caiu pra trás na cama, o peito subindo e descendo, os olhos fechados.
— Eu gozei, filha. Você nunca viu um homem gozar?
— Não. É a primeira vez.
Fiquei olhando pra minha mão, pro líquido branco escorrendo entre os meus dedos, pro pênis dele que agora começava a murchar, finalmente.
— Acho que eu sempre fui muito reservado pra conversar com você sobre isso — ele disse, a voz rouca, os olhos ainda no teto.
— É. O senhor quase sempre foi muito calado, pai.
— E eu achei que teria sua mãe nessa hora.
Fiquei parada, com a mão levantada, sem saber se limpava na blusa ou no pano de prato. O cheiro do quarto era de óleo, de suor e de alguma coisa nova que eu não conseguia nomear. Meu pai não olhava pra mim. E eu fique sem jeito, não sabia se queria que ele olhasse.
CONTINUA

