Acordei no escuro sem saber a hora. O Léo roncava baixo, a boca aberta, o pau mole contra a minha coxa. Desci a escada descalça, a camisa dele no corpo, a calcinha que eu tinha achado no chão. A madeira rangeu. Na sala, o Luis estava de olhos abertos.
— Não dormiu — eu falei, sem pergunta.
— Dormi um pouco. Fiquei ouvindo vocês.
Não era ciúme.
— Que horas são.
— Quase seis. Vai voltar para cama?
— Vou. Se eu ficar aqui eu começo o dia cedo demais.
Subi. Deitei de novo. O Léo nem virou. O céu clareou devagar por cima da mata. O cerrado estava silencioso, igual o silêncio de quem já fodeu, mas continua querendo mais.
Oito e pouco. Passos na escada. Não era o Léo. Eu estava deitada de bruços. O colchão afundou nos meus pés. A camisa subiu nas coxas. A boca do Luis veio entre as pernas sem me dar tempo de surpreender. Eu ainda estava no “retiro”. Só que o retiro tinha acordado com língua.
# Parte 1 — oito e meia, a rede, o café
A língua do Luis era a de sempre: lenta, gentil, habilidosa. Afastou a calcinha com os dedos, a camisa do Léo levantada até a cintura, e comeu a buceta ainda inchada da véspera como quem aquece o que sobrou do almoço. Eu soltei o ar no travesseiro do Léo. Ele ainda dormia.
— Calma… — eu falei, a voz de quem dormiu mal. — Tá sensível.
A resposta foi uma língua entrando na minha buceta. O clitóris doía de tão excitável. Ele não lambuzou tudo, não babou: só o meio, o vai-e-vem curto, o nariz no meu ânus. A habilidade dele era incrível, e nem precisei me esforçar para gozar, o primeiro orgasmo da manhã, gemendo baixo e tremendo na língua dele. O Léo virou, enfim, o olho inchado.
— Caralho. Que horas são.
— Oito e meia — o Luis falou de entre as minhas pernas, a boca molhada. — Bora tomar Café.
Ele desceu. Eu fiquei deitada mais um pouco, a camisa torta, a calcinha no joelho. O Léo puxou meu cabelo para o lado e beijou a boca sem perguntar nada
Na cozinha o Luis preparou tudo. O cheiro de café subiu a escada. Desci descalça. A rede da varanda estava na sombra. O Léo sentou nela, a bermuda aberta, o pau duro de quem tinha acabado de acordar vendo outra boca na minha buceta. Eu ajoelhei no chão de tábua, o lago atrás dele, a mata quieta.
— O café tá quase pronto — eu disse, a mão no pau dele.
— Deixa ele fazer. Vem.
Passei a língua na glande. O pau de vinte e dois estava lá, presente. Desci o que coube, recuei, desci de novo. A rede rangeu. Lá dentro a cafeteira chiava. O Luis apareceu no vão com a caneca na mão, parou, olhou a cena e não falou nadal.
Veio. Ajoelhou ao meu lado. Uma mão nas minhas costas, a outra por baixo, achou minha buceta e enfiou dois dedos entre a carne úmida, no mesmo ritmo da minha boca no Léo.
— Assim — o Léo segurou meu cabelo. — Não para, puta que o pariu!.
Sem pedir permissão, ele gozou na minha boca, me dando uma carga proteica e gordurosa antes do café da manhã. Engoli. O Luis não tirou os dedos. O Léo ainda pulsava na língua quando me virou de quatro no chão da varanda, o pau já meio mole, e enfiou mesmo assim — grosso, molenga, pesado, o bastante para preenche inteira. Entrou fácil. Eu gozei na hora, o segundo, um estalo curto, as mãos na tábua, o café sendo preparado na cozinha..
— Porra — ele riu no meu quadril, sem conseguir ficar duro de novo. — Nem deu tempo de levantar.
— Você que quis meter mole — eu ri
O Luis tirou a mão, limpou os dedos no próprio short e foi buscar as canecas. Trouxe três. O lago estava parado. Eram nove e pouco, e eu já tinha gozado duas vezes, mais do que muitas mulheres o fazem em uma semana.
# Parte 2 — a trilha, o lago, nove e quarenta
Depois do café, vesti de novo o biquíni preto na sala. A saída branca por cima. Chinelo. O cabelo preso alto. O Luis fechou a cabana. O Léo pegou as toalhas. A trilha descia. O Léo ia na frente. Eu no meio. Tirei a saída quando a água apareceu entre as árvores. O Corumbá de terça estava mais parado que o de segunda. Entrei até a cintura. O frio subiu e apagou o que a varanda tinha acendido.
O Léo veio por trás. O pau encostou na calcinha do biquíni, já duro de novo, as mao snos meus peitos.
— Léooo… — eu falei, sem virar. — pára com isso.
— Calma, não vou entrar. Só quero ficar.
E ficou. O volume grosso no meio das nádegas, a água fria, o sol no ombro. O Luis nadou uns metros, o suficiente para fingir que não estava no quadro, e voltou. Parou na nossa frente, a água na altura do peito, e olhou o lugar onde o outro se encostava.
— Vocês dois — ele disse, baixo. — Parecem um casal em lua de mel.
Rimos. A risada saiu pequena. Ninguém meteu. O corpo pedia, mas a falta de privacidade dizia “não”. Fiquei assim uns minutos, o Léo parado, o Luis parado, eu parada. Quando saímos, a pele já estava seca pela metade. Subimos a trilha com areia no pé e tesão sem nome.
Na cabana eram quase onze. O Luis foi para a pia de novo. O Léo jogou a toalha no sofá. Eu fiquei de biquíni, a saída aberta. Ainda era cedo para a cama. O almoço é que ia decidir o resto.
# Parte 3 — o almoço, o colo, meio-dia e meia
O Luis preparava o almoço. O cheiro de gordura misturou com o de lago. Eu ainda estava de biquíni, a saída branca aberta, sentada no braço do sofá. O Léo estava em pé, a toalha na cintura, olhando meu peito mais do que o prato.
— Senta aqui — ele chamou, já no sofá.
Sentei no colo, de frente. O pau dele subiu entre nós, por baixo da toalha, grosso, quente. O Luis virou as costas na cozinha o tempo de mexer a frigideira e virou de novo.
— Vocês não vão comer primeiro? — perguntou, sem surpresa.
— Depois — eu falei.
Puxei o elástico do biquíni para o lado. Segurei o pau, ajeitei a glande na entrada e desci. Fundo. O ponto da frente. O peso do meu corpo. Sentei até a base e fiquei, os braços no pescoço dele, a testa na testa. O Luis trouxe dois pratos e deixou na mesa. Não pediu para a gente parar. Sentou na cadeira com o terceiro prato e comeu olhando o meu quadril descer e o Léo me foder
— Rebola — o Léo pediu, as mãos na minha bunda, por cima e por baixo da saída. — Devagar. Ele está vendo.
Rebolei. O som era molhado, baixo, de quem fode no meio da sala com a porta da varanda aberta e o almoço esfriando. O biquíni preto torto na virilha. Os seios livres quando ele puxou o top. O Luis mastigava. Às vezes parava o garfo no ar. Eu, entalada e sentindo os seios beijados e chupados.
E assim eu gozei de novo, o tronco ereto, o pau inteiro dentro, o quadril para frente e para trás. Eu gemi no pescoço dele, as unhas nas costas, o corpo tremendo no colo. Ele segurou minhas ancas para eu não sair e não gozou.
— Come — o Luis disse, enfim, empurrando o prato na nossa direção. — Senão vocês não almoçam.
Levantei do pau com as pernas moles. Ajeitei o biquíni. Mesmo com toda a intimidade, eu estava envergonhada, mas feliz. Comemos os três na mesa, eu com a buceta aberta, o Léo ainda duro debaixo da toalha, o Luis com os olhos brilhando e elogiando nossa foda.
Uma e pouco. Ele abriu o notebook na varanda.
— Tenho uma call do trabalho. Será curta. Vou deixar a câmera fechada. Só não façam barulho.
O Léo me olhou.
— Então a gente vai para a cama - ele falou em voz alta.
Depois virou para mim, e susurrou - Mas porta fica aberta.
# Parte 4 — a call, a porta, uma e quarenta
O Luis sentou na varanda com fone, a câmera tapada, a voz de trabalho já pronta. “Boa tarde.” “Pode falar.” O Léo me puxou para a cama de baixo, a porta entreaberta o bastante para a varanda ver a cama, e a cama ouvir a varanda.
Fiquei de quatro no colchão, joelhos afastados, peito baixo. O biquíni ele tirou inteiro. Entrou de uma vez, fundo, o pau duro de quem não tinha gozado no almoço. Eu soltei o ar no travesseiro e mandei o som para baixo.
— Quieta — ele falou no meu quadril, baixo. — Ele está em call.
— Eu sei - eu respondi, gemente.
As estocadas foram longas mesmo assim. O colchão reclamava. Lá fora o Luis ria de alguma coisa que não era a gente, pedia um número, dizia “pode repetir”. Cada vez que a voz dele endurecia no profissional, o Léo metia mais fundo, como se ´precisasse de uma desculpa.
Eu gemia abafada no travesseiro. Às vezes escapava. Uma vez o Léo tapou minha boca com a palma.
— Shhh. Tania. A call.
Dois minutos depois a voz do Luis mudou.
— Pessoal, um segundo. Vou ficar no mute.
O fone saiu. Os passos. Ele parou no vão da porta, o notebook ainda aberto na mesa de fora, e só olhou: eu de quatro, o Léo cravado até a base, o suor nas minhas costas, o quarto cheirando a sexo.
— Continua — ele disse. Não era ordem, era um pedido.
Não voltou para a call na hora. Ficou no batente. O Léo acelerou. O quarto orgasmo veio assim, com o Luis na porta e a reunião no mute, o corpo inteiro puxando o pau, o gemido alto demais para quem tinha prometido silêncio. O Léo segurou meu quadril, gemeu no meu ombro e gozou dentro — a segunda dele no dia — quente, fundo, o quadril travado.
Na varanda alguém falou “Luis?” no alto-falante.
Ele ajeitou a camisa, voltou para a cadeira, pôs o fone.
— Estou aqui. Precisei ver uma coisa
O Léo saiu de mim devagar. Eu desabei de lado, o sêmen escorrendo, rindo baixo no lençol porque “ver uma coisa” era a melhor desculpa do sítio.
Depois a call acabou de verdade.Tomamos banho. Ninguém meteu. Cochilamos na cama de cim, eu no meio, eles de cada lado, o relógio andando para as quatro. O que vinha depois eles já tinham combinado. Eu não sabia. Ou sabia, só ainda não tinha pedido em voz alta.
# Parte 5 — quatro e meia, os dois, o queijo
Acordei com o corpo anestesiado de quem tinha gozado muito. Quatro e pouco. O Léo já estava duro contra a minha coxa. O Luis desceu, voltou com a toalha e o lubrificante na mão.
— Tá acordadinha, delicia? Deve estar bem relaxada né? Vem cá… — ele disse, sem teatro.
Ajoelhei no meio da cama, sentando nos calcanhares. Os dois vieram na frente, em pé. A janela aberta dando visão do horizonte ao longe. Revezei a boca: o grosso do Léo até a mandíbula doer, o reto do Luis mais fácil de afundar. Uma mão em cada base. O quarto inundado de gemidos dos três, o meu mais surdo, sempre com um pau na boca. Em um certo momento, me detive mais no pau do Luis. Quando a glande dele bateu no fundo, tirou.
— Deita. Deixa o Léo te comer primeiro.
Deitei. O Léo abriu minhas pernas e entrou de papai e mamãe, fundo, o peso do corpo, o beijo na boca. Estocou com vontade, olhando. O Luis ficou ao lado, a mão na minha coxa, só vendo o outro desaparecer dentro de mim. Eu já estava quase gozando, quando pedi para parar
— Vem — eu chamei, já sem fôlego. — Vamos tentar os dois.
O Léo deitou de costas. Sentei no pau dele, engolindo com a vagina, até a base. O Luis veio por trás, lambeu meu cu, massageou com o dedo, parou, o clique do lubrificante. Espalhou o geladinho no meu cu inteiro. O pau reto encostou e pediu passagem milímetro por milímetro. Eu enterrei a cara no ombro do Léo.
— Ar. Me dá ar.
— Calma — o Luis falou atrás. — Relaxa. Eu só acompanho.
Entrou. Os dois dentro. O Léo mandou o ritmo por baixo; o Luis saía e voltava curto. Eu rebolava o que dava. A sensação de ser dilatada e preenchida cumpriu com o que precisava, e o quinto orgasmo veio feio, quase em choro, o corpo cheio, a mão atrás no quadril do Luis. Ele gozou assim, no cu — a primeira dele no dia — quente, fundo, sem sair na hora.
Saiu devagar e se afastou, como se a DP não fosse nada além de natural.
O Léo me levantou, ainda duro, me virou de frente para a parede, ao lado da janela e meteu em pé, uma perna minha no ar, a outra no chão. Estocou até cravar e gozar dentro — a terceira — o gemido no meu pescoço e a porra na minha buceta.
Quando saiu, eu desabei na cama. Ele foi beber água. O Luis trouxe uma garrafa para mim, estendendo a mão.
— Toma. Melhor a gente parar um pouco.
Depois disso tudo transcorreu normal. Falamos de nada: o lago, a hora de sair, o plantão das sete. O corpo pediu descanso, mas a noite ainda era uma criança.
# Parte 6 — a fogueira, dez da noite
O cerrado esfriou. O Luis acendeu a fogueira no pátio de terra. Três troncos. Cerveja. O vestido areia de novo, sem nada por baixo. O Léo sentou no tronco mais baixo. Eu ajoelhei na terra entre as pernas dele.
O pau já duro, grosso, a glande na boca. Chupei olhando para cima. Do outro tronco o Luis bebia, as pernas abertas, o olhar no meu perfil, no fio de saliva, no fogo.
— Assim — o Léo segurou meu cabelo. — Fundo. Ele está vendo.
O Luis levantou, veio por trás, ajoelhou na terra. Levantou o vestido. O pau reto encostou na buceta e entrou de uma vez — não no cu, não dessa vez. Metidas curtas, as mãos nos meus quadris, enquanto eu chupava o outro.
— Fica — ele falou, a voz baixa. — Não tira a boca dele.
O sexto orgasmo veio assim: pau na boca, pau atrás, o fogo no rosto, a terra nos joelhos. Eu gemi no Léo, o som abafado na grossura, o corpo inteiro puxando o Luis. O Léo tirou o pau da minha boca, bateu a glande na minha cara, uma vez, outra, e se masturbou olhando. Gozou no meu rosto — a quarta — quente, nos lábios, no queixo, um fio no cabelo. O Luis ainda estava dentro. Saiu sem gozar. Ajeitou o short. Voltou para o tronco e bebeu o resto da lata.
Eu fiquei ajoelhada mais um segundo, o vestido na cintura, a porra escorrendo. O Léo levantou, fechou a bermuda:
— Pqp, que dia foda….
Depois disso, cada um tomou seu banho e fomos para a cama. Combinamos de sair 4:30 da madrugada. Léo deitou na cama de cima e apagou. Eram quase meia-noite. O Luis ficou embaixo, acordado. Eu desci a escada de novo e deitei com ele.
# Parte 7 — a madrugada, o papai/mamãe
O Léo roncava em cima. Desci. O Luis estava sentado na beira da cama de baixo, lendo.
— Ele dormiu — eu falei.
— Eu sei. Quer deitar?
Deitei de costas. Ele tirou a própria cueca, o pau estava duro. Tirou minha calcinha, abriu minhas pernas com o joelho, se encaixou, o pau reto entrando devagar, fundo, o peso do corpo colado. Não era a foda do Léo. Era o fechamento: estocada longa, beijo na boca, a mão no meu cabelo, o outro homem dormindo no andar de cima.
— Olha pra mim — ele pediu.
Olhei. A foda demorou um tantinho, cresceu, eu estava adorando, e o sétimo orgasmo veio baixo, o corpo arqueando, as mãos no lençol, um gemido preso, escapando pela garganta.
Luis saiu. Se masturbou duas vezes sobre mim e gozou no peito — quente, nos seios, um fio na clavícula. Era apenas a segunda gozada dele. A última do sítio.
Dormi uns minutos coberta de porra. Acordei com o alarme dele.
# Epílogo
Quatro e dez. A cabana ainda cheirava a fogueira e muito sexoo. O Luis apagou a luz da sala, conferiu o fogão duas vezes, pôs as malas no porta-malas como quem desmonta um acampamento e não uma foda de dois dias. O Léo desceu a escada atrasado, beijou minha boca sem abrir o olho e caiu no banco de trás.
Eu vesti o areia no escuro. A calcinha estava debaixo da cama de baixo. Os seios doíam por baixo do tecido. Entre as pernas, um latejo fundo, conhecido: o grosso do Léo, o reto do Luis, o cu ainda lembrando a tarde. Passei a mão no peito, no lugar onde ele tinha gozado há poucas horas. O banho tinha tirado o gozo. A memória não.
O carro desceu a terra solta. O lago ficou para trás sem eu olhar direito. Retiro. Silêncio. Quarta eu trabalho.
A BR-060 de madrugada é um fio. Pouco farol. Cerrado dos dois lados. O Léo roncava atrás, a mão esquecida no banco, o mesmo homem que na segunda não tinha me deixado ambientar e na terça tinha gozado na minha cara perto da fogueira. O Luis dirigia com os olhos na pista, o mesmo homem que tinha feito ovo, atendido call e metido no meu cu como quem termina um prato.
Eu não dormi. Queria. O corpo pedia. A cabeça não largava a conta dos dois dias: a poeira da chegada, o sofá, o lago, a chuva, a porta entreaberta, o queijo depois da DP, a terra nos joelhos, o papai/mamãe quieto enquanto o outro roncava em cima. Seis orgasmos na segunda. Sete na terça. Os números no resumo cabem. O que não cabe é o intervalo — a rede, o pão frio, o notebook fechado, ele falando “eu fico”.
Pensei no marido. No hotel da outra semana. No sexo de quarta, sem nada de mais, nem de menos. Pensei na minha irmã na portaria, na caixa da mãe, no “está tudo bem”. Pensei no plantão das sete: gente na minha frente, meu nome no crachá, o corpo ainda aberto por dentro. Apertei as coxas no banco. Doía de um jeito bom e de um jeito cansado.
— Está acordada — o Luis disse, sem tirar o olho da estrada.
— Estou. Se eu dormir agora eu não trabalho..
— Você aguenta.
— Aguento. Só não sei se quero.
Ele não respondeu logo. O relógio do painel andava. Brasília ia chegar.
O céu já clareava num cinza sujo. O Léo resmungou atrás e virou o rosto. Eu ajeitei a camisa. Ajeitei o cabelo. Ensaiei a cara de quem passou dois dias em silêncio.
O retiro tinha acabado. O que eu levava não cabia na mala: o latejo, o gosto que o creme dental não tira, a frase pronta para o grupo da família, e a certeza — quieta, perigosa — de que se o Luis mandasse outro pin eu ia olhar o calendário antes de dizer não.
Sete horas eu precisava parecer gente.




