A frase ficou. Não no telegram. Na cama. Nas vezes em que eu sentava no trabalho e a buceta lembrava o pau grosso, o abraço nas pernas, o “seu corpo sabe exatamente o que eu preciso”. Ele mandou pouca coisa naqueles dias. Um áudio curto na quinta, voz de trânsito. Um “tudo bem aí?” no sábado, que eu respondi com um emoji, porque responder com texto era abrir a porta de novo. Domingo de manhã o marido embarcou. Mala na porta, beijo de quem viaja por trabalho, “te ligo quando chegar”. O apartamento ficou grande demais no mesmo instante. E mesmo assim eu não chamei o Léo. Chamar era admitir que a frase tinha virado falta.
Segunda, 7 de abril. Folga. Quinze e pouco da tarde. Eu estava descalça em casa, camiseta branca básica, sem sutiã, short jeans muito curto, justo, gasto nas bordas. Cabelo preso num rabo de cavalo que eu nem tinha penteado direito. Café frio na pia. Televisão baixa, sem ninguém assistindo.
O celular vibrou no sofá. Nome dele.
**Pousei.**
Três segundos depois:
**Tô com saudade. Posso ir aí?**
Não era o “tá em casa?”. Não era o “me recebe?”. Era pista. Ele tinha voltado para Brasília e, em vez de ir para casa desfazer a mala, queria vir direto para a minha porta. Saudade escrita assim, sem rodeio, depois de sete dias, depois da frase sem resposta, depois do marido no avião.
Eu olhei o corredor. Olhei a camiseta marcada. Olhei o short. Não troquei de roupa. Trocar seria montar cena. Deixar como estava era o recado mais honesto que eu tinha: eu também não tinha me arrumado para ninguém.
Respondi sem sentar direito, o polegar um pouco trêmulo:
**Vem. Você tem a senha.**
Vinte e poucos minutos. Tempo de perceber que o apartamento grande demais de domingo de manhã estava, de novo, prestes a ficar pequeno. Tempo de lembrar o “não responde a frase por mensagem” — e de saber que ele não estava vindo cobrar a frase. Estava vindo porque pousou e a primeira coisa que quis era eu.
Quando a campainha do apto tocou, eu abri. Ele estava com a mala de bordo ainda na mão. Camisa amassada de voo, o grisalho um pouco revoltado. Quarenta e seis anos, o olhar direto. Ficamos dois segundos só nos olhando, a porta entreaberta, o hall vazio atrás dele.
— Eu disse que estava com saudade — falou, a voz carregada de desejo. — Não era conversa.
— Entra. Larga a mala.
Ele entrou. A porta fechou. E o apartamento, de repente ficou do tamanho da distância entre a minha camiseta e a mão dele..
Ele não pediu nada. Não bebeu água. A porta fechou e a mão dele já estava por baixo da camiseta — palma quente na barriga, os dedos subindo, achando o seio nu. O polegar passou no mamilo. Eu soltei o ar na boca dele. O beijo veio com gosto de café de aeroporto. Eu puxei a camisa amassada para fora da calça sem conseguir desabotoar direito. O short jeans era tão curto que, quando a outra mão dele entrou por trás, por baixo da barra gasta, o que ela encontrou foi minha bunda nua.
— Eu fiquei o voo inteiro pensando nisso — ele falou contra a minha boca, a voz baixa, apertada. — Neste teu corpo, nessa tua boca….
— Eu também. Eu não te chamei porque se eu te chamasse eu ia ter que admitir que estava mais vulnerável do que deixei parecer.
— Então admite agora. De outro jeito.
# Parte 1
O sofá da sala era o mesmo do domingo, 30 de março. Naquele dia tinha tido colo, mas nesse, ele me virou de frente para o encosto, puxou o short pelas coxas e a calcinha veio junto, presa num joelho, um elástico torto na panturrilha. A camiseta ficou. Eu ajoelhei no assento, os joelhos afundando no estofado, afastados na largura do quadril. O peito foi para o encosto. O rabo de cavalo caiu para o lado direito, os fios soltos na nuca. A coluna arqueou sozinha. A bunda ficou para fora, alta, a buceta já brilhando, o ar-condicionado frio passando no meio das coxas abertas.
Ele abriu a calça só o bastante. O pau saiu pesado, 22 cm, grosso demais para a mão fechar, glande carnuda. Encostou na fenda. Deslizou de cima a baixo, lento, lambuzando a cabeça no meu mel, parando na entrada sem entrar. Eu empurrei o quadril para trás sem querer. Ele soltou um som baixo, quase um riso preso.
— Tá querendo pau, hein? Não se aguenta, minha putinha?
— Para de brinca. Entra…. Vai….
Entrou.
Não foi de uma vez, abrupta. Foi o suficiente para eu sentir a glande abrindo, a espessura exigindo espaço, as paredes cedendo milímetro por milímetro até a base bater no meu quadril. Fundo. O peso dele por trás. A pressão macia e ao mesmo tempo insuportável — aquele volume que preenche e empurra o fundo sem ponta dolorida, só ocupação. Eu gemi alto demais para as três da tarde, a testa no encosto, os dedos cravados no sofá.
Ele parou lá dentro, inteiro, pulsando.
— Que delícia. Que saudade disso — falou no meu ombro, a respiração quente. — Esse aperto. Essa calor. Me fala se tá doendo ou se tá bom.
— Tá gostoso… Tá grosso. Tá fundo. Mexe. Por favor.
As estocadas foram longas. Ele saía até a glande — eu sentia o vazio, o fio ligando a gente, a entrada latejando — e voltava até a raiz, o quadril encostando no meu, as bolas quentes no meio. Cada volta puxava um pouco o ar dos meus pulmões. Uma mão ficou na minha anca, o polegar abrindo a nádega. A outra solta, atrevia umas palmadas, ainda fracas mas firmes. A coluna ainda mais arqueada, a camiseta branca subindo nas costas, os seios balançando soltos por baixo do algodão.
O short preso no joelho batia contra a panturrilha a cada metida. O estofado reclamava. O som era úmido, fundo, de quem não estava fazendo amor educado.
— Assim… assim, Léo. Rápido. Eu quero sentir saindo e voltando.
— Eu também. Sua buceta puxa quando eu saio. Como se não quisesse me deixar
— Porque eu fiquei pensando nisso? Nesse pau enorme e gostoso, uuuuhhhhhh….
A mão da anca desceu por baixo. Os dedos acharam o clitóris inchado, escorregadio, e acompanharam a estocada no mesmo compasso do pau. Entrava fundo, o dedo apertava. Saía, o dedo afrouxava. O primeiro orgasmo veio rápido demais para o tempo que a gente tava metendo. O corpo curvou no encosto, as coxas tremeram, a buceta agarrou o pau em pulsos curtos e fortes. O gemido saiu alto, sem filtro, a boca aberta no tecido do sofá.
Ele segurou o quadril para eu não despencar e continuou dentro, mais lento, sentindo minhas contrações.
— Delícia — falou perto da minha orelha, a vo triunfante. — Eu senti. Fica assim um segundo. Eu ainda estou duro pra caralho e se eu continuar eu gozo agora. Eu não quero gozar ainda.
O pau saiu devagar. O vazio veio quente, um fio escorrendo na coxa, o short ainda no joelho, a camiseta grudada nas costas. Eu fiquei ajoelhada no sofá, a buceta latejando para o ar da sala.
Ele passou a mão no meu cabelo, e virou meu rosto.
— Eu preciso da sua boca. Porque se você me chupar agora eu aguento te comer de novo na cama. Se não, eu gozo aqui atrás e não sei se me recupero.
Eu desci do sofá com a perna mole. O encontro improvisado tinha durado apenas quinze minutos e eu já tinha gozado, e agora estava no chão da minha sala, a boca à altura do pau grosso e molhado do meu mel.
Léo ainda estava de pé na frente do sofá, a calça aberta e os 22cm para fora. Eu segurei a base com a mão. Ele pôs as mãos no meu cabelo:
— Devagar — pediu, a voz já falha. — Eu estou no limite. Se você enfiar fundo agora eu não aguento.
— Então me avisa. Eu quero sentir você gozar na boca.
Passei a língua na glande primeiro, larga, recolhendo o que era meu. O gosto era de pele e de buceta, quente. Envolvi a cabeça com os lábios e desci até onde a espessura deixou, a saliva já escorrendo no queixo, o nariz quase no púbis. O pau pesava na língua. A glande batia no céu da boca. Eu recuei, puxei o ar, desci de novo.
As mãos dele fecharam um pouco mais no meu cabelo. Era o corpo pedindo ritmo. Ele guiou minha cabeça no vai-e-vem, curto no início, depois mais fundo, o quadril se mexendo milímetros, como se tivesse medo de enfiar demais. Em alguns momentos, ele tirava o pau da minha boca, e batia com ele na minha cara:
— Porra, Tania… tua boca tá quente pra caralho. Olha pra mim. Eu quero ver.
Olhei. Os olhos dele estavam úmidos de esforço, a camisa de voo ainda pela metade, o abdômen tenso. Eu desci até a garganta doer um segundo e segurei, a boca aberta, a saliva fiando. Ele gemeu baixo, o som preso no peito.
— Assim. Fundo. Eu senti falta disso também. Da sua cara com o pau na boca…ahhhhh
Eu chupei mais rápido. Uma mão na base, torcendo no que a boca não alcançava. A outra nas bolas, quentes, pesadas. A cada descida o pau pulsava mais contra a língua.
— Tania… vem. Vem, amor. Eu não aguento. Se você quiser tirar, tira agora.
Não tirei. Afundei, olhando para cima, a mão apertando a base, e deixei ele usar a minha boca no último movimento. Ele gozou com um gemido rouco, as mãos firmes no meu cabelo, o quadril travado. Os jatos vieram quentes, grossos, menos do que eu lembrava da última vez, mas o suficiente para encher a boca. O gosto salgado, pesado, adstringente, que eu adorava.
Engoli. Tudo. A garganta trabalhou. Passei a língua na glande ainda pulsando, limpando o que tinha sobrado, e só então abri a boca para ele ver que não tinha sobrado nada. Ele soltou o ar como se tivesse pousado de novo. Abaixou, segurou meu rosto com as duas mãos e beijou minha boca suja, sem nojo, a língua passando no gosto dele.
Ele riu baixo, a testa na minha, ainda ofegante.
— Não está mole. Quase. Me dá dez minutos. Água.
Eu passei o dorso da mão na boca e fiquei ajoelhada mais um segundo, a camiseta branca manchada de saliva.
— Dez minutos. Depois a cama. E não fala que é para compensar o voo. Fala que é porque a gente ainda não acabou.
#Parte 2
Fomos tomar banho: O banheiro ficou cheio de vapor e de pouca conversa. Ele entrou primeiro, eu depois, a camiseta branca no cesto, o short no piso da sala. Eu lavei o rosto, o pescoço, o queixo onde ainda tinha o gosto dele. Lavou minhas costas com a palma, sem descer a mão na bunda. O pau estava mole, pesado, encostando na minha coxa quando a gente se mexia no box estreito. Nenhum dos dois puxou o fio.
— Se a gente começar aqui — eu falei, a boca na água — a gente não chega na cama.
— Eu sei. Eu quero a cama. Mas hoje eu quero a cama.
Mal nos secamos. O cabelo dele ficou pingando no ombro. O meu rabo de cavalo, ainda preso, escorreu água pelas costas. Atravessei o corredor nua. Ele atrás, a toalha na cintura só até a beira da cama, onde caiu.
A cama de casal estava arrumada de manhã. Não mais. Ele me posicionou de quatro no meio do colchão, de frente para a cabeceira. Eu ajoelhei com os joelhos bem afastados — mais do que no sofá — os pés para dentro, o peito baixo, os cotovelos no lençol, a bunda alta. A buceta ainda latejava do primeiro gozo, limpa da água, já molhando de novo só da posição. Ele se ajeitou atrás, as mãos nas minhas ancas, os polegares abrindo. O pau já duro outra vez, o intervalo do banho tendo bastado. Encostou. Entrou num movimento só, fundo, preenchendo tudo.
Soltei o ar no travesseiro.
— Ah caralho… aberta assim eu sinto mais.
As estocadas voltaram longas, mas mais pesadas. O colchão afundava. O quadril dele batia no meu com um som úmido quando ele cravava até o fim.
— Léo… mais fundo. Não mais rápido. Fundo.
— Toma Tania.. toma tudo... Segura.
O segundo orgasmo veio começou a se formar, uma subida lenta, a barriga contraindo, os olhos revirando no lençol, a boca aberta sem som primeiro, depois um gemido puxado, o corpo inteiro tremendo. A buceta agarrou o pau e não largou. Eu enterrei a cara no travesseiro do meu lado da cama e gozei assim, os joelhos escorregando para os lados, ele segurando meu quadril para eu não despencar.
Ele diminuiu, não saiu.
— Eu senti. Caralho Tania. Não fecha a perna.
— Não consigo… espera. Porra. Espera um segundo.
Não deu um segundo. O pau grosso ainda latejando dentro, e quando ele fez uma estocada curta, só para ajeitar, o terceiro gozo veio em cima do segundo — forte, inesperado, um solavanco que me tirou o ar. Eu gritei no travesseiro, o corpo pulando para frente, as unhas no lençol. As coxas tremeram tão feio que ele teve que me agarrar pelas ancas com as duas mãos.
— Isso… isso, Tania. De novo. Pqp que delicia… Goza meu amor… assim.
— Não para. Porra. Não tira. Goza. Eu quero você gozando agora, enquanto eu ainda estou… — não consegui terminar a frase
Ele acelerou o suficiente. Gemeu no meu ombro, cravou até a base e gozou dentro — quente, pulso por pulso. Eu senti enchendo, escorrendo ao redor, escorrendo para baixo, no meio das coxas abertas.
Ficou lá dentro até amolecer um pouco. Saiu devagar, e o vazio veio junto com a porra descendo. Eu desabei de lado, as pernas ainda abertas. Ele deitou atrás, os dois suados outra vez, o banho perdido.
— Safadinha gozou em seguida, hein?.
— Eu não vi o segundo chegar. Só veio.
Ficamos assim um tempo. O pau dele, mole, encostado na minha bunda. Eu pensei, sem falar, que se ele endurecesse de novo eu ia sentar naquela delícia.
Alguns minutos depois, ele endureceu.
# Parte 3
Alguns minutos depois ele endureceu de novo, o pau subindo contra a minha bunda, quente, já grosso o bastante. Eu não virei de quatro. Virei o tronco, empurrei ele de costas no colchão, semi reclinado contra a cabeceira da cama e sentei de costas para o peito dele — as pernas abertas por fora das coxas, os pés no lençol, a coluna reta. Segurei o pau com uma mão, ajeitei a glande na entrada e desci devagar.
O pauzão entrou em um ângulo diferente. Mais fundo no ponto da frente. O peso do meu próprio corpo fazendo o trabalho. Eu sentei até a base, parei, senti o pulso dele lá no fundo, e só então comecei a me mover — lenta, o quadril desenhando um círculo curto, subindo dois dedos, descendo inteira.
As mãos dele vieram na frente, por baixo, acharam os seios. Apertaram. A boca nas minhas costas, beijando, mordendo de leve.
— Assim — ele falou no meu ombro, a voz já outra vez apertada. — que porra de buceta gostosa.
— Ai Léo, seu puto… tá fundo. Se eu acelerar eu gozo de novo… eu não aguento.
— Então não acelera. Fica. Rebola só.
Rebolei. O som era outro — mais baixo, mais molhado, os restos do sêmen da gozada anterior fazendo o pau deslizar,, escorrendo em volta, escorrendo no colo dele. Eu via a sala pelo vão da porta do quarto. Via um pedaço do corredor. A casa inteira aberta, o marido no avião, o Léo dentro de mim.
— Pau gostoso— eu falei, a respiração falhando. — Na minha cama….. Se a gente parar agora eu vou ficar com raiva.
— Não para. Sobe inteira. Desce. Isso. Porra, Tania…
O ritmo ficou gostoso de um jeito perigoso. Lento o bastante para durar. Fundo o bastante para eu morder o lábio. Eu já sentia o quarto gozo ao longe, uma ameaça boa, o clitóris roçando quando eu inclinava para frente.
Até que… A campainha da portaria tocou.
Um toque só. Depois outro, mais longo.
Congelei. Eu estava sentada até o fim no pau dele, de costas, o quadril parado no ar. O coração saiu pela boca.
— Não é o iFood — eu falei, já sabendo.
O terceiro toque. Eu saí dele num movimento ruim — o pau escorregou para fora, o vazio imediato, o quente escorrendo na coxa interna — e atravessei o corredor nua, as pernas bambas. Apertei o interfone com a mão trêmula.
— Sou eu — a voz da minha irmã, clara como o dia — Estou aqui embaixo. Trouxe aquela caixa que você pediu da mãe. Posso subir?
Eu olhei para trás, gelada. Léo estava na porta do quarto, nu, o pau ainda duro, brilhando, a cara de quem tinha entendido tudo no mesmo segundo.
— Sobe — eu falei no interfone, e a voz saiu alta, ofegante, errada. — Me dá dois minutos. Estava no banho.
Desliguei.
— Porra. Porra, Léo. É a minha irmã. Ela já tá vindo.
Não teve conversa. Teve corrida. Ele saiu do quarto em três passos. A calça estava no hall, perto da mala. A camisa no sofá. Ele enfiou uma perna na calça sem secar, o pau ainda pesado atrapalhando o zíper, xingou baixo, puxou a camisa por cima da cabeça sem desabotoar. Eu no quarto: o short jeans no chão, a camiseta branca no cesto do banheiro. Corri nua, peguei a camiseta, vesti do avesso — três segundos perdidos para virar, o algodão colando no peito suado, nos mamilos duros. O short subiu com dificuldade na coxa suada. Sem calcinha. Não havia tempo de achar calcinha.
O quarto estava uma bagunça. Lençol no pé da cama. Travesseiro no meio. Toalha úmida. Cheiro aberto de sexo, de porra, de corpo. Joguei o edredom por cima de qualquer jeito, não estiquei. Fechei a porta com força. Abri a janela da sala, o vento da tarde entrando. Léo já estava na porta, abri, ele saiu:
— Não vai pelo elevador. Escada. Agora.
Olhei a minha cara no vidro da estante: boca inchada, cabelo destruído, camiseta marcada, o pescoço vermelho. O elevador dingou no andar de baixo. Ou eu achei que dingou.
— Vai — eu empurrei ele para a porta de serviço. — Não espera. Vai.
— Tava gostoso demais para acabar assim.
— Tava. Se ela te ver eu morro. Vai.
A porta de serviço fechou. O som dos passos dele na escada, descendo dois de cada vez, a mala batendo no corrimão. Eu fiquei dois segundos com a testa na madeira, o coração na boca, a buceta latejando dentro do short, o sêmen querendo escorrer. O elevador dingou no meu andar.
Passei a mão no cabelo. Ajeitei o short. Respirei uma vez, fundo, e abri. Minha irmã entrou com a caixa. Olhou para mim. Olhou a sala. Olhou a janela aberta demais. Olhou meus pés descalços.
— Você estava no banho mesmo?
— Estava. Quente. O ar não pega direito nesse horário.
A voz saiu quase boa. O corpo, não. Eu sentia o short colado. Sentia o pulso entre as pernas. Sentia o gosto dele ainda na boca quando falei da mãe, da caixa, de qualquer coisa. Sentei na ponta do sofá — o mesmo sofá — com as coxas fechadas com força, a almofada virada atrás de mim, a porta do quarto fechada como se um quarto fechado à tarde fosse normal.
Ela ficou onze minutos.
Onze minutos em que eu não cruzei a perna direito, não me levantei, não deixei que ela fosse ao banheiro.
Quando o elevador levou ela, eu fechei a porta, sentei no chão do hall e só então olhei o celular.
**No carro. Porra. A gente termina outro dia.**
Eu não respondi na hora. Fui ao banheiro. O espelho mostrou o que minha irmã talvez tivesse visto: mulher ofegante, dissimulada, batom sumido, rabo de cavalo destruído, camiseta branca marcada demais para quem só tinha tomado banho. Fiquei imaginando o que minha irmã pensaria ao me ver empalada naquele pauzão. Se ficaria excitada, com raiva, ou com vergonha.
O encontro tinha durado três horas e vinte.
Tinha acabado na campainha.



